Manejo e Conservação do Solo e da Água
Por Luci Lane Oliveira
Hospitalidade, chimarrão e muita música gaúcha. Foi assim que Santa Maria recepcionou os participantes da XV Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água (RBMCSA), que aconteceu de 25 a 30 de julho, em Santa Maria (RS). O evento, organizado pelo Departamento de Solos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), contou com 450 trabalhos inscritos e mais de 650 participantes das principais universidades e instituições de pesquisa do Brasil, além de representantes vindos da Alemanha, Argentina, Colômbia, Equador, Estados Unidos, França, Japão, Paraguai e Uruguai.
Com o tema central ”Manejo: integrando a ciência do solo na produção de alimentos”, a XV RMBCSA procurou trazer à reflexão da comunidade científica a necessidade do uso integrado dos conhecimentos gerados nas diferentes áreas da ciência do solo visando à preservação dos recursos naturais. Estes conhecimentos, quando integrados, são a base para o desenvolvimento de sistemas capazes de fazer com que o solo produza eficientemente, de forma sustentável e desempenhe funções ecológicas.
A abertura oficial do evento teve como ponto principal a palestra ”Como faço ciência”, ministrada pelo pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dr. Ivan Izquierdo. Na oportunidade, estiveram presentes o Presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Luiz Bezerra de Oliveira, o Reitor da UFSM, Paulo Jorge Sarkis, representando a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado, o coordenador regional da Emater, Antonio Miranda e o Presidente da XV RBMCSA, professor Flávio Eltz, entre outras autoridades.
As palestras, conferências, mesas-redondas e mini-cursos foram de alto nível e trouxeram informações importantes. A Reunião buscou cientistas que apresentaram as experiências dos seus estados ou países, mostrando o que tem sido feito para evitar a perda de solo, aumentar a produtividade, trabalhando de forma sustentável.
A apresentação dos trabalhos científicos foi iniciada com a conferência do membro do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França, com sede em Versailles, Daniel Tessier, que falou sobre como integrar a Ciência do Solo. Tessier destacou as conseqüências que a carência de minerais pode acarretar para as plantas, os animais e os seres humanos. Salientou ainda que aspectos como a fauna, os ciclos biológicos de alguns elementos e a qualidade da água devem ser considerados no manejo do solo para evitar essa carência de minerais.
Outros participantes internacionais também estiveram presentes em Santa Maria. O consultor internacional, Rolf Derpsch, apresentou o progresso da agricultura conservacionista no mundo. Os solos tropicais no mundo foram o tema da palestra do professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual do Kansas (EUA), Charles W. Rice. No último dia dos trabalhos em Santa Maria, o representante do Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai, Ken Moriya, relatou as estratégias de difusão de plantio direto para pequenos agricultores que o governo paraguaio vem desenvolvendo.
Além da participação internacional, pesquisadores de várias instituições do país apresentaram seus trabalhos e as alternativas indicadas para atingir o principal propósito de hoje: produzir sem degradar o meio ambiente e o solo. Álvaro Pires da Silva, Arnaldo Colozzi Filho, Cimélio Bayer, Dimas Vital Resck, Francisco Sandro Rodrigues Holanda, João Mielniczuk, João Carlos Moraes Sá, Manoel Henrique Moraes, Neroli Pedro Cogo e Sonia Dechen foram os palestrantes que trataram de temas como o manejo de solos tropicais no Brasil, a interação entre o manejo do solo e a física, a química e a biologia, e o desafio de se produzir sem degradar levando em conta as ações da água, do ar e as mudanças no solo.
A organização trouxe a Santa Maria também um dos pioneiros na implantação do sistema plantio direto no país, o agricultor Manoel Henrique Pereira, que contou aos congressistas sua experiência e sua trajetória na tentativa de viabilizar o sistema que hoje se apresenta como a alternativa mais indicada na agricultura pelos especialistas. Nonô, como é chamado, mostrou aos participantes a condição histórica, as dificuldades e os entraves para a implantação do sistema em sua propriedade no Paraná.
Mini-cursos e viagens técnicas
Durante os dois primeiros dias de Reunião, aconteceram cinco mini-cursos: água em sistemas de manejo, agricultura de precisão como ferramenta de manejo do solo, seqüestro do carbono, manejo do solo e da água em terras baixas e terraceamento em sistemas conservacionistas foram os temas trabalhados.
No último dia do evento, duas viagens técnicas levaram os congressistas a dois destinos. Um dos grupos foi a Porto Alegre, visitar a Estação Experimental Agronômica da UFRGS e os mais antigos experimentos de manejo e conservação do solo do Rio Grande do Sul. Os outros congressistas seguiram destino aos solos arenosos da fronteira oeste, fazendo paradas em São Francisco de Assis, Alegrete e Sant’Ana do Livramento.