Discos Duplos ou Hastes em Semeadoras de Plantio Direto


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Publicado em: 01/08/2005

Discos duplos ou hastes em semeadoras de plantio direto?

Ruy Casão JuniorPhD, Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná – Londrina (PR)

O Iapar avaliou 60 semeadoras de precisão em 7 anos, divulgando os resultados em exposições dinâmicas. Nos últimos anos, tem pesquisado e divulgado a vantagem de inserir hastes sulcadoras bem projetadas para abertura de sulcos de fertilizantes, onde não é possível a utilização de componentes do tipo discos. Estas hastes podem reduzir muito a potência exigida pela ”plantadeira” e mobilizar menos o solo no sulco, mas mesmo com hastes bem projetadas há necessidade de realizar o bom acabamento após a semeadura.

O uso dos discos duplos desencontrados são recomendados para solos com baixa resistência à penetração dos componentes de ataque ao solo. Caracterizam-se por serem de textura média ou arenosa, baixa densidade ou ricos em matéria orgânica e sem compactação superficial do terreno.

A figura 1 mostra a esquerda o resultado da semeadura de soja com plantadeiras utilizando discos duplos e a direita hastes sulcadoras. O estudo foi realizado com 13 produtores em 1999, quando ocorreu um período de seca após a semeadura de soja. As máquinas que semearam com discos, a emergência média foi de 48% e as que semearam com hastes foi de 64%. Esse fato ocorre, pois os discos não se aprofundam no solo mais do que 6 cm, e em casos de falta de chuvas a água evapora-se rapidamente do sulco, prejudicando da germinação e emergência.

Estudos com uma semeadora utilizando três tipos de componentes rompedores de solo com haste sulcadora, discos duplos e discos simples mostram que as hastes conseguiram trabalhar na profundidade desejada de 10 cm e os discos não. Os resultados de profundidade em cada linha da máquina é apresentado na figura 2. Considera-se que os testes foram realizados em solo com 75% de argila e a semeadora possuí em torno de 500 kgf por linha em média. A figura 3 mostra os três tipos de abridores de sulco utilizados.

O problema do uso da haste é que aumenta a exigência de potência para tracionar a semeadora, principalmente devido a maior profundidade de trabalho das hastes. A figura 4 mostra este efeito, outro problema é que há uma maior mobilização de solo no sulco. Com o aumento da velocidade do sulco aumenta a potência, pois esta é função da força e velocidade.

Hastes sulcadoras projetadas adequadamente para abertura de sulcos de fertilizantes podem reduzir muito a potência exigida pela ”plantadeira” e mobilizar menos o solo no sulco, mas mesmo com hastes bem projetadas há necessidade de realizar o bom acabamento após a semeadura, devido a mobilização de solo que esta provoca.

A Figura 5 mostra a proposta do Iapar de uma haste sulcadora com ângulo de ataque da ponteira de 200, espessura da ponteira de 20 mm e 13 mm de espessura da haste. A relação H/L indica o efeito da curvatura da haste, propondo-se um desenho parabólico.

A haste durante seu movimento deve atuar no solo comprimindo-o para frente e para cima, fazendo com que este se rompa em camadas transversais devido a esforços de cisalhamento, que correspondem ao modo natural de ruptura do solo. Quando a haste apresenta uma geometria apropriada o esforço para sua ruptura é mínimo e a mobilização é menor. A figura 6 mostra de cima parabaixo uma haste com desenho parabólico rompendo o solo segundo o explicado acima e uma haste reta com ponteira larga na extremidade. Observa-se neste caso, que o solo ao ser comprimido para frente rompe-se como estivesse explodindo, lançando este a uma distância maior e exigindo mais energia para isto.

Outro fator que deve ser considerado é a profundidade crítica, ou seja, a profundidade máxima em que o solo se rompe lateralmente ao deslocamento da haste. Abaixo desta o solo não se rompe lateralmente, comprimindo-se nas laterais e soleira do sulco, provocando compactação nesta região.

Estudos realizados no Iapar com o objetivo de relacionar vários parâmetros de solo (umidade, densidade, resitência a penetração), operacionais (profundidade e velocidade de trabalho) e de características da haste (largura e ângulo de ataque da ponteira e relação H/L), procuraram obter um modelo matemático que representasse o fenômeno físico, efetuando experimentação a campo.

Dados para referências bibliograficas:Revista Plantio Direto, edição nº 88, julho/agosto de 2005. Aldeia Norte Editora : Passo Fundo-RS