9º Encontro Nacional de Plantio Direto
Aconteceu de 29 de junho a 2 de julho o 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, no Parque de Exposições Tancredo de Almeida Neves, em Chapecó (SC). O evento foi uma promoção da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e contou com o apoio da Epagri, Governo de Santa Catarina e Prefeitura Municipal de Chapecó. Participaram do evento mais de 750 pessoas entre produtores e técnicos vindo de diversas regiões do país. O público acompanhou os debates sobre temas polêmicos e demandas do sistema.
A palestra de abertura do 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha foi de Nonô Pereira e teve um caráter de revisão de histórico e motivacional principalmente para os jovens, que, segundo ele, serão os continuadores do sistema responsável pelo aumento da produtividade agrícola nos últimos 10 anos. ”Numa estiagem como a que atingiu o Rio Grande do Sul neste ano, por exemplo, os agricultores que utilizam o plantio direto não sofreram tantas perdas graças à retenção de água no solo proporcionada pelo sistema”, comparou. Além de Nonô Pereira, participaram da abertura dos trabalhos os produtores Silvio Ohse, do Clube Amigos da Terra (CAT) de Cruz Alta (RS), Francisco Sedowski, do CAT Chapecó (SC), e Lucas Aernoudts, do CAT Uberlândia (MG). Eles apresentaram as experiências que vem sendo feitas em suas regiões e trataram da importância da troca de informações entre associados e conseqüente aprimoramento técnico e apoio para a solução de problemas ainda enfrentados, de acordo com o perfil da região produtora. ”O plantio direto nos deu um novo rumo. Abriu nossos olhos para a tecnologia. Nos exigiu qualidade no trabalho e organização dentro e fora da propriedade”, lembrou Sedowski. ”Mas temos de trabalhar para contribuirmos nas pesquisas e as colocarmos nas propriedades”, completou Aernoudts.Ingbert Dowich do Clube do Plantio Direto do Oeste Baiano e um dos palestrantes do primeiro dia, tratou dos fatores limitantes de sua região e das alternativas para se plantar na palha. ”Um dos desafios do Cerrado é sair da monocultura da soja e evoluir para rotação”. Segundo ele, deve existir um lobby do plantio direto para que ele se consolide nas diferentes regiões do país.
Plantio Direto e aquecimento global
As mudanças climáticas e o perigo do efeito estufa, foi abordado na mesa-redonda ”Seqüestro de Carbono em Sistema de Plantio Direto” ainda no primeiro dia do 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, em Chapecó, nos debates foi enfatizada a vantagem da utilização da palhada para a retenção dos gases tóxicos jogados na atmosfera.Os pesquisadores Telmo Carneiro Amado, da Universidade Federal de Santa Maria (RS); e Carlos Cerri, da Esalq-USP (SP), juntamente com o pioneiro do Sistema Plantio Direto no Brasil, o produtor Herbert Bartz, discutiram a importância da agricultura moderna para reverter o processo de liberação de gás carbônico (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) pelo solo.Ao contrário da agricultura convencional que, com o uso da grade e arado, revolve o solo e estimula a ação de microorganismos a produzirem CO2, a tecnologia utilizada no plantio direto reduz as emissões dos gases por não haver trabalho no solo e ainda capta parte do carbono encontrado na atmosfera, por meio da decomposição da palha. ”O Sistema Plantio Direto já se mostrou aliado ao combate à erosão e agora pode ser utilizado para eliminar o carbono solto no ambiente”, afirma Telmo Amado.Da mesma opinião é o professor Cerri, que acredita na tecnologia mais tecnificada do plantio direto para transformar o solo em um ”seqüestrador de carbono”, realizando uma atividade inversa à conhecida até pouco tempo, em que o solo era responsável por 20% das emissões de gases tóxicos, atrás somente da queima de combustível fóssil (66%). ”Se o manejo do solo for mal planejado, parte do carbono do solo pode ser transferido para a atmosfera, causando mudanças climáticas que desequilibram o ambiente”, explica.Em seus estudos, Cerri pôde constatar que, sob o plantio direto, a maior quantidade de matéria orgânica no solo aumenta os níveis de carbono do solo, fixos no tecido vegetal da palha, através da fotossíntese.O produtor Herbert Bartz, experiente ativista do Sistema de Plantio Direto, deu razões práticas à importância da tecnologia na captação e retenção do carbono. Para Bartz, a qualidade do solo é a base de uma boa agricultura, que só pode ser alcançada com a diminuição do processo erosivo do solo, maior quantidade de matéria orgânica, melhor filtração da água e com o processo de seqüestro de gases - todos resultados de um plantio com sucesso na palha. ”O desafio do Brasil não é mais realizar ou não o plantio direto, mas sim com que qualidade ele é feito”, alertou.
Plantas Daninhas, pragas e doenças
Durante o terceiro dia os debates abordaram o manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas na semeadura direta. Para os palestrantes, foi consenso que o sistema de Plantio Direto requer um manejo adequado e planejado para combater e controlar os problemas que atacam a lavoura. O manejo de plantas daninhas é feito através de métodos preventivos, culturais, mecânicos, biológicos e químicos, que evitem prejuízos ao cultivo. A palhada do sistema de semeadura direta impede que as sementes de planta daninha sejam enterradas, permanecendo na superfície do solo, mais expostas aos agentes externos, como a luz, água, temperaturas, ventos e predadores. Segundo o professor Francisco de Assis Rolim Pereira, da UNIDERP/MS (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), a associação do sistema com a ação de herbicida, rotação de culturas e integração de lavoura e pecuária são eficientes para obter um melhor controle. O pesquisador da Embrapa Soja de Londrina (PR), Fernando Adegas, vê com naturalidade a presença de um maior número de plantas daninhas na semeadura direta. ”Estas situações nada mais são do que adaptações da natureza”. No entanto, afirma que a maior parte das dificuldades de controle de plantas daninhas neste sistema de plantio deve-se a um conjunto de práticas nem sempre cumpridas pelo produtor, como a escolha de uma área apropriada, eliminação de plantas daninhas perenes, desinfestação de terraços e cordões de contorno, limpeza de estradas, carreadores, máquinas e equipamentos. O manejo integrado de plantas daninhas é definido como a seleção de controle, dentro de um conjunto de critérios para a sua utilização, através do monitoramento e da intervenção.O Engenheiro Agrônomo da Coopermil de Santa Rosa (RS), Sérgio Schneider, apresentou as principais pragas que vêm ocorrendo no sistema de Plantio Direto. Para Schneider, um dos maiores desafios para os produtores de milho é o controle da larva da vaquinha (Diabrotica speciosa) que ataca as raízes adventícias, independente do sistema de plantio. O controle de pragas com o uso de inseticidas deve ser realizado com produtos seletivos e a aplicação dirigida para o alvo protegido. A área aplicada coberta evita a ocorrência de fotodecomposição. O tratamento de sementes ou a aplicação no sulco de semeadura protege as plantas cultivadas e permite a sobrevivência da fauna benéfica da superfície do solo.Já as doenças em plantas resultam da sua interação com o patógeno em um ambiente suscetível à inoculação, como a palha mantida na superfície do solo. Entretanto, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (MG), Laércio Zambolim, ressalta que o plantio direto pode desenvolver com o tempo um ambiente supressivo a fungos infectantes de raízes, devido ao fato de melhorar a estrutura física do solo, a quantidade de nutrientes, pH e matéria orgânica. A recomendação para a prática de cultivo de grãos, de modo viável, é a utilização de sementes sadias certificadas e tratadas com fungidas, a adoção de cultivares resistentes e a rotação de culturas. Zambolim considera que a ferrugem asiática da soja é a maior preocupação dos estudos de variedades resistentes.
Agricultura-pecuária
Agricultores e pecuaristas estão procurando sistemas de produção alternativos para aumentar a eficiência e rentabilidade de seus negócios. O professor Aníbal de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, explicou em sua palestra durante o 9º Encontro Nacional que para a pecuária a agricultura é uma opção na reforma de pastagens e recuperação do solo, enquanto que no caso inverso, a diversificação de propriedades e a utilização na alimentação animal de plantas em rotação com cultivos de grãos surge como possibilidade. ”O desafio em sistemas integrados é encontrar um nível ótimo de biomassa que beneficie tanto a cultura de verão instalada no sistema de semeadura direta, quanto a produção animal no período de pastejo, de forma a garantir uma alta produtividade do sistema”, acrescenta.Para o engenheiro agrônomo da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Armindo Kichel, o manejo inadequado leva à degradação das pastagens, queda na produtividade e empobrecimento do solo e aumento da erosão. A integração da lavoura e pecuária é uma alternativa para reverter este quadro. Segundo Kichel, o Plantio Direto de soja sobre pastagens pode ser feito em áreas em degradação para a recuperação e renovação de pastagem, oferecendo uma excelente cobertura do solo com palha de boa qualidade. Por outro lado, esta técnica também reduz, após alguns anos de pasto, a ação de plantas invasoras e quebra o ciclo d pragas e doenças da soja.Já estimativa apresentada pelo pesquisador da IAPAR, Enir Oliveira, afirma que 50% das áreas de pastagem no Brasil estão degradadas. Estas áreas apresentam perda da capacidade produtiva da forrageira, podendo ocasionar também um desgaste profundo, que afeta o solo e outros recursos naturais pela compactação ou erosão. Isto ocorre naturalmente com a exploração da pecuária, pela retirada de nutrientes pelo gado e por perdas ocasionadas pela ação de chuvas ou efeito do preparo do solo com o uso de grade. Para o gerente técnico da Monsanto, Márcio Scaléa, com manejo adequado do Plantio Direto a situação pode ser revertida. Scaléa apresentou trabalho sobre a renovação de pastagens em áreas degradadas. ”O produtor deve levar em conta que herbicidas são mais eficientes do que grades na eliminação de pastos degradados, principalmente quando há presença de invasoras”, explica. Analisando a compactação, acidez e fertilidade do solo, o relevo da área e a presença de invasoras, é possível diagnosticar a melhor alternativa de recuperação da área degradada. ”A questão está em fazer um bom diagnóstico”, conclui.
Fase histórica da Federação Brasileira
Para o Presidente da Federação Brasileira, Engenheiro Agrônomo Ivo Mello, a FEBRAPDP está em um momento histórico, pois dentro da mecânica de organização dos eventos, ocasião onde é proporcionado o encontro dos produtores com a extensão e a pesquisa, a entidade está cumprindo seu papel. ”Estamos aperfeiçoando a forma de realizar esse tradicional encontro de produtores, de forma que a tarefa de fazer chegar o conhecimento e as informações sobre os novos desafios do plantio direto na palha nas diversas regiões agrícolas do país está sendo cumprida nesse evento”, afirma Mello.Segundo o Presidente da Federação Brasileira, o fato do evento ter sido realizado em Chapecó, onde a parceira Epagri tem um centro de pesquisa e desenvolvimento de agricultura familiar, foi muito positivo, pois em todos os fóruns de discussão onde o Brasil é representado, como a FAO e o Banco Mundial, sempre é enfatizado que o plantio direto brasileiro tem como característica que o diferencia dos demais a preocupação com o desenvolvimento do sistema entre os pequenos produtores. Segundo Ivo Mello, em outros países são poucos os pequenos produtores e em muitos casos, como na Argentina, o pequeno não é tão pequeno assim, lá ele possui trator e uma semeadora de pequeno porte, diferente do que aconteceu no sul do Brasil, onde o plantio direto foi implantado em propriedades através do uso de tração animal. O sucesso do plantio direto nas pequenas propriedades foi garantido pela iniciativa da FEBRAPDP em parceria com o IAPAR e mais tarde com a Epagri e Emater do Rio Grande do Sul. ”Isso é admirado pelo mundo todo justamente porque o Brasil conseguiu implantar em pequenas áreas e de forma muitas vezes artesanal, uma técnica que no início parecia destinada à grandes extensões de terras, propriedades tidas como empresariais”, reforça Ivo Mello.O presidente da FEBRAPDP declarou-se surpreso com a baixa participação de pequenos produtores, contrariando as expectativas da organização, pois o objetivo do evento e o alvo dos investimentos e trabalhos foi o produtor rural. ”É importante salientar que os técnicos da Emater, Epagri e Iapar estavam em grande número no evento e levarão, sem dúvida, os resultados técnicos do 9º Encontro para dentro da propriedades”.Na história dos encontros nacionais apenas dois foram realizados em cidades do interior centralizadas em regiões essencialmente agrícolas, em Cruz Alta (RS) em 1994 e em Chapecó (SC) em 2004, os demais ocorreram em capitais, grandes centros urbanos ou turísticos. ”Quem participou do 4º Encontro Nacional, realizado em Cruz Alta-RS, saiu maravilhado. Eu, por exemplo, não esperava encontrar o que encontrei lá, a participação entusiasmada e motivadora dos produtores, faltando espaço tamanho o número de participantes. Não conseguimos até hoje repetir a situação vivida na ocasião”, recorda Ivo Mello.Nesta edição do evento o plantio direto foi debatido sob uma óptica diferente, abordando questões que são demanda no momento, pois segundo Mello, o produtor precisa estar atento ao que está acontecendo a sua volta, ao que ocorre com o ambiente, verificando se o impacto de sua atividade é positivo ou não. ”Temos certeza que a temática abordada contemplou os principais aspectos do novo momento do sistema plantio direto”, afirma Ivo Mello.
Segundo mandato
Como é tradição, durante a realização dos encontros nacionais, aproveitando a presença de grande número de associados ocorrem as Assembléias Gerais da FEBRAPDP. Em Chapecó o principal item da pauta foi à eleição da diretoria que segue no comando pelos próximos dois anos. O Engenheiro Agrônomo Ivo Mello foi reeleito e representará por mais um mandato a Federação Brasileira. ”As idéias que semeamos nos últimos dois anos, são mais abrangentes do que pensávamos, pois para nós o direcionamento em evidenciar o plantio direto foi fundamental, como já comentado, mas agora temos um novo desafio que é qualificar e classificar o plantio direto fazendo com que o produtor tenha uma nova motivação, encare um desafio pessoal que é diferenciar o seu produto diante do consumidor”.Segundo Ivo Mello certificar com selo próprio o plantio direto de qualidade é o projeto que a FEBRAPDP está abraçando nesse segundo mandato. Articular institucional e politicamente o agronegócio brasileiro através desse tipo de diferenciação que está muito presente na sociedade através das legislações ambientais, tratados de desenvolvimento sustentável, preservação da biodiversidade e estancamento dos processo de desertificação. ”Esses tratados estão norteando o desenvolvimento econômico e social, por isso devemos tornar a ferramenta plantio direto um forte concorrente nesse processo, mas para isso temos que capacitá-la e transformá-la em papéis negociáveis”, explica Mello.Segundo o Presidente da FEBRAPDP, o plantio direto precisa ser um produto que o consumidor final compre, valorize e entenda que se trata de uma técnica que está colaborando com a melhoria da qualidade de vida no planeta. ”Nós sabemos disso como produtores, como administradores e gerenciadores dos recursos naturais. Aquele que adotou o sistema como forma de trabalho, como filosofia de vida sente isso no dia a dia. Mas precisamos que essa sensibilidade também se manifeste entre os consumidores. Esse é o caminho. Se o plantio direto é uma ferramenta para o desenvolvimento ambiental, econômico e social, então vamos comunicar isso”. Ivo Mello acredita que com o processo de classificação e diferenciação do produto plantio direto o produtor terá mais um estímulo para a adoção do sistema, pois segundo ele, esse é um dos objetivos institucionais da Federação: desenvolver o plantio direto na palha.”Nosso desafio, portanto é desenvolver um sistema de avaliação que possa comparar os diversos plantios diretos do mundo, no país ou na região. Então, a FEBRAPDP que é uma instituição que abriga várias associadas que atuam nos diversos segmentos do agronegócio, poderá articular suas forças para que cada qual, na forma de se relacionar com o meio, cumpra seu papel, mas sempre voltados para uma idéia comum que é valorização do plantio direto na palha como uma atividade empresarial que agrega valor ao processo de produção”.Mello explica que as instituições pesquisa, ensino e extensão terão papel crucial nesse projeto, pois serão responsáveis por desenvolver indicadores que orientem e possibilitem a comparação entre o agricultor das diversas regiões agrícolas do país. Para ele a proposta se resume em estabelecer um processo de pontuação e diferenciação dos produtores que estiverem colaborando cada vez mais com a qualidade de vida no planeta, através dos parâmetros de qualidade. ”Nossa proposta é não tolir a criatividade do produtor, do empresário, do pesquisador ou do extensionista, queremos oferecer a possibilidade aos profissionais de qualquer nível agregarem algo superior ao que vem sendo praticado. É um processo de melhoria contínua, sempre há metas mais amplas para serem alcançadas”.O Presidente da Federação Brasileira esclarece que não é objetivo forçar a participação de todos, mas de estimular aqueles que sempre estiveram na vanguarda e que acreditam na melhoria do processo de produção e na qualidade de seus produtos e por essa razão querem diferenciá-los diante do consumidor final.
Na esfera política
”Temos tentado envolver a esfera política na questão do plantio direto, mas a burocracia do Estado atrapalha, pois tudo é priorizado em cima de demandas. Se num escalão os projetos são considerados importantes e interessantes, em outro ele já passa para segundo ou terceiro plano”. Segundo Ivo Mello uma das prioridades desse início de segundo mandato será resgatar a assinatura da carta de Foz do Iguaçu, elaborada durante o III Congresso Mundial de Agricultura Conservacionista, através de uma atitude política e institucional do Ministério da Agricultura. ”Fizemos várias investidas, mas ainda não conseguimos aquela parceria que gostaríamos, que é necessário obter”.Para Mello saímos de um sistema paternalista na década de 80 quando foram retirados os subsídios e a agricultura necessitou se desenvolver de uma forma particular e criativa, por isso o plantio direto brasileiro deu tão certo, pois os subsídios tivessem permanecido provavelmente não teríamos sido tão eficientes. ”Por isso defendo que não adianta ficar esperando somente ações governamentais, pois quem é governo? Governo somos nós mesmos. Se o governo é ruim a culpa também é nossa, pois não falamos como ele deve se portar enquanto governo, não cobramos, não nos posicionamos. Por isso temos, nos sindicatos, associações e até mesmo dentro da Federação, usado o argumento de que é necessário cobrar uma postura alinhada com os interesses, com as demandas reais”.Ivo Mello acredita que o plantio direto pode mostrar aos governos federais, estaduais ou municipais, que o agricultor está cumprindo seu papel social, sendo empreendedor, cumprindo através do sistema plantio direto na palha o papel de guardião dos recursos naturais dentro do atual conceito de sustentabilidade, mantendo a capacidade de produção dos solos para as gerações futuras. ”São os governos que devem chancelar os agricultores que estiverem cumprindo a legislação como um agricultor realmente sustentável, sem programas assistencialistas, de doação ou empréstimos, temos inteligência e capacidade empresarial suficiente para negociarmos posições através do fortalecimentos dos elos da cadeia”. Para Mello quando a sociedade, através de seus legisladores e executivos promulga leis, ela está desejando que as coisas sejam conduzidas de uma forma diferente. ”Nossa Constituição e nossa legislação ambiental são as mais modernas e completas e os agricultores cumprem, mas querem ver seu esforço recompensado de alguma forma”, finaliza Ivo Mello.