Planejamento Estratégico da Ciência das Plantas Daninhas para o Século XXI
Parte 1 - Perspectivas do século XX
Ribas A. Vidal1 & Michelangelo M. Trezzi21 Eng. Agr., Ph. D., Professor do Departamento de Plantas de Lavoura da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pesquisador do CNPq - E-mail: ribas.vidal@ufrgs.br2 Eng. Agr., Dr., Faculdade de Agronomiaa, CEFET-Unidade de Pato Branco, PR - E-mail: mtrezzi@brturbo.com.br
Introdução
A Sociedade Americana da Ciência das Plantas Daninhas (WSSA) tem sido ativa em realizar o planejamento estratégico desta disciplina desde a década de 70. Para traçar os caminhos a serem seguidos pelos pesquisadores e demais participantes, a WSSA tem tido a colaboração de alguns visionários que redigiram artigos sobre o futuro da pesquisa, ensino, extensão e da indústria no setor (Knake, 1975; Mcwhorter, 1984; Riggleman, 1987; Mercado, 1987; Elmore, 1992; Harr, 1992; Thill, 1992; Wyse, 1992; Burnside, 1993; Coble, 1994; Hall et al., 2000).
No Brasil, pouco tem sido escrito para documentar os caminhos a serem trilhados pelos membros da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas. No entanto, as mudanças ocorrem no mundo e, independente de se haver previsto ou não, constantemente há que se trilhar novos caminhos. O benefício de se antever as possíveis mudanças é a oportunidade de se preparar psicologicamente e tecnicamente para as mesmas e, assim, conseguir desempenhar mais profissionalmente as atividades esperadas.
Neste trabalho será realizada uma breve revisão das previsões daqueles pesquisadores do WSSA e posteriormente algumas especulações comparativas das oportunidades que esperam os profissionais na Ciência das Plantas Daninhas.
Histórico das previsões realizadas na WSSA para a pesquisa em Plantas Daninhas
A ciência das plantas daninhas é uma das mais recentes na agricultura, ganhando destaque a partir de meados da década de 1940 (Burnside, 1993). O lento desenvolvimento desta ciência se deve, entre outros fatores, à limitação de recursos humanos dedicados à pesquisa quanto aos fundamentos da biologia das plantas daninhas. As atividades de muitos pesquisadores podiam ser classificadas como experimentação, pois eram muito simplistas e rotineiras e abordavam apenas o controle químico como estratégia de manejo de plantas daninhas (Knake, 1975).
A causa do desenvolvimento tardio desta ciência em relação à entomologia e à fitopatologia se deve à aceitação pelos agricultores de perdas constantes e onipresentes causados pelas ervas. Mas, o fato de insetos e pragas serem invasivos e variarem muito de ano a ano facilitou o reconhecimento destes problemas e o investimento de recursos humanos e financeiros para seu estudo e controle (Burnside, 1993). De fato, a limitação de recursos humanos e financeiros pode ser considerada a principal causa do pouco avanço nas pesquisas básicas na ciência das plantas daninhas (Coble, 1994). Por exemplo, no EUA, em 1981 e 1991, menos do que 2 e 7 milhões de dólares (MD), respectivamente, foram gastos em pesquisas nas ciências das plantas daninhas, enquanto foram investidos 48 e 61 MD em entomologia e 61 e 67 MD em fitopatologia, nos mesmos anos, respectivamente (Coble, 1994).
O prejuízo causado pelas ervas daninhas no EUA foi estimado em 20 bilhões de dólares em 1984. Herbicidas tem sido o principal método de controle de ervas nos últimos 30 anos e provavelmente continuarão a ter muito destaque no futuro devido à rápida ação; eficácia em alta densidade de ervas; boa disponibilidade de produtos para as principais culturas; custo-benefício compensador (Mc whorter, 1984). No início da década de 1980 previa-se que o sistema de semeadura direta iria se expandir e para adoção bem sucedida de sistemas conservacionistas do solo, e eliminação de revolvimento mecânico do mesmo, haveria necessidade de melhor manejo das plantas daninhas (Mcwhorter, 1984).
Mcwhorter (1984) previu que a pesquisa estava limitada nas seguintes áreas: a) Controle biológico de ervas com patógenos e insetos; b) Utilização de aleloquímicos, oriundos de plantas ou microorganismos como precursores de herbicidas sintéticos; c) Desenvolvimento de cultivares/híbridos resistentes aos herbicidas; d) Seleção de plantas daninhas resistentes aos herbicidas; e) Estudo das causas ou fundamentos da mudança da composição florística da área devido ao seu manejo; f) Estudo dos mecanismos de interferência em geral, e competição em particular, entre plantas daninhas e cultivadas. Os estudos atuais eram limitados pois eram apenas descritivos e envolviam apenas uma ou duas espécies; g) Estudos que desvendem os fatores que afetam a dormência e a germinação de sementes de plantas daninhas; h) Desenvolvimento de tecnologia de aplicação de herbicidas que propicie mais proteção ao ambiente e às culturas, pois as mesmas não evoluíram desde a década de 1950. Dever-se-ia dar destaque a redução do volume de calda e para outros tipos de diluente que não água. i) Diversas áreas de pesquisa deveriam ser expandidas, principalmente pesquisas básicas. A limitação de pesquisas básicas na área de plantas daninhas se deve à limitação de pessoal e de recursos, em relação às outras áreas da defesa fitossanitária (entomologia e fitopatologia) e ao fascínio que a área de herbicidas e o controle químico tem exercido nos pesquisadores até o momento (Mcwhorter, 1984).
A agricultura superou outras atividades humanas em eficiência e produtividade. O uso de herbicidas contribuiu em muito para evitar as perdas de rendimento das culturas devido à interferência das plantas daninhas (Riggleman, 1987). Este pesquisador foi menos crítico com relação à ênfase dada à experimentação com herbicidas e destacou que os herbicidas atuais tem sido mais inovadores e tem permitido lucro mais confiável devido ao controle de ervas eficaz e ao seu baixo custo.
Riggleman (1987) reforça a tese de que a pesquisa futura na área de plantas daninhas deve atender a seguinte demanda da agricultura: o retorno econômico da agricultura deve ser utilizado para auxiliar na tomada de decisão do controle de ervas. Além disto, Riggleman (1987) apresenta um resumo das seis prioridades de pesquisa, determinadas pelo WSSA, conforme segue: a) Desenvolver novos métodos ecológicos, biológicos e não químicos de manejo de ervas; b) Desenvolver novas técnicas de manejo integrado de ervas, principalmente para o sistema de semeadura direta; c) Desenvolver novas técnicas para limitar a lixiviação de herbicidas e seus metabólitos; d) Aumentar a tolerância das culturas aos herbicidas; e) Aumentar a transferência de tecnologia entre cientistas e destes aos agricultores; f) Desenvolver novas técnicas de manejo de plantas daninhas perenes.
O manejo de plantas daninhas está se tornando muito complexo e deverá ser abordado por equipe multidisciplinar incluindo químicos, bioquímicos, engenheiros, economistas, legisladores, ecologistas e agrônomos (Riggleman, 1987). O uso de computadores deve facilitar a integração das informações necessárias para a tomada de decisão sobre o manejo eficaz e lucrativo de plantas daninhas (Riggleman, 1987).
Em 1992, a WSSA organizou um Simpósio para realizar o planejamento estratégico da Ciência das Plantas Daninhas para o milênio que se aproximava (Elmore, 1992; Harr, 1992; Thill, 1992; Wyse, 1992).
Na área de pesquisa, Wyse (1992) historia que a ciência das plantas daninhas se formou quase simultaneamente com a descoberta de herbicidas e foi influenciada por este método de controle. Aparentemente a descoberta dos herbicidas ajudou a promover a ciência das plantas daninhas. Mas, devido ao sucesso desta tecnologia, boa parte dos recursos humanos e financeiros foi direcionada para a experimentação com os herbicidas, avaliando sua eficácia e seletividade. Relativamente poucos recursos foram destinados para a pesquisa sobre o efeito de herbicidas no ambiente, ou sobre outros métodos de controle de plantas daninhas, ou sobre ecologia das mesmas. Isto reduziu o desenvolvimento da ciência das plantas daninhas como uma disciplina equilibrada (Wyse, 1992).
Atualmente a sociedade tem objetivos diferentes dos existentes há 30 anos atrás e a preocupação com a degradação ambiental parece mais acentuada do que com a escassez de alimentos. A demanda por outros métodos lucrativos e eficazes para o controle de ervas daninhas é crescente e não conseguem ser adequadamente desenvolvidas devido à falta de conhecimentos básicos sobre os fundamentos da ciência das plantas daninhas (Wyse, 1992).
Wyse (1992) salientou que a preocupação com o impacto dos herbicidas no ambiente ou sobre o impacto da biotecnologia na resistência de plantas aos herbicidas está sombreando a verdadeira limitação de nossa ciência: a falta de recursos humanos e financeiros destinada à pesquisa sobre os fundamentos da ciência das plantas daninhas. De acordo com este autor, a pesquisa de plantas daninhas poderia ser separada em duas categorias. A primeira destinada ao controle de plantas indesejadas através de métodos químicos, físicos, biológicos, culturais e integrado. A segunda destinada ao estudo dos princípios e fundamentos da disciplina, voltada basicamente ao entendimento da biologia de cada espécie daninha e de sua eco-fisiologia. A maioria dos recursos foram destinados à primeira categoria de pesquisa. O esforço destinado ao estudo de métodos físicos de controle de ervas foi direcionado ao estudo do método químico para o manejo da vegetação indesejada.
Finalizando, Wyse (1992) propôs que entre as prioridades de pesquisa destacam-se as que possibilitem estabelecer a teoria de período de dano econômico e as que possibilitem o entendimento de fatores que regulam a dormência e a germinação de sementes de plantas daninhas, a dormência de gemas, o desenvolvimento e a senescência de propágulos, genética de populações; e a interferência entre plantas. Estas pesquisas seriam prioritárias pois permitiriam conhecer os princípios que regulam a demografia populacional e estabelecer os fundamentos para descoberta de novas estratégias de manejo de infestantes.
Outras prioridades de pesquisa que possibilitariam reduzir erosão do solo e melhoria da qualidade da água e dos alimentos incluem desenvolvimento de espécies para cobertura do solo, pesquisa com rotação de culturas, trabalhos com controle biológico de ervas, descoberta de novos mecanismos de ação de herbicidas, pesquisa sobre a qualidade da água e do ambiente, estudos sobre os resíduos de herbicidas em alimentos e no solo, estudos sobre controle mecânico de plantas daninhas, e modelos matemáticos para previsão de necessidade de controlar as plantas infestantes (Wyse, 1992; Burnside, 1993).
O desenvolvimento de novos sistemas de produção de culturas é limitado pela ocorrência de plantas daninhas. Isto pode servir como oportunidade para investir recursos em mais pesquisas na descoberta dos princípios ou nos fundamentos do manejo de plantas indesejadas. Este tipo de pesquisa é multidisciplinar e envolve agrônomos, geneticistas, ecologistas, químicos, microbiologistas, fitopatologistas etc. Isto poderia ser implementado imediatamente através da interação com profissionais já capacitados nestas outras áreas de pesquisa. No entanto, para ter efeito duradouro, há necessidade de investir na formação de cientistas da área de plantas daninhas com capacitação simultânea também nestas outras áreas. Esta idéia não é nova. Muitos herbologistas já são também especialistas em fisiologia vegetal, ou em anatomia. Nova abordagem de velhos problemas permitiria avançar na descoberta de estratégias inovadoras no manejo de plantas daninhas (Wyse, 1992).
Coble (1994) escreveu um artigo que enfatizava a necessidade de se entender a dinâmica populacional a longo prazo e o fatores que controlam esta dinâmica para que estes conhecimentos fundamentassem o desenvolvimento de outras formas de manejo da vegetação indesejada. Outro conjunto de linhas de pesquisas prioritárias incluiam: a) Utilização de técnicas de manejo integrado da lavoura com ênfase nos aspectos econômicos da mesma; b) Uso do nível de dano econômico e do período de dano econômico; c) Novas técnicas de manejo de ervas deveriam ser criadas; d) Novas estratégias para divulgação da informação e para apoio na tomada de decisão deveriam ser desenvolvidas, principalmente utilizando software.
Este pesquisador coordenou trabalho pioneiro que desenvolveu um programa de computador, que utiliza conceitos de nível de dano econômico e área de influência de plantas daninhas para prescrever as medidas de controle com herbicidas em pós-emergência (Coble, 2005).
Finalmente, Hall et al. (2000) propuseram as seguintes áreas prioritárias para a pesquisa em herbologia no EUA: 1) Desenvolvimento de processos de decisão baseados em informação e em sistema de produção; 2) Estudos dos fundamentos da biologia e eco-fisiologia das plantas daninhas; 3) Desenvolvimento de novas estratégias de manejo de plantas daninhas e aprimoramento das já disponíveis; 4) Ampliação dos estudos de resistência de plantas daninhas aos herbicidas; 5) Desenvolvimento de culturas resistentes aos herbicidas; 6) Intensificação dos estudos ambientais, principalmente os relacionados à persistência e lixiviação de herbicidas; 7) Avaliação dos potenciais benefícios das plantas daninhas, principalmente relacionadas à nutracêutica (medicina e nutrição) e de fitorremediação (Hall et al., 2000).
Antigas previsões para ensino da Ciência das Plantas Daninha no EUA
A seguir, resume-se o artigo apresentado por Thill (1992) no Simpósio organizado pelo WSSA sobre o planejamento estratégico no ensino da Ciência das Plantas Daninhas para o milênio.
O professor Thill (1992) enfatiza que os fatos que afetam o mundo afetarão a agricultura e o que afeta a agricultura afetarão a ciência das plantas daninhas. Com certeza o que irá mudar no futuro no mundo será a população do planeta e portanto a maior necessidade de alimentos, maior preocupação com a qualidade do ambiente, necessidade de maior sustentabilidade econômica da agricultura, necessidade de mais manejo integrado das culturas e reduzido uso de herbicidas (Thill, 1992).
A educação superior deve atingir a missão de promover melhor ensinamento básico do que no passado (Thill, 1992). Esta missão provavelmente será mais bem sucedida com: a) maior dedicação de tempo do professor no ensino do que na pesquisa; b) elevação do nível educacional para aprovação; c) melhoria do orçamento para a educação superior; d) diversificação da população estudantil e expansão das perspectivas ensinadas em classe; e) aumento de diversidade étnica na universidade; f) seleção dos melhores educadores; g) restabelecimento da confiança do público no ensino superior (Thill, 1992).
Os estudantes de agronomia do futuro: De acordo com pesquisas citadas por Thill (1992), os cursos de agronomia deverão incluir mais mulheres, mais minorias étnicas, estudantes mais velhos e com menor experiência agrícola e estudantes com dedicação parcial aos estudos. Previa-se que, no futuro, menos estudantes secundários se interessariam por agronomia. Isto se deve pela visão da mídia de menores salários na agricultura, a imagem negativa da agricultura, impressão do declínio de oportunidades de emprego na agricultura e que os empregos não ofereceriam perspectiva de carreira, de que agrônomos executariam trabalhos braçais e de que precisariam saber fazer agricultura (Thill, 1992).
Para minimizar estes estereótipos deveriam ser adotadas três estratégias. 1) melhoria da auto-estima da agronomia. Isto poderia atrair estudantes talentosos que procuram outras profissões. 2) Oferecer incentivos financeiros em estudar agronomia. 3) A agricultura deveria recapturar o glamour e a confiança do público e assim atrair mais estudantes para a área (Thill, 1992).
O empregador do futuro: Pesquisas de mercado sugerem que as seis áreas que provavelmente oferecerão oportunidades de emprego serão: 33% em marketing e vendas; 29% em ciências e engenharia; 14% em gerência e finanças; 10% em serviços sociais; 8% na produção de alimentos; e 8% na comunicação e ensino (Thill, 1992).
O assunto de ensino: além da competência técnica, nossos sucessores deverão ter capacidade analítica para tomar decisões numa situação de economia complexa e globalizada. Assim, é importante fornecer-lhes subsídios teóricos quanto à demografia, sociologia, economia e assuntos internacionais. Portanto é importante orientá-los a fazerem disciplinas em negócios, comunicações, administração e gerência de recursos, computação, matemática, estatística, legislação ambiental, segurança, biologia, química, além de agricultura e tópicos tradicionais da ciência das plantas daninhas (Thill, 1992).
Estratégia pedagógica: a ênfase no formato aula-latoratório deve continuar. No entanto, deve aumentar o número de oferta de oportunidades de aprendizado à distância através da INTERNET ou via tele-conferência. Isto permitirá o acesso de mais estudantes aos melhores professores em cada assunto. O ensino à distância possibilitaria que os alunos utilizem seu tempo livre e não requereria a concatenação de horários entre professores e estudantes. Viagens didáticas, estágios, trabalhos de pesquisa e ensino prático poderão ser utilizados para suprir a carência dos alunos de experiência anterior em agricultura (Thill, 1992).
Os professores: os melhores professores em cada assunto poderiam gravar sua aula e disponibilizá-la para ensino à distância. Para este sistema funcionar, estes professores dever ser reconhecidos e recompensados. Ascensão na carreira deveria ser garantida ao educador baseado em seus méritos didáticos e não necessariamente em suas publicações científicas. Isto provavelmente criará uma atmosfera de aprendizagem que estimulará e reterá os melhores estudantes para que possam desempenhar a tarefa de pesquisadores, professores e extensionistas do futuro (Thill, 1992).
Antigas previsões para extensão da Ciência das Plantas Daninha no EUA
A seguir, resume-se o artigo apresentado no Simpósio organizado pelo WSSA para realizar o planejamento estratégico da extensão da Ciência das Plantas Daninhas para o milênio (Elmore, 1992).
Extensão rural é inversamente correlacionada com suprimento de alimentos, economia estável e paz. O sistema de extensão agrícola nos EUA é sediado nas universidades e sua função varia conforme a universidade ou o departamento onde o extensionista está alocado. Num departamento destinado à pesquisa básica (nível celular, bioquímico, ou ecológico), a função do extensionista é responder ao telefone e atender a demanda de agricultores e agrônomos consultores de agricultores. Nos departamentos com pesquisa direcionada às respostas (pesquisa básica e aplicada utilizando fundamentos teóricos em problemas práticos), o extensionista interpreta resultados de pesquisa e produz pesquisa para atender a demanda do setor produtivo. Neste caso, geralmente, há dupla missão de pesquisa-extensão, ensino-extensão ou pesquisa-ensino para os professores do departamento (Elmore, 1992).
As tendências para a extensão agrícola no EUA incluem: a) aumento da diversidade etnica; b) a necessidade de priorizar a clientela; c) a necessidade de educar agricultores com diferentes pontos de vista e com diferentes tamanhos de propriedade; d) a necessidade de desenvolver contatos entre agricultura e outros recursos e clientela; e) menor suporte e apoio financeiro de recursos públicos; f) abordagem multidisciplinar; g) providenciar mais demanda para a pesquisa; h) e incrementar a regionalização da extensão (Elmore, 1992).
Elmore (1992) destaca que há vários modelos de extensão, sendo comum aquele onde o agricultor é parceiro em projetos de pesquisa conduzidos em sua propriedade, de forma que facilita o processo de transferência de tecnologia. O agente de extensão deverá ter capacitação multidisciplinar e não específica na ciência das plantas daninhas (Elmore, 1992).
Como o papel do extensionista está sendo limitado pela falta de recursos, prevê-se a necessidade de consultores privados para atender os agricultores. O extensionista de entidades públicas provavelmente deverá estar abarrotado com burocracia e com diversas responsabilidades e contará com clientela muito grande, de forma que não poderão atender adequadamente a necessidade do setor produtivo (Elmore, 1992).
Nos EUA, os consultores atuam como agentes de transferência das informações da extensão pública. O consultor privado também atua como o identificador de problemas que ocorrem na agricultura e que requerem pesquisa nas universidades. Por necessidade, os consultores devem ter contato com a pesquisa para recomendar adequadamente as medidas de controle de plantas daninhas (Elmore, 1992).
A disponibilidade de herbicidas atualmente é limitada e deverá diminuir. Mas, novos produtos devem surgir. Estes deverão ter menor dose por ha e deverão atender a legislação mais rigorosa, do que no passado, com relação aos aspectos ambientais. Oportunidades existem para que a fonte das informações deixem de ser exclusivamente da pesquisa pública e passem também para a iniciativa privada, tais como grupos de agricultores, empresas de consultoria, etc (Elmore, 1992).
O contato individual deve diminuir com incremento de outras formas de comunicação em massa como TV, e.mail e INTERNET. Deve se expandir a utilização de software para o armazenamento de informações e para auxílio no diagnóstico de problemas e identificação de alternativas de solução (Elmore, 1992).
Antigas previsões da indústria de herbicidas para a Ciência das Plantas Daninha
Historicamente, a indústria investiu no desenvolvimento de herbicidas. Ao longo do tempo, a evolução dos mesmos foi grande, principalmente quanto à redução de dose, redução da toxicidade aguda, aumento da especificidade, melhoria do conhecimento do seu mecanismo de ação, atratividade econômica e facilidade de uso (Harr, 1992).
São promissores o uso de novas tecnologias como: computador e biotecnologia para desenvolvimento de novas moléculas herbicidas; ou biotecnologia para desenvolvimento de novos híbridos/cultivares; ou biotecnologia para criar novos agentes para controle biológico. Estes avanços tecnológicos devem atender a demanda ecológica e econômica da sociedade e dos agricultores (Harr, 1992).
Harr (1992) propõe que melhoria no manejo de plantas daninhas deverão ser obtidos quando se deixar de fazer a abordagem monodimensional para outra multidimensional. Exemplos podem ser vistos nas outras disciplinas de proteção de plantas. Por exemplo na entomologia, com a integração do uso de inseticidas, predadores, ferormônios e técnicas de semeadura; ou na fitopatologia, onde se utilizam programas de computador para prever a incidência de moléstias e programar a aplicação de fungicidas. A abordagem do sistema para solução de problemas com plantas daninhas é mais complexa e deverá requerer mais capacitação do agricultor (Harr, 1992).
Antigas previsões para a Ciência das Plantas Daninha no mundo
Em 1987, dra. Mercado, uma pesquisadora do centro de arroz, nas Filipinas, também escreveu um artigo relatando suas previsões desta disciplina para o terceiro mundo. Ela iniciou seu artigo relatando que a agricultura mundial utilizava na época quase 1,5 bilhões de ha, dos quais 0,7 bilhões estavam em países desenvolvidos e 0,8 bilhões estavam em países em desenvolvimento. A produção de alimentos total era de 2,5 bilhões de toneladas, sendo que apenas 20% dele provinham de países em desenvolvimento (Mercado, 1987). Nos países em desenvolvimento, a perda média de rendimento das culturas devido a interferência das plantas daninhas era estimada em 25%. Na cultura de arroz, por exemplo, o incremento de 10% no rendimento mundial permitiria alimentar mais 183 milhões de pessoas. A utilização de herbicidas no terceiro mundo contribuiria para este benefício, mas a falta de equipamentos, falta de conhecimento e falta de capacitação técnica poderia tornar esta tecnologia inapropriada e até prejudicial (Mercado, 1987).
Dra. Mercado (1987) relatou que nos países subdesenvolvidos existiam diversos sistemas de manejo de culturas envolvendo desde agricultura nômade, monocultura, consórcio e raramente rotação de culturas. A ausência de irrigação e de fertilidade são limitantes no rendimento das culturas. O controle manual de plantas daninhas, além de desgastante fisicamente, é realizado em momento e com intensidade inadequados, o que poderia explicar as elevadas perdas decorrentes da mato-interferência. Entre os métodos de controle, o desenvolvimento de novos herbicidas tem sido mais promissor no terceiro mundo. Para os países em desenvolvimento e nas áreas onde se utiliza mão de obra familiar, haveria necessidade de pesquisas para reduzir o volume de água utilizado por hectare para facilitar o uso de herbicidas por agricultores de pequena área. Ela relata que tem ocorrido o aparecimento de plantas daninhas resistentes aos herbicidas. Doses reduzidas de herbicidas são normalmente utilizadas para reduzir custo de produção e, quando possível, são complementadas com controle físico (Mercado, 1987).
Na Parte 2, serão apresentados requisitos e exemplos que possibilitarão a independência tecnológica brasileira na área de Plantas Daninhas.Agradecimentos
Ao CNPq e CAPES pelo apoio à redação deste trabalho.
Referências Bibliográficas
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MCWHORTER, C.G. Future needs in weed science. Weed Science, v. 32, n. 6, p. 850-855, 1984.
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Dados para referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição número 90, Nnovembro/dezembro de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo