Procura (Editorial)


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Publicado em: 01/12/2005

Procura-se: novas redes de apoio ao Sistema Plantio Direto

Ruy H.M. VazAssistente Agropecuário CATI-Regional de Assis (SP);Mestrando na Universidade Estadual de Londrina eConsultor da Associação de Plantio Direto do Vale Paranapanema - APDVP

O uso e evolução do sistema de plantio direto, motivado inicialmente pelo controle à erosão e viabilização do cultivo em áreas com sérias restrições de uso, resgatou e valorizou a prática milenar da rotação de culturas. Porém a inserção desta prática tem enfrentado sérias dificuldades para sua evolução, não importa a região, estado ou município. Os esforços dispendidos para viabilizar esta prática fundamental e estratégica não tem sido suficientes para que sua adoção seja generalizada nas áreas de plantio direto. Daí surgem os problemas de compactação, erosão, pragas do solo etc.

Além de ser uma prática milenar, a rotação de culturas é uma estratégia de diversificação e que também colabora na sustentabilidade econômica da propriedade tendo em vista que nem sempre as projeções de mercado são claras e seguras e, portanto dispor de mais de um produto na safra representa maior garantia de sucesso para o produtor. É claro que isto traz complicações na hora de operacionalizar: são dois plantios, duas regulagens para as máquinas, duas colheitas, enfim o trabalho se torna mais complexo. No entanto, os resultados compensam, não há dúvida.

Mas se muitos ainda não praticam a rotação de culturas, o que dizer do emprego das plantas de cobertura e dos adubos verdes, as conhecidas leguminosas que nos fornecem nitrogênio retirado do ar? Inserir estas espécies no planejamento da rotação são ainda mais raros, pois estas competem com as culturas comerciais e geralmente perdem por, aparentemente, ”não darem retorno econômico”.

No entanto, sabemos que o planejamento plurianual contemplando a rotação de culturas e a inserção de plantas de cobertura é fundamental para o sucesso da agricultura de grãos, mas mesmo assim as cooperativas agropecuárias, o serviço de extensão, a assistência técnica privada e mesmo a assistência técnica comercial não enfatizam este aspecto para o produtor com entusiasmo e convicção como o fazem para outras tecnologias, muitas vezes de resultados ainda mais incertos.

Daí a necessidade de se fazer um intensiva campanha de convencimento e articulação com estes segmentos que orientam e dão suporte técnico aos produtores, e aqui falo principalmente de São Paulo, para que as áreas de plantio direto superem o binômio e a sucessão de culturas e evoluam. Até para aqueles que sobrevivem do comércio de insumos e máquinas, estimular a evolução da prática do sistema de plantio direto é interessante, pois havendo diminuição de riscos e problemas, como por exemplo, a compactação, vantagens com a melhor nutrição e sanidade das plantas, faz com que o produtor seja mais eficiente e melhor remunerado para reinvestir na atividade e movimentar toda a cadeia produtiva.

Bom exemplo vem do Sul. No Rio Grande do Sul, o Projeto Metas que articulou Embrapa, empresas de insumo, Emater, assistência técnica formou uma rede de treinamentos que aliada ao movimento de organização dos produtores e seus Clubes Amigos da Terra, proporcionou aumento significativo da área cultivada sob o sistema de plantio direto no Estado. Outro bom exemplo vem do Paraná com o trabalho desenvolvido pelo IAPAR que são as redes de referência promovendo um intenso estudo, debate e difusão das práticas e seus resultados, auxiliando a conscientização e evolução de técnicos e produtores. O CNPSoja da Embrapa em Londrina com seu programa Treino e Visita amplifica a difusão de resultados.

Em terras paulistas, apesar do crescimento da organização de produtores e a promoção de eventos técnicos, a exemplo das regiões de Assis, Itapeva, Paranapanema e Pirassununga, é preciso que se forme uma nova rede de apoio que amplie e amplifique estas iniciativas. Precisamos superar divergências, discutir a visão imediatista e comercial, a empáfia e a vaidade pessoal, para que promovamos a rápida transformação de nossa agricultura de grãos com o emprego de um sistema de plantio direto que expresse toda sua potencialidade fazendo com que as regiões produtoras possam experimentar o desenvolvimento de suas economias, com preservação de nossos solos e rios, na busca de melhores condições de vida para todos.