Avaliação da Palhada de Soja e Crotalária no Desenvolvimento da Cultura do Milho


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Publicado em: 01/08/2005

Avaliação da palhada de soja e crotalária no desenvolvimento da cultura do milho

Jorge Wilson Cortez¹, Alberto Carvalho Filho², Rouverson Pereira da Silva³¹ Eng. Agrônomo, FAZU, Uberaba (MG) E-mail: jorge.cortez@zipmail.com.br ² Eng. Agrônomo Dr. Professor do curso de Agronomia na FAZU. E-mail: alberto@fazu.br ³ Eng. Agrícola Dr. Professor da UNESP – Jaboticabal, Departamento de Engenharia Rural.E-mail: rouverson@fcav.unesp.br

Introdução

A semeadura direta pode ser enquadrada como uma das mais eficientes técnicas de conservação do solo, que envolvem menor mobilização e remoção da terra e maior quantidade de restos vegetais na superfície do solo, tendo como vantagem a redução dos custos operacionais de mecanização, além da preservação dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo (NAGAOKA; NOMURA, 2003).Para alcançar melhores resultados com o uso de plantas de cobertura, é de fundamental importância considerar o nível tecnológico do agricultor, as condições edafoclimáticas e conhecer com profundidade os inúmeros detalhes referentes às espécies de adubo verde, visando obter algumas vantagens como:aumento de carbono orgânico no solo, suprimento de nitrogênio, descompactação, diminuição de pragas e doenças, supressão de invasoras, agregação do solo, etc. (CLARK, 1986; CALEGARI, 2001).

Produção de fitomassa

Os resíduos produzidos pelas culturas comerciais geralmente são insuficientes para produzir uma cobertura do solo. Portanto é necessário introduzir ao sistema plantas capazes de produzir grande quantidade de fitomassa com rápido desenvolvimento inicial e ciclo curto, para que possa ser encaixada facilmente aos sistemas de rotação de culturas e também que seus resíduos não sejam decompostos muito rapidamente de modo que o solo permaneça coberto o maior tempo possível (PELA, 2002).Para a implantação e manutenção do sistema de plantio direto é indispensável que o sistema de rotação de culturas promova a permanência de uma quantidade mínima de palhada de 2.0 ton.ha-1 de matéria seca. Visando isto a soja contribui muito pouco, raramente passando de 2,5 ton.ha-1 de massa seca, porém o milho tem a vantagem de deixar grande quantidade de restos culturais. As braquiárias também apresentam estas características e são excelentes alternativas nas áreas de integração lavouras pecuárias (BRANQUINHO, 2003).A Crotalária juncea L. é uma espécie de crescimento rápido e tem sido usada como adubo verde em rotação com outras culturas enriquecendo o solo chegando a incorporar 100 a 300 kg/ha/ano de nitrogênio. A Crotalaria juncea L. pertence à família Fabaceae, adaptada as regiões de clima quente e tropical se desenvolvendo melhor em solos arenosos, leves, frescos e bem drenados com bom teor de nutrientes (SALGADO; AZZINI, 1984). O milho sendo uma planta de origem tropical, exige durante o seu ciclo vegetativo, calor e umidade para se desenvolver e produzir satisfatoriamente, proporcionando rendimentos compensadores. Os processos da fotossíntese, respiração, transpiração e evaporação, são funções diretas da energia disponível no ambiente, comumente designada por calor; ao passo que o crescimento e desenvolvimento e translocação de fotoassimilados encontram-se ligados à disponibilidade hídrica do solo, sendo que seus efeitos são pronunciados em condições de altas temperaturas onde a taxa de evapotranspiração é elevada (FANCELLI; DOURADO-NETO, 2000).

Pesquisas

Com o objetivo de avaliar a resistência mecânica do solo à penetração e o desenvolvimento da cultura do milho, cultivado sobre palha de soja e de crotalária, foi desenvolvido um experimento na Pista de Ensaios de Semeadura da FAZU - Faculdades Associadas de Uberaba, localizada na cidade de Uberaba (MG).Esta Pista possui sete canais de solo planos separados por trilhos que suportam um trole com acionamento elétrico de 1,5 CV, que realiza as atividades de nivelamento, abertura de sulcos para semeadura e compressão sobre as sementes por rodas compactadoras. Os trilhos são espaçados de dois metros entre si com um comprimento útil de 24 metros.Foi utilizado o Delineamento em Blocos Casualizados (DBC), no esquema Parcela Sub Subdividida 2 x 3 x 3, sendo dois tipos de culturas para palha (crotalária e soja), com três tipos de rodas e três tipos de híbridos de milho, com 6 repetições. As rodas avaliadas foram em ‘V simples’ (R1), ‘V em nervura’ (R2) e ‘roda lisa’ (R3). Os híbridos utilizados foram: Fort, DKB 390 e AG 7000.Cada parcela do experimento foi de 3,45 metros de comprimento e 2,00 metros de largura, totalizando 6,90 m2.O milho foi plantado em espaçamento reduzido de 0,50 m entre linhas, com 3 sementes por metro linear, proporcionando uma densidade de 60.000 plantas ha para todos os híbridos analisados.Foram avaliadas as alturas de plantas aos 40, 60, 80 e 100 dias após semeadura, com leituras feitas da superfície do solo até o ponto de inflexão da folha bandeira. Aos 120 dias foi avaliada a resistência mecânica do solo a penetração, na linha de semeadura pelo penetrômetro de impacto (STOLF, 1983).

O cálculo do índice de crescimento da cultura do milho foi realizado da seguinte maneira:

1º índice: obtido através da divisão entre altura aos 40 dias pelo numero de dias até a coleta;

2º índice: obtido através da diferença entre a altura aos 60 dias e aos 40 dias dividido pelo intervalo de dias entre a 1º coleta e 2º coleta;

3º índice: obtido através da diferença entre a altura aos 80 dias e aos 60 dias dividido pelo intervalo de dias entre a 2º coleta e 3º coleta;

4º índice: obtido através da diferença entre a altura aos 100 dias e aos 80 dias dividido pelo intervalo de dias entre a 3º coleta e 4º coleta;

Média acumulada: é calculado obtendo a altura aos 100 dias dividido pelo numero de dias do plantio ate a coleta.

Média ponderada: é calculada somando-se os índices anteriores (1º, 2º, 3º e 4º índice) divididos pelo número de índices.

Os resultados dos híbridos testados e das rodas compactadoras utilizadas no processo de semeadura não foram diferentes uns dos outros na avaliação da compactação.A Figura 1 mostra a resistência mecânica do solo à penetração que pode indicar uma possível camada compactada no solo. Através de análise estatística, observou-se que nas camadas de 5 a 10 e 15 a 20 cm de profundidade, as parcelas onde havia palha de soja como cobertura, apresentaram maior resistência à penetração, confirmando não ser o tipo de cobertura mais adequada ao sistema de plantio direto.

Na Figura 2 é apresentado o desenvolvimento da cultura do milho até os 100 dias de crescimento.

O milho cultivado sobre palha de crotalária apresentou a maior altura, provavelmente devido à quantidade de nitrogênio fixada no solo, manutenção da umidade e temperatura, dentre outros.Entre os híbridos, o Fort apresentou a maior altura até os 80 dias de desenvolvimentos. No final do período de avaliação, aos 100 dias, não se observou diferença entre os híbridos, provavelmente devido à variabilidade genética de cada um.As rodas R1 e R3 proporcionaram o melhor desenvolvimento da cultura do milho ao final do período de avaliação sendo, portanto consideradas adequadas ao Sistema de plantio direto. Observando-se as semeadoras existentes nas propriedades rurais, nota-se que o modelo R1 é o mais empregado. A Figura 3 mostra o índice de crescimento da cultura do milho em cm dia-1.Pode-se observar que o milho sobre palha de crotalária apresentou um maior crescimento diário até os 80 dias após semeadura. Ao final do período de avaliação (100 dias), o milho sobre palha de soja apresentou maior crescimento diário, fato este explicado por diversos autores, como sendo característica genética dos híbridos, que apresentam alturas semelhantes.

Considerações Finais

Em condições específicas em que o produtor rural venha a optar pelo emprego de plantas da família Fabaceae, visando aumento na produção de matéria seca para a formação uma boa palhada, a cultura da crotalária apresentou destaque quando comparada à soja, proporcionando menor resistência mecânica do solo à penetração e maior desenvolvimento inicial da cultura do milho.Bibliografia Consultada

BRANQUINHO, K. B. Semeadura direta da soja (Glicine max L.) em função da velocidade de deslocamento e do tipo de manejo do milheto (Pennisetum glaucum (L) R. Brow). 2003. 62f. Dissertação (Mestrado em Agronomia). Faculdade de Ciencias Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal.CALEGARI, Ademir. Rotação de culturas e uso de plantas de cobertura: dificuldade para sua adoção. In: ENCONTRO NACIONAL DE PLANTIO DIRETO NA PALHA, 7, 2001, Anais... Federação Brasileira de Plantio Direto na palha, 2001. p. 145-152.CLARK, K. L. Soil strength and water infiltration as affected by paratillage frequency. Trasactions of the ASAE, St. Joseph, v. 36, p. 1301-135, 1993.FANCELLI, A. L.; DOURADO NETO, D. Produção de milho . Guaíba: Agropecuária, 2000. 360 p.NAGAOKA, A. K.; NOMURA, R. H. C. Tratores: semeadura. Cultivar Máquinas, Pelotas, nº 18, p.24-26, janeiro/abril, 2003.PELA, A . Uso de plantas de cobertura em pré-safra e seus efeitos nas propriedades físicas do solo e na cultura do milho em plantio direto na região de Jaboticabal - SP. 2002.. Dissertação (Mestrado em Agronomia). Faculdade de Ciencias Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal.SALGADO, A. L. de B. & AZZINI, A.. Instruções para a cultura da Crotalaria juncea L. visando a produção de fibras. 3º ed. Campinas: IAC, 1984. 27p.STOLF, R.; FERNANDES, J. ; FURLANI NETO, V. Penetrômetro de impacto – modelo IAA/Planalsucar – STOLF. STAB , Piracicaba, v1, n. 3, p.18-23, jan/fev 1983.

Dados para referências bibliograficas:Revista Plantio Direto, edição nº 88, julho/agosto de 2005. Aldeia Norte Editora : Passo Fundo-RS