O Desafio de Agregar Valor, Criar Emprego e Melhorar a Qualidade de Vida Rural — Quebra de Paradigmas (Victor Trucco AAPRESID)


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Publicado em: 01/10/2004

O desafio de agregar valor, criar emprego e melhorar a qualidade de vida rural: quebra de paradigmas

Victor TruccoEngenheiro-agrônomo, agricultor e presidente honorário da AAPRESID (Asociación Argentina de Productores de Siembra Directa)

Um conceito muito difundido é o de que na produção agrícola as commodities não tem valor agregado e, por tanto, são produzidas em países pobres.

Este conceito está equivocado. Os países não são pobres porque produzem commodities, são pobres por outras razões. Os Estados Unidos é o maior produtor de commodities agrícolas e não é um país pobre.

A agricultura ”agrega valor” a partir da terra.

A terra em produção é a mesma há 10, 50 ou 100 anos atrás, mas seguramente, pelo processo de exploração, esses solos estão em condições piores do que no passado. Por outro lado, a renda bruta gerada pela produção por unidade de área é maior, mesmo com os preços menores das commodities. A tecnologia e o conhecimento aplicado aumentaram a produtividade dos solos.

Antes produzíamos uma tonelada de milho por hectare e hoje produzimos 10 toneladas ou mais. Se deixamos de ter bovinos pastando e se plantamos soja nessa área, é porque a soja agrega mais valor à terra, do que criar gado.

Esse valor no solo é econômico, dinheiro e também é a quantidade vital de proteínas produzidas por unidade de área. Podemos afirmar que, nesse caso, não se trata somente de um ”negócio” da cadeia produtiva, é um ”negócio para a população”, que demanda inexoravelmente: proteínas, óleos, carboidratos, minerais e vitaminas, além de água.

Ter boas terras e clima apropriado para produzir constitui ”vantagem comparativa” que se transforma em ”vantagem competitiva” a partir do emprego de boas tecnologias e da geração de boas produções, que são atributos do ser humano.

Por outro lado dispor de soja num País confere vantagem comparativa, que se transforma em vantagem competitiva por meio da indústria de óleos vegetais.

Isso ocorreu também na Argentina, onde a indústria cresceu em capacidade junto com o aumento da produção de oleaginosas – especialmente a soja – e hoje o País dispõem das plantas industriais maiores e mais competitivas do mundo. Aparece assim, o efeito transformador da agricultura e criador de empregos, não só nas atividades relacionadas diretamente com a indústria, mas também em todas aquelas que se fazem possíveis a partir da existência e de requerimentos da produção, desde a semeadora e fabricante de rodas, ao caminhoneiro e a fábrica de caminhões, a indústria de óleos, a empresa construtora de portos e o corretor de bolsas de mercado.

Há uma quebra de paradigmas na criação de empregos. Não é a indústria a demandante de mão-de-obra. A indústria se põe em movimento pela demanda de tecnologia da produção agropecuária e se aumenta o emprego nos serviços tradicionais e nas novas oportunidades de trabalho criadas na cadeia de produção.

Desaparece a divisão de agricultura, indústria e serviços; se gera uma atividade interativa, própria da Sociedade do Conhecimento.

A vida rural também se transforma a partir do aumento de renda de uma parte de seus habitantes; a vida se desloca do campo para as pequenas e médias cidades do interior. Nelas crescerá a demanda e a oferta por serviços e com eles se melhoram a qualidade de vida e a renda de seus habitantes.

Aparece também a quebra de paradigmas relacionados com a vida no interior do País.