9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha: reflexões e oportunidades para uma agricultura sustentável
Leandro do Prado WildnerEngenheiro agrônomo,Pesquisador do Centro de Pesquisas para Agricultura Familiar – Cepaf/Epagri, em Chapecó-SC e membro do Conselho Consultivo da Revista Plantio Direto
A partir da revolução agrícola ocorrida há cerca de dez mil anos a. C. a agricultura passou a ter importância capital na vida do homem. E isto é tão verdade que inúmeros povos realizavam cultos e festas em agradecimento aos deuses da agricultura pelas colheitas obtidas. Boas colheitas significavam fartura, prosperidade, e paz durante o período da entre-safra.
Nos dias de hoje, mais do que comemorar as boas colheitas, agricultores e técnicos (da pesquisa e da ATER) procuram demonstrar as tecnologias empregadas para obter os bons resultados da colheita e difundi-las para que mais e mais agricultores passem a utilizá-las na próxima safra.
Esta metodologia de trabalho passou a ser utilizada, com maior intensidade, a partir dos anos 90, como componente de uma estratégia básica de marketing e difusão de tecnologia por cooperativas agropecuárias e/ou outras organizações do setor agropecuário de vários estados brasileiros.
Em Santa Catarina, e em especial em 2004, a festa da agricultura, como poderíamos chamar, foi realizada em janeiro e fevereiro, através de eventos regionais, tais como o Show Agrícola (Palma Sola), o Itaipu Rural Show (Pinhalzinho), o Tecnoeste (Concórdia), o Campo Demonstrativo Alfa (Chapecó) e o Dia de Campo Copercampos (Campos Novos). Os agricultores catarinenses, assim como os demais agricultores brasileiros, terão ainda a oportunidade de, após a realização de seus eventos regionais, participar de algum evento de nível nacional; entre eles, podemos citar o Show Rural Coopavel (Cascavel, PR, 9 a 13/02), a Expodireto Cotrijal 2004 (Não-Me-Toque, RS, 15 a 19/03) e o Agrishow Ribeirão Preto (Ribeirão Preto, SP, 26/04 a 1º/05). É importante registrar que a maioria, senão a totalidade destes eventos têm como objetivo a difusão de tecnologias voltadas para a implantação e a consolidação do Sistema Plantio Direto.
Mas, neste ano, os agricultores brasileiros terão uma oportunidade a mais para conhecer as novas tecnologias e as tendências do PD. Após participarem de eventos regionais e nacionais, terão a oportunidade de participar do 9º ENCONTRO NACIONAL DE PLANTIO DIRETO NA PALHA – 9º ENPDP que será realizado no período de 29 de junho a 02 de julho, em Chapecó, SC. O evento é uma promoção da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha – FEBRAPDP em parceria com o Governo do Estado de Santa Catarina, através da Secretaria de Estado da Agricultura e da Política Rural e sua vinculada Epagri, e com a Prefeitura Municipal de Chapecó.
Segundo Ivo Mello, Presidente da FEBRAPDP, ”será mais uma oportunidade para proporcionar discussões em torno de temas relativos ao Sistema Plantio Direto e também para incentivar a ampliação de sua adoção.” Quanto às discussões, na verdade este encontro é uma ótima oportunidade para avaliar o que foi feito (”SEMEADO”) e o que foi obtido como resultado (”COLHIDO”) na safra 2003/04 e planejar a safra 2004/05, tendo por base as experiências de lavouras e as demonstrações de campo mostradas nas dezenas de eventos e campos demonstrativos realizados desde o início do ano. Quanto ao incentivo à adoção do PD, já está mais do que na hora dos governos locais, estaduais e federal implementarem políticas de incentivo ao SPD. Enquanto nos EUA os agricultores são altamente subsidiados e em vários países da União Européia os agricultores ainda receberem incentivos especiais para a adoção do PD, aqui na ”Terra Brasilis” os mais de 19 milhões de hectares sob PD foram alcançados graças à criatividade e à coragem daqueles que buscam ”a sustentabilidade do campo e a sobrevivência da cidade”.
O agronegócio bateu em 2003 novo recorde histórico, colocando-se como responsável pela totalidade do superavit global da balança comercial do país. O principal produto do agronegócio foi a soja, cultivada, em sua grande maioria, sob PD. Além disso é necessário registrar todo o impacto ambiental altamente positivo provocado pelo PD, dos quais a sociedade brasileira pouco tem conhecimento.
Tudo isto não vale uma reflexão? O agronegócio não merece mais atenção? Se o PD é hoje a base das principais culturas deste país, por que não existe uma política específica para a sua adoção?
Está mais do que na hora! Vamos ”fazer a hora” no 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha. Esperamos por você em Chapecó!