Principais pragas nas culturas de trigo, cevada e aveia
Dirceu N. GassenEng.-Agr., Gerente Técnico Cooplantio - Porto Alegre (RS) - E-mail: dirceu@agri.com.br
As pragas podem ser agrupadas de acordo com a fase de desenvolvimento das plantas, para melhor adoção de métodos de controle em pragas-de-solo, desfolhadoras e sugadoras.
1. Pragas-de-solo
As pragas-de-solo, em geral estão presentes no momneto de semeadura dos cereais de inverno. É importante fazer amostragens para determinar a população e a distribuição das principais espécies na lavoura.
1.1. Corós
Os corós tem ciclo biológico de um ano e na fase de larva causam danos a partir do 3º estádio de desenvolvimento.
O coró-da-pastagem, Dilobo-derus abderus, desenvolve no sul do Brasil, Argentina e Uruguai e a larva causa danos no período entre junho e setembro.
As larvas do coró-do-trigo e do coró-da-soja, Phyllophaga spp., desenvolvem a partir de dezembro e iniciam os danos nas culturas de verão, continuam no outono e inverno até setembro, no sul do Brasil. Nos cerrados, os danos de coró cessam em abril, mesmo nas áreas irrigadas.
As espécies de corós que ocorrem no Sul do Brasil são diferentes das que desenvolvem nos cerrados, onde o ciclo biológico é adaptado ao clima chuvoso de verão, quando as larvas causam danos, com dormência nos meses secos de inverno. Nos cerrados não se tem a expectativa de danos de corós em trigo, mesmo em áreas irrigadas, nos meses de inverno.
Cada larva de coró consome em torno de 10 plantas de trigo, aveia ou cevada. Cada larva de coró/m2 causa dano estimado em 4 % na produção de grãos.
Populações superiores a 20 corós/m2 consumirão todas as plantas da área. Para lavouras de elevado rendimento, o nível de dano para controle é de 2 larvas de coró/m2. Para lavouras de rendimentos médios ou baixos indica-se o nível de 5 larvas de coró/m2.
O controle de corós pode ser obtido com o tratamento de sementes com doses eficientes de cada um dos produtos disponíveis no mercado.
As populações de corós flutuam em função da ação de agentes de controle biológico natural. A cobertura vegetal com maior volume de produção de material orgânico estimula a atividade biológica e o controle por inimigos naturais.
No sul do Brasil, para cereais de inverno o tratamento de sementes com inseticidas nas doses certas é eficiente no controle de corós.
No caso de canola, a semente pequena e o baixo volume de sementes dificulta a adição de inseticidas em doses eficientes para o controle de corós.
1.2. Grilos
O grilo-marrom completa o ciclo biológico em um ano com oviposição entre novembro e janeiro. As ninfas causam danos com maior intensidade no fim do outono, quando aprofundam as galerias no solo com o início das temperaturas mais baixas.
Cada grilo consome em torno de 20 plântulas ou sementes de cereais de inverno. O dano estimado é de aproximadamente 7 % para cada grilo/m2.
Os grilos ocorrem em manchas na lavoura e em áreas sob pastejo mais intenso ou com menor vegetação. O cultivo de plantas com ampla cobertura de solo, como o nabo forrageiro e a canola, reduzem a população da praga.
Os adultos causam danos com maior intensidade na fase reprodutiva e de alimentação das ninfas, entre outubro e dezembro.
2. Desfolhadoras
2.1. Lagartas
As lagartas desenvolvem em vários hospedeiros além de cereais de inverno. A lagarta-do-trigo, Pseuda- letia sequax, ocorre no sul do Brasil, principalmente, no inverno e até o mês de outubro.
A lagarta-militar, ou lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, desenvolve em cereais de inverno nos cerrados, a partir no norte do Paraná. Também desenvolve no sul do Brasil com maior intensidade a partir de outubro.
As mariposas se deslocam por dezenas de km e fazem a postura aglomerada com centenas de ovos na mesma folha, iniciando nas áreas com plantas mais desenvolvidas ou acamadas.
Cada lagarta consome entre 100 e 150 cm2 de folhas. O nível de dano econômico é estimado em 10 lagartas/m2.
O controle deve ser feito com inseticidas seletivos, considerando que a melhor eficácia ocorre com a ingestão do inseticida pelas lagartas.
3. Sugadoras
3.1. Pulgões
Os pulgões são vetores de viroses e a fase mais crítica de inoculação é a de plântula até o afilhamento. O vírus desenvolve em torno de quatro semanas até mostrar os primeiros sintomas e evidenciar danos mais significativos. Os níveis de danos causados pela extração de seiva e pela injeção de saliva são estimados em 10 insetos por afilho ou espiga.
Os danos podem ocorrer desde a fase de emergência da planta até a fase final de enchimento de grãos. O dano mais severo ocorre pela transmissão do vírus do nanismo amarelo da cevada (VNAC). O pulgão infectado pode inocular o vírus na planta, depois de alimentar-se por algumas horas e o sintoma se manifestar depois de 4 semanas. Por isso o dano mais severo por VNAC ocorre quando inoculado na fase inicial de desenvolvimento vegetativo e até o afilhamento.
Os pulgões completam o ciclo biológico em 3 a 5 dias, reproduzem por partenogênese telítoca (fêmeas dão origem a ninfas fêmeas, sem a participação de machos).
O controle biológico natural por microhimenópteros (vespinhas) e outros inimigos naturais mantêm as populações da praga em níveis populacionais relativamente baixos. Para manter os inimigos naturais ativos deve-se usar inseticidas via tratamento de sementes ou produtos seletivos pulverizados na parte aérea.
3.2. Percevejos
Os percevejos causam danos na fase inicial de desenvolvimento, quando o percevejo barriga-verde, Dichelops furcatus ou D. melacanthus, suga a base da planta, causando definhamento e deformação nas plantas. O percevejo verde da soja, Nezara viridula, se alimenta da espiga na fase de emborrachamento, causando branqueamento de parte ou toda a espiga.
O controle pode ser feito com a pulverização de inseticidas.
Dados para referências Bilbiográficas:Revista Plantio Direto, edição 86, março abril de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo.