Análise Econômica da Rotação de Culturas no SPD através de uma Visão Sistêmica da Propriedade


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Publicado em: 01/06/2004

Análise Econômica da rotação de culturas no SPD através de uma visão sistêmica da propriedade rural

Adriane Diekow ArnsProdutora Rural, Mestre em Agronegócios, Vacaria-RS – E-mail: uaarns@uol.com.br1. Introdução

A empresa rural, assim como outras organizações, caracteriza-se como um sistema aberto e dinâmico. Portanto, as mudanças dos mecanismos tradicionais de política agrícola, a partir da década de 90, assim como a globalização dos mercados de alimentos, resultou em um cenário do agronegócio totalmente diferente daquele vivido até então. Com as margens de lucros cada vez mais estreitas, resta ao produtor rural um novo posicionamento frente aos seus empreendimentos em busca de padrões gerenciais e operacionais eficientes.

Simultaneamente a estas mudanças, novas técnicas de cultivo estão à disposição destes produtores, técnicas que exigem um maior planejamento das propriedades rurais, pois, além de serem novas, sugerem diversificação dos cultivos. Esta rotação de culturas sugerida pela pesquisa demanda maior conhecimento do todo da propriedade, bem como das partes que a compõe e de suas interligações.

Pesquisas mostram que a sustentabilidade agrícola depende da manutenção da qualidade do solo ao longo do tempo. Portanto, é necessário mantê-lo em sua forma original, de maneira que não esteja vulnerável à erosão. Dentre as práticas conservacionistas de manejo do solo disponíveis para esta manutenção de qualidade, destaca-se o Sistema Plantio Direto (SPD). Para o sucesso deste sistema, torna-se indispensável um plano de rotação de culturas que promova, na superfície do solo, a manutenção permanente de uma quantidade mínima de palhada, que deve ser superior a 6 t / ha de massa seca.

Neste contexto, a soja, cultura com maior expressão em área cultivada no RS, contribui em média, somente com 2,5 t /ha de massa seca. Assim, a prática da monocultura, empregada em um grande número de propriedades rurais, ou mesmo a simples sucessão soja-trigo, mostram-se como sistemas inviáveis dentro do SPD.

A cultura do milho é uma das mais indicadas para ser incluída num esquema de rotação com a soja. Entretanto, a entrada e permanência desta cultura nas propriedades rurais, muitas vezes, não ocorrem. Entre os principais problemas identificados junto aos agricultores estão os riscos climáticos, os altos custos de produção, assim como a instabilidade dos preços deste cereal. Porém, pesquisas demonstram que estes riscos podem ser diminuídos com o escalonamento das épocas de semeadura e a diversificação de variedades através de seus diferentes estágios de crescimento e fisiologia. Quanto aos custos de produção, existem trabalhos mostrando a possibilidade de redução por meio de tecnologias mais econômicas.

Estas pesquisas não têm sido de grande aceitabilidade por parte dos produtores rurais, pois o que se percebe é que muitos deles estão preferindo lavrar suas terras para evitar danos causados por pragas e doenças comuns na monocultura no SPD, ao invés de adotar um intenso sistema de rotação de culturas em suas propriedades e permanecerem no SPD.

Por outro lado, verificam-se produtores que continuam com sucesso no plantio direto, utilizando uma rotação de culturas adequadamente conduzida e adaptada regionalmente. Assim, a partir de produtores que ainda continuam no sistema e nele pretendem permanecer, torna-se importante um estudo de viabilidade econômica de diferentes rotações e manejos das culturas.

Encontram-se muitos estudos sobre a rentabilidade de culturas isoladas, mostrando assim o pragmatismo de avaliar somente os resultados de uma safra de forma isolada. Objetiva-se assim, uma análise econômica, através de uma visão sistêmica da propriedade rural, de diferentes sistemas de rotação de culturas, a fim de avaliar se existem diferenças significativas nos resultados obtidos.

Dessa forma, considerando que para o sucesso do plantio direto necessita-se uma rotação de culturas adequada, a pesquisa buscou responder a seguinte questão: Existem diferenças significativas nos resultados obtidos, dentre as rotações de culturas analisadas no SPD, quando as propriedades são percebidas como um Sistema Integrado?

2. Metodologia

O presente estudo apresenta três cenários de rotações de culturas utilizados pelos agricultores da região de Cruz Alta-RS. Para maior aproximação da realidade dos sistemas utilizados na região, utilizou-se dados de uma propriedade que utiliza o Sistema I (Figura1). Estes dados, juntamente com diversos resultados de pesquisa que envolvem o SPD e, em particular, o uso da rotação de culturas, serviram de base para traçar os resultados de dois outros cenários de rotação. Posteriormente, foram pesquisados diferentes métodos de custeio e formas de análise de rentabilidade a serem aplicados nos três sistemas analisados.

2.1. Caracterização de três sistemas de produção

Na região de estudo, as culturas da soja, milho e trigo são as mais freqüentes. O que varia, principalmente, é a área que cada uma delas ocupa dentro da propriedade. Dentre os cultivos que servem para cobertura, destacam-se a aveia preta, seguida de ervilhaca e nabo forrageiro. Estas coberturas verdes, em certas propriedades, são utilizadas também para a pecuária. Para simplificação do presente estudo, optou-se por sistemas exclusivamente agrícolas.

2.1.1 Sistema I

Neste sistema, a cultura da soja ocupa 50% e a cultura do milho outros 50% da propriedade. No verão seguinte, a parte que era cultivada com soja recebe o milho e vice-versa. Nesta estratégia, o ciclo de rotação completa-se a cada 2 anos (Figura 1), quando toda propriedade recebeu milho, ressaltando que a soja sempre é cultivada em área onde o milho fora cultivado no verão anterior.

O período recomendado para plantio da soja, na região de estudo, situa-se entre 11 de outubro e 10 de dezembro, sendo que o período preferencial é de 21 de outubro a 05 de dezembro (REUNIÃO 99/00, 1999). Após a colheita da soja, em abril, são cultivados adubos verdes (ervilhaca, tremoço, nabo, aveia, entre outros). Estes adubos verdes podem ser cultivados isoladamente ou consorciados entre eles. A maior parte das coberturas de inverno, como também são chamadas, são roladas antes do plantio do milho do cedo, em setembro e outubro. O restante é colhido para semente em dezembro, antes do plantio do milho do tarde.

O período recomendado para plantio de milho é mais longo do que o da soja, inicia-se em 1o de setembro e prolonga-se até 20 de dezembro. O milho é colhido em meses distintos, o que foi plantado em setembro e outubro¸ com variedades ou híbridos precoces e super precoces, é colhido antes da soja, em janeiro e fevereiro, e o plantado em dezembro é colhido em maio.

Como depois do milho é cultivado trigo, para que o solo não fique descoberto de fevereiro a junho, período entre a colheita do milho do cedo e a semeadura do trigo, o sistema utiliza adubos verdes também neste período, denominados pelos produtores e pesquisadores de cobertura de outono. A cultura mais utilizada neste caso é o nabo. A época recomendada para plantio de trigo situa-se entre 21 de maio e 30 de junho, e sua colheita é realizada em novembro.

2.1.2 Sistema II

Neste sistema, no verão, 2/3 da propriedade é ocupada com soja e 1/3 com milho (Figura 2). A cada ano, a lavoura de milho muda de gleba, fazendo com que em 3 anos seja fechado o ciclo da rotação e, em toda propriedade, tenha sido cultivado o milho. Nesta estratégia, uma parte da soja é cultivada em área de milho do verão anterior (soja de 1o ano após milho) e outra parte é cultivada em área que já recebeu soja no verão anterior (soja de 2o ano após milho).

No inverno que antecede à cultura da soja, é utilizada em 1/3 da propriedade aveia preta para cobertura, outro 1/3 com trigo. No 1/3 restante que antecede à cultura do milho, a ervilhaca, o tremoço ou o nabo são cultivados isoladamente ou em consórcio com aveia preta. Assim como no Sistema I, neste sistema, somente em proporção menor, são cultivados culturas para cobertura de outono, geralmente nabo.

2.1.3 Sistema III

Este sistema caracteriza-se pela sucessão soja/trigo, onde 100% da área de verão é cultivada com soja e 1/3 da área de inverno é cultivado com trigo e, na área restante, é utilizada a aveia preta para cobertura verde. Este sistema está representado na Figura 3.

Neste sistema, a cada ano, a lavoura de trigo muda de gleba, fazendo com que em 3 anos seja fechado o ciclo da rotação e, em toda propriedade, tenha sido cultivado o trigo. Porém, a soja sempre é cultivada na mesma área.

2.2 Indicadores econômicos para a análise da propriedade rural

No presente estudo, para uma análise comparativa entre os três diferentes sistemas de rotação de culturas apresentados anteriormente, com ênfase para as variações das produtividades, dos custos e dos resultados totais dos sistemas, para alcançar os objetivos propostos, foram utilizados alguns dos indicadores mais conhecidos para medir a eficiência de cada sistema.

Na comparação dos sistemas foram utilizados os resultados totais de cada sistema, utilizando-se os seguintes indicadores: margem bruta, lucro operacional, margem líquida, ponto de equilíbrio, relação benefício-custo, medida da eficiência da mão-de-obra e de máquinas,fator risco e análise de sensibilidade.

2.3 Dados utilizados para análise dos três sistemas de produção

Para o presente estudo foram pesquisados trabalhos sobre diferentes aspectos de cada sistema de produção a ser analisado. Quanto à parte agronômica, foram utilizados principalmente resultados de pesquisa da Faculdade de Agronomia da UFRGS, IAPAR, FUNDACEP e da EMBRAPA.

Para análise econômica foram utilizados índices comumente empregados no setor agropecuário. Porém nesta análise visualiza-se sempre a propriedade de uma forma sistêmica, valorizando o resultado total do sistema e não os resultados das culturas isoladamente.

Alguns aspectos técnicos, como possíveis variações da utilização de mão-de-obra e de máquinas nos diferentes sistemas, foram obtidas através de agrônomos que trabalham na Coopertec, cooperativa de assistência técnica na região de Cruz Alta.

Para análise dos três sistemas, além destes resultados, visando uma maior aproximação dos resultados obtidos pelos produtores rurais, utilizaram-se os resultados obtidos durante dois anos agrícolas em uma propriedade da região(junho/98 a maio/99 e junho/99 a maio/2000). A opção pelo período de dois anos justifica-se porque, no sistema adotado pela propriedade, o ciclo de produção completa-se a cada dois anos. Justifica-se também por utilizar médias de dois anos, o que torna os resultados mais próximos da realidade, visto que a atividade agrícola é muito suscetível a variações climáticas. A área total cultivável desta propriedade é de 1.020ha. As médias de produtividades da soja, milho e trigo no período analisado foram de 39,59 scs, 69,35 scs e 39,18 scs/ha respectivamente.

Todos os valores deste trabalho são apresentados em U$$ (dólares americanos de compra do Banco Central). Esta moeda é a mais utilizada nos estudos referentes ao agronegócio, pois tem grande influência nos insumos utilizados na agricultura, assim como nos preços dos produtos agrícolas.

Considerando que a qualidade do solo é a base para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e que para obter essa qualidade o solo precisa estar sempre coberto, torna-se necessário que toda área cultivável com culturas anuais, dentro de uma dada propriedade, seja cultivada, não deixando, portanto, áreas em pousio. Como as culturas predominantes da região têm ciclo em torno de 150 dias, todos os sistemas devem ao menos, por duas vezes no mesmo ano, efetuar o plantio em suas áreas.

Assim, independente do sistema a ser utilizado, considerou-se para o presente trabalho, como custos fixos todos aqueles que, dentro do mesmo sistema, independem da cultura que será plantada. Pois, sob uma visão sistêmica, estes custos existem para atender à propriedade como um todo. Por exemplo, o uso de formicidas não pode ser considerado como custo de uma determinada cultura, pois uma vez aplicado irá beneficiar também as culturas seguintes. Quanto à mão-de-obra, é bastante difícil determinar as horas dedicadas a cada cultura, pois além das horas específicas, existem trabalhos executados que beneficiam mais de uma cultura. Considera-se, assim, não relevante, para o presente estudo, diluir certos custos entre as culturas, visto que se objetiva a análise dos resultados totais dos sistemas.

A opção do uso de dados de apenas uma propriedade, e não de várias, ou ao menos de uma de cada sistema, justifica-se pelas peculiaridades de cada empresa rural. Torna-se difícil a comparação de propriedades rurais distintas, porque cada uma, sob uma análise sistêmica, possui seus próprios objetivos, ambientes, recursos e componentes.

Atrelando-se as informações coletadas da empresa que utiliza o Sistema I aos resultados de pesquisa e às informações coletadas diretamente com os técnicos, foi possível traçar os cenários dos outros dois sistemas. Estes dois cenários demonstram como a empresa que utiliza o Sistema I comportar-se-ia se fosse adotar os outros sistemas.

Para definir os rendimentos de soja nos Sistemas II e III foram utilizados os resultados de uma pesquisa que apresenta os efeitos da rotação com a cultura do milho sobre o rendimento de grãos de soja cultivados no primeiro, no segundo ano após o milho e sem rotação com milho, numa média de sete anos. Segundo Ruedell (apud Fundacep Fecotrigo, 1998b), confirma-se a influência decisiva que o milho exerce sobre o rendimento da soja, tendo em vista que a mesma produziu 20,3% a mais no primeiro ano após o milho, contra 10,5% no segundo ano. Conforme o autor, provavelmente a primeira soja após o milho se beneficie, além da menor incidência de pragas e doenças, da maior quantidade de nutrientes que são deixados pela palhada do milho, principalmente do elemento potássio, do qual a cultura da soja é exigente.

Para a cultura do trigo foram utilizados resultados de pesquisa que analisou o uso de coberturas de outono antecedendo a semeadura do trigo. A pesquisa demonstrou que o rendimento do trigo é 13,6% maior nos sistemas que utilizam cobertura de outono (Fundacep Fecotrigo,1999).

O rendimento do milho será considerado o mesmo nos Sistemas I e II, pois ambos utilizam coberturas semelhantes antecedendo o milho.

Quanto a possíveis diferenças dos custos variáveis das diversas culturas, destaca-se o uso de nitrogênio nas culturas do trigo e do milho. Através dos resultados de pesquisa observou-se que, dependendo das rotações utilizadas, para um mesmo rendimento, são necessárias diferentes doses deste insumo. Para o presente trabalho, optou-se por manter a mesma dose de nitrogênio, considerando-se assim, somente a variação de rendimento destas duas culturas.

Em relação ao uso de fertilizante, a empresa que utiliza o Sistema I não usou adubação na soja, somente nos 50% onde são cultivados milho e na área que a antecede, que é cultivada com trigo. No total, este sistema utiliza 150 kg/ha/ano de NPK. Nos outros sistemas, utilizou-se a mesma quantidade de fertilizante ha/ano, conservando as adubações do trigo e do milho, complementando com o restante na soja. Assim, foi utilizado 150 kg de NPK/ha em 1/3 da área de soja, no Sistema II, e em 2/3 da área de soja no Sistema III.

Embora existam alguns resultados de pesquisa que demonstram menor uso de herbicidas e inseticidas para sistemas que utilizam determinadas rotações de culturas, no presente estudo, variações nos custos variáveis como herbicidas, inseticidas, fungicidas, entre outros, não serão considerados, devido à inexistência de pesquisas específicas para os sistemas analisados.

Quanto ao uso de máquinas, segundo entrevistas com técnicos (Coopertec), foi considerado que cada plantadora, semeadora ou colhedora que é utilizada na propriedade analisada, tem capacidade de suprir no verão de 250 a 280 ha de soja e a mesma área de milho. Assim, os Sistemas II e III, por plantarem soja em maior proporção, concentrando as atividades em novembro e abril, necessitaram mais equipamentos que o Sistema I. No Sistema II, para plantar 680 ha de soja e 340 ha de milho, no verão, torna-se necessário 1 colhedora, 1 plantadora e 1 trator a mais que no Sistema I. No Sistema III, para plantar 1020 ha de soja são necessárias 2 colhedoras, 2 plantadoras e 2 tratores a mais que no Sistema I.

Para os cálculos relacionados a máquinas e equipamentos, depreciação e juros, por exemplo, nos sistemas II e III, foram utilizados os mesmos valores das máquinas da propriedade que utiliza o Sistema I, portanto, foi considerado que cada unidade adicionada teria o mesmo período de vida útil.

O Sistema I possui 7 funcionários fixos e 2 temporários nos meses de novembro, dezembro e abril. Para os Sistemas II e III considerou-se um aumento do uso de mão-de-obra fixa respectivo ao aumento do uso de máquinas, ou seja, 1 e 2 funcionários nos Sistemas II e III, respectivamente. A mão-de-obra temporária permaneceu a mesma nos três sistemas.

Quanto aos fretes, o Sistema I utiliza armazém de terceiros somente para o milho, pois a soja e o trigo são armazenados na propriedade. Aproximadamente 20% do total da safra de milho foi transportado até armazéns de terceiros com caminhão próprio, o restante com frete terceirizado. No Sistema II, como a área de soja aumenta, a empresa não tem capacidade de estocar toda produção de soja, pois possui apenas um silo para 18.000 sacos e tulhas para guardar a semente (capacidade total de armazenagem é de 23.000 sacos), portanto, além do milho, parte da soja também utilizará frete de terceiros para transportá-la até outros armazéns. Também no Sistema III, o qual cultiva apenas soja no verão, será necessário frete terceirizado para transportar o excedente da soja. Em relação ao trigo, nenhum dos três sistemas necessita de frete terceirizado.

Com todos estes dados, foi possível traçar os resultados dos três sistemas, considerando principalmente, as possíveis variações nos rendimentos das culturas e nos custos fixos dos diferentes cenários.

3. Avaliação dos resultados e discussão

Através dos resultados da análise comparativa entre os três sistemas estudados, decorrentes do emprego dos diversos índices descritos anteriormente, pode-se desenvolver uma discussão, buscando as implicações e as conseqüências da adoção de cada sistema abordado. Através de uma análise de sensibilidade dos sistemas, procurou-se encontrar possíveis variações nos resultados ocasionadas por diferentes rentabilidades e/ou diferentes preços das culturas que compõem os sistemas.

3.1. Análise comparativa dos resultados econômicos dos três sistemas de rotação de cultura analisados

Margem bruta é expressa pela diferença existente entre a receita total e os custos variáveis. Dos três sistemas analisados, o Sistema I apresenta maior receita bruta total, diminuindo 13% e 23% nos Sistemas II e III, respectivamente (Figura 4). Neste sistema as receitas de verão estão divididas na mesma proporção, ou seja, soja e milho representam, cada uma, 36% do total das receitas, diferentemente do que ocorre nos outros sistemas, onde a soja representa 50,1% e 79,2% do total das receitas. O trigo, como cultura de inverno, possui maior representatividade no Sistema I, com 26,5% das receitas totais, contra 20,8% nos Sistemas II e III.

Quando os custos variáveis são comparados, percebe-se que eles também diminuem nos Sistemas II e III. Porém, como variam em proporção menor do que as receitas, a margem bruta continua sendo maior no Sistema I (Tabela 1).

Tabela 1. Margem Bruta, Lucro Operacional, Margem Líquida calculada nos Sistemas I, II e III (US$)

Sistema I

Sistema II

Sistema III

Receita total

544.728,00

474.486,72

419.068,60

Total custos variáveis

170.075,48

149.475,35

140.025,46

Margem bruta

374.652,52

325.011,37

279.043,14

Margem bruta/ha

367,31

318,64

273,57

Total custo fixo

131.316,35

138.764,80

146.638,55

Total custo operacional

301.391,83

288.240,15

286.664,00

Lucro operacional

243.336,17

186.246,57

132.404,60

Lucro operacional/ha

238,56

182,59

129,81

Total remuneração

150.089,28

151.841,05

153.667,61

Custo total

451.481,11

440.081,20

440.331,61

Margem líquida

93.246,89

34.405,52

(21.263,01)

Margem líquida/ha

91,42

33,73

(20,85)

A redução das receitas nos Sistemas II e III pode ser explicada pela variação das áreas de cultivo e uma diferença na produtividade da soja e do trigo dentre os três sistemas estudados. Para entender melhor porque os custos variáveis também se alteram, é necessário analisar o custo variável de cada cultura separadamente.

O custo variável do milho e do trigo nos três sistemas situa-se em torno de US$124,00/ha e US$112,00/ha, respectivamente. O custo variável da soja é diferente nos três sistemas porque no Sistema I não é utilizado adubo nesta cultura, porém, somando-se a adubação do trigo em 50% da área de inverno (150 kg de NPK/ha) e a adubação do milho em 50% da área de verão (150 kg de NPK/ha), este sistema totaliza 150 kg de NPK/ha/ano.

Assim, considerou-se para o presente estudo que nos Sistemas II e III seria necessário aplicar adubo na área de soja, que não sucede a área de trigo, mantendo-se as mesmas adubações para o trigo e o milho. Desta forma, seriam adubados 320 ha e 670 ha de soja, resultando em um custo variável total da soja de US$84,00/ha e US$90,00/ha, nos Sistemas II e III, respectivamente. Enquanto isto, no Sistema I o custo variável da soja é de US$70,00/ha.

Como os Sistemas II e III possuem trigo em proporções menores e o milho inexiste no Sistema III e estas culturas tem custos variáveis maiores do que a soja, o custo variável total destes sistemas também é menor. Em síntese o Sistema I, mesmo com custos variáveis maiores, apresenta margem bruta maior que os outros sistemas.

O lucro operacional difere do lucro líquido ou margem líquida apenas por não incluir os juros sobre o capital empatado e uma possível remuneração do empresário. É resultado da diferença da receita total do custo operacional total. O custo operacional total compõe os custos variáveis e os custos fixos. Dentre os custos fixos, a mão-de-obra fixa, juntamente com a manutenção de máquinas, representa 50% nos três sistemas. Depreciação de máquinas e combustíveis representam em torno de 10%. Observa-se que, ao somar os custos relacionados às máquinas (manutenção, combustíveis e depreciação), tem-se em torno de 42% do custo fixo. Ao incluir o custo de mão-de-obra aos custos relacionados às máquinas, chega-se a 70% do custo fixo total.

Através da Tabela 1, pode-se observar um aumento nos custos fixos. Estes custos aumentam 6% e 12%, nos Sistemas II e III, respectivamente, em relação ao Sistema I. Este aumento é devido a maior necessidade de máquinas e mão-de-obra dos sistemas que cultivam área menor de milho no verão.

Como, basicamente, o custo operacional pode ser considerado o total de desembolso ocorrido para que as atividades fossem viabilizados, é possível afirmar, através dos resultados da Tabela 1 que, a curto prazo, os três sistemas estão recebendo remuneração maior do que as despesas que tiveram para produzir.

Apesar de uma receita menor e custos fixos maiores, os Sistemas II e III ainda obtiveram um lucro operacional positivo, porém, 23% e 45%, respectivamente, menores, em relação ao do Sistema I.

O lucro operacional por hectare considera o total de hectares cultiváveis da propriedade em cada safra de verão. Ao invés de considerar a superfície disponível para cultivo, considerou-se para análise o total da área cultivável em um ano agrícola, pois poderiam haver sistemas que utilizariam toda área de inverno para culturas com retorno econômico, como, por exemplo, além do trigo, utilizar outras culturas que, além da cobertura, resultassem em renda efetiva, como colheita de grãos, ou também a utilização das coberturas para pastagens. Neste caso, o lucro operacional por hectare ficaria reduzido pela metade.

Porém, sob um enfoque sistêmico, considera-se mais apropriado o uso de índices que considerem os resultados totais da superfície disponível na propriedade. Todavia, para análise de alguns índices, como o ponto de equilíbrio, considerar a área cultivável total possivelmente demonstre melhor os resultados deste indicador.

Ao incluir nos custos as remunerações do capital, da terra e do empresário, observa-se que e a maior variação da margem líquida deu-se entre o Sistema I e o Sistema III, 122%. Já o Sistema II foi 63% menor que o Sistema I.

Quando analisadas as variações dos diversos custos que compõem os três sistemas analisados, percebe-se que o custo variável decresce e o custo fixo aumenta, porém em menor proporção, resultando num custo operacional decrescente. O total das remunerações também sobe devido ao aumento do capital fixo. Apesar de custos totais menores nos Sistemas II e III, a margem líquida é maior no Sistema I, em conseqüência da maior receita deste sistema, ou seja, enquanto as receitas diminuíram 13% e 23% nos Sistemas II e III em relação ao Sistema I, os custos totais diminuíram apenas 2,5% em relação ao mesmo sistema.

Os resultados indicam que o Sistema III embora cubra seu custo operacional, não é capaz de remunerar todo o capital investido e o empresário, pois possui uma margem líquida negativa, ao contrário dos outros dois sistemas analisados. De acordo com a relação benefício-custo, percebe-se que os Sistemas I e II estariam aprovados por apresentarem um resultado positivo e maior que um. Para cada unidade aplicada no sistema, o produtor rural teria um retorno de 0,21 e 0,08 nos Sistema I e II, respectivamente. Entretanto, o Sistema III apresenta um resultado menor que um, assim para cada unidade aplicada estaria perdendo 0,05. A avaliação comparativa dos resultados, referentes à razão B/C, indica o Sistema I como o que apresenta melhor retorno.

O ponto de equilíbrio pode ser dado através do método da equação matemática, onde se encontra o ponto em que o lucro operacional é igual a zero e, assim, chega-se ao número de ha/ano que a propriedade necessita cultivar para obter um ponto neutro de resultados, ou seja, o número de hectares necessários para cobrir o custo operacional.

Dada a infra-estrutura encontrada nos três sistemas, para determinar o ponto de equilíbrio, as receitas e os custos variáveis totais de cada sistema foram divididos pelo número de hectares cultivados com culturas destinadas à comercialização, 1.530 ha no Sistema I e 1.370 ha nos Sistemas II e III (Tabela 2). Os resultados demonstram que os Sistemas I, II e III utilizam 35%, 42% e 52%, respectivamente, das áreas totais cultivadas para cobrir os custos operacionais.

Tabela 2 - Ponto de Equilíbrio em Ha/Ano nos Sistemas I, II e III

Sistema I

Sistema II

Sistema III

RT/ha

356,03

346,34

305,89

CV/ha

111,16

109,11

102,21

CF

131.313,36

138.764,80

146.638,55

PE (ha)

536

585

720

Para medir a eficiência da mão-de-obra foram utilizados a margem bruta, margem líquida e o número médio de trabalhadores nos três sistemas. O número de trabalhadores foi obtido através da soma dos trabalhadores fixos, da média dos trabalhadores temporários e também dos três proprietários, pois eles trabalham em tempo integral na empresa.

O Sistema I apresenta maior eficiência ao comparar as margens com o número de trabalhadores envolvidos nos sistemas. Cada trabalhador deste sistema gera uma margem líquida de US$ 8.880,00. Entretanto, esta margem diminui para US$ 2.991,78 no Sistema II e torna-se negativa no Sistema III.

Os custos relacionados aos equipamentos (manutenção, combustíveis e depreciação) têm grande importância nos custos fixos totais, pois representam 42% destes custos. Assim, torna-se relevante medir a eficiência das máquinas em relação aos resultados obtidos nos sistemas analisados. A superfície cultivada por trator, a superfície colhida por colhedora e a relação entre as margens bruta e líquida com o valor investido em equipamentos foram os fatores utilizados para esta análise (Tabela 3).

Tabela 3. Medida de eficiência das máquinas nos Sistemas I, II e III

Margem líquida

Sistema I

Sistema II

Sistema III

Nº de tratores

5

6

7

Superfície cultivável (ha)

1020

Superfície cultivável ha/trator

204

170

146

Nº de colheitadeiras

2

3

4

Superfície colhida ha/ano

1530

1370

Superfície colhida ha/colheitadeira

765

457

343

US$ investidos em equipamentos

153.522,23

217.262,55

276.562,55

Renda bruta

374.652,52

325.011,37

279.043,14

Renda líquida

93.246,89

34.405,52

(21.263,01)

RB/US$ investidos em equipamentos

2,44

1,50

1,01

RL/US$ investidos em equipamentos

0,61

0,16

(0,08)

Em todos os fatores analisados, em relação ao uso dos equipamentos, o Sistema I apresentou-se mais eficiente devido a sua melhor distribuição no emprego das máquinas durante o ano. Ao combinarem duas diferentes linhas de exploração, soja e milho no verão, como ocorre nos Sistemas I e II, os sistemas conseguem um nível de emprego mais uniforme de seus equipamentos.

Ao comparar a superfície colhida por cada máquina colhedora disponível, encontra-se uma grande diferença entre os sistemas, onde uma mesma máquina colhe no Sistema I 308 ha e 422 ha a mais que nos Sistemas II e III, respectivamente. Este fator precisa ser considerado, pois cada máquina adicional representa maior capital investido na empresa que, no caso das colhedoras, é bastante alto e cada máquina a mais representa um funcionário a mais, onerando ainda mais os custos fixos da empresa.

Devido à maior necessidade de máquinas, o valor investido em equipamentos é 41,5% e 80% maior nos Sistemas II e III, em relação ao Sistema I. Além disso, como pode ser visualizado na Tabela 3, este aumento de investimento não é proporcional a um aumento de renda, mostrando até uma ineficiência na relação destes investimentos com a renda por eles gerada no Sistema III.

3.2 Fator risco e análise de sensibilidade

Ao se ponderar o fator risco nos três sistemas analisados, muitos fatores devem ser considerados. Conforme os resultados de pesquisa demonstrados, a adoção de rotação de culturas em uma propriedade rural influencia os rendimentos das culturas presentes nos sistemas em estudo. Além disso, também pode colaborar com a diminuição de pragas e doenças.

Assim, encontra-se no Sistema III, ambiente propício para surgimento destas doenças e pragas, fazendo com que os produtores aumentem o consumo de defensivos agrícolas para o seu controle. Segundo pesquisadores, este aumento de insumos é fato presente nas propriedades que utilizam a monocultura de soja no verão. Além disto, observam-se casos crescentes de áreas lavradas com objetivo de evitar doenças e pragas.

A falta de capital de giro afetaria os três sistemas, pois todos eles possuem produtos que, devido a diversos fatores, variam de preço durante o ano, premiando aqueles produtores que comercializam seus produtos nas melhores épocas. Geralmente, estes melhores preços não são obtidos no período de safra, portanto, o produtor rural que tiver capital de giro e conhecimento das previsões dos mercados interno e externo terá melhores médias de preços de comercialização. Porém, deve-se considerar que o Sistema I possui custos variáveis maiores que os outros sistemas estudados, necessitando assim maior capital de giro.

Além disso, os Sistemas I e II são mais complexos, pois utilizam diversas culturas, exigindo dos empresários rurais um maior conhecimento e planejamento das atividades, porque cada cultura possui suas peculiaridades, que devem ser respeitadas para obtenção de bons resultados.

A cultura do milho representa perante aos agricultores altos riscos pois, além de exigir maiores custos que a soja, é mais sensível às secas comuns da região. Porém, os custos podem ser diminuídos e as perdas com estiagens podem ser amenizadas com o plantio de variedades de diversos ciclos em diferentes épocas.

Pela inclusão de uma nova cultura ou apenas pela expansão de outra, o empresário rural pode diminuir o fator risco de seus empreendimentos, pois desta maneira, não depende apenas dos resultados de uma dada cultura. Além disso, dependendo das culturas utilizadas, há redução dos custos fixos através de um intenso uso de toda a infra-estrutura disponibilizada, otimizando assim os fatores de produção: capital, tecnologia e gestão.

Por meio dos resultados obtidos anteriormente, é possível questionar a sensibilidade dos valores alcançados em relação a determinadas variáveis. Estas podem estar relacionadas às produtividades das culturas, assim como aos preços de comercialização das mesmas. Uma análise comparativa entre os diferentes sistemas de rotação analisados, a partir da alteração de alguns coeficientes relevantes no resultado final, pode mostrar se os sistemas são sensíveis às variações consideradas.

Como os resultados que foram utilizados para a presente pesquisa pertencem a dois anos em que houve déficit hídrico no verão, torna-se válido considerar um aumento de produção de verão. Os sistemas que utilizam o milho nas rotações, mesmo em anos não muito favoráveis, apresentaram resultado positivo. Portanto, para a presente análise um aumento na produtividade do milho iria somente aumentar os lucros destes sistemas, por isso, inicialmente, optou-se por considerar somente um aumento na produtividade da soja.

Para um aumento de 10% na produtividade da soja, houve aumento da receita bruta total de 3,6%, 5,6% e 7,9% nos Sistemas I, II e III, respectivamente. O maior aumento no Sistema III é devido à maior área de soja neste sistema, onde esta cultura representa 74% da área cultivada durante o ano, portanto, este é o sistema mais sensível às variações relacionadas à cultura da soja.

Com este aumento de receita, o Sistema III passou de um resultado negativo (US$20,85/ ha/ ano) a um resultado positivo, com renda líquida de US$ 10,72/ ha/ ano, porém, ainda bastante menor que a dos outros sistemas (Tabela 4). Um aumento de 10% na produtividade da soja representou um aumento de três sacos por hectare neste sistema (36,3 scs/ha). O rendimento necessário da soja para um margem líquida nula, sem variação no rendimento do trigo, seria de 35,2 scs/ha.

De outra parte, ao considerar o preço de comercialização da soja, o Sistema III, para cobrir todos os custos de seu empreendimento, teria que comercializar este produto por um preço médio de US$ 10,50/ saco. Porém, com este valor de comercialização, os outros sistemas também aumentariam seus lucros, já que para a presente análise os valores de comercialização utilizados foram de US$9,86 /saco, ou seja quase 6% menores.

Dentre as culturas presentes nos sistemas analisados, o trigo e o milho são os mais afetados pelos riscos climáticos da região. O rendimento do trigo pode ser afetado pelas intensas chuvas, granizos ou altas temperaturas da primavera, como também pelas geadas tardias. As médias de produtividade de trigo da empresa analisada variam de 27 a 46 sacos/ha.

Ao considerar que a produtividade do trigo pode sofrer grandes variações de um ano para o outro, calculou-se qual é a sensibilidade dos sistemas a uma variação (decréscimo) de 20% na produtividade. Os resultados desta variação nos três sistemas são apresentados na Tabela 4.

Com um decréscimo de 20% na produtividade do trigo, as margens líquidas diminuem para US$63,66, US$14,83 e (US$37,56)/hectare/ano, representando decréscimos de 30%, 56% e 80% nos resultados líquidos dos Sistemas I, II e III, respectivamente. Entretanto, o Sistema I continuaria com um lucro operacional positivo de US$113,09/ha.

Considerar um rendimento 20% menor da cultura no milho, mantendo os rendimentos das outras culturas, resultaria em um decréscimo das margens líquidas de US$40,00 e US$27,40/hectare/ano nos Sistemas I e II respectivamente, porém, os resultados destes sistemas continuariam positivos (Tabela 4). Para uma margem líquida nula nestes dois sistemas, o rendimento da cultura do milho teria que diminuir 44% no Sistema I e 23% no Sistema II.

Considerar as médias de comercialização do Estado do RS dos três produtos produzidos pelos sistemas em uma análise conjunta pode ser mais uma ferramenta para comparar os três sistemas. Os preços médios da soja, do milho e do trigo no período de janeiro/1990 a dezembro/2001, foram de US$11,00, US$6,45 e US$8,00/saco, respectivamente.

Os preços médios praticados no período de 1990 a 2001 não têm muita diferença dos valores considerados para análise dos três sistemas. A maior variação está no preço do milho, onde a média foi 13,3% maior que a dos valores utilizados. A soja e o trigo apresentaram uma média de 11,5% e 10,8% maior, respectivamente. Ao considerar estas médias nos sistemas estudados a receita bruta por hectare aumentou 12% nos Sistemas I e II, e 11,4% no Sistema III. Como o milho teve maior variação de preço e este não está presente no Sistema III, o aumento da receita foi menor neste sistema.

A aplicação destes valores nos cenários estudados, mantendo os mesmos rendimentos, resulta em maiores rendas líquidas nos Sistemas I e II, e o Sistema III passa de um prejuízo de US$20,85/ha, para um lucro de US$24,98/ha (Tabela 4).

Tabela 4- Análise de sensibilidade nos Sistemas I, II e III

Sistema I

Sistema II

Sistema III

Aumento de 10% rendimento soja

112.547,84

59.991,71

10.939,32

Queda de 20% rendimento trigo

64.941,76

15.128,56

(38.315,23)

Queda de 20% rendimento milho

52.483,36

6.456,22

(21.263,01)

Preços médios período jan/90 a dez/2001

157.148,16

89.751,43

25.476,98

Através das análises anteriores, a comparação dos três sistemas de cultivo estudados, considerando seus custos, receitas e resultados, apresentam interações importantes que levam às considerações dos resultados obtidos na pesquisa.

4. Considerações Finais

Através deste estudo, o Sistema I demonstrou vantagens sobre os outros sistemas analisados em todos os índices utilizados. Porém, algumas limitações deste trabalho devem ser consideradas, pois os resultados e as conclusões obtidos partiram dos dados de uma única propriedade que utiliza o Sistema I, sendo necessário, assim, efetuar a simulação dos resultados dos outros sistemas. Além disso, a propriedade analisada não pode ser considerada como uma propriedade comum na região, pois esta, ao utilizar o SPD por mais de 10 anos, e fazer uma intensa rotação de culturas, possui solo bem conservado, com bons níveis de fertilidade.

Esta não é a realidade da maioria das propriedades rurais da região, porém, a partir deste trabalho, pode-se concluir que a utilização de rotação de culturas dentro das propriedade que utilizam o SPD, e nele pretendem continuar, é uma questão de adequação às tecnologias disponíveis para sucesso da implantação de novas culturas. Por vezes, os resultados não são visíveis a curto prazo, porém, visando à sustentabilidade da produção agrícola, a adoção destas tecnologias é inevitável.

Contudo, a comparação econômica de diferentes sistemas de rotação de culturas, sob um enfoque sistêmico da propriedade rural, não vem sendo abordada com freqüência, todavia, mostra-se relevante para sinalizar que uma agricultura sustentável é possível através da utilização do SPD associado a uma intensa rotação de culturas.

Este estudo, enfim, comparou três sistemas de rotação de culturas através de uma abordagem sistêmica. Espera-se que o trabalho, além de indicar que a rotação de culturas, se bem planejada, pode trazer resultados positivos para o meio rural, instigue outros estudos na área econômica, visando preparar sólidas bases para uma agricultura que efetivamente contribua para a sustentabilidade do processo de desenvolvimento socio econômico, de forma competitiva em termos de mercado e eqüitativa em termos sociais.

Dados para referências bibliográficas: Revista Plantio Direto, edição nº 81, maio/junho de 2004. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.