Pulverizadores Autopropelidos Adaptados — Uma Alternativa a Mais para o Produtor (Capa Tecnologia de Aplicação)


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Publicado em: 01/12/2003

Pulverizadores autopropelidos adaptados, uma alternativa a mais para o produtor

Carlos AnderssonEngenheiro Agrícola da Universidade Federal de Pelotas, canderso@ufpel.tche.br

Introdução

A aplicação de defensivos agrícolas é uma das principais práticas culturais utilizadas nas lavouras sob plantio direto, podendo representar até 30% dos custos de produção, especialmente, tratando-se da dessecação da cobertura vegetal, do controle de doenças e de plantas daninhas.

A preocupação em diminuir custos, a busca pela eficiência e o acesso às novas tecnologias em equipamentos de pulverização, transformou nas últimas décadas o perfil da aplicação de produtos fitossanitários no país. Fato que levou muitos produtores a investir em novos equipamentos, com maior autonomia e precisão, em substituição daqueles de baixa tecnologia.

Levando-se em conta à importância da aquisição de equipamentos tecnicamente mais modernos, muitas vezes, o produtor em função dos custos elevados, ou até mesmo, buscando o aproveitamento de máquinas já existentes na propriedade, vem utilizando como alternativa a adaptação de equipamentos (Figura 1).

No mercado de equipamentos para pulverização terrestre existem dois segmentos distintos, porém, de igual qualidade. Em primeiro lugar, destacam-se os fabricantes de tratores e outros implementos, que em geral, possuem na sua linha de produção, pulverizadores autopropelidos. Estas empresas, destacam-se pelo alto nível tecnológico empregado em seus pulverizadores e, ainda, por possuírem tradição e confiança em suas marcas.

Existem ainda diversos fabricantes, na sua grande maioria localizados no Rio Grande do Sul, cuja linha de atuação, se direciona para a adaptação de equipamentos, transformando-os em pulverizadores autopropelidos adaptados. Estas empresas objetivam proporcionar aos produtores o acesso a equipamentos com menores custos. Geralmente, realiza-se a adaptação, acoplando ao chassi de um determinado trator, normalmente usado, um equipamento de pulverização dotado de barras. Esse equipamento trabalha com uma velocidade de operação menor do que aqueles não adaptados, nacionais ou importados, uma vez que se diferencia em algumas particularidades da montagem que serão descritas posteriormente.

É importante lembrar que cada depende diretamente do que o produtor possui na propriedade, variando desde o tipo de cultura, equipamentos existentes até o terreno. Dessa forma, para cada modificação, como por exemplo, a substituição de uma máquina ou equipamento deve-se verificar as vantagens e desvantagens, buscando sempre aquela que trará o melhor retorno financeiro.

Apesar de possuir capacidade operacional maior em relação ao equipamento adaptado, o autopropelido original, ainda não é a solução para muitos produtores, onde determinadas situações seriam plenamente satisfeitas com a aquisição de um pulverizador adaptado, mesmo este, apresentando menor velocidade e capacidade operacional (hectares/hora).

Uma descrição das particularidades destas adaptações pode proporcionar a melhor compreensão de seu funcionamento, possibilitando trabalhos específicos, principalmente no que diz respeito ao desempenho do trator que esta sendo utilizado e, por conseqüência, as possíveis variações que possam ocorrer durante a operação de pulverização.

2. Equipamentos de pulverização

Nem todos os modelos de pulverizadores, encontrados no mercado nacional, podem ser utilizados para a adaptação. Algumas características devem ser observadas, tais como, possuir no mínimo capacidade de 2.000 litros e barras com mais de 15 metros de comprimento, além de levantamento das barras e a regulagem da altura de aplicação deve ser de acionamento hidráulico. Para os equipamentos com capacidade de 3.000 litros, exige-se que o formato seja o mais arredondado possível, não servindo, portanto aqueles que apresentem o comprimento do reservatório muito maior do que a altura e largura. Pois isso influenciará em muito na distribuição de peso do trator após a adaptação.

A distribuição do peso do equipamento de pulverização sobre o trator é de fundamental importância. A maior preocupação é com o excesso de peso traseiro que poderá diminuir a eficiência do trabalho, justamente onde fica o tanque de pulverização.

Geralmente o fabricante dos pulverizadores fornece um ”kit” para as adaptações. Similar ao que ocorre com os pulverizadores, a maioria das marcas de tratores encontradas no mercado nacional podem ser utilizadas para adaptação, entretanto, exige-se uma potência mínima de 75 cv. O ideal, ainda, é que o trator escolhido para a adaptação tenha a tomada de força independente. O sistema adaptado também permite que o trator possa ser simples ou tracionado, sendo que no primeiro caso, o pneu dianteiro do trator é trocado pelo pneu original que acompanha o pulverizador.

Tendo em vista que o trator adaptado com o pulverizador deverá suportar um peso, que conforme verificações, pode alcançar valores de até 200% a mais do que seu peso original, o fabricante do sistema adaptado aconselha a sua utilização em tratores da marca Ford, os quais apresentam chassi mais reforçado.

Quanto ao rodado utilizado no sistema adaptado, dependendo da empresa, o cliente poderá escolher qual o que deseja utilizar, sendo informado pelo fabricante responsável pela adaptação, qual o tipo de pneu que melhor se adapta as suas necessidades. Geralmente, quando o trator não possui tração dianteira, o pneu dianteiro do trator é retirado e substituído pelo rodado que estava no pulverizador. Para o rodado traseiro, normalmente o produtor entrega o trator já com o rodado que deseja. Com estas trocas de rodados, existem algumas regulagens que devem ser realizadas no sentido de que o pulverizador autopropelido adaptado permaneça nivelado no plano horizontal.

Além dessas regulagens existem aspectos que devem ser considerados para que seja mantida a compatibilidade de pneus. Para tratores simples, sem tração dianteira, com a barra de pulverização na dianteira ou na traseira do pulverizador autopropelido adaptado, geralmente, o eixo dianteiro do trator sofre modificação de posição, para que o peso do sistema fique adequadamente distribuído sobre o mesmo. Assim, recomenda-se colocar no rodado dianteiro do trator um feixe de mola ou, sistema de suspensão para que o eixo dianteiro suporte melhor o peso adicionado.

3. Fatores importantes da adaptação

Conforme levantamentos realizados com os fabricantes de pulverizadores nacionais, que podem ser adaptados no sistema relatado acima, de modo geral, não existem restrições que possam desestimular essa técnica, no entanto, algumas particularidades devem ser observadas, pois, como se trata de uma adaptação, o desempenho do equipamento, como um todo, necessita do mais adequado funcionamento de cada parte envolvida, tanto do trator, como do pulverizador, que após a adaptação são utilizados de forma diferente (Tabela 1).

Tabela 1. Algumas modificações que são realizadas nos equipamentos pelos fabricantes

Equipamento

Modificações

Comando hidráulico de barras

Posicionamento junto à caixa e freios entre as pernas dooperador, facilitando manuseio por ambas as mãos

Embreagens e freios

São acionados através de polias ligadas a um pedal, oferecendo praticidade na montagem

Câmbio

Formado por cabos de alta resistência e baixo atrito,apropriados para tração e compressão

Chassis

É subdividido em: chassis cabina, chassis tanque do pulverizadore chassis suspensão. Independentes proporcionandofacilidade e acesso para a manutenção do trator

Direção hidráulica

Formada por setor e cilindro hidráulico

Suspensão dianteira

Adicionada ao eixo dianteiro do trator (de molas)

Rodado dianteiro e traseiro

O rodado dianteiro é trocado, geralmente, pelo rodado do pulverizador, enquanto que o rodado traseiro é fornecido pelo agricultor e deve ser o mais estreito possível

No caso específico do trator, existe um acréscimo acentuado em seu peso total, fazendo com que o peso em seus rodados, seja bem diferente daqueles para os quais foram projetados. Esse fato pode provocar um desgaste maior nos rolamentos e nas transmissões. É necessário, portanto observar bem esse aspecto, bem como todas as suas conseqüências durante o trabalho do pulverizador adaptado.

Muitos profissionais mencionam o fato de que a baixa velocidade do equipamento adaptado, em campo, deve-se ao fato da falta de molas no rodado do trator. Entretanto, muitas empresas que realizam essa adaptação, colocam sistema de molas no rodado dianteiro do trator que está sendo utilizado. A menor velocidade em campo do equipamento adaptado se deve então, principalmente ao fato de que existe um acréscimo de peso na estrutura original do trator, podendo causar sobrecargas excessivas em vários mecanismos, em especial no sistema hidráulico.

Outro aspecto importante que deve ser considerado é a substituição de pneus no trator durante a técnica de adaptação do equipamento. A relação cinemática entre eles deve ser devidamente mantida para se evitar problemas futuros.

Quanto à colocação de barras de pulverização na dianteira do trator, isso pode provocar problemas de acentuada corrosão no equipamento, caso não sejam feitas às lavagens do equipamento após seu uso. Ação que deve ser implementada junto aos operadores. Ainda com relação a colocação das barras de pulverização na dianteira do equipamento, deve-se observar a exposição do operador em relação aos produtos fitossanitários e, ainda a cabine deverá oferecer conforto e segurança.

Com relação a possível inversão das barras em pulverizadores que trabalham com sistema de distribuição com auxílio de correntes de ar, trabalhos verificados a campo, identificaram que o sistema fica bastante prejudicado quando a posição dos bicos é trocada em relação à saída da corrente de ar. Nos pulverizadores tipo ”vortex” (cortina de ar), o bico deve ficar à frente da canaleta do ar para fazer a função de evitar a deriva.

A utilização desse tipo de equipamento vem crescendo ano a ano, mostrando a aceitação por parte dos agricultores. Logo, existe a necessidade de buscarmos, cada vez mais, informações técnicas que tenham como finalidade, evitar-se o uso inadequado destes equipamentos. Todos os aspectos enumerados nessa matéria devem, portanto, merecer uma análise mais detalhada, afim de que todas as dúvidas que ainda possam existir, sejam esclarecidas.

Ainda, podemos observar pelas várias figuras apresentadas nessa matéria que praticamente todas as marcas de pulverizadores, com as características anteriormente descritas, são passíveis de serem adaptadas em tratores usados. Dependendo do fabricante e da adaptação, algumas diferenças existem, porém, a operação do equipamento adaptado permanece quase idêntica em muitas formas.