Inoculação em Áreas Novas é Indispensável


Autores:
Publicado em: 01/02/2005

Inoculação em áreas novas é indispensável

João Leonardo Fernandes Pires e Márcio VossPesquisadores da Embrapa Trigo, Passo Fundo (RS) - E-mail: pires@cnpt.embrapa.brNovos cenários de cultivo de soja têm surgido no Rio Grande do Sul, com a expansão da área cultivada, muitas vezes, para regiões não tradicionais de cultivo como a Metade Sul e a Fronteira Oeste. Estas regiões apresentam distinto ambiente de produção e requerem tecnologia diferenciada, o que faz necessário a adaptação do sistema de produção de soja para esta nova demanda. A realização de inoculação das sementes com bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbio) é uma prática que deve ser prioridade nessas áreas. É importante lembrar que, se a soja dependesse de adubo nitrogenado, necessitaria cerca de 400 kg de uréia (8 sacos) para produzir 2.400 kg de grãos/ha (40 sacos) e a lucratividade estaria comprometida. Mas não se aplica adubação nitrogenada nessa leguminosa, porque a mesma consegue retirar o nitrogênio do ar, com a ajuda do rizóbio que são bactérias que se alojam em nódulos nas raízes da planta.

No norte do RS (tradicional cultivador de soja) ou em áreas onde se planta soja por vários anos, o rizóbio vai se instalando no solo e se multiplicando até constituir parte significativa da população bacteriana desse habitat, principalmente sob o sistema plantio direto. Nesses locais, a ausência de inoculação não causa diminuição perceptível de rendimento. Por isso, muitos agricultores esquecem da importância do rizóbio, na sua função indispensável que é fornecer o nutriente de maior consumo da soja. Alguns desses agricultores estão comprando ou arrendando terras em regiões novas e conseqüentemente, vários são os casos de insucesso na lavoura de soja de primeiro ano, por descuido com a inoculação.

No sul do RS e na Fronteira Oeste, a soja muitas vezes é cultivada em áreas de campo nativo ou várzeas arrozeiras. Além destas áreas terem características físicas, químicas e hídricas diferentes das lavouras tradicionais, merecendo um manejo específico, se não for feita inoculação das sementes ou solo com rizóbio nessas áreas, será preciso adicionar nitrogênio, pois elas estão ausentes ou em baixo número no solo. Além disso, as bactérias presentes nos inoculantes, são selecionadas por sua eficiência.

Assim, em áreas onde a soja foi recentemente introduzida o sojicultor deve obrigatoriamente inocular a semente principalmente no primeiro ano de cultivo, sob pena de enfrentar problemas severos e limitar o potencial de rendimento da lavoura, pela deficiência de nitrogênio.

Por isso, órgãos de pesquisa como a UFRGS, a Fepagro, a Embrapa Trigo e a Fundacep alertam para a importância da inoculação com o rizóbio na soja em plantio de primeiro ano, como pode ser visto nas ”Indicações Técnicas para a Cultura de Soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina”. Nela constam detalhes sobre a forma de inoculação, destacando-se, por exemplo, a importância de usar a quantidade de inoculante indicada pelo fabricante de modo a atingir quantidade mínima de 600.000 células viáveis de Bradyrhizobium por semente. Em áreas de primeiro ano de cultivo usar o dobro dessa quantidade. Salienta-se também, que poucos dos fungicidas indicados para o tratamento de sementes são compatíveis com o inoculante e, portanto podem suprimir essas bactérias.

Muitos produtores, por preferirem usar esses fungicidas tóxicos para as bactérias, ou também devido a períodos de pouca umidade logo após semeadura, fazem inoculação no solo, com máquinas de pulverização de inseticidas aplicando no sulco de semeadura, duplicando ou quadruplicando a quantidade de inoculante. Essa técnica não consta ainda nas indicações da pesquisa, (que não estabeleceu por exemplo, qual a quantidade de inoculante necessária) mas sabe-se que permite inocular o rizóbio, pois esta é uma bactéria capaz de sobreviver e se multiplicar no solo mesmo na ausência da soja.