Aplicação de nitrogênio líquido em trigo
Phil Needham1 e Flávio Gassen21Eng.-agr., Gerente Técnico da Opticrop/EUA - www.opticrop.com2Eng.-agr. Supervisor Técnico da Cooplantio.
O aumento da produtividade das culturas com o objetivo de suprir a crescente demanda mundial de alimentos, é cada vez mais necessário devido a menor disponibilidade de áreas agricultáveis. No caso do trigo, seu cultivo está distribuído em praticamente todo o planeta, mas apresenta grandes variações de produtividade, onde as mais elevadas estão limitadas às áreas preferenciais, como as do Reino Unido, que atingiram uma média de 8 ton/ha na safra 2002/03, e em algumas regiões do Chile. Estas médias indicam que existem propriedades com tetos entre 10 e 15 ton/ha, no entanto, o desempenho mundial não tem apresentado avanços significativos nos últimos anos, atingindo 2,7 ton/ha na última safra (2,66 ton na média de cinco anos).
A produtividade média de trigo do Brasil alcançou aproximadamente 2,3 ton/ha em 2003, considerando que a média dos últimos cinco anos foi de 1,67 ton/ha (Conab, 2004). Nos Estados Unidos, das regiões de maior produtividade, o estado de Kentucky obteve média de 4,67 ton/ha na última safra.
Neste estado americano, Uma das empresas de assessoria técnica que tem colaborado com o aumento da produtividade do trigo é a Opticrop, gerenciada pelo eng.-agrônomo Phil Needham. A Empresa também atua com produtores e empresas de insumos em outros países, incluindo a Rússia, Austrália, Canadá e integrantes da União Européia.
Gerenciamento para altas produtividades
O gerenciamento para altas produtividades começou na Inglaterra, França e Alemanha na década de 70 e avançou desde o leste europeu e Rússia até o oeste dos EUA, passando de 1,48 para 2,62 ton/ha na média mundial (USDA, 2004).
Combinado ao melhoramento genético, muitos fatores limitantes foram isolados e corrigidos até alcançar os patamares atuais, onde as produtividades dobraram em muitas destas regiões num período de 10 a 15 anos. Por outro lado, a média da produtividade dos EUA é baixa quando comparada ao do Reino Unido que atingiu 7,7 ton/ha na média de 1997 a 2002. Os EUA poderia apresentar uma média mais elevada, pois o Reino Unido registrou aumento de aproximadamente 116 kg/ha ao ano no período de 1960 a 2002, e os Estados Unidos alcançaram somente 26 kg/ha ao ano, representando taxas de crescimento na ordem de 2,2 e 1,2% ao ano, respectivamente. Já o estado do Kentucky (EUA) obteve taxa de 2% ao ano no período de 1985 a 2001. Conforme Needham, existem poucas empresas de assessoria atuando no país para dar suporte técnico e, segundo ele, muitos produtores dos estados do Texas, Kansas, Oklahoma e Nebraska estão ”sentados no caminho e não desejam mudar”. Como estas regiões apresentam elevada participação na área nacional, o desempenho da média geral é comprometido.
A produtividade mais elevada registrada entre produtores da Opticrop foi de 8,0 ton/ha (120 bushel/acre), considerando que a média do Kentucky foi de 4,67 ton/ha (70 bu/ac) no ano passado. Para Nieedham, um dos fatores que limitava o melhor desempenho do trigo e outras culturas está relacionado com a uniformidade e o momento da aplicação de nitrogênio. Inicialmente, muitos produtores usavam uréia como fonte de N. Devido à diferença na qualidade dos produtos e a desuniformidade da aplicação em terrenos com relevo ondulado, foi tomada a decisão de estimular a mudança para a formulação líquida da fonte de nitrogênio (UAN – urea ammonium nitrate). O UAN é a combinação de nitrato de amônio e uréia dissolvidos na água e com concentração de 28%, 30% ou 32% de N. Em muitas regiões dos EUA pode ser facilmente encontrada essa formulação, mas na Rússia e Austrália não há esta disponibilidade. Nestas regiões, produtores e empresas de insumos elaboram seu próprio UAN pela mistura em quantidades iguais de uréia e nitrato de amônio, dissolvendo em água. O processo é muito simples, e mais rápido quando a temperatura ambiente ou da água for mais elevada (a solubilização de nitrogênio seco em água absorve calor no processo resultando em significativa redução de temperatura da calda).
O UAN permite melhor suprimento à demanda de N das culturas quando comparado às aplicações com as limitações da uréia. Em função do fácil acesso a bons equipamentos de pulverização, UAN pode ser aplicado no trigo num estádio de desenvolvimento específico utilizando barras de escorrimento (stream bars ou nitrobars), conforme cultivares, potencial de rendimento etc.
As barras de escorrimento permitem a distribuição uniforme do UAN com gotas grandes que escorrem das folhas, minimizando o dano de queima (freqüentemente associada a pulverização do produto). As aplicações do UAN são realizadas no campo em caminhos marcados por meio de linhas sem sementes no momento da semeadura (”tramlines” ou rastros de trânsito). Estes rastros são marcados com o uso de um dispositivo elétrico comandado pelo operador na semeadura, que desvia as sementes destas linhas para as imediatamente ao lado. Este tipo de marcação permite aplicação de quantidade precisa dos produtos juntamente com o mínimo de perdas.
É importante observar que as aplicações de fontes de N na forma realizada em experimentos normalmente ocorrem em condições ótimas de distribuição, sendo esta diferente das aplicações a campo que apresenta terreno ondulado.
O equipamento de pulverização é o mesmo utilizado com os demais agroquímicos e sua durabilidade não é comprometida desde que seja realizada uma lavagem com óleo depois da aplicação de N líquido. Atualmente os melhores pulverizadores utilizam pintura industrial eletrostática ou epóxi, tornando-se mais resistentes à corrosão. Em relação às bombas, as centrífugas e de material sintético (plástico) são as melhores e não apresentam diferença no uso de agroquímicos convencionais ou de N líquido. Somente as bombas de diafragma podem apresentar menor durabilidade.