Controle em Cereais de Inverno (Doenças)


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Publicado em: 01/06/2004

Controle em cereais de inverno

Ricardo Trezzi Casa1 & Erlei Melo Reis21Universidade do Estado de Santa Catarina – CAV/UDESC, Lages, SC2Universidade de Passo Fundo – FAMV/UPF, Passo Fundo, RS

1. Introdução

Uma das características da Região Sul do Brasil é a presença de duas estações de cultivo bem definidas: cultivo de verão e cultivo de inverno. Os cereais de inverno com maior expressão em área cultivada são o trigo, a cevada e as aveias branca e preta. De modo geral, os sistemas de produção destas culturas exigem um alto grau de tecnificação para que atinjam produtividades elevadas, com um custo de produção que proporcione uma maior rentabilidade econômica ao produtor.

Uma das principais adversidades ao cultivo dos cereais de inverno é o clima favorável a ocorrência de doenças. Nos estados do sul do Brasil, normalmente, a precipitação pluvial durante a estação de cultivo é superior a requerida para o desenvolvimento normal das plantas. Desta maneira, muitas doenças, como por exemplo, as manchas foliares e a giberela, afetam as culturas provocando uma redução no rendimento e na qualidade dos grãos ou sementes. Em anos onde as chuvas são mais freqüentes a septoriose pode causar redução no rendimento de grãos de trigo de até 38 %.

No Quadro 1, resume-se os danos no rendimento de grãos causados por algumas doenças de cereais de inverno.

Quadro 1. Danos causados por doenças em cereais de inverno

Nome comum da doença

Redução norendimento de grãos

Referências

Podridão comum de raízes

até 20%

Diehl et al., 1983

Mal-do-pé do trigo*

> 50% -

Reis et al., 1983

Oídio do trigo

até 79%

Casa et al., 2002

Oídio em cevada

até 28%

Reis et al., 2003

Ferrugem da folha do trigo

até 63%

Barcellos et al., 1982

Ferrugem da folha da aveia

até 62%

Martinelli et al., 1994

Giberela

até 25%

Panisson, 2001

Brusone

até 50%

Goulart et al., 1992

Mancha-em-rede da cevada

até 40%

Mathre, 1997

Mancha marrom da cevada

até 25%

Reis & Casa, 2002

Helmintosporiose do trigo

até 80%

Mehta, 1993

Septoriose do trigo

até 38%

Casa et al. (no prelo)

VNAC em trigo

até 28%

Silva, 1998

*Quando associado à podridão comum de raízes

Hoje, praticamente, todas as lavouras cultivadas com grãos, tanto no verão como no inverno, são conduzidas sob sistema plantio direto. No plantio direto, quando as culturas são semeadas em monocultura, a intensidade das doenças se agrava, principalmente para aquelas onde os seus agentes causais sobrevivem nos restos culturais após a colheita. Tal inconveniente pode ser reduzido ou eliminado pela adoção da prática de rotação de culturas. Por outro lado, a redução das doenças nas áreas de rotação, somente será atingida se forem utilizadas sementes sadias ou tratadas com fungicidas. Logicamente, que estas não são as únicas medidas de controle para as doenças em cereais de inverno. Desta forma, a sustentabilidade de uma determinada cultura e da propriedade rural dependerá do uso integrado de todas as estratégias de controle de doenças disponíveis pela pesquisa. Cabe assim, ao produtor buscar a assistência de um agrônomo com capacidade para planejar a lavoura de cereal de inverno, visando manejar as doenças antes da semeadura e durante a estação de cultivo.

2. Principais doenças dos cereais de inverno

As doenças mais freqüentes em cereais de inverno são causadas por fungos e estão relacionadas com as folhas das plantas, como por exemplo: o oídio, a ferrugem e as manchas foliares. O oídio e a ferrugem são comuns em trigo; em cevada o oídio é mais comum e em aveia a ferrugem é predominante. No caso de manchas foliares em trigo podemos citar como mais freqüentes a mancha amarela, a septoriose e a mancha marrom; em cevada a mancha marrom e a mancha-em-rede e em aveia a helmintosporiose comum.

O oídio e a ferrugem do trigo ocorrem em todas as regiões tritícolas e em todas as safras agrícolas se o cultivar utilizado for suscetível a ambas doenças. O motivo decorre do fato de que o fungo causador do oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) e da ferrugem da folha (Puccinia recondita) não necessitam de período longo de molhamento foliar contínuo (horas de chuva) para que ocorra a infecção dos patógenos, pois esses requerem somente umidade relativa do ar elevada e orvalho, respectivamente, para que penetrem e colonizem os tecidos das folhas da planta. Os fungos B. graminis f.sp. tritici e P. recondita não sobrevivem nas sementes e nos restos culturais; estes sobrevivem em plantas voluntárias. Conceitua-se como plantas voluntárias as plantas de trigo que vegetam fora da estação normal de cultivo, ou seja, são plantas originadas de grãos perdidos na colheita e que se desenvolvem na lavoura no verão, podendo também serem encontradas na beira de estradas, junto a cercas e bosques, em terraços de base estreita e em canais escoadouros. Dessa forma esses fungos dependem de tecido vivo (planta viva) para sobreviver de uma estação para outra de cultivo. Sob as plantas voluntárias o oídio e a ferrugem exercem o parasitismo dando continuidade o seu ciclo biológico de vida. Os esporos de ambos os fungos são pequenos e disseminados pelo vento à longa distância. Por não estarem associados aos restos culturais do trigo e por serem dispersados à longa distância, os agentes causais do oídio e da ferrugem não são controlados pela rotação de culturas. O mesmo princípio é valido para o oídio da cevada (B. graminis f.sp. hordei) e para a ferrugem da folha da aveia (P. coronata). Ressalva-se que o oídio da cevada é específico para cevada e a ferrugem da folha da aveia específica para aveia (aveia preta ou branca), portanto, a sobrevivência em plantas voluntárias ocorre com as respectivas espécies vegetais. Algumas plantas nativas ou invasoras também podem servir de abrigo a sobrevivência do oídio e da ferrugem. Neste caso, por se tratarem de espécies vegetais diferentes da cultivada, essas plantas são denominadas de hospedeiros secundários. Serve de exemplo o azevém, planta na qual já foram identificadas raças da ferrugem da folha da aveia.

A ocorrência e a intensidade das manchas foliares é mais dependente de condições ambientais, do manejo cultural e da sanidade das sementes. A condição de ambiente favorável a infeção dos fungos Bipolaris sorokiniana (mancha marrom) Drechslera tritici-repentis (mancha amarela), Septoria nodorum (septoriose), D. teres (mancha-em-rede da cevada) e D. avenae (helmintosporiose da aveia), está relacionada principalmente a períodos mais longos de molhamento foliar (número de horas que as folhas ficam molhadas). No entanto, para que ocorra o processo de infecção existe a necessidade da presença dos fungos na área de cultivo. Neste caso, os fungos mencionados acima não apresentam capacidade para serem disseminados pelo vento à longa distância, e por isto, dependem da presença da palha infectada sobre a superfície do solo (monocultura) onde sobrevivem entre as estações de cultivo. Os fungos que apresentam capacidade de sobrevivência saprofítica nos restos culturais são denominados de agentes necrotróficos. Além da palha, esses fungos também sobrevivem nas sementes. A infecção das sementes ocorre no campo, sendo que a incidência dos fungos na semente colhida está relacionada com a severidade da doença nas folhas e nas espigas. Quanto maior for a severidade das manchas foliares maior será a incidência do fungo na semente. Com base no exposto, verifica-se que as manchas foliares podem ser potencialmente controladas pela rotação de culturas e pelo uso de semente sadia. O princípio de controle da rotação de culturas visa reduzir ou eliminar os patógenos presentes na palha pela intensa competição microbiana, onde geralmente, levam desvantagem.

Outras doenças causadas por fungos também são relatadas em cereais de inverno, porém causando sintomas em raízes e espigas.

Em raízes de trigo são detectadas duas doenças: o mal-do-pé, causado pelo fungo Gaümannomyces graminis var. tritici, e a podridão comum, causada pelos fungos B. sorokiniana e Fusarium gramineraum. As duas doenças são de ocorrência esporádica, causando danos principalmente em lavouras conduzidas em monocultura. A situação se agrava para podridão comum quando as sementes apresentam-se infectadas por B. sorokiniana e F. gramineraum. Nesse caso, os dois fungos são facilmente transmitidos para raízes seminais e mesocótilo, onde permanecem colonizando tais órgãos até o final do ciclo da cultura. Nesse caso, as raízes do trigo podem apresentar descoloração (podridão comum), o que irá afetar as funções vitais para o crescimento e desenvolvimento da planta. Em cevada a podridão comum também tem sido detectada com certa freqüência. No caso das aveias as podridões de raízes não tem sido detectadas, salientando-se que o mal-do-pé da aveia, causado por G. graminis var. avenae, ainda não foi detectado no Brasil.

Em espigas, a giberela, causada pelo fungo Gibberella zeae (forma imperfeita Fusarium graminearum), e a brusone, causada por Pyricularia grisea, são duas doenças altamente dependentes de condições climáticas, necessitando de chuva constante e temperaturas médias próximo a 25oC. A giberela é uma doença de infecção floral. O fungo (ascosporos provenientes de peritécios formados em tecidos senescidos de trigo e outras gramíneas) penetra pelas anteras do trigo durante o período de antese, sendo necessário aproximadamente 48 h de molhamento e temperatura média na faixa de 20oC. O sítio de infecção da brusone nas espigas de trigo ainda não está bem esclarecido. A princípio os conídios do fungo, disseminados pelo vento, atingem o ráquis da espiga por onde iniciam o processo de infecção. As condições ambientais requeridas a infecção são temperaturas de 21 a 27oC e 10 a 14 h de molhamento. Tanto G. zeae como P. grisea sobrevivem nas sementes, nos restos culturais e em um uma ampla gama de hospedeiros (plantas cultivadas, nativas e invasoras). Por exemplo, G. zeae além do trigo infecta outras plantas cultivadas de importância econômica como as aveias, o centeio, a cevada, o triticale, o arroz, o milho e o sorgo. Também é encontrado em plantas invasoras e pastagens, como: alfafa, azevém, cevadilha, milhã, milheto, papuã, sorgo de alepo e trevo. Os ascosporos de G. zeae e conídios de P. grisea são pequenos e leves, e portanto, disseminados à longa distância. Como apresentam inúmeros hospedeiros e são facilmente disseminados pelo vento as duas doenças não são controladas pela rotação de culturas.

O carvão comum é também outra doença de espiga causada por fungo. No entanto, sua ocorrência em trigo e cevada é restrita aos cultivares suscetíveis. Em aveias, principalmente a aveia preta, o carvão é muito comum. Os danos causados pelo carvão ainda não foram quantificados. De modo geral, o inóculo para o carvão é proveniente da semente. O fungo do Gênero Ustilago sobrevive como micélio dormente no embrião. A medida que as sementes são hidratadas, no momento da semeadura, o fungo inicia seu crescimento, sendo transmitido sistemicamente para a plântula e posterior planta adulta (intra e intercelular), dando origem as espigas com sintomas de carvão. Desta maneira em cultivares suscetíveis o controle é feito pelo tratamento de sementes com fungicida sistêmico.

Duas viroses são relatadas no Brasil atacando cereais de inverno: o VMCT (vírus do mosaico comum do trigo) restrito ao trigo no Brasil, e o VNAC (vírus do nanismo amarelo da cevada) que infecta a cevada, o trigo as aveias, o centeio e o triticale. O VMCT é transmitido por um fungo de solo denominado Polymixa graminis. As plantas infectadas pelo VMCT apresentam folhas com estrias amareladas no limbo foliar comumente detectadas no afilhamento do trigo. Na lavoura o VMCT manifesta-se em reboleiras de plantas cloróticas, com subdesenvolvimento, em virtude da distribuição do fungo vetor no solo, que desenvolve-se melhor em locais sujeitos ao alagamento (solo adensado). A principal medida de controle do VMCT é o uso de cultivares resistentes. O VNAC é transmitido por pulgões (Rhopalosiphum padi, R. maydis, Sitobium avenae, Schizaphis graminum), sendo que seus sintomas são detectados principalmente após o espigamento. Os sintomas típicos do VNAC são detectados na folha bandeira, as quais mostram-se eretas, lanceoladas, de coloração amarelada ou avermelhada. Em aveia a folha bandeira normalmente apresenta coloração arroxeada. As plantas de cereais infectadas pelo VNAC apresentam redução da estatura e encontram-se em reboleiras na lavoura em função da distribuição das colônias de pulgões. A principal medida de controle do VNAC é o controle do vetor (pulgão).

3. Principais estratégias para o controle de doenças em cereais de inverno

O sucesso no controle de doenças depende do uso integrado de todas as medidas de controle disponíveis pela pesquisa. Assim, uma lavoura de cereal de inverno deve ser planejada muito tempo antes da semeadura. Algumas medidas de controle podem ser tomadas para prevenir a ocorrência de doenças, principalmente as estratégias que visam eliminar os patógenos na sua fonte de inóculo. A seguir será descrito as principais estratégias para o controle de doenças em cereais de inverno.

a) Sistema de rotação

O cereal não poderá ser cultivado em área de monocultura. Por exemplo: o trigo não pode ser semeado em uma área da lavoura onde estejam presentes os restos culturais do ano anterior; também não pode ser em área onde foi cultivado centeio, cevada e triticale, pois a mancha marrom, mancha amarela e septoriose ocorrem em ambas espécies. Desta maneira, a rotação para trigo, centeio, cevada e triticale deve ser feita utilizando-se aveias ou espécies de folha larga, como ervilhas, nabo forrageiro, ervilhaca e canola. Convém lembrar que a aveia é a única gramínea que pode integrar o sistema de rotação no inverno para o controle de agentes causais de manchas foliares e podridões de raízes em trigo.

A rotação de culturas é a medida mais eficiente para o controle do mal-dopé do trigo. A rotação também reduz a intensidade da podridão comum e do VMCT, pois reduz a densidade de inóculo do fungo B. sorokiniana causador da podridão comum e do fungo P. graminis vetor da virose.

b) Escolha do cultivar

A escolha de cultivares resistentes a doenças é a medida mais barata e eficiente de controle. Ainda não existe um único cultivar resistente a todas as doenças. No entanto, a escolha de cultivares resistentes ou tolerantes a algumas doenças, como por exemplo, o oídio e a ferrugem da folha, pode ser feita analisando-se as indicações técnicas de cada cultura.

A disponibilidade no mercado de cultivares resistentes é baixa, pois a obtenção destes materiais pela pesquisa não é tarefa fácil. Assim, se não existir cultivar resistente, opte pelo uso de cultivares tolerantes, indicados com reação denominada de moderadamente resistente (MR) ou com resistência de planta adulta (RPA).

O uso de cultivares resistentes ou tolerantes deve ser priorizado para doenças que não são controladas por práticas culturais como a rotação de culturas e o uso de sementes sadias. Nesse caso, enquadram-se o oídio e a ferrugem. O uso de cultivares resistentes também é recomendado para doenças não controladas por produtos químicos, como o VMCT. O carvão da espiga é outra doença na qual a medida preferencial de controle é o uso de cultivar resistente.

c) Semeadura: diferentes épocas e uso de mais de um cultivar

A semeadura em épocas escalonadas (mais de uma época de semeadura) e o uso de diferentes cultivares é uma das estratégias utilizadas para o controle de doenças visando escapar da ocorrência períodos críticos (horas de molhamento e temperatura média) favoráveis a infecção. A giberela e a brusone são exemplos de doenças que dependem da interação do clima favorável e de um determinado estádio da planta para ocorrer a infecção. No caso da giberela o período crítico são chuvas durante o florescimento da cultura. Assim, a ocorrência e a intensidade da doença pode ser manejada se for feita semeaduras escalonadas e se forem usados mais de um cultivar, pois o florescimento ocorrerá em épocas distintas, evitando uma epidemia com danos elevados da doença.

d) Uso de sementes sadias

A introdução dos agentes causais de manchas foliares em áreas de rotação de culturas é feita pelas sementes infectadas. Quanto maior for a incidência dos fungos na semente, maior será a transmissão para a plântula. Para evitar que os fungos sejam introduzidos na lavoura é recomendado o teste de sanidade de semente, em laboratórios oficiais, para certificar-se da presença e da incidência de uma determinada espécie de fungo patogênico. Caso seja detectado um ou mais fungos, dependendo da sua incidência, poderá ser feito o tratamento de sementes com fungicidas.

e) Tratamento de sementes com fungicidas

Os principais objetivos do tratamento de sementes de cereais de inverno com fungicida são: eliminar os fungos patogênicos associados à semente e que possam ser transmitidos para a plântula e proteger os órgãos aéreos da planta, a partir da emergência, para patógenos disseminados pelo vento e que atingem a planta jovem.

Os fungos causadores de manchas foliares podem ser transmitidos pela semente, sendo introduzidos na lavoura pelas sementes infectadas. Nesse caso, o objetivo do tratamento de semente é elimina-los dessa fonte de inóculo. Por isso, a eficiência do tratamento deve ser tal que atinja a erradicação. A eficiência está relacionada com a incidência do fungo na semente, com a eficácia do fungicida (isolado ou em mistura e dose) e com a qualidade da cobertura da semente. Quanto mais baixa for a incidência do fungo na semente mais fácil será para atingir a erradicação.

O uso de fungicida sistêmico do grupo dos triazóis pode proteger a planta contra a infecção de oídio nos órgãos aéreos até certa fase. Deve-se ressaltar que nesse caso não ocorre a sistemicidade do fungicida na semente, pois essa não possui sistema vascular. O fungicida aplicado permanece aderido externamente à superfície da cariopse e quando semeada é solubilizado e lixiviado pela água do solo, sendo absorvido via radicular e translocado via xilema apicalmente na plântula. Através desse mecanismo a proteção da plântula pode chegar a mais de 45 dias dependendo da dose do fungicida sistêmico.

O carvão também é controlado pelo tratamento com fungicidas sistêmicos, sendo os mais indicados o triadimenol e o carboxim.

f) Tratamento de sementes com inseticida

Os inseticidas sistêmicos do grupo dos neonicotinóides, imidacloprida e tiametoxan, usados em tratamento de semente, são translocados para a plântula, após a germinação das sementes, conferindo um controle de pulgões nos primeiros estádios de desenvolvimento da cultura quando a praga começa a se alimentar. Nesse momento o pulgão ao ingerir o alimento também adquire a molécula tóxica do inseticida. Este processo rápido, impede que os pulgões virulíferos (pulgões que carregam partículas virais) transmitam o VNAC para as plântulas sadias.

g) Eliminação de plantas voluntárias e hospedeiros secundários

A eliminação de plantas vivas de cereais de inverno, que vegetam de forma espontânea no verão-outono, e de gramíneas nativas e invasoras, é uma medida de controle que visa reduzir ou eliminar praticamente todos os patógenos de cereais de inverno. A eliminação destas plantas da área de cultivo, bordas de lavoura, arredores de bosques, beira de estradas e cercas, de terraços e de canais escoadouros, no início de seu desenvolvimento impede que os fitopatógenos se multipliquem e se comportem como fonte de inóculo para as plantas cultivadas. Nas lavouras de plantio direto a aveia preta e o azevém tem sido as plantas voluntárias e/ou hospedeiros secundários mais comumente detectados e de difícil controle. Essas plantas devem ser eliminadas pelo manejo correto de herbicidas, dessecantes ou seletivos, logo após sua emergência.

h) Aplicação de fungicidas nos órgão aéreos

As doenças alvo do controle químico pela aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos são o oídio, a ferrugem, as manchas foliares, a giberela e a brusone. O momento para iniciar a aplicação, e posterior re-aplicações, se necessárias, devem seguir as indicações de pesquisa de cada cultura. No caso do trigo, na região sul do Brasil, o controle do oídio, da ferrugem da folha e das manchas foliares pode ser feito com base em um limiar de dano econômico (LDE), calculado para cada doença, em função do custo de controle, do valor da venda do trigo, do coeficiente da dano causado por cada doença e da eficiência do fungicida utilizado. Este cálculo deve ser feito anualmente e para cada situação de lavoura, com a assistência de um engenheiro agrônomo. A giberela é uma doença na qual os fungicidas indicados para seu controle apresentam boa fungitoxicidade. Porém, os controles obtidos no campo, entre 60 e 70 %, ainda são relativamente baixos em função da dificuldade do fungicida atingir o alvo biológico que são as anteras do trigo. Tal dificuldade também é encontrada em cevada. A brusone é outra doença de espiga de difícil controle no campo, também em função da dificuldade de proteção da espiga (possivelmente a ráquis) para impedir a infecção do fungo.

Bibliografia consultada

REIS, E. M. & CASA, R. T. Patologia de sementes de cereais de inverno. Passo Fundo. Aldeia Norte Editora. 1998. 88p.REIS, E.M., CASA, R.T. & MEDEIROS, C.A. Diagnose, patometria e controle de doenças de cereais de inverno. Londrina. ES Comunicação S/C Ltda. 2001. 94p.

Dados para referências bibliográficas: Revista Plantio Direto nº 81, maio/junho de 2004, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.