Dinâmica de Semeadoras-Adubadoras Diretas em São Miguel do Iguaçu-PR — Resultados de Avaliação (Máquinas)


Autores:
Publicado em: 01/02/2004

Dinâmica de semeadoras-adubadoras diretas em São Miguel do Iguaçu-PR - Resultados de Avaliação

Ruy Casão Junior e Rubens SiqueiraInstituto Agronômico do Paraná - IAPAR - Londrina-PR - E-mail: ruycasao@iapar.br

Equipe Técnica: Instituto Agronômico do Paraná: Ruy Casão Júnior; Rubens Siqueira; Augusto G. de Araújo; Rodolfo G. Monice Filho; Alexandre L. da Silva; Audilei de Souza Ladeira; José Carlos da Silva; Pedro Machado; Ronaldo Rossetto; Milton Pereira da Silva. Itaipu Binacional: João Carlos Zehnpfennig; Newton Luiz Kaminski; Adair Antônio Berté; Elstor Weiss; Milton Dutra Campos; Marcos A. Baumgartner; Sérgio L. Scherer. Prefeitura Municipal de São Miguel do Iguaçu: Silas Murbach; Alexandre Gueleres; Jean Carlo Andrade; Celso Panassolo; Edison Bortolucci; Nelson Rafaelli.

1. Apresentação

Nos dias 11 e 12 de agosto de 2002, no município de São Miguel do Iguaçu, Estado do Paraná, foram realizadas exposições dinâmicas de máquinas semeadoras-adubadoras de plantio direto, na Fazenda Florida II, de propriedade do Sr Arlindo Moisés Cavalca. Registrou-se a presença de aproximadamente 600 pessoas, entre produtores e técnicos.

A avaliação foi efetuada em um solo muito argiloso, que na camada de 0-15 cm de profundidade tinha 55 % de argila, densidade de 1,31 g/cm3 e resistência à penetração de 2313 kPa, na umidade do solo de 30.84 %, com consistência de friável à plástica.

As máquinas trabalharam sobre 7.200 kg/ha de cobertura morta, composta por palhada de milho.

O evento foi coordenado e organizado pelo IAPAR e pela ITAIPU BINACIONAL, como o apoio da Prefeitura Municipal de São Miguel do Iguaçu na pessoa de seu prefeito Armando Luiz Polita e do Secretário da Agricultura e Meio Ambiente Silas Murbach e equipe técnica. Assim como, da FAPEAGRO (Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio), da Agropecuária CAVALCA e Cooperativa LAR.

Participaram do evento ”semeadeiras”, ”plantadeiras” e máquinas múltiplas, ou seja, as que semeiam em fluxo contínuo (denominadas de ”semeadeiras” ) e também, em precisão (”plantadeiras”). Nesta dinâmica, semearam, ao mesmo tempo, aveia preta, nabo pivotante e ervilha forrageira.

2. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto aos fatores que afetam a emergência das plantas

Serão apresentados separadamente a análise do desempenho das semeadoras-adubadoras em precisão e das em fluxo contínuo, para melhor clareza das discussões. As multissemeadoras também serão analisadas separadamente nas versões de precisão e fluxo contínuo.

Tabela 1. Características das semeadoras-adubadoras que participaram dos testes em São Miguel do Iguaçu-PR.

Marca

Modelo

Categoria

Linhas

Espaçamento (cm)

Planti Center

PC 7/4 New Line

”plantadeira”

7

45

Stara/Sfil

SS 10.00 Hy Tech

”plantadeira”

9

45

Stara/Sfil

SS 9521 A

”semeadeira”

21

17

Vence Tudo

SMT 6414

”semeadeira”

14

17

Vence Tudo

Super SM 9050 espec.

”plantadeira”

9

45

Max

Top Seed 2407 CRM

”multissemeadora”

7

45

Max

Top Seed 2407 CRM

”multissemeadora”

16

17

Fankhauser

5040

”plantadeira”

9

45

Imasa

MPS 1600

”multissemeadora”

13

20

Imasa

MPS 1600

”multissemeadora”

6

45

Morgenstern

MF13 linhas

”semeadeira”

13

16

Morgendtern

PHM

”plantadeira”

7

45

John Deere

9211 Vacu Meter

”plantadeira”

9

45

2.1 Semeadoras-adubadoras de precisão

Profundidade do sulco

As semeadoras PC 7/4 New Line da Planti Center, SS 10.000 Hy Tech da Sfil/Stara, Tôp Seed 2407 CRM da Max, a 5040 da Fankhauser e a MPS 1600 da Imasa trabalharam dentro do limite solicitado aos fabricantes, ou seja, entre 9 e 11 cm de profundidade (Figura 8). As semeadoras 9211 Vacu Meter da John Deere e PHM de Morgenstern trabalharam a 11,6 e 11,9 cm respectivamente e a Super SM 9050 especial da Vence Tudo trabalhou a 12,2 cm de profundidade do sulco.

O fato de trabalharem a profundidade maior que a recomendada, provavelmente devido a problemas de regulagem ou opção do fabricante.

Quanto a variação da profundidade do sulco entre as linhas, a Figura 8 mostra que o melhor desempenho foi da Super SM 9050 especial, com 9,2% de variação em relação a sua média, apesar de possuir o sistema pula pedra. Destaca-se, por sua vez, que na avaliação de Entre Rios do Oeste foi a que apresentou a maior variação. As demais semeadoras também apresentaram bom desempenho, apresentando variações entre 9,8% até o máximo 13,5%. Nenhuma máquina possuía um sistema de controle de profundidade das hastes.

Profundidade de semeadura

A profundidade de semeadura do soja esteve nos valores solicitados (4 a 5 cm) para as semeadoras SS 1000, 2407 CRM, 5040, 9211 Vacu Meter, a PC 7/4, SM 9050 e a MPS 1600 semearam um pouco abaixo desta profundidade e a PHM semeou a 6,1 cm Figura 9).

A semeadora PHM foi a que apresentou a menor variação da profundidade de sementes entre as linhas, possivelmente por ter semeado à profundidade maior que as demais. Observa-se que este problema continua ocorrendo, ou seja, as semeadoras estão apresentando grandes variações na profundidade de semeadura, conforme observado em todos os testes realizados pelo Iapar.

Ocorrência de embuchamento

Somente a PC 7/4 apresentou problemas de embuchamento. No entanto, a máquina não precisou parar percurso de 40 metros, mas se continuasse isso seria necessário. Como não embuchou em nenhum dos testes anteriores, acredita-se que foi um problema de regulagem da máquina que promoveu o embuchamento.

Destaca-se que a área possuía cobertura vegetal de 7200 kg/ha de resteva de milho.

Aterramento do sulco

A Top Seed 2407 CRM apresentou problemas com o aterramento dos sulcos, com 74,3% de sulcos bem aterrados, ou seja, com 25,7% de sulcos abertos ou mal aterrados (Figura 10). Este fato está associado, provavelmente a abertura traseira de suas rodas aterradoras, que não retornam adequadamente o solo ao sulco. Recomenda-se fechá-las mais ou introduzir rodas compactadoras em ”V” que poderiam realizar o acabamento final. A 9211 Vacu Meter, também apresentou problemas em aterrar o sulco adequadamente.

Cobertura do sulco com palha

Apenas as semeadoras MPS 1600 e 9211 Vacu Meter não possuíam sistema específico de aterramento, pelos critérios do Iapar e foram as que apresentaram grande redução de palha após a passagem da semeadora. A PC 7/4 também apresentou esse problema, mas ocorreu devido ao embuchamento (Figura 11). A 5040 também apresentou redução considerável da palhada, sugerindo-se que suas rodas compactadoras e aterradoras devem ser revistas quanto a eficácia no chegamento de palha. A Super SM 9050 especial, que possui discos aterradores obteve desempenho regular, provavelmente pelo fato de ter semeado logo após uma garoa, foi prejudicada também neste parâmetro de avaliação.

Emergência das plantas

Não foram observados problemas com a emergência das plantas em todas as semeadoras (Figura 11). Considera-se que a área teve que ser irrigada após a semeadura, pelo fato do teor de água não estar favorável, principalmente nas semeaduras realizadas nos últimos dias. Desta forma, não foi possível identificar causas da emergência das plantas de soja no estudo em São Miguel do Iguaçu, como foi em Marechal Cândido Rondon (Revista Plantio Direto n. 63). No entanto, é sabido que para a adequada emergência, são necessários um conjunto de fatores, sendo muitos dos quais, responsabilidade da qualidade de semeadura efetuada pela máquina.

Foi determinado o ganho de peso das sementes de soja 24 horas após a semeadura e observou-se (Figura 11) que todas as semeadoras proporcionaram uma boa qualidade de semeadura e contato solo-semente para que as sementes se intumescessem.

Foi observado selamento superficial no sulco de semeadura da Super SM 9050 especial, onde 18,9% dos sulcos apresentaram selamento na superfície do solo. Este fato ocorreu devido ter sido realizado a semeadura exatamente após uma pequena precipitação de 3 mm. Como esta máquina possui uma roda compactadora larga de borracha flexível, na condição de solo úmido e sem palha sobre o mesmo, esse tipo de problema pode ocorrer. As demais semeadoras não apresentaram.

2.2 Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo

Velocidade de trabalho

A semeadoras e as multissemeadoras na versão em fluxo contínuo também trabalharam sobre resteva milho, percorrendo uma distância de 40 m.

Todas as máquinas trabalharam dentro da recomendação mínima de 6,0 km/h (Tabela 2)

Tabela 2. Marca, modelo, número de linhas, espaçamento entre linhas e velocidade de trabalho das semeadoras-adubadoras na versão de fluxo contínuo.

Marca

Modelo

Nº de linhas

Espaçamento (cm)

Velocidade deTrabalho (km/h)

Stara/Sfil

SS 9521 A

21

17

6,50

Vence Tudo

SMT 6414

14

17

7,04

Max

Top Seed2407 CRM

16

17

6,17

Imasa

MPS 1600

13

20

6,17

Morgenstern

MF 13 linhas

13

16

6,52

Ocorrência de embuchamento

A única semeadora de fluxo contínuo que apresentou problemas de embuchamento foi a MPS 1600. No entanto, não foi necessário parar no percurso percorrido. Caso a parcela tivesse comprimento superior, seria necessário parar e limpar a máquina.

Profundidade de semeadura

Foi determinada somente a profundidade de sementes de nabo pivotante. Somente a MPS 1600 semeou raso (Figura 12), abaixo de 2 cm e por este motivo obteve uma grande variação da profundidade entre linhas. Este fato não ocorreu nos outros testes em M. C. Rondon e Entre R. do Oeste, desta forma, acredita-se que foi um problema de regulagem da máquina.

Cobertura do sulco com palha

A Figura 13 mostra que a Top Seed 2407 CRM apresentou o melhor desempenho, com somente 6% de redução da cobertura com palha original sobre o terreno e 95% de sulcos considerados bem aterrados (Figura 13). A SMT 6414, também obteve baixa redução da quantidade de palha. As demais foram superiores a 10%, sendo que a SS 9521 A reduziu em 25% a palha originalmente sobre a superfície do solo.

Emergência das plantas

Somente a SMT 6414 e a MF 13 linhas conseguiram apresentar uma boa porcentagem de emergência de ervilha forrageira (Figura 14). Quanto a aveia preta e nabo pivotante apresentaram problemas em todas as semeadoras, apesar da a área ter sido irrigada 5 dias após a semeadura.

Acredita-se que o principal fator que prejudicou a SS 9521 A foi a baixa cobertura de palha sobre o sulco. A SMT 6414 possui rodas compactadoras apropriadas para sementes de leguminosas, provavelmente por isso não apresentou bons resultados com nabo e aveia. As Figuras 15 a 17 mostram as plantas de cobertura e três semeadoras.

A Top Seed 2407 CRM e a MF 13 linhas apresentaram a melhor regularidade na emergência das plantas.A MPS 1600 foi prejudicada pela semeadura rasa.

3. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto a exigência de força de tração e potência

3.1 Semeadoras-adubadoras de precisão

Força de tração

Analisando-se a força de tração específica, torna-se possível efetuar a comparação entre as semeadoras. Os valores de força específica devem ser multiplicados pelo número de linhas da semeadora e a profundidade de trabalho para se obter a força total de tração.

Nos estudos em M. C. Rondon, a força específica média variou de 16,3 a 24,0 kgf/linha.cm e em E. R. do Oeste de 15,1 a 38,9 kgf/linha.cm. Em São Miguel do Iguaçu, a variação foi de 14,3 a 21,3 kgf/linha.cm (Figura 18).

Os menores valores de força média específica foram obtidos na semeadora PC 7/4 New Line, seguida pela SS 10000 Hy Tech e Top Seed 2407 CRM. A Super SM 9070 especial e a 5050, que em outros estudos foram as que exigiram os menores esforços, ficaram em posição mediana.

Diferente do obtido em Marechal Cândido Rondon (Revista Plantio Direto n.63), a força máxima de tração esteve entre 0,9% e 34,9% em relação à força média. Esse comportamento foi semelhante ao ocorrido em E. R. do Oeste. Considera-se que as semeadoras não atravessaram terraços.

São com os parâmetros de força máxima que determina-se a potência necessária do motor do trator para tracionar a semeadora. Para efeito comparativo, os valores foram corrigidos à profundidade constante de 10 cm (Figura 18).

A 9211 Vacu Meter foi a que apresentou maior exigência, com 2275 kgf a 10 cm de profundidade (Figura 18). A MPS 1600 apresentou força máxima 34,9% superior a força média, pois foi prejudicada com a ocorrência de embuchamento a partir dos últimos 15 m da parcela.

Potência exigida

Considerando-se o mesmo número de linhas, velocidade e profundidade de trabalho, ocorreu um aumento de 33,6% na potência das semeadoras que apresentaram da menor para a maior exigência. Essa afirmação é comprovada analisando-se os valores de potência média específica da Figura 19.

Foi determinada a potência máxima do motor do trator em função da força máxima de tração exigida pelas semeadoras, considerando-se uma velocidade constante de 6 km/h para todas, profundidade de 10 cm das hastes sulcadoras. Lembra-se que o número de linhas das semeadoras variou de 6 a 9 linhas.

A semeadora 9211 Vacu Meter foi a que exigiu a maior potência máxima, considerando-se uma profundidade do sulco de 10 cm. Um trator com 110 cv de potência no motor seria suficiente (Figura 19). Mas, se a profundidade aumentar de 10 para 15 cm a potência exigida seria de 165 cv.

3.2 Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo

Força de tração

A MF 13 Linhas da Morgenstern exigiu 30,8 kgf por linha da máquina de força média, apresentando o melhor desempenho. Isto foi devido ao menor peso da semeadora e a sua simplicidade. As demais exigiram 39,3 kf/linha (2407 CRM), 442,1 kgf/linha (ss 9521A), 42,2 kgf/linha (SMT 6414) e 59,72 kgf/linha (MPS1600).

A força máxima variou muito entre as semeadoras e foi entre 23% e 51% superior a força média. Em ordem crescente as maiores variações entre força média e máxima foram SS 9521A, 2407 CRM, MPS 1600, SMT 6414 e MF 13.

Potência exigida

A potência máxima por linha e a potência máxima no motor do trator para tracionar as semeadoras estão apresentadas na Figura 20.

Padronizou-se a velocidade de 8 km/h para o cálculo da potência máxima por linha das semeadoras.

Para que se possa selecionar o trator pela exigência de potência, a Figura 20 mostra que a SS 9521 A, com 21 linhas necessitou de 65,2 cv; a MPS 1600 com 13 linhas 57,9 cv; a SMT 6414 com 14 linhas 54,1 cv; a 2407 CRM com 16 linhas 45,6 cv e a MF 13 linhas 30,8 cv.

A Top Seed 2407 CRM foi a que apresentou a menor potência por linha da semeadora.

4. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto a uniformidade de distribuição de sementes e fertilizante

4.1 Semeadoras-adubadoras de precisão

Dosagem de fertilizante

As semeadoras Top Seed 2407 CRM e MPS 1600 distribuíram fertilizante a mais e a menos, respectivamente, por erros de regulagem da dosagem.

As demais semeadoras distribuíram corretamente na dosagem recomendada. Quanto a variação de fertilizante entre as linhas, todas as máquinas apresentaram bom desempenho, pelos critérios adotados. Destaca-se que os sistemas de dosagem utilizados eram o de rosca sem fim, roseta dentada e de eixo com aletas rotativas.

Dosagem de sementes

Todas as semeadoras de precisão distribuíram adequadamente as sementes de soja na dosagem recomendada e com baixa variação entre as linhas (Figura 22). Destaca-se que seis máquinas possuíam sistema de dosagem com discos alveolados e uma com sistema pneumático. Este dispositvo justifica-se caso o trabalho seja realizado a velocidades superiores a trabalhada.

9.4.2 Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo

Dosagem de sementes

Todas as semeadoras de fluxo contínuo apresentaram sistema apropriado para distribuição de sementes miúdas. Este dispositivo é importante para a distribuição de sementes com diâmetro inferior a 2 mm como o nabo, moha e milheto, entre outras.

A SS 9521A distribuiu nabo e aveia na dosagem correta e a MPS 1600 o nabo e a ervilha forrageira (Figura 23). As demais semeadoras apresentaram erros de dosagem nas sementes das três plantas de cobertura (aveia preta, nabo pivotante e ervilha forrageira).

A SMT 6414 e MF 13 linhas precisam de mais alternativas de engrenagens, para obter uma maior redução no sistema de transmissão, pois não conseguiram distribuir as sementes na dosagem recomendada. Destaca-se que em M. C. Rondon a SMT 6414 distribuiu na dosagem adequada.

Todas as semeadoras de fluxo contínuo avaliadas apresentaram baixa variação na distribuição de sementes de aveia preta, destacando-se a boa qualidade dos dosadores do tipo rotor acanalado (Figura 24).

Quanto aos dosadores de sementes miúdas, utilizados para a distribuição de nabo pivotante, a SMT 6414 e MF 13 linhas apresentaram bom desempenho, a MPS 1600 desempenho regular e a SS 9521A e a Top Seed 2407 CRM necessitam avaliar a qualidade dos dosadores usados na máquina.

As sementes de ervilha forrageira foram distribuídas aproveitando-se o depósito de fertilizante. A SMT 6414 e a MPS 1600 apresentaram baixa variação entre as linhas da máquina. As demais apresentaram desempenho regular (Figura 24).

5. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto aos parâmetros morfológicos

5.1 Semeadoras-adubadoras de precisão

Componentes de ataque ao solo

As semeadoras foram avaliadas quanto as opções e facilidade de regulagem de seus componentes. No caso dos componentes de ataque ao solo, observa-se que somente uma semeadora não apresentava sistema próprio de aterramento e cobertura do sulco com palha (Tabela 3).

Todas semeadoras possuíam discos de corte com regulagem de pressão sobre os mesmos (Tabela 3), sendo considerado fácil sua regulagem (Tabela 4).

Somente a 9211 Vacu Meter possuía um sistema completo de regulagem dos sulcadores de fertilizante (Tabela 3), podendo deslocá-lo verticalmente, pressioná-lo sobre o terreno, controlar a profundidade e manter o ângulo de ataque da haste pela existência de um mecanismo pantográfico. As demais máquinas não possuíam um desses componentes, sendo consideradas incompletas pela avaliação do IAPAR.

No sulcador de sementes somente foram consideradas completas a 5040 e 9211 Vacu Meter, as demais não possuíam principalmente o sistema pantográfico, que permite a manutenção do ângulo de convergência dos discos duplos no solo.

Cinco máquinas não possuíam um sistema completo de controle de profundidade, com rodas próximas ao eixo dos sulcadores de sementes e com balancins, para passar sobre obstáculos do terreno (Tabela 3).

A Top Seed 2407 CRM não possui bom compactador pelos critérios do IAPAR. A SS 10.000, SM 9050 e PHM não possuíam compactadores com opções de regulagens de inclinação das rodas, sendo que as demais sim (Tabela 3).

Pelos critérios do IAPAR, observa-se que a facilidade de regulagem dos componentes de ataque ao solo é boa, como é visto na Tabela 4, sendo que todas foram pontuadas como fácil, com exceção da regulagem das hastes sulcadoras de abertura de sulco para deposição de fertilizante.

Regulagem de sementes e fertilizante

Todas as semeadoras possuem os dispositivos para realizar as regulagens de sementes e fertilizante. Quanto a facilidade de regulagem, a Top Seed 2407 CRM foi considerada regular e as demais fáceis. As demais possuem sistema de regulagem rápida (Tabela 5). A PHM, foi considerada regular quanto a facilidade de regulagem de sementes.

O sistema de seleção rápida de engrenagens, tem se caracterizado como uma tendência, sendo que nos últimos dois anos a maioria dos fabricantes estão incorporando em seu produto.

Regulagem de outros sistemas

Todas as semeadoras de precisão permitem o acoplamento e a regulagem de espaçamentos.

No caso da regulagem do espaçamento entre linhas, ainda a equipe do IAPAR está somente considerando a troca de espaçamentos múltiplos. Mesmo assim, duas são consideradas difíceis de passar do espaçamento de 45 cm para o de 90 cm e três apresentam regular dificuldade. Mais uma vez destacamos, se este um dos fatores que as indústrias devem investir para facilitar o trabalho do agricultor.

Cinco máquinas são altas (mais do que 1,8 m) para realizar o abastecimento de fertilizante, duas de altura média e duas consideradas baixas.

Nenhuma semeadora apresentou dificuldade de limpeza do depósito de fertilizante, seis com sistema de drenagem com mediana dificuldade e duas máquinas com fácil drenagem ou com possibilidade de bascular o depósito (Tabela 6).

Quatro semeadoras foram consideradas de regular dificuldade para se realizar a lubrificação e uma com grande dificuldade. Considerando-se que esta é uma operação diária, face a sua importância, a equipe do IAPAR, desta vez, contou o número de graxeiras existente na semeadora. Isto não significa que os mancais, sem necessidade de lubrificação periódica possuam boa qualidade de fabricação. Como já citado, não foi realizado estudos de confiabilidade da máquina e de seus componentes.

Destaca-se, no entanto, que a 5040 possui somente um ponto de lubrificação por linha (no modelo avaliado em São Miguel do Iguaçu), no eixo de articulação do disco de corte. Os demais eram blindados ou sem lubrificação, como nas articulações do pantográfico. A Top Seed 2407 CRM e MPS 1600 também apresentaram poucas graxeiras por linha. Essas três máquinas também foram as que apresentaram o menor número de pontos de lubrificação fora das linhas, como no sistema de transmissão e dosagem de fertilizante.

Uma característica de projeto, que poderia ser analisada, também, são as graxeiras no sistema de dosagem de adubo do tipo rosca sem fim. Quando este dispositivo está desalinhado, ou seja, perpendicular à máquina, utiliza-se duas graxeiras em cada um, nos alinhados, usa-se somente nos mancais da extremidade dos semi-eixos.

Duas semeadoras possuem estribo à frente da máquina, expondo o operador da máquina a risco fatal. Duas apresentam risco regular e quatro com estribo atrás, não apresentam risco (Tabela 7).

Cinco semeadoras possuem dispositivos de segurança para os componentes da semeadora, como pinos de cisalhamento ou limitadores de torque, duas possuem pelo menos os pinos nas hastes sulcadoras e uma não possui (Tabela 7).

A autonomia de fertilizante de sete semeadoras é considerada boa e uma regular, sugerindo-se aumentar um pouco o tamanho do depósito. Para as pequenas e médias propriedades do Paraná, não se recomenda depósitos grandes, pois o peso adicional da máquina aumenta a exigência de tração e trás inconvenientes de projeto e operacionais.

5.2 Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo

Componentes de ataque ao solo

A MF 13 linhas não possui sistema de controle de profundidade dos discos duplos e sistema de compactação de solos sobre as sementes (Tabela 8). Seu sistema de aterramento é com correntes e argolas, que em algumas situações pode não oferecer as condições apropriadas para a germinação das sementes e emergência das plantas.

As demais semeadoras possuem esses componentes. Quanto aos sulcadores do tipo discos duplos, falta somente o pantográfico, que manteria o ponto de convergência dos discos sempre no mesmo ângulo em relação ao solo.

A maioria das regulagens dos componentes de ataque ao solo foi considerado fácil (Tabela 9), com exceção da regulagem da pressão sobre as molas dos discos duplos da MPS 1600.

Regulagem de sementes e fertilizantes

Todas as semeadoras em teste possuíam alternativas para a regulagem de sementes e fertilizante. Uma semeadora possui regular dificuldade na regulagem, pela necessidade de troca manual de engrenagens (Tabela 10).

Regulagem de outros sistemas

Todas as semeadoras de fluxo contínuo possuem opções de regulagem de acoplamento e troca de espaçamento, com exceção da SS 9521A e SMT 6414, que trabalham com espaçamento fixo (Tabela 11).

Todas são fáceis de serem acopladas na barra de tração do trator.

Quanto a altura do depósito de fertilizante, a SMT 6414 e a MF 13 são consideradas baixa (menos que 160 cm), duas possuem altura regular e uma alta para serem abastecidas.

Quatro semeadoras de fluxo contínuo apresentam regular dificuldade de se efetuar a limpeza do depósito de fertilizante e uma foi considerada fácil (Tabela 12).

Todas foram consideradas fáceis de se lubrificar.

Somente a MPS 1600 oferece algum risco ao operador da semeadora.

Duas máquinas não possuem dispositivos de segurança para seus componentes e as demais possuem e são fáceis de serem trocadas.

A MF 13 possui baixa autonomia de fertilizante e regular de sementes. A 2407 CRM possui autonomia regular de sementes e as demais boa de sementes e fertilizante (Tabela 12).

6. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto ao rendimento operacional e custo da operação

6.1 Semeadoras-adubadoras de precisão

Rendimento operacional

O rendimento operacional teórico foi determinado considerando-se velocidade constante de 6 km/h para as semeadoras de precisão. O resultado apresentado na Figura 25 mostra que este variou em função do número de linhas e espaçamento da máquina, em um intervalo de 1,62 a 2,43 ha/h. As semeadoras trabalharam com velocidade média de 5,5 km/h , a 5040 trabalhou a 6,5 km/h.

Custo operacional

O preço das semeadoras varia muito, mesmo entre as máquinas com o mesmo número e linhas. A Super SM 9050 especial com 9 linhas, custava em março de 2002 R$ 24.200,00 e a 9211 Vacu Meter R$ 49.670,00. Destaca-se, mais uma vez, que não é considerado nas avaliações a qualidade de fabricação, vida útil e assistência pós venda das máquinas.

Considerou-se em São Miguel do Iguaçu, os preços separados das multissemeadoras, ou seja, a Top Seed 2407 CRM e a MPS 1600 na versão verão custavam respectivamente R$ 20.000,00 e R$ 21.225,00 e completas R$ 31.000,00 e R$ 27.100,00.

A PHM apresentou o menor preço e custo operacional, em função de se tratar de uma máquina reformada.

A PC 7/4 New Line, SS 10000, SM 9050, 2407 CRM e 5040 apresentaram custo operacional entre de R$ 23,00 a 24,00/ha, a MPS 1600 de R$ 32,90 e a 9211 Vacu Meter de R$ 35,60.

6.2 Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo

Rendimento operacional

O rendimento operacional teórico das semeadoras de fluxo contínuo é apresentado na Figura 27. Foi determinado com uma velocidade de 8 km/h, sendo função do número de linhas e espaçamento entre elas. A velocidade de trabalho também é apresentada na Figura 27, observando-s que todas trabalharam a velocidade entre 6 e 7 km/h .

Custo operacional

A semeadora com preço foi a MF 13 linhas (R$ 5.000,00) em março de 2002. Trata-se de uma máquina reformada, que pode ser útil para muitos produtores com baixa capacidade de pagamento. A mais onerosa foi a SS 59521A Hy Tech custando R$ 31.000,00, que apesar do preço, não apresentou o maior custo operacional.

Os preços e custo operacional das demais semeadoras pode ser observado na Figura 28.

Dados para Referências Bibliográficas: Revista Plantio Direto nº 79, Janeiro/Fevereiro de 2004. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.