Sobrevivendo ao Clima (Editorial)


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Publicado em: 01/04/2005

Sobrevivendo ao clima

Preços baixos, custos altos, estiagem, elementos com os quais os agricultores têm convivido e aos quais, sobrevivido. A questão clima talvez seja a única que nem mesmo governantes ou políticos cheios de vontade conseguem resolver, não é possível subsidiar ou renegociar a chuva. Históricamente a estiagem está presente e aparece de forma constante, dificultando a vida nas cidades e principalmente no campo, mas mesmo assim a agricultura continua sendo o carro chefe da economia de muitos estados brasileiros. Com os efeitos da estiagem os agricultores se descapitalizam e desanimam, saem em busca de alternativas tecnológicas e financeiras para viabilizar a próxima lavoura e continuar nessa atividade de risco, pois não é possível conceber um êxodo completo do campo rumo às cidades. Foi possível perceber nesse início de 2005, que mesmo o agricultor com gestão da propriedade altamente profissional sentiu os efeitos do cenário composto por clima e perspectivas de mercado.

Resultado: criatividade em alta em todos os elos da cadeia, pois é necessário contornar a situação. De uma ponta a outra é preciso estudar novas possibilidades, alternativas para compensar o prejuízo que todos terão em escalas diferentes.

Nesse momento, a tecnologia adotada e a administração eficiente tornam-se mais importantes que a quantidade e idade das máquinas no galpão. Planejar a lavoura levando em consideração condições de clima e solo de cada região deveria ser uma rotina entre os agricultores. A tarefa, teoricamente simples de escolha de uma cultivar, do cuidado com a semeadura, podem em momentos como esse ser um dos pontos de equilíbrio no fechamento das contas ao final da safra.

Não adianta culparmos os ”niños” que continuarão a ocorrer, sejam masculinos ou femininos, precisamos estar mais preparados para recebê-los. No caso, para quem faz plantio direto é imprescindível cuidar que ele seja bem feito, com muita palha, com semeadura em profundidade e no período adequados, um plantio direto com qualidade. E quem não faz?

Nessa edição começamos a enfocar as culturas de inverno, em especial trigo e cevada, além de assuntos como irrigação, sobressemeadura para formação de palha no cerrado e o cenário atual no mercado de grãos.

Boa leitura.

Juliane Borges