Doenças fúngicas, da haste e foliares
Ricardo S. Balardin, Rosana C. Meneghetti e Leandro J. DallagnolUniversidade Federal de Santa Maria – E-mail: rsbalardin@balardin.com.br
1. Introdução
A soja é a mais importante oleaginosa cultivada no mundo com uma produção de 189.120 milhões de toneladas. Segundo Agrianual (2005), os principais países produtores de soja são os Estados Unidos com 65.796 milhões de toneladas, Brasil com 52.600 milhões de toneladas, Argentina com 34.000 milhões de toneladas e China com 16.000 milhões de toneladas.
As doenças na cultura da soja podem causar um impacto significativo no rendimento da cultura. O dano devido à incidência de doenças pode comprometer até 20% do rendimento (WRATHER et al., 1997). Segundo GIORDANI (2002) na medida em que a produtividade de cada cultivar de soja, submetida à proteção química, distanciou-se do seu potencial genético de rendimento obtido na ausência completa das doenças, maior foi o estresse associado às doenças. Neste caso foi possível distinguir claramente a expressão gênica relacionada aos mecanismos de tolerância das cultivares e o mecanismo genético de resistência associado à interação patógeno-hospedeiro. Considerando que o aparato genético associado à tolerância é poligênico, resultados obtidos a partir de um grande número de experimentos conduzidos em diferentes locais e anos mostrou ausência de uma relação entre ingrediente ativo e estádio de aplicação, quando foram mudados as cultivares e os locais.
2. Doneças fúngicas radiculares, da haste e foliares
2.1. Podridão vermelha da raiz ou Síndrome da Morte Súbita
A doença é causada pelo Fusarium solani f.sp. glycines. No Brasil, os danos causados pela podridão vermelha da raiz aumentaram de 15.000 t. para 200.000 t. entre as safras 1994/95 e 1997/1998, acarretando perdas superiores a US$ 57 milhões (YORINORI, 1998 a). O desenvolvimento de PVR ocorre com temperaturas amenas, entre 22 e 24°C, e alta umidade do solo, principalmente no período que antecede a floração, enquanto que altas temperaturas e baixa umidade do solo reduzem a intensidade da doença (SCHERM & YANG, 1996). Os sintomas nas raízes são manchas avermelhadas, mais visíveis na raiz principal e, geralmente, localizadas logo abaixo da superfície do solo. Os sintomas foliares são manchas circulares ou irregulares, dispersas, internervais, verde pálidas a cloróticas, de tamanho reduzido e clorose internerval (folha carijó). Pode ser observada completa desfolha em situações de alta severidade. Em situações de infecção severa durante o florescimento e início de formação de vagens pode ser observado aborto de flores e vagens (ROY et al., 1997a).
O controle da doença pode ocorrer através de resistência varietal embora seja bastante restrita a disponibilidade de cultivares resistentes. A transmissão da PVR através das sementes, demonstrada por BALARDIN et al. (2001) pode ocorrer devido à transmissão de clamidosporos aderidos externamente no tegumento das sementes e veiculados pelos resíduos de colheita. Neste caso, o tratamento de sementes poderá constituir-se em medida eficaz de controle.
2.2. Podridão aquosa e negra da base da haste
Causada por Rhizoctonia solani, produz sintomas na constrição da haste nos primeiros entrenós acima do solo, com manchas esbranquiçadas no centro e com bordos bem definidos de coloração marrom escura. O sistema radicular mostra-se mal desenvolvido e as raízes são atacadas apresentando uma coloração escura. As plantas infetadas secam prematuramente, apresentam número reduzido de vagens e grãos. Pode causar a morte das plantas em qualquer estádio de desenvolvimento.
O controle deve contemplar o tratamento de sementes e a rotação de culturas para que a pressão de inóculo seja reduzida.
2.3. Podridão branca da haste
Esta doença é causada pelo Sclerotinia sclerotiorum e pode causar perdas superiores a 30%. Os sintomas observados compreendem uma podridão úmida da haste e da raiz. A doença pode ocorrer tanto nos estádios vegetativos como reprodutivos da planta. Durante a fase de plântula, as plantas mostram folhas amareladas e posteriormente morrem. Neste caso ocorre uma interferência na densidade de plantas na lavoura. No caso de infecções em plantas adultas os sintomas observados são o crestamento e amarelecimento das folhas. Esclerócios, inicialmente brancos e posteriormente escuros, podem ser profusamente formados. O patógeno é transmitido pela semente, pelos esclerócios, ou restos de cultura infectados onde se formam apotécios do fungo aptos a ejetarem ascósporos para a parte aérea das plantas. A infecção pode assumir uma severidade elevada principalmente sob condições de má drenagem, alta densidade de plantas proporcionando abafamento, períodos de alta precipitação.
Em áreas com ataque do fungo, o controle pode ser obtido através da incorporação profunda dos resíduos infectados. O tratamento de sementes pode amenizar a severidade da doença.
2.4. Cancro da haste
O cancro da haste é causado pelo Phomopsis phaseoli f.sp. meridionalis. Os sintomas surgem a partir de 12 a 15 dias após a infecção, na forma de pontuações pretas na haste. Estas pontuações evoluem para grandes lesões castanho-avermelhadas a negras, podendo atingir grandes dimensões na haste. O fungo também pode invadir o interior da haste alterando a coloração do lenho e da medula para castanho-avermelhado. As folhas das plantas infectadas apresentam a clorose e necrose entre as nervuras, sintoma chamado de folha carijó. A alta umidade é a condição primordial para ocorrência desta doença. A disseminação pode ocorrer através de sementes infectadas, restos culturais, chuva e vento.
O controle mais eficiente é a resistência varietal.
2.5. Oídio
A doença é causada pelo Mycrosphaera diffusa. Cultivares suscetíveis podem apresentar uma redução entre 10 e 35% no rendimento. Os sintomas observados são uma massa esbranquiçada de micélio e conídios formados na superfície de cotilédones, ramos, vagens, e folhas. É possível ocorrer variações nos sintomas devido a diferenças varietais, tais como clorose nas folhas quando ocorre uma colonização severa dos pedúnculos, desfolhamento antecipado, e acizentamento das folhas. As condições mais favoráveis para ocorrência de oídio são temperatura entre 18 e 24ºC. Temperatura superior a 30ºC inibe o desenvolvimento da doença. O molhamento folhar é um fator inibidor no estabelecimento do oídio. Esta é uma das razões pelas quais a doença apresenta uma severidade elevada durante os estádios vegetativos. Precipitação freqüente e intensa pode se constituir em fator inibidor ao desenvolvimento do oídio.
As medidas de controle mais efetivas são a utilização de cultivares resistentes e a aplicação de fungicidas
2.6. Míldio
O patógeno causador do míldio é Peronospora manshurica. Pode causar redução ao redor de 8% no rendimento de cultivares suscetíveis de soja. Nas condições do Sul do Brasil, esta doença tem ocorrido em praticamente todas as áreas onde a soja é cultivada, desenvolvendo-se ainda no período vegetativo. O patógeno pode atacar folhas e vagens. Nas folhas os sintomas mostram-se como manchas inicialmente verde claro a amarelado, evoluindo para um amarelo brilhante com o centro necrosado. Na face inferior das folhas pode ser observado crescimento de estruturas reprodutivas (esporangióforo e espororângio) do patógeno. A infecção pode se desenvolver sistêmicamente em plântulas oriundas de sementes infectadas. A infecção sistêmica é favorecida por temperatura entre 20 e 22ºC, associado à alta umidade. A esporulação é favorecida por temperatura entre 10 e 25ºC, sendo que a mesma é inibida quando da temperatura é inferior a 10ºC e superior a 30ºC.
O controle do míldio pode ser obtido através de tolerância varietal. Tratamento de sementes, com fungicidas eficazes contra oomicetos podem inibir a infecção sistêmica. Rotação de culturas de um ou mais anos associado ao enterrio de restos culturais são práticas que podem reduzir a progressão inicial da doença.
2.7. Antracnose
A doença é causada pelo Colletotrichum truncatum. Os danos atribuídos a esta doença variam de 16 a 26% nos Estados Unidos, 30 a 50% na Tailândia e de até 100% no Brasil e na Índia (MANANDHAR & HARTMAN, 1999). As condições mais favoráveis são lavouras com alta população, um mínimo de 12 horas de molhamento folhar (associado ao orvalho prolongado, alta umidade relativa ou precipitação freqüente), e temperatura ótima entre 18 e 25ºC. A esporulação do fungo ocorre sob temperatura inferior a 35ºC. A disseminação da antracnose ocorre através de sementes infectadas, restos culturais, vento e chuva. Os sintomas da antracnose ocorrem em toda a parte aérea da cultura, podendo ser observados desde os estádios vegetativos iniciais até tardiamente nos estádios reprodutivos. O fungo pode causar tombamento de pré-emergência ou de pós-emergência, quando as sementes são infectadas e semeadas sob condições de alta umidade. Os sintomas podem apresentar-se como necrose dos pecíolos, cancro nas nervuras foliares e pedúnculos das folhas, hastes e vagens, e desfolhamento prematuro.
O controle da antracnose pode ser obtido evitando a utilização de cultivares suscetíveis, pela utilização de sementes livres do patógeno, tratamento de sementes com fungicidas. Práticas culturais que incluam o enterrio dos resíduos de colheita infectados, rotações de cultura, adubação equilibrada principalmente em relação ao potássio, aumento do espaçamento e diminuição da densidade de plantas podem reduzir a pressão de inóculo, minimizando o dano da doença. A aplicação de fungicidas na parte aérea é uma prática recomendada para todo o grupo de doenças de final de ciclo e com eficácia contra a antracnose. A eficácia devido à aplicação dos fungicidas depende da adequação do estádio fenológico em que os produtos são aplicados. Os melhores resultados obtidos são com aplicações realizadas, no caso de cultivares precoces nos estádios R3/R4, cultivares médias no estádio R4, e no caso de cultivares tardias R4/R5.1.
2.8. Crestamento foliar de cercospora
O crestamento foliar de Cercospora está se disseminado por todas as regiões produtoras de soja do País, sendo mais sério nas regiões quentes e chuvosas dos cerrados. O fungo Cercospora kikuchii ataca todas as partes das planta e pode ser responsável por severa redução no rendimento e qualidade das sementes. A doença é capaz de reduzir o rendimento de cultivares de soja em 30% (norte do Brasil) a 15% (sul do Brasil). Os sintomas são observados em toda a parte aérea das plantas (folhas, hastes, vagens e sementes). As folhas infectadas apresentam-se coráceas com coloração púrpura escuro, podendo estender-se por toda a superfície foliar. Quando a infecção é severa, pode ser observado um desfolhamento acentuado e prematuro podendo ser confundido com senescência precoce. Em certas situações, tal como em solos de baixa fertilidade nos primeiros anos de cultivo dos cerrados, quando a infecção ocorre nos nós, o fungo pode penetrar na haste, pecíolos e ramos e causar a necrose de coloração avermelhada na medula. O fungo atinge a semente através da vagem, causando a mancha púrpura no tegumento. A temperatura ótima para desenvolvimento do Crestamento por Cercospora situa-se entre 23 e 30ºC, sendo que a esporulação dá-se de 3 a 5 dias após a penetração do fungo na planta. A duração do molhamento folhar favorece o aumento na severidade da doença.
Uma medida de controle eficiente é a utilização de resistência varietal, embora a maioria das variedades seja suscetível. Uso de sementes livres do patógeno, associado ao tratamento de sementes com fungicidas é uma medida preventiva podendo reduzir a disseminação do patógeno para novas áreas ou mesmo para as folhas cotiledonares. A aplicação de fungicidas na parte aérea da cultura é uma medida eficaz e capaz de reduzir significativamente o impacto da doença no rendimento da cultura, dependendo da observância do estádio fenológico da cultivar para otimização da rentabilidade da medida. Os melhores resultados obtidos são com aplicações realizadas, no caso de cultivares precoces nos estádios R3/R4, cultivares médias no estádio R4, e no caso de cultivares tardias R4/R5.1.
2.9. Mancha olho-de-rã
O agente causal é o Cercospora sogina. A doença pode ocorrer em qualquer estádio da cultura, com maior incidência a partir de R1. Os sintomas da doença são observados em toda a parte aérea da planta (folhas, hastes, vagens e sementes). As lesões na face superior das folhas iniciam-se como pequenas manchas de encharcamento, evoluindo na seqüência para lesões arredondadas de centro castanho-clara e bordos castanho-avermelhados. Na outra face, as lesões tornam-se de coloração cinza com a presença de estruturas reprodutivas do fungo. A expressão da doença é mais severa em condições de alta umidade. Sementes e vento associado a chuva constituem-se em importantes agentes de disseminação da doença.
O controle da doença é obtido com resistência varietal, utilização de sementes com alta qualidade e livres de patógenos. O tratamento de sementes com fungicidas pode auxiliar na redução da transmissão da doença. Práticas culturais como o enterrio de restos culturais e a rotação de culturas por períodos de dois anos, são importantes para manter a severidade da doença sob níveis baixos. A aplicação de fungicidas pode resultar em controle eficaz da doença.
2.10. Mancha-alvo
A redução no rendimento tem sido relatada ao redor de 18 a 32%, sendo mais destrutiva sobre cultivares tardias. O patógeno causador é Corynespora cassiicola. Geralmente ataca folhas, ramos, vagens, sementes, hipocótilo e raízes. Nas folhas apresenta lesões circulares rodeadas por halo esverdeado ou levemente clorótico. Lesões grandes apresentam anéis concêntricos. Os sintomas folhares iniciam-se por pequenas pontuações de coloração castanho-avermelhada, com halo amarelo, que evoluem para grandes manchas arredondadas, de coloração castanho-clara, atingindo até 2cm de diâmetro. Sob circunstâncias de severidade mais elevada e em períodos de intensa precipitação ou alta umidade, as lesões coalescem. A doença pode ocorrer em qualquer fase do ciclo da cultura, embora mais freqüentemente a partir de R1. As condições favoráveis para a doença são altas populações de plantas, alta umidade e temperatura. A infecção folhar ocorre apenas quando a umidade atinge níveis superiores a 80%, sendo que períodos secos inibem tanto a infecção folhar como radicular.
Para o controle da mancha alvo pode ser obtido através de resistência varietal, sendo resistentes as cultivares BR 16, Davis, FT Abyara, FT Cometa, entre outras. A aplicação de fungicidas também produz resultados economicamente satisfatórios no controle desta doença, desde que aplicados no estádio fenológico correto para cada cultivar de soja. A rotação/sucessão de culturas com gramíneas pode reduzir a pressão de inóculo favorecendo o controle químico.
2.11. Mancha parda ou septoriose
O agente causal da mancha parda é o fungo Septoria glycines (Mycosphaerella uspenskajae). É a doença mais amplamente disseminada no país, podendo causar redução no rendimento entre 8 e 15% no rendimento de cultivares suscetíveis. Os primeiros sintomas são provenientes de infecção na semente e aparecem cerca de duas semanas após a emergência nas folhas unifolioladas, como pequenas manchas de contornos angulares, castanho-avermelhadas. As folhas primárias quando atacadas podem rapidamente senescer e cair. Em infecções severas são formadas manchas com diâmetro suficiente para cobrir a superfície de ambas faces das folhas. Neste caso, causa desfolha e maturação prematura, com conseqüente redução no rendimento. A esporulação do fungo causador da mancha parda é favorecida por períodos de com alta umidade e temperatura amena, enquanto que períodos secos e ventosos associados à ação dos respingos de chuva, favorecem a disseminação.
Cultivares com menor nível de suscetibilidade, ou mesmo cultivares resistentes podem auxiliar eficientemente no controle da doença. Sementes livres do patógeno e o tratamento de sementes com fungicidas são práticas que podem evitar a introdução do patógeno em áreas novas. Práticas culturais como o enterrio de resíduos de colheita infectados e a adoção periódica de rotação/sucessão de culturas por um período mínimo de um ano, são práticas que auxiliam na manutenção do inóculo sob níveis baixos. Adubação equilibrada, com ênfase no potássio, também pode auxiliar no controle da mancha parda. A aplicação de fungicidas na parte aérea da cultura é uma medida de controle que tem se mostrado altamente eficiente no controle da mancha parda. Os melhores resultados obtidos são com aplicações realizadas, no caso de cultivares precoces nos estádios R3/R4, cultivares medias no estádio R4, e no caso de cultivares tardias R4/R5.1.
2.12. Ferrugem da soja
A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Os danos estão associados à redução no número de vagens, no número de grãos cheios, no peso de grãos. A infecção logo após o início da floração causa maiores danos Bromfield (1984). Os sintomas causados pela ferrugem da soja são uma necrose do tecido foliar acompanhada da formação de várias pústulas. Na medida em que a doença inicia sua progressão ocorre um amarelamento generalizado das folhas e subseqüentemente uma desfolha que se mostra tão acelerada quanto mais favoráveis forem as condições para o desenvolvimento da doença. Para que se desenvolva uma epidemia severa, é necessário período de molhamento foliar de aproximadamente 10 h/dia e temperaturas entre 18 e 26oC. Temperaturas mais altas que 30oC e abaixo de 15oC, em clima seco, retardam o progresso da doença. Cultivares de ciclo precoce podem apresentar menor dano já que tende a completar o ciclo antes que o nível de inóculo seja epidêmico. Por outro lado, plantios no final da época recomendada tendem a apresentar o maior dano devido ao fato de completarem o ciclo sob elevada pressão de inóculo. Até o presente momento não estão disponíveis cultivares resistentes à ferrugem da soja, apesar dos esforços desprendidos para a obtenção de cultivares resistentes.
O desenvolvimento de programas de monitoramento com base na medição de temperatura, umidade relativa do ar, precipitação e molhamento foliar pode fornecer subsídios limitados sobre as possibilidades de infecção pelo Phakopsora pachyrhizi. Entretanto, se a este conjunto de dados meteorológicos for agregado informações antecipadas sobre o movimento da doença (parcelas sentinela), os modelos gerados serão úteis para dimensionar o nível de risco que uma determinada região está submetida.
A aplicação de fungicidas para o controle da ferrugem deve ser realizada de forma preventiva a partir do florescimento da cultura, momento em que a vulnerabilidade da planta ao patógeno aumenta, possibilitando assim proteção da cultura. A freqüência de pulverizações será determinada pelo ciclo da cultivar, época de semeadura, pressão da doença e em função do fungicida utilizado.
Fatores como momento de aplicação, localização do alvo na planta, meios de dispersão da doença, tecnologia de aplicação e capacidade operacional de controle são fundamentais no controle químico da ferrugem. Necessário destacar que a aplicação de fungicidas requer uma definição específica de componentes tais como: volume de calda (definido a partir do Índice de Área Foliar a ser coberto com fungicida), ponta de barra (pontas de orifício leque, duplo leque, turbo, anti-deriva), qualidade de água, pressão de trabalho (adequada a ponta de barra e volume de calda), velocidade de aplicação, hora do dia em que a aplicação vai ser executada.
A capacidade operacional de controle que cada propriedade possui, ou seja, em que número de dias a pulverização pode ser finalizada é um aspecto relevante no controle desta doença, por ser de progressão muito rápida. Este particular reforça a necessidade de posicionamento preventivo de controle já que, mesmo nas condições de Sul do Brasil, onde as áreas apresentam um bom dimensionamento operacional, muitas vezes é necessário o deslocamento de equipamento que torna o processo de controle mais lento. Nas áreas de Cerrado brasileiro, a capacidade operacional mostra-se limitante para um controle adequado da ferrugem, implicando maior nível de risco.
Destaca-se, todavia, que a garantia de um controle confiável não depende apenas da escolha do ativo, mas de todos os aspectos envolvidos na estratégia de controle químico. É fundamental que a utilização deste controle seja entendido como um processo que deve, obrigatoriamente, ser implementado de forma preventiva tendo em vista a conjugação dos fatores de dinâmica epidêmica da doença, limitações operacionais de cada propriedade, limitações de residual e modo de ação que os produtos químicos possuem, e principalmente, levando em consideração a necessidade de não comprometer a sustentabilidade do agronegócio da soja.
Dados para referências bibliográficas:
Revista Plantio Direto, edição nº 85, janeiro/fevereiro de 2005. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo.