Novos Equipamentos para Pulverizações Aéreas em Áreas de Plantio Direto


Autores:
Publicado em: 01/12/2003

Novos equipamentos para pulverizações aéreas em áreas de plantio direto

Eugênio Passos SchröderEngenheiro agrônomo Dr., Consultor em agronegócios, e-mail: schrodep@terra.com.br

Introdução

A aviação agrícola e a agricultura brasileira evoluíram conjuntamente ao longo das três últimas décadas. A área destinada ao cultivo de grãos no período manteve-se praticamente inalterada, mas a produção vem crescendo a passos largos, acompanhada de perto pelo incremento da frota de aeronaves agrícolas para tratar as lavouras no momento oportuno, com rapidez e precisão, características desta tecnologia (Figura 1).

A frota brasileira de 900 aeronaves, pertencentes a 250 empresas prestadoras de serviço, é a segunda maior do mundo, tratando anualmente uma área estimada em mais de dez milhões de hectares.

Incrementar a produtividade das lavouras e gerar alimentos mais saudáveis tem sido um trabalho constante de agricultores e técnicos ao longo do período. O manejo integrado de pragas tem permitido uma maior produção de grãos a cada hectare cultivado, gerado maior rentabilidade ao produtor e proporcionando crescimento nas exportações do agronegócio.

Técnicas modernas e mais seguras para o ambiente, como o plantio direto, expandiram-se rapidamente e a aplicação aérea de produtos fitossanitários ganhou expressão, tanto na dessecação da vegetação para implantação das lavouras, quanto no controle de insetos e doenças (Figura 2).

Uma tendência mundial das aplicações aéreas é a redução do volume de calda aplicado em cada hectare. A técnica tem por primeiro objetivo a economia de água empregada para diluir os defensivos agrícolas, preservando os mananciais hídricos e reduzindo o custo de seu transporte até os aeródromos, que são pistas de pouso nas fazendas. Outra finalidade é a produção de caldas mais concentradas que, para a maioria dos agroquímicos, com destaque para o herbicida glifosate, representa uma maior eficiência para a mesma dose aplicada.

Mas o grande ganho tem sido mesmo a redução do custo da aplicação, pois com um menor volume pulverizado em cada hectare, é possível tratar uma área maior a cada decolagem, reduzindo o número de carregamentos e de translados entre a pista e a lavoura, o que se reflete numa significativa economia para o agricultor. Deve-se destacar, ainda, que este fato permite tratar a lavoura com maior rapidez, o que possibilita a escolha do horário mais apropriado durante o dia, com as condições meteorológicas mais favoráveis, reduzindo-se o risco de evaporação e deriva das gotas, assegurando, assim, uma melhor performance do agrotóxico sobre a praga.

2. Aplicações aéreas

Novos equipamentos de pulverização têm sido desenvolvidos para proporcionar aplicações em baixos volumes, com segurança para as lavouras, pessoas e ambiente. Densidades de gotas em níveis iguais ou superiores a 30 gotas/cm2 têm sido obtidas com todos eles. Dois tipos de dispositivos são empregados: bicos hidráulicos e atomizadores rotativos (Figura 3).

Os tradicionais bicos hidráulicos com pontas e difusores, geradores de jatos cônicos vazios têm sido substituídos por novos bicos defletores, com discos apropriados para regular a vazão e o tamanho de gotas. O equipamento permite ajustar rapidamente a vazão desejada, sem requerer a substituição de componentes nos bicos, proporcionando volumes desde menos de 5 até mais de 50 litros de calda por hectare, de acordo com o produto a aplicar e o alvo a atingir.

O tamanho das gotas geradas pode ser modificado ao longo de uma aplicação, bastando 3 minutos para ajustar os defletores, de modo a continuar a pulverização sem risco de evaporação e deriva de gotas. Este fato é particularmente importante no tratamento de grandes lavouras, pois as condições ambientais variam ao longo do trabalho, exigindo ajustes rápidos e precisos para manter a boa qualidade da pulverização.

De um modo geral, os bicos hidráulicos tem sido utilizados para pulverizações de herbicidas em volumes entre 20 e 30 L/ha, fungicidas entre 10 e 30 L/ha e inseticidas entre 10 e 20 L/ha. O tamanho das gotas mais utilizado para herbicidas situa-se ao redor de 300 micrometros (mm), enquanto para fungicidas e inseticidas tem sido ajustados entre 150 e 200 mm.

Um novo tipo de pulverização que agrega carga elétrica às gotas pulverizadas é o sistema eletrostático aéreo. As gotas recebem energia eletrostática ao passarem por um potente campo elétrico formado ao redor de bicos, sendo fortemente atraídas pelas plantas. O sistema reduz a perda por endoderiva (gotas que passam pelo dossel foliar e caem no solo), incrementando a deposição de produto químico nos alvos visados. O equipamento tem sido utilizado no sistema de plantio direto de arroz para pulverizar herbicidas, fungicidas e inseticidas, com volume de calda de apenas 10 L/ha e gotas de 150 mm.

Os atomizadores rotativos continuam sendo um excelente equipamento para a geração de espectros de gotas mais uniformes, requisito básico para obter melhor deposição dos químicos sobre as plantas. Uma grande vantagem destes equipamentos é a possibilidade de ajuste visando à formação de gotas de tamanho desejado. Dois tipos de aplicações têm sido realizadas no Brasil com atomizadores: um emprega água como veículo e outro utiliza óleo degomado.

As aplicações de caldas aquosas com atomizadores rotativos têm sido empregadas em áreas de plantio direto. O tambor de tela do atomizador gira a altíssima velocidade, fracionando o líquido aspergido em gotas do tamanho almejado. Volumes de calda entre 5 e 10 L/ha e entre 10 e 20 L/ha têm sido adotados para inseticidas e fungicidas, respectivamente. Uma inovação recente no equipamento é a substituição do tambor de tela por discos ranhurados, indicado para gotas maiores, como as utilizadas para herbicidas aplicados em volumes de calda entre 10 e 20 L/ha.

Por outro lado, nas aplicações com óleo degomado, o defensivo agrícola não recebe água como veículo. O processo, bastante novo no Brasil, denominado Baixo Volume Oleoso, gera gotas resistentes à evaporação, com tempo de vida muito maior. Um modelo especial de atomizador rotativo foi desenvolvido para este tipo de aplicação e o controle de insetos e doenças em soja tem sido efetuado com sucesso com volumes de calda de apenas 3 e 7 L/ha, respectivamente.

A largura de faixa a tratar a cada vôo sobre a lavoura varia em função do modelo de aeronave e do tipo de bico ou atomizador empregado, de acordo com estudos de campo para a determinação da máxima largura que pode ser atingida a cada vôo com boa uniformidade de distribuição das gotas.

A altura de vôo é outro aspecto que requer conhecimento por parte dos operadores. Vôos excessivamente baixos são totalmente desaconselhados, pois causam deposição desuniforme do produto químico na lavoura. Os padrões médios recomendados são de 2, 3 e 4 metros, para sistema eletrostático, bicos hidráulicos e atomizadores rotativos, respectivamente.

Todas as aplicações aéreas de defensivos agrícolas devem ser monitoradas por técnicos com formação específica para trabalhar com esta tecnologia, observando constantemente as condições ambientais, de modo que os produtos possam expressar o efeito máximo sobre os alvos visados, com o mínimo risco de impacto ambiental.

Outras tecnologias foram incorporadas pela aviação agrícola brasileira nos últimos anos, com destaque para o balizamento orientado por sinais de satélite. Equipamentos DGPS foram instalados em toda a frota operante em apenas oito anos, conferindo maior precisão às aplicações e menor risco aos trabalhadores. Uma vantagem muitas vezes subestimada das aplicações com rigoroso critério de balizamento é o fato de que a quantidade de produto químico é distribuída uniformemente na lavoura, reduzindo o risco de contaminação dos alimentos colhidos.

Os agricultores que fazem plantio direto tem utilizado cada vez mais as aplicações aéreas que, além da alta eficácia, caracterizam-se por ser um serviço terceirizado, com vantagens econômicas para o contratante. No futuro, a tecnologia continuará sendo adotada em larga escala, possibilitando ao Brasil, país de grandes dimensões, o crescimento do agronegócio.