Transgênicos — Uma Questão de Ciência (Opinião)


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Publicado em: 01/12/2003

Transgênicos: uma questão de ciência

Luiz Carlos FederizziEngenheiro-Agrônomo, Diretor do Centro de Pesquisas em Agronegócios daUniversidade Federal do Rio Grande do SulO homem vem modificando geneticamente as plantas cultivadas por mais de 12 mil anos, desde que as mulheres começaram a domesticar as espécies e inventaram a agricultura. Na era mais recente, os melhoristas (pesquisadores que desenvolvem novas variedades) têm provocado modificações através do cruzamento entre tipos diferentes da mesma espécie ou entre espécies diferentes, de maneira que as variedades atuais das principais culturas são completamente diferentes das antigas.

Com sua criatividade, o homem vem reinventando a forma de cultivar as plantas, com revoluções no conhecimento e na aplicação das ciências na produção de alimentos. A última das revoluções a criação de plantas transgênicas, copiada de um modelo da natureza, permitiu uma mudança drástica na forma de fazer agricultura em muitos países. A rápida adoção da tecnologia pelos agricultores (mais de 6 milhões, pequenos, médios e grandes) demonstra que esta técnica de melhorar as plantas, pode ter um grande impacto sobre a produção de alimentos. O número de espécies modificadas ainda é pequeno, na safra de 2002, mais de 50% da soja, 9 % do milho, 12 % da canola e 20 % do algodão cultivados no mundo foram de variedades transgênicas. As razões pela rápida adoção das plantas transgênicas pelos agricultores têm tido os benefícios do uso desta tecnologia: menor custo de produção; menor uso de produtos químicos; diminuição e simplificação do trabalho; e maior facilidade na adoção do plantio direto.

Além disso, metade dos benefícios econômicos gerados pelo uso da tecnologia foram para os agricultores. A introdução desta tecnologia forçou a competição, de maneira que as empresas reduzissem o preço dos herbicidas e inseticidas em mais de 50%, diminuindo os custos de produção mesmo para os agricultores que não usam plantas transgênicas. Por outro lado, um grande número de espécies de plantas (mais de 150), esta sendo estudada nos países onde a agricultura tem importância. Todos com capacidade científica instalada, independente dos matizes ideológicos tem estudos com plantas transgências, como exemplo, Cuba, China, França, África do Sul, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

O Brasil quer pelo peso da agricultura ou pelo peso de sua comunidade cientifica não vai ficar de fora dos avanços da ciência. Para os países de clima tropical e sub-tropical como o Brasil as novas biotecnologias são ferramentas fundamentais para a redução do uso de produtos químicos, aliviando os efeitos da agricultura sobre o ambiente, melhorando a resistência a pragas e moléstias das plantas cultivadas, reduzindo os custos de produção e a possibilidade de acidentes com produtos químicos nas propriedades.

Portanto, as novas biotecnologias serão estratégicas para melhorar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas e dos produtores rurais e, de forma geral de toda a sociedade. O Brasil tem uma longa tradição na pesquisa agrícola, sendo apontado como o país de clima tropical com melhor estrutura e recursos humanos para o desenvolvimento científico na área de ciências agrárias. Entretanto, é muito importante que o marco regulatório brasileiro seja sério e efetivo, mas que não seja restritivo de forma a impedir que os cientistas brasileiros possam executar as pesquisas a campo.

A soberania nacional passa por uma ciência moderna, responsável, transparente e que busca resolver os problemas legítimos de nossa sociedade, utilizando as melhores técnicas disponíveis, sem exceção. Dessa forma, fica a mensagem para que os cientistas brasileiros não estejam subordinados aos burocratas de plantão que primam pelos interesses ideológicos e não científicos. Mas sim, pesquisem e ajam com ciência e ética!