Dois Pontos e uma Reflexão (Editorial — Leonardo Dian Borges)


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Publicado em: 01/12/2003

Dois pontos e uma reflexão

Há mais de trinta anos os pioneiros do plantio direto adaptavam suas máquinas, mudavam conceitos e iniciavam a experiência de plantar na palha. Foi preciso mais do que entusiasmo e persistência. O tempo passou e o sistema plantio direto se consolidou, ultrapassou as fronteiras daquelas propriedades, foi moldado, espalhou-se por quase todas as regiões produtoras, regionalizou-se com as peculiaridades, e se transformou no melhor e mais importante modelo de produção agrícola sustentável, principalmente, no que diz respeito às questões que implicam a conservação do meio ambiente, dos solos, das águas e do retorno econômico que propicia aos produtores.

O primeiro ponto que merece destaque nessa breve reflexão, diz respeito às regiões ou propriedades onde o plantio direto começa chegar e também, àquelas onde a dificuldade, ou até mesmo a falta de respostas técnicas faz com que os solos voltem ao tom vermelho do passado. Para estes, é preciso retomar o entusiasmo, buscar alternativas, adaptar, inspirar-se e ler o artigo do Engenheiro Agrônomo Márcio Scaléa nesta edição, que retrata muito bem a questão da degradação dos solos do sul ao norte do país, para se convencer que com plantio direto se faz agricultura consciente e sustentável e, que diante das dificuldades, é preciso encontrar a raiz dos problemas que geralmente, estão na forma como fazemos PD e não na técnica em si.

Por outro lado, como segundo ponto, para o grande número de produtores e técnicos onde o plantio direto é utilizado como sistema de produção há vários anos, este entra em uma fase mais sólida, onde o fundamental é melhorar as ações em busca do melhor nível de qualidade, seja na adubação, na semeadura, na aplicação de defensivos agrícolas ou na colheita. A presença dos capatazes e técnicos das propriedades na maioria dos eventos que promovemos esse ano reforça a tese de que todos precisam se envolver, comprovando ainda, a necessidade constante de capacitação e atualização técnica. Talvez essa seja a principal exigência que o SPD nos impõem.

Nessa edição, como destaque, apresentamos algumas das opções que os produtores tem em termos de equipamentos terrestres e aéreos para a aplicação de produtos fitossanitários, uma das principais e mais onerosas práticas culturais utilizadas nas lavouras. Como alerta, os produtores devem monitorar as lavouras freqüentemente e ficar atentos à incidência da ferrugem asiática, que já começa a aparecer em algumas lavouras nas regiões de Mato Grosso e Goiás.

Boa leitura e um feliz e produtivo 2004!

Leonardo Dian Borges