3º Fórum de Debates Sobre Plantio Direto marca nova fase da APDVP
Aconteceu nos dias 6 e 7 de julho, em Assis (SP) o 3o Fórum de Debates Sobre Plantio Direto. O evento que é uma promoção da Associação de Plantio Direto do Vale Paranapanema, da CATI – Regional de Assis e da Revista Plantio Direto, contou com o apoio institucional do Sebrae, Civap, IAC, Cooperativa Agropecuária de Pedrinhas Paulista, Coopermota e FEBRAPDP e teve como parceiras a Monsanto, a Pioneer, a Utilfértil e a Fundação Agrisus.
Em sua terceira edição o Fórum recebeu 1.400 participantes distribuídos em dois dias. Além da programação teórica o público pode visitar a exposição estática da qual participaram 10 empresas do segmento de máquinas, fertilizantes e agroquímicos.Projetado para atender as demandas regionais, o evento buscou discutiu na edição 2005 alternativas de manejo que pudessem incorporadas a realidade dos produtores que estão adotando a técnica e aqueles que já utilizam o plantio direto em suas propriedades.Segundo o coordenador do Fórum de Debates, Engenheiro Agrônomo Ruy Vaz, a partir da realização da primeira edição foi possível perceber um incremento na adoção do plantio direto e também melhorias na atividade dentro da propriedade, no que se refere à qualidade do PD.Vaz comenta que ainda acontece na região a prática recorrente de sucessão de culturas com eventuais escarificações. Para ele esse comportamento é o reflexo da falta de informação e pesquisas direcionadas a realidade dos agricultores do Médio Paranapanema que precisam viabilizar a atividade e o plantio direto de forma adequada, mas esbarram em pequenos problemas que precisam ser solucionados. É nesse espaço que a Associação de Plantio Direto do Vale Paranapanema (APDVP) pretende atuar com mais força. Através de parcerias com a iniciativa privada, instituições de pesquisa e da promoção de atividades de difusão e extensão junto a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
Existe entre os agricultores da região de atuação da APDVP a consciência dos benefícios do sistema, cujo solo destinado à produção de grãos é caracterizado como o antigo Latossolo Roxo Argiloso de média e alta fertilidade. Em algumas áreas predomina o Latossolo com menor fertilidade e textura arenosa. Em ambas as condições os agricultores perceberam que em períodos de estiagem como o ocorrido na última safra, as lavouras sob o Sistema Plantio Direto sofrem menores prejuízos.Porém, ainda são os ganhos imediatos que motivam a adoção do plantio direto, pois para alguns agricultores a comprovação das vantagens do PD através de experiências práticas como a diminuição das perdas com a estiagem, ainda mobilizam mais que o discurso que prega que os ganhos reais vêm através da adoção do Plantio Direto dentro de um sistema de produção e não como uma prática esporádica que pode ser interrompida a qualquer momento e por motivos muitas vezes frágeis.
APDVP em nova fase
A Associação de Plantio Direto do Vale Paranapanema passou por diversas fases. Agora estruturada, com nova sede e um sistema de comunicação/informação com associados estabelecido através de web site (www.plantiodireto.org.br) e informativo (Direto do Vale), além das parcerias com empresas e instituições ligadas ao plantio direto, importantes colaboradoras para a condução das atividades da associação, a APDVP projeta sua atuação focada na difusão e desenvolvimento qualificado do plantio direto em sua área de abrangência. Hoje são 625 mil hectares divididos basicamente em três formas de utilização: 160 mil hectares são ocupados com a produção de grãos (soja, milho safrinha e trigo), 180 mil são cultivados com cana-de-açúcar e 260 mil hectares são ocupados com pastagens.Essa diversidade de cultivos e realidades torna ainda mais importante o trabalho que a APDVP pode desenvolver na região.A partir da gestão 2004/2006, formada por Leonardo Coda (presidente), Bruno Schlegel (vice-presidente), Eduardo Salotti (1o secretário), Branco Fadel (1o tesoureiro), Salvatore De Angelis (2o secretário) e Antonio Franco (2o tesoureiro), a APDVP envolveu jovens lideranças de vários municípios com histórico em plantio direto. Segundo Ruy Vaz, isto trouxe uma nova dinâmica para a Associação, pois as experiências e visões se complementam, resultando em perspectivas concretas de evolução.Assim como as demais regiões produtoras brasileiras, o Vale do Paranapanema também sentiu os efeitos da estiagem e da desvalorização cambial na última safra. Os prejuízos desestimularam produtores e empresas paralisando o setor. Na região, a esperança de recuperar parte dos prejuízos não se concretizou com a safrinha. O plantio do milho e mesmo o trigo foram prejudicados, e as lavouras instaladas não apresentam grandes perspectivas de produção, piorando ainda mais a situação dos agricultores.Foi neste cenário desfavorável que a diretoria da APDVP investiu todo o seu potencial de trabalho e mobilização para realizar a 3a edição do Fórum de Debates. As opiniões foram unânimes quanto à necessidade de introduzir algo positivo no panorama desanimador que se formou e um evento técnico pareceu adequado. Para ampliar a receptividade dos agricultores às informações técnicas, os organizadores abriram a programação do evento com uma palestra motivacional que mexeu profundamente com o ânimo do público que precisava ser estimulado, pois do contrário o aproveitamento das informações não seria o esperado. O resultado técnico do evento foi excelente, segundo a avaliação do público, expositores e promotores.Além dos associados da APDVP o evento também motivou líderes de municípios da região. Já existem propostas para a formação de diversos Clubes Amigos da Terra (CATs) nos municípios que compõe a área de abrangência da Associação, que terão como função fomentar a adoção do Sistema Plantio Direto, reunir e organizar os produtores em torno da causa e levantar demandas. Os Clubes pertencentes a APDVP, trabalharão diretamente com os produtores, fortalecendo a atuação da Associação. ”É união de esforços e foco nas demandas e nos projetos já em andamento, que darão subsídios para a evolução do PD na região”, complementa Ruy Vaz.