Benchmarking
Muito já foi registrado sobre as visitas de agricultores e técnicos estrangeiros ao Brasil. Ficamos orgulhosos, sem dúvida, de recebê-los e mostrar-lhes em detalhes o trabalho desenvolvido sem subsídios e com aquele ”jeitinho” brasileiro, esquecemos, porém, de trocar informações com estes ilustres visitantes. Eles vêm conhecer o processo de produção agropecuária desenvolvido no país e aprender com as experiências locais, ou seja, fazer um benchmarking.
Termo conhecido na administração e no marketing, o benchmarking tem como alvo empresas reconhecidas como representantes das melhores práticas em suas áreas de atuação. De forma geral é a verificação do nível de evolução da atividade dentro da empresa considerada modelo, através do registro das ações que podem ser aproveitadas, visando o aprimoramento e a melhoria continua da atividade.
O Brasil pode não ser um exemplo de desenvolvimento na agricultura, mas é modelo em alternativas e chama a atenção de outros países que o encaram como um potencial concorrente no setor. Por isso recebemos tantos visitantes que necessitam saber mais sobre os heróis que conseguem produzir sem auxilio governamental, sendo competitivos e eficientes. Talvez ainda não tenhamos alcançado o grau adequado de competitividade, mas é possível afirmar que por aqui há maior resistência às adversidades comuns na atividade.
Então por que o produtor brasileiro não faz benchmarking da agricultura de outros países ou mesmo do vizinho? A curiosidade saudável estimula a busca por novidades que podem melhorar a produção e tornar mais prático o trabalho, pois há tantas inovações, soluções e opções disponíveis. Aproveitar o que é possível, adaptar casos de sucesso a nossa realidade e aplicar conhecimento são formas de buscar qualidade.
No Brasil, historicamente foram os agricultores que buscaram soluções para dificuldades encontradas em suas propriedades. Herbert Bartz foi inovador em 1972, fez benchmarking quando ainda não se pensava neste conceito, visitando os Estados Unidos e Europa para conhecer uma novidade chamada plantio direto. Mais tarde nosso pioneiro foi alvo do mesmo processo, quando passou a receber em Rolândia-PR, agricultores de todas as regiões do país.
Portanto, há necessidade de fazer conexão com outros países ou realidades para que se possa montar um quadro fiel da agricultura praticada fora do nosso quintal. Apenas constatar que outros têm sucesso ou subsídios não traz evolução, podemos aprender muito olhando com atenção o que é feito lá fora ou mesmo próximo a nós.
A pauta desta edição foi dedicada a assuntos como o controle de doenças e uso de nitrogênio nas culturas de inverno, análise econômica da rotação de culturas, aperfeiçoamento da unidade de semeadura. Mas chamo a atenção para um assunto que é particularmente interessante por tratar-se de uma prática ainda não realizada no Brasil, a aplicação de nitrogênio líquido para o aumento da produtividade em trigo, que é feita com sucesso nos Estados Unidos, Canadá e Rússia.
Apenas para satisfazer uma curiosidade natural, é claro!
Boa leitura.
Juliane Borges