Plantio direto na Ucrânia e ex-União Soviética
o Soviética está buscando se adaptar às demandas do mercado livre e globalizado. Na Ucrânia são cultivados pouco mais de 30 milhões de hectares. O trigo, a beterraba açucareira e o girassol são culturas estratégicas para a exportação. O milho, a cevada, a ervilha, a batata e outras culturas são direcionados para o mercado interno.
Em novembro de 2004 foi realizada a primeira conferência sobre plantio direto em Dnepropetrovsky, Ucrânia. O evento, que abrangeu países do Leste Europeu,contou com a participação de 600 agricultores de 10 países e 24 palestrantes de 12 países. Do Brasil participaram Ademir Calegari, Frank Dijsktra e Dirceu Gassen.
Além do intercâmbio técnico foi uma oportunidade de conhecer as estratégias para o agronegócio dos países envolvidos. Eles afirmam ter condições de solos, clima e potencial para atender a demanda de alimentos do mundo, semelhante ao discurso brasileiro para o cerrado.
Vladimir Khorishko, coordenador da conferência é também diretor da Agro-Soyuz, que significa Agro União em ucraniano. Uma empresa privada com três ramos principais de atividades voltados para o agronegócio: comércio e distribuição de peças, fábrica de implementos agrícolas e produção agropecuária.
A agricultura da ex-União Soviética
Antes da Perestroika, a agricultura era administrada de forma vertical. As terras pertenciam ao Estado, que dava direito de uso aos agricultores em fazendas comunitárias.
A organização, o planejamento e as decisões sobre área cultivada, produtos e cotas de produção eram definidos pelo governo central. Em geral, a administração das fazendas coletivas de aproximadamente 10 mil hectares e vilas com mil agricultores era de um membro do Partido Comunista. Ainda não existe o direito de propriedade da terra, apenas concessões de uso, a partir de leis aprovadas em 1996. Cada um dos campesinos teve o direito de uso de aproximadamente 10 ha e poderá ter o direito de propriedade para vender ou comprar, a partir de 2007.
Houve um período de transformação a partir da independência da Ucrânia, em 1991, quando foi iniciada a reestruturação da agricultura e dos negócios do País. As atividades econômicas tomaram várias direções sem rumo definido.
Foi uma transição dolorosa e houve necessidade de construir uma unidade de propósitos para que houvesse possibilidade de investimentos externos e adoção de novas tecnologias.
Alguns modelos gerais de agricultura foram estabelecidos. Um deles, com investimentos externos, formando fazendas extensivas com arrendamento ou aquisição de direito de propriedade de terras dos habitantes das vilas (fazendas coletivas) e gestão moderna de agronegócio.
Outro modelo foi estabelecido sem investimentos externos, mas com gestão própria dos agricultores, continuando as fazendas coletivas em conjunto e formando estruturas semelhantes a cooperativas.
O terceiro modelo é formado por agricultores com áreas de 40 a 50 hectares, sobre terras de reserva do Estado, que não eram usadas por agricultores das fazendas coletivas. Esses agricultores, por aptidão estão adquirindo novas áreas e aumentando a escala de produção.
No período de transição muitos agricultores abandonaram as atividades nas fazendas coletivas.
A opção pelo plantio direto
Khorishko destaca que o agricultor dos países da ex-União Soviética necessita conhecer a tecnologia disponível e se alinhar com o desenvolvimento da agricultura mundial. O futuro da economia da Ucrânia depende da eficiência da agricultura. Com base no direcionamento global para a produção de alimentos decidiram pelo plantio direto e pela agricultura de conservação.
Na opinião dele, a economia globalizada e as demandas da humanidade sobre o uso de recursos naturais já tomaram a decisão pelo plantio direto e pela sustentabilidade de uso dos recursos naturais. O sistema, portanto, é uma necessidade para viabilizar a produção sustentável de alimentos com a preservação da natureza.
Entre os fatores práticos limitantes para a adoção do plantio direto na Ucrânia se destacam a indisponibilidade de equipamentos, semeadoras, tratores e a falta de conhecimento. Em torno de 80 % das máquinas são muito antigas e estão sucateadas, necessitando renovação. Para isso, há necessidade de capital para reiniciar um sistema de agricultura competitiva atendendo as demandas do mercado global.
Khorishko tomou a iniciativa de dizer que os agricultores da América do Sul têm o diferencial do conhecimento, informação, pesquisa, publicações, experiência prática de agricultores e palestras estruturadas para apoiar o desenvolvimento do plantio direto. Os agricultores da Ucrânia e da ex-União Soviética, para ouvir e conhecer essa experiência necessitam viajar milhares de quilômetros e com custos elevados. Além disso, existe a barreira da língua, completamente diferente na escrita e na fala, da linguagem do mundo ocidental.
Os agricultores da América têm toda a experiência prática ou as oportunidades de solução dos problemas muito próximo das lavouras. Nós não temos um vizinho para consultar nem a informação de especialistas locais, afirma Khorishko. Por isso, ainda não temos uma agricultura desenvolvida. E o plantio direto está apenas começando em pequenas áreas.
Os estrangeiros quando chegam à Ucrânia não entendem por que não estamos adotando plantio direto nas planícies férteis. A resposta é simples: não temos o suporte de experiência prática e muito pouca informação local para dar suporte ao plantio direto.O agricultor da América não sabe a sorte que tem por ter informação, conhecimento, palestrantes, publicações e experiência de vizinhos disponíveis para todos.
As terras são férteis com mais de 50 cm de solo negro, com altos teores de húmus e nutrientes. A produção de soja chegou a 3600 kg/ha, mas a área cultivada ainda é pequena. Os rendimentos de milho são limitados pela falta de água. Chove entre 300 e 500 mm/ano, no verão. As temperaturas médias no inverno são inferiores a –10o C com neve durante 3 meses. As culturas de inverno (trigo e cevada) têm umidade suficiente e produzem bem.
Os 600 agricultores participantes da Conferência representavam juntos uma área cultivada de 8 milhões de hectares, muitos deles com mais de 50 mil hectares. Esse grupo somado aos técnicos, representam o desenvolvimento da nova agricultura empresarial e de alta produtividade. Eles pregam com convicção que os agricultores dos países da ex-União Soviética serão o futuro celeiro para alimentar a China e países da Europa. Existe clara diferença entre a agricultura antes da Perestroika, com máquinas antigas, lavouras coletivas e administradas pelos membros do partido comunista e a agricultura empresarial que se estabelece atualmente.
Dados para Referências Bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição nº 87, maio/junho de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo - RS.