A Sustentabilidade das Pastagens Brasileiras e o Plantio Direto


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Publicado em: 01/08/2005

A sustentabilidade das pastagens brasileiras e o plantio direto

Luciana Di CieroEngenheira agrônoma, pesquisadora da ESALQ/USP eConselheira da Pró-Terra (www.proterra.org.br)

A expansão da fronteira agrícola na região Centro-Oeste e Norte do país, principalmente nas franjas da floresta Amazônica tem gerado controvérsias. A polêmica em torno do avanço da agricultura, principalmente da soja nestas áreas produziu dois trabalhos independentes, cujas conclusões foram que o aumento da expansão do cultivo da soja deu-se sobre as áreas de pastagens degradadas e não sobre as áreas virgens de floresta amazônica. Em conseqüência disso, as novas pastagens migraram para as áreas antes inexploradas, causando o aumento do desmatamento. A cadeia da carne do Brasil é uma das mais importantes como produto de exportação, contribuindo em muito para o superávit da balança comercial do País. A área de pastagem no Brasil está estimada em 260 milhões de hectares, sendo que aproximadamente 115 milhões de hectares são pastagens com espécies cultivadas, e em 145 milhões predominam as gramíneas nativas. Estes pastos alimentam 235 milhões de animais.A ausência do uso de critérios técnicos na utilização dos recursos naturais e das pastagens pela exploração da pecuária vem causando severas alterações no meio ambiente. Estima-se que dos 60 milhões de hectares de pastagens das regiões de cerrado, aproximadamente 80% tem algum grau de degradação, sendo que 50% (30 milhões) apresentam um acentuado grau de degradação.O uso do sistema agropastoril, lançando mão da integração lavoura e pecuária é um recurso que vem sendo adotado por produtores preocupados em tecnificar o agronegócio, minimizando assim, perdas por degradação das pastagens e impactos ambientais. As regiões de Cerrado no Centro-Oeste e a região Amazônica são áreas sensíveis às ações antrópicas, pelas características próprias edafoclimáticas, que intensificam as perdas de solo e de fertilidade pela erosão laminar e lixiviação. Nestes locais, a integração da lavoura e da pecuária utilizando o sistema de plantio direto é de extrema importância, trazendo diversas vantagens ao produtor, como: maior conservação da água; menor variação na temperatura do solo; maior controle de ervas daninhas devido à cobertura do solo, diminuindo o uso de herbicidas; controle de doenças pela ação de alelopatia e concorrência causada pela microflora do solo sobre os patógenos; maior sustentabilidade das pastagens a longo prazo, principalmente em áreas problemáticas com declividades moderadas.Efetivamente, o plantio direto associado à integração da lavoura com a pecuária representa uma profunda alteração no manejo do solo e da água para a agricultura, uma vez que em relação ao plantio convencional, ele altera conceitos nos planos ambiental, social, tecnológico, econômico, gerencial e cultural.Com a constatação de que predomina a insustentabilidade ambiental nos países em desenvolvimento, as nações procuraram adotar o conceito de desenvolvimento sustentável como processo que busca atender às necessidades atuais, assegurando o atendimento das demandas futuras da sociedade. Foi esta a origem dos diversos sistemas de certificação agrícola e florestal.Apesar das contradições em relação ao nível de mudanças, há um consenso no sentido de que a agricultura sustentável é, antes de qualquer coisa, um objetivo que começa a ser atingido quando forem asseguradas a ”renda para o agricultor e a conservação ambiental”. O solo é o maior bem do proprietário da terra. Manejando-o com técnicas ou ferramentas apropriadas, ele assegurará a continuidade do seu negócio para futuras gerações.A conscientização dos agropecuaristas sobre a necessidade de sustentabilidade de suas lavouras e pastagens, adotando o plantio direto na integração da lavoura com a pecuária conterá a degradação das pastagens, diminuindo a pressão sobre as florestas da região amazônica, beneficiando toda a sociedade brasileira e assegurando o sucesso do agronegócio para as gerações futuras.

Dados para referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição nº 88, julho/agosto de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.