Necessidade e Acaso (Editorial)


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Publicado em: 01/04/2004

Necessidade e Acaso

”A necessidade e o acaso movem o mundo”. Nada mais verdadeiro do que essa afirmação. Porém, a área em que atuamos é movida muito mais pela necessidade do que pelo acaso. Produtores, técnicos e demais profissionais envolvidos, buscam constantemente resolver questões específicas e desenvolver alternativas dentro e fora das porteiras, impulsionados pela necessidade.Mais do que nunca é necessário estar conectado às novidades tecnológicas, saber o que ocorre nos bastidores dos demais setores que formam o agronegócio, desenvolver uma visão empresarial para sua atividade, buscar oportunidades e nichos de mercado. Deixar de ser apenas fornecedor de commodities é um desafio para milhares de produtores.Há diversas formas de estar bem informado sobre os acontecimentos e novidades da agropecuária. Instituições de pesquisa, universidades, cooperativas, empresas, publicações e eventos, são fontes que ajudam os profissionais do segmento na busca pela informação de qualidade. Como diz Gelson Mello de Lima, da Cotrijal: ”hoje a informação está em todo lugar, mas a maior dificuldade consiste em acessar a que é realmente pertinente para nossa atividade”.Portanto, qualidade é palavra-chave. Nesse sentido, eventos como a Expodireto Cotrijal, que acontece na cidade de Não-Me-Toque/RS, no mês de março, são um exemplo em qualidade de organização e na garantia do acesso dos agricultores à informações sérias, que podem contribuir muito para o desenvolvimento do campo. O foco tecnológico da Expodireto Cotrijal precisa ser destacado, pois ela foi concebida com o objetivo de desenvolver o plantio direto na região do Planalto Médio Gaúcho. Em 1999, talvez seu mentor, Gilberto Borges, tenha tido seu principal objetivo questionado, pois beirávamos a 100% das áreas com o sistema. Porém, como já comentado, o plantio direto não é uma forma estática de fazer agricultura, e com o passar do tempo, muitas questões precisaram ser estudadas e seus resultados disponibilizados e comunicados ao agricultor. Portanto, criar um evento que levasse para dentro das propriedades os avanços tecnológicos e as respostas para as indagações do momento, era uma necessidade e dela nasceu a Expodireto, hoje Expodireto Cotrijal.Uma das preocupações expostas nesta edição é a questão da expansão do cultivo da soja que, em alguns casos, pode ser considerado quase um monocultivo. As condições do mercado altamente positivas são inegáveis, assim como a importância econômica da cultura, mas a manutenção do plantio direto também é um fator importante. Não objetivamos ser alarmistas, adiantando problemas que ainda não existem de fato, mas o quadro que se forma é preocupante. Nessa edição ouvimos três produtores da região de Não-Me-Toque, que abordaram sua trajetória com o sistema e assumem a falta de rotação de culturas em suas propriedades. Produtores conscientes da importância do plantio direto, que foi a causa que abraçaram no passado, e que hoje são tentados a esquecer uma prática básica para manutenção do sistema, a rotação de culturas. Temos, portanto, mais uma necessidade.Esperamos que essa edição da Revista Plantio Direto, que circula a partir da Expodireto Cotrijal, também atenda as necessidades de nossos leitores, que ela cumpra seu papel como um dos elos na corrente de adoção, manutenção e desenvolvimento do plantio direto no Brasil. Levar informações sérias aos agricultores nos quatro cantos do país é a tarefa que nos coube e a qual buscamos desenvolver com eficiência.

Boa leitura!Juliane Borges