Sistema Plantio Direto há 20 anos em Ipiranga do Sul
O município de Ipiranga do Sul, no norte do Estado do Rio Grande do Sul, desenvolve há 20 anos o sistema de plantio direto, alcançando em 1998, 100% da área sob este sistema, consignando o título regional de ”Berço do Sistema de Plantio Direto”. ”A mentalidade conservacionista foi totalmente absorvida pelos agricultores do município, que historicamente sempre utilizaram práticas de manejo e conservação do solo” diz o assistente técnico regional na área de solos, Itacir Barreto de Melo e coordenador do evento. Esta técnica proporcionou uma mudança no sistema de produção adotado, ativando a expansão da bacia leiteira pela oferta de forragens advindas da cobertura de solo, gerando a integração lavoura/pecuária. São produzidos 16 litros/leite/vaca/dia em média, possibilitando neste sistema integrado um retorno de R$ 3.060,00 por hectare.
O sistema plantio direto possibilitou a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Através do monitoramento da fertilidade do solo detecta-se até 14ppm de fósforo e 300ppm de potássio em lavouras que adotaram o sistema. Segundo o agrônomo Barreto de Melo, houve uma evolução acentuada da produtividade das culturas em decorrência das práticas conservacionistas e do nível de tecnologia utilizada: soja (3.300 kg/ha), milho (7.800 kg/ha), trigo (3.000 kg/ha) e cevada (3.600 kg/ha). Estes fatores foram comprovados em dia de campo, realizado no município no dia 26 de novembro de 2004, numa promoção da Emater/RS, Prefeitura de Ipiranga do Sul, RS Rural, Embrapa e Cotrigo. Estiveram presentes o governador Germano Rigotto, o secretário da Agricultura, Odacir Klein, o presidente da Emater/RS, Caio Rocha, o diretor técnico Ricardo Schwarz e o gerente regional, Theodoro Tedesco Neto. O evento foi promovido pela Emater/RS, prefeitura de Ipiranga do Sul, RS Rural, Embrapa e Cotrigo.
A qualidade de vida e a preocupação com o meio ambiente também são preocupações constantes no município de Ipiranga do Sul, pois 95% das famílias são abastecidas com água de qualidade e 90% das famílias rurais possuem plano de saúde privado, afirma a coordenadora da área de bem-estar social, Ligiamar Frizzo.
Segundo Gilberto Tonello, membro da comissão organizadora do dia de campo e Prefeito de Ipiranga do Sul, o evento procurou mostrar não apenas o plantio direto, mas outras atividades e práticas que podem ser implantadas nas pequenas e médias propriedades da região gerando renda e melhorando a qualidade de vida do agricultor. ”Achamos que não é possível uma família de pequenos agricultores sobreviverem somente com a renda obtida com a produção de grãos. Quem vive no campo também tem despesas mensais, como as pessoas que vivem nas cidades”.
Antoninho Berton, da Emater, falou, durante sua apresentação, das práticas fundamentais do plantio direto. ”Nessa região o plantio direto está presente em 100% das propriedades, por isso cada vez mais temos que trabalhar para que os agricultores tenham em mente as três práticas fundamentais do sistema: rotação de culturas, volume de palha, e não revolvimento do solo, e motivá-los para a implantação em suas áreas garantindo melhor proveito do sistema”.
No dia de campo os 3.700 produtores de 76 municípios também conheceram novos métodos de terraceamento (For Windows) e outras práticas alternativas conservacionistas no controle da erosão como o Mulching Vertical adaptados ao sistema plantio direto. O mulching vertical é um método que consiste na confecção de sulcos, dispostos transversalmente ao declive do terreno e preenchidos com restos culturais, como palha, sabugo, serragem ou bagaço de cana. Com largura de aproximadamente 8 cm por 40 cm de profundidade, os sulcos ficam dispostos a cada 10 metros de distância nas depressões do terreno, posicionados onde naturalmente concentra-se a enxurrada.