Ano de vacas-magras
Manoel Henrique Pereira (Nonô)Produtor rural na região dos Campos Gerais do Paraná e um dos pioneiros do Sistema Plantio Direto no Brasil.
Estamos retornando aos anos de crise. Durante aquele período, tivemos baixas produtividades acompanhadas de preços baixos, em contra partida aos altos custos de insumos e de capital. Como conseqüência, fomos taxados de trapaceiros pela mídia. Isto, em razão da impossibilidade de cumprirmos os compromissos com os bancos de crédito agrícola.
Curiosamente após a fase crítica fomos chamados de salvadores da pátria, por produzirmos alimentos de custo abaixo dos níveis de inflação. Esta fase ficou conhecida como âncora verde. Porém, para que isso ocorresse herdamos uma dívida pagável em 25 anos.
É comum afirmar que retornar ao passado é sofrer duas vezes. Então, não nos gratifica o saudosismo, mas estamos conscientes que o amanhã será novamente difícil e que os problemas poderão se repetir. Será, sem dúvida, mais um desafio à geração atual, conciliar o quadro agronômico com o econômico. Os custos estão altos e fora do alcance dos preços de comercialização da safra e, mais uma vez, a conta não vai fechar.
O que pode nos auxiliar nesta hora? Governo, bancos, empresas? Não!
Estamos convencidos que a solução estará em nossas mãos, a cargo de nossa criatividade, capacidade gerencial e da tecnologia que adotamos, pois na agricultura, dívida se paga com boas colheitas.
Porém, em muitas regiões não será fácil fazer boa colheita, pois até São Pedro resolveu não colaborar, está faltando chuva na hora em que a planta mais precisa. O que nos sobra é a tecnologia que adaptamos e instalamos com sucesso em nossas propriedades, a tecnologia do plantio direto. Ela ainda poderá nos beneficiar com médias de produção que sejam próximas aos valores dos financiamentos para custeio.
Historicamente o Sistema de Plantio Direto tem suportado as situações mais críticas de estiagem e de estresse hídrico quando comparado ao sistema convencional, utilizado anteriormente. Não poderemos pagar toda a conta, mas não vamos ficar devendo tudo!
Para muitos, o agricultor estava capitalizado pelas safras e preços recentemente obtidos. Mas numa atividade de alto risco como é a agricultura, perde-se todas fichas numa única noite nesse cassino climático instalado.
As vacas-magras voltaram e cabe a nós agricultores salvá-las novamente, com muito trabalho e tecnologia.