Explorar o Potencial da Triticultura Nacional é Meta da Nova Chefia da Embrapa Trigo


Autores:
Publicado em: 01/06/2004

Explorar o potencial da triticultura nacional é meta da nova chefia da Embrapa Trigo

O pesquisador Erivelton Scherer Roman assumiu oficialmente a Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS) no dia 16 de março. Entre as diretrizes da nova chefia da unidade estão a expansão do cultivo de trigo no Brasil Central, a diversificação na rotação de culturas de inverno na região Sul e a internalização do conceito de desenvolvimento rural integrado na agropecuária nacional.

Atualmente, o Brasil consome 10 milhões de toneladas de trigo, produzindo apenas 50% deste volume. A situação coloca o país na posição de maior importador mundial do grão. Alcançar a auto-suficiência é uma das metas do Centro Nacional de Pesquisa do Trigo (CNPT-Embrapa Trigo). ”O Brasil continua importando trigo da Argentina porque não aprendeu a explorar seu potencial produtivo. São mais de 90 milhões de hectares ociosos, que podem ser usados para agricultura. A soja ocupa apenas 20 milhões de hectares e o trigo não chega a três milhões”, argumenta Erivelton Roman. Na busca da expansão da triticultura nacional, a Embrapa Trigo trabalha para implantar o cereal em regiões não tradicionais, desenvolvendo cultivares adaptadas aos Cerrados do Centro-Oeste. ”O Cerrado tem vocação para a produção de grãos. No sistema irrigado, a produtividade média de trigo supera os 5 mil quilos por hectare, quantidade comparável aos maiores produtores mundiais do grão”, avalia Roman, lembrando que, apesar dos rendimentos serem inferiores no trigo de sequeiro (geralmente abaixo dos 1.500 kg/ha), o incentivo ao plantio como alternativa de cobertura na agregação de renda começa a conscientizar os produtores do Brasil Central: ”Dentro da filosofia de integração lavoura-pecuária, o desenvolvimento do trigo de duplo propósito, que serve tanto para pastejo como para grãos, é importante para a criação animal em épocas em que há escassez de forragens”. Segundo Roman, o grande desafio da pesquisa é viabilizar uma cultura de sequeiro e desenvolver uma cultivar resistente à brusone, principal doença que incide no Brasil Central.

Na região Sul do Brasil, onde o trigo aparece como a principal cultura de inverno, a Embrapa trabalha voltada a aspectos que resultem em maior rendimento e qualidade dos grãos. ”Precisamos tornar o trigo atrativo para o produtor, de forma que as cultivares plantadas não tenham problemas com doenças, clima e, principalmente, sejam rentáveis economicamente. Para isso, dependemos de um trigo de qualidade, pronto para atender as especificidades do mercado, com exigências quanto ao glúten, absorção de água ou mesmo controle de armazenagem”, afirma Roman. Contudo, a consolidação do trigo no Sul implica na adoção de técnicas de manejo que garantam a estabilidade da produtividade, como a rotação de culturas. ”Temos consciência que não existe sustentabilidade na mono cultura do trigo. É preciso investir na exploração de outras culturas de inverno na rotação, como canola, cevada e triticale, outras linhas de pesquisa da Embrapa Trigo”, avalia Erivelton Roman, ressaltando que ”todo o avanço do trigo não pode ser creditado apenas à genética, mas a todo um sistema de produção integrado”.