Manejo de Plantas Daninhas durante a Entressafra no Rio Grande do Sul


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Publicado em: 01/06/2005

Manejo de plantas daninhas durante a entressafra no Rio Grande do Sul

Valmir G. Menezes, Alexandre Lul Lima, Carlos H. P. Mariot e Hector B. RamirezInstituto Riograndense do Arroz -Estação Experimental do Arroz – Cachoeirinha – RS – email: irgafito@via-rs.net

A cultura do arroz irrigado é economicamente relevante para os Estados do Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC). Na safra 2004/05, foram cultivados aproximadamente 1,2 milhão de hectares, produzindo cerca de 60% do arroz consumido no Brasil, alimento que é responsável pelo fornecimento de 18% das calorias e 12% das proteínas da dieta da população brasileira.

A produtividade média nesses Estados é alta quando se compara com a média obtida nos demais estados brasileiros e mesmo com a maioria dos países que cultivam arroz irrigado. Na safra 2004/05, a produtividade média foi de 6,10 e 7,40 kg ha-1, para os Estados do RS e SC, respectivamente. Esses resultados indicam que o arroz irrigado é cultivado com nível tecnológico elevado. Entretanto, esses resultados poderiam ser melhores não fossem alguns problemas técnicos enfrentados pelos orizicultores.

As plantas daninhas constituem-se em um dos principais limitantes da produtividade das lavouras de arroz irrigado do sul do Brasil. Nesse sentido, há múltiplas espécies que podem reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos da cultura. A diversidade de espécies, aliada ao elevado índice de ocorrência das mesmas, dificulta o controle.

As lavouras de arroz irrigado constituem-se em ambiente favorável ao desenvolvimento de espécies de plantas daninhas, tanto durante o período de cultivo do arroz como durante a entressafra. De um modo geral, a maioria dos agricultores preocupa-se com o controle de plantas daninhas somente durante o período de cultivo. Essa estratégia de só tratar do problema quando ele aparece faz os produtores esquecerem de um conjunto de medidas preventivas que contribuiriam para o manejo adequado de plantas daninhas, tornando-o mais fácil e menos oneroso.

O uso de práticas que evitem a introdução, o estabelecimento e a disseminação de espécies daninhas deveria fazer parte da estratégia do controle das mesmas por parte dos agricultores. De um modo geral, as ações de caráter preventivo são de baixo custo e facilmente executáveis em nível de propriedade.

As principais medidas preventivas na lavoura de arroz irrigado são o uso de sementes livres de sementes de plantas daninhas, limpeza de canais de irrigação e drenagem, de linhas de cercas e de beiras de estradas, limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas e cuidados na movimentação e no manejo de animais nas áreas de pastejo. Além dessas ações, o manejo de água na lavoura de arroz é muito importante, pois as sementes das plantas daninhas são facilmente transportadas pela água de irrigação e, nas áreas com drenagem deficiente se estabelecem infestantes de difícil controle. Todas essas ações podem ser feitas pelos agricultores antes do período da semeadura.

O manejo de plantas daninhas na entressafra é fundamental para aquelas espécies que não podem ser controladas ou são de difícil controle durante o ciclo da cultura por problemas de eficácia e/ou seletividade dos herbicidas ou, pelo custo econômico elevado. As espécies infestantes, com elevado grau de dificuldade de controle na cultura do arroz irrigado no RS são o arroz vermelho (Oryza sativa) e as gramas estoloníferas.

O uso intensivo das áreas cultivadas com arroz aliado à utilização de sementes contaminadas com sementes de arroz vermelho pelos produtores tornou-se essa infestante como um dos maiores problemas da orizicultura gaúcha devido à redução da produção e às dificuldades de controle por pertencer à mesma espécie do arroz cultivado.

O manejo do arroz vermelho requer a combinação de diferentes ações tais como o uso de sementes de qualidade, preparo adequado do solo, sistemas de cultivo, manejo da irrigação, uso de herbicidas e o manejo do banco de sementes do solo.

De todos os itens arrolados anteriormente, o manejo do banco de sementes no solo pode ser trabalhado na entressafra. Trabalhos de pesquisa do Instituto Riograndense do Arroz que em algumas lavouras no RS registraram-se o equivalente a mais de 20 sacos de sementes viáveis dessa infestante no solo.

A redução do banco de sementes de arroz vermelho no solo é fundamental para se ter êxito em seu manejo. As sementes de arroz vermelho mantém-se viáveis no solo durante longos períodos e, em determinadas condições, a longevidade perdura por muitos anos. A viabilidade dessas sementes está relacionada com a profundidade das mesmas no perfil do solo. Ou seja, quanto mais enterradas elas estiverem, por mais tempo elas continuarão viáveis.

Durante o outono e o inverno as sementes de arroz vermelho encontram-se dormentes em sua maioria e devem permanecer junto à superfície do solo para que percam a viabilidade através da ação de fatores adversos do ambiente e/ou de patógenos e predadores. O enterramento das sementes de arroz vermelho logo após a colheita aumenta sua viabilidade durante maior período de tempo. O preparo do solo como alternativa para estimular a emergência as sementes de arroz vermelho deve ser feito no verão somente para aquelas lavouras com um período de pousio entre um e outro cultivo de arroz. Mesmo nessas situações, o preparo deve ser superficial.

Pequenas lavouras de arroz em Santa Catarina e na região da Depressão Central do RS, cultivadas no sistema pré-germinado, utilizam marrecos-de-Pequim para reduzir o banco de sementes de arroz vermelho no solo. As aves alimentam-se das sementes reduzindo significativamente a infestação.

Outro problema que exige um manejo especial no período de entressafra da lavoura de arroz do RS é a infestação por gramíneas estoloníferas perenes. Dentre as principais espécies infestantes podem ser citada: a gramas-boiadeira (Luziola peruviana e Leersia hexandra), a grama-lombo-branco (Paspalum modestum), o capim-capivara (Hymenachne amplexicaulis), e a grama-de-ponta (Paspalum distichium).

A expansão do problema das gramas estoloníferas deu-se com o preparo superficial do solo com grades ou arados gradeadores, com a utilização de áreas de difícil drenagem, o incremento do sistema de semeadura direta na lavoura de arroz e a falta no mercado de herbicidas eficazes e seletivos para o controle após o estabelecimento da cultura.

As características de plantas perenes dificultam o controle dessas espécies que se multiplicam tanto por sementes como por partes vegetativas (estolões e rizomas). Além disso, possuem uma área foliar pequena comparado ao sistema radicular muito desenvolvido, o que dificulta a absorção e translocação dos herbicidas.

Como a ação dos herbicidas aplicados em pós-emergência não é eficiente, a eficácia do manejo dessas depende, fundamentalmente, do que for feito na entressafra. Os primeiros passos começam com as melhorias no sistema de drenagem e com o preparo da área em solo seco. Observações de campo evidenciam que o preparo do solo em áreas com excesso de umidade e mal drenadas, o desenvolvimento de espécies gramíneas perenes é favorecido.

Os melhores resultados obtêm-se com a combinação dos métodos de controle químico e mecânico. O uso de um método isoladamente proporciona um controle menor que a combinação de métodos, além de muitas vezes ser insuficiente. O controle químico, com herbicidas a base de glifosato, em uma aplicação singular ou seqüencial, mesmo em doses superiores a 10 L ha-1, não é eficiente. No entanto, uma única aplicação de até 5 L ha-1, pode ser suficiente se combinado com preparo do solo. A ação eficaz de glifosato na entressafra pode ficar prejudicada se as aspersões ocorrem com temperaturas baixas, uma vez que as gramas estoloníferas diminuem o metabolismo e dificultam a translocação do herbicida.

Já o preparo mecânico, quando utilizado isoladamente, só será efetivo se o solo estiver seco para que o sistema radicular dessas espécies fique exposto aos raios solares. Por outro lado, o preparo do solo com excesso de umidade pode ser uma forma de multiplicação dessas espécies através da segmentação das partes vegetativas.

Lembrem-se, para que o manejo de gramas perenes na lavoura de arroz irrigado tenha êxito é necessário combinar a utilização de diferentes métodos de controle e as ações principais devem ser realizadas na entressafra. Após a implantação da lavoura o controle eficaz dessas infestantes é muito difícil e dispendioso.Bibliografia consultada

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Dados para Referências Bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição nº 87, maio/junho de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo - RS.