Como Superar as Dificuldades Atuais (Editorial)


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Publicado em: 01/04/2006

Como superar as dificuldades atuais?

Gelson Melo de LimaDiretor de Produção da Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí Ltda. – CotrijalE-mail: glima@cotrijal.com.br

O Brasil, em especial o Rio Grande do Sul, colhe sua safra de grãos 2005/2006 em um ambiente de profunda crise no campo. Em 2005, tivemos uma drástica queda de rentabilidade nos grãos por fatores como o crescimento da produção em nível mundial, aumento dos custos em torno de 20%, problemas com logística e, finalmente, a taxa de câmbio, que extraiu renda das cadeias produtivas e afetou parte importante da produção destinada à exportação.

Nosso Estado, infelizmente, amargou quebras de produção na soja, sua principal cultura, na ordem de 30% na safra 2003/2004 e 70% em 2004/2005. Isso significa que a produção de uma safra precisou cobrir os custos totais de duas, somados a todos os investimentos realizados.

Na safra atual, apesar da redução nos custos de produção, os resultados ficarão no vermelho ou muito próximos dele, pois os preços das principais commodities estão baixos. Na soja, cultura que é o carro-chefe, a perda de rentabilidade é resultado da valorização do real frente ao dólar. Questões sanitárias como febre aftosa e gripe aviária geram preocupação e afetam, além do setor de criação e abate, a indústria de rações, reduzindo a demanda de milho e soja no mercado interno.

O alto índice de endividamento no campo exige medidas que atendam no curto prazo as necessidades dos agricultores e medidas que resolvam também questões estruturais, para que se possa pensar em uma política de longo prazo para o setor.

Acreditamos que os maiores problemas dos agricultores são de organização, acesso e adoção de tecnologia e gestão de negócios.

Os produtores precisam compreender que, além deles mesmos, as alternativas dependem de outros fatores e agentes. Eles precisam estar conscientes que esses agentes fazem grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, buscando competir e interferir no mercado a seu favor.

Estamos em um mercado competitivo, com margens que se evaporam com facilidade. Precisamos, portanto, sair desse modelo, incentivar nossos produtores serem oligopolistas e monopolistas. A chave para isto é a organização. Precisamos pensar e agir mais como um setor unido e forte e menos individualmente ou como rivais.

Estar organizado significa, entre outras coisas, valorizar o compromisso com instituições representativas, fazer investimentos em marketing direcionado a população urbana, subsidiar o governo com informações e também cobrar ações ligadas às questões de proteção e acesso a mercados, garantir representatividade política forte e preparada para defender os interesses do setor (e do Brasil, afinal o agronegócio é o maior negócio do país e sua grande vocação).

Como estamos em um ano eleitoral, o desafio está lançado, precisamos elaborar e submeter aos candidatos uma agenda de necessidades do setor para o futuro, evitando assim que a cada dificuldade os mesmos problemas voltem à discussão, como o seguro agrícola, custos de insumos, política de preços mínimos, entre outras.

Dessa forma saberemos quem efetivamente é comprometido com o agronegócio e, a partir disso, poderemos focar no que é relevante.