Uma década e meia divulgando o plantio direto
Em setembro de 1990 circulou o primeiro número do Jornal do Plantio Direto, sob a responsabilidade do engenheiro-agrônomo Gilberto de Oliveira Borges e do jornalista Ivaldino Tasca que juntos assumiram o desafio de conduzir um veículo de comunicação que tivesse em sua essência o objetivo de defender uma causa nobre.
Nem tudo é romantismo na história, pois é natural que esses profissionais tivessem a necessidade pessoal de realizar um trabalho, e optaram em materializar algo realmente importante.
Foi assim que tudo começou, Gilberto e Ivaldino uniram suas habilidades a uma necessidade do segmento agrícola: a difusão de informações sobre plantio direto.
No Brasil o sistema nasceu no Paraná, na década de 1970 e explodiu no início dos anos 90 no Rio Grande do Sul. Com o plantio direto presente em todas as regiões agrícolas do país, em diferentes níveis de adoção, a demanda por conhecimento e subsídios para o esclarecimento de dúvidas ajudou a estabelecer rapidamente o projeto de um veículo totalmente direcionado ao assunto.
Na primeira edição do Jornal do Plantio Direto a matéria principal, assinada por José Ruedell, pesquisador da Fundacep, trazia conceitos básicos para a adoção do plantio direto, informações que ainda hoje são importantes para quem está iniciando. Existiam, naquela fase, inúmeras dúvidas. Ruedell tratava em seu artigo das vantagens e desvantagens do sistema e argumentava: ”É interessante registrar que desde que se iniciou o plantio direto no país, diversas vezes os produtores do sistema se depararam com situações que pareciam instransponíveis. No entanto, verificou-se que com a continuidade da utilização do plantio direto, mesmo sem terem sido apontadas soluções pela pesquisa, os problemas desapareceram como se tivessem sido absorvidos pelo próprio sistema. Crê-se que nestes casos, por se tratar de uma técnica que copia muito mais a natureza que as outras, tenha se estabelecido um equilíbrio pelos próprios agentes naturais (...)”.
A publicação sempre recebeu apoio de pessoas, instituições e empresas ligadas ao plantio direto, e também por essa razão zelou pela credibilidade e seriedade de seu conteúdo. Com essa postura obteve junto aos pesquisadores e demais fontes de informação o apoio na elaboração de pautas diferenciadas. A linha editorial técnica/informativa conquistou seu espaço entre produtores de todos os portes e profissionais da assistência técnica. A qualificação de seus leitores, sempre ávidos por informação, somada ao grande volume de trabalhos disponíveis, oriundos das instituições de pesquisa públicas e privadas, universidades e empresas, além das experiências dos próprios produtores pioneiros, apressaram o início de uma nova fase do veículo.
A partir de 1995 foi lançada a Revista Plantio Direto dando seqüência ao trabalho iniciado com o jornal. O novo formato favoreceu a ampliação do conteúdo e do alcance geográfico, o veículo passou a circular em todas as regiões agrícolas onde o sistema já estava estabelecido ou começava a ser adotado.
Nesse ano a área de plantio direto no Brasil chegava, segundo dados da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, a 5,5 milhões de hectares, mais de cinco vezes o número registrado no ano em que o jornal havia sido lançado, esta evolução de área reforçava a crença do engenheiro agrônomo Gilberto Borges sobre a importância do trabalho que desenvolvia.
Para complementar a penetração das informações através da Revista, eventos técnicos foram promovidos nesse período visando atingir as diversas regiões e atender as demandas locais, muitos cursos e seminários foram etinerantes, tendo em sua programação palestras de especialistas em todas as áreas da agronomia. Cooperativas, universidades, associações e empresas também foram parceiras nesses projetos. Essa iniciativa somada ao veículo impresso, de forma modesta colaborou com o avanço do plantio direto no país, possibilitando que a informação gerada pela pesquisa chegasse aos produtores e fosse utilizada dentro das propriedades rurais.
A mudança para o formato revista marcou os primeiros cinco anos do Jornal do Plantio Direto que permanece nos arquivos de vários assinantes que acompanharam o trabalho desenvolvido desde o primeiro número. É gratificante perceber que o conteúdo possui importância e que não perde a validade, sendo fonte de pesquisa constante. Além de sua utilidade prática é também um arquivo histórico do plantio direto no Brasil.
Atualmente a Revista Plantio Direto mantém em seu web site um acervo valioso de artigos técnicos das mais variadas áreas que foi gerado a partir do conteúdo publicado na versão impressa da Revista. Acreditamos que nos próximos anos esse material se transformará, mediante a implantação de novos projetos, em um dos maiores bancos de informações técnico-científicas sobre agricultura e, em especial, sobre plantio direto.
Quando o veículo comemorou 10 anos, o texto do editorial na edição setembro/outubro de 2000, trazia números impressionantes relacionados ao plantio direto no Brasil: ”Em 10 anos, 1 bilhão de toneladas de solos preservadas; 11 bilhões de dólares deixaram de ser gastos, 1,3 bilhão de litros de combustível foi economizado e 500 milhões de toneladas de CO2 foram seqüestradas”. Números da história do sistema registrados na RPD.
Em agosto de 2002 Gilberto Borges fundador, editor da Revista Plantio Direto e responsável pelos projetos e eventos conduzidos sob a chancela do veículo, faleceu repentinamente. Foi um choque para a comunidade do Sistema Plantio Direto que perdeu um de seus mais atuantes defensores.
Sua personalidade carismática e a paixão com que defendia a causa do plantio direto, levando informações e conhecimento até onde fosse possível e de forma descomprometida, motivou a continuidade de seu trabalho.
Hoje, ao completar 15 anos, a Revista Plantio Direto segue sem perder a essência que fez dela o veículo oficial do plantio direto no Brasil. Sua linha editorial e o canal aberto com as fontes geradoras de informação dão, a essa ferramenta, importantes diferenciais: a seriedade e o comprometimento com o conteúdo de qualidade.
Infelizmente Gilberto não está fisicamente presente nessa data tão importante para o veículo, mas de certa forma permanece intimamente ligado ao sistema através de cada agricultor, técnico, pesquisador, estudante, empresário, nas pessoas que dão seqüência a Revista Plantio Direto, seu maior legado. Essa é nossa forma de homenageá-lo, zelando indiretamente pela sustentabilidade dos solos brasileiros.
Ainda existe a demanda, a idéia foi posta em prática com sucesso, infelizmente diminuíram as mãos, mas um grande número de pessoas continuam pensando, produzindo e ajudando na condução da Revista Plantio Direto, como no início. Hoje através de seus inúmeros colaboradores, membros do Conselho Consultivo e assinantes, se mantém vivo o projeto de 15 anos atrás.
Dados para referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição número89, setembro/outubro de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.