Dinâmica de semeadoras-adubadoras diretas em Entre Rio do Oeste-PR: Resultados de Avaliação
Ruy Casão Junior e Rubens SiqueiraInstituto Agronômico do Paraná (IAPAR) - Londrina - PR - E-mail: ruycasao@pr.gov.br
Apresentação
Nos dias 30 e 31 de agosto de 2001, no município de Entre Rios do Oeste, Estado do Paraná, foram realizadas exposições dinâmicas de máquinas semeadoras-adubadoras de plantio direto, na Área Experimental da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal daquele município. Registrou-se a presença de aproximadamente 650 pessoas, entre produtores e técnicos.
A avaliação foi efetuada em um solo muito argiloso, que na camada de 0-15 cm de profundidade tinha 68 % de argila, densidade de 1,26 g/cm3 e resistência à penetração de 2768 kPascal, na umidade do solo de 24,7 % (consistência friável).
As máquinas trabalharam sobre 8.300 kg/ha de cobertura morta, composta por palhada de aveia preta, nabo forrageiro e ervilhaca comum, dessecadas com herbicidas antes das avaliações. Após a semeadura a área foi irrigada com 30 mm de água.
O evento foi coordenado e organizado pelo IAPAR e pela ITAIPU BINACIONAL, com o apoio da Prefeitura Municipal de Entre Rios do Oeste na pessoa de seu prefeito Elpidio Halzbach e Secretário da Agricultura e Meio Ambiente Martin Herpich e sua equipe, da FAPEAGRO (Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio), COPAGRIL e LAR.
Participaram do evento ”semeadeiras”, ”plantadeiras” e máquinas múltiplas, ou seja, as que semeiam em fluxo contínuo (denominadas de ”semeadeiras” ) e também, em precisão (”plantadeiras”) (Tabela 1). As de fluxo contínuo viabilizam a implantação das plantas de cobertura de inverno como a aveia, ervilha, ervilhaca, nabo, tremoço e o próprio trigo e de verão com sementes miúdas, como a crotalária, guandu, moha, milheto, sorgo. Nesta dinâmica, semearam, ao mesmo tempo, aveia preta, nabo pivotante e ervilha forrageira.
Tabela 1. Características das semeadoras-adubadoras que participaram dos testes em Entre Rios do Oeste-PR.
Marca
Modelo
Categoria
Linhas
Espaç. (cm)
Fankhauser
2015
”semeadeira”
15
17
Fankhauser
4016
”plantadeira”
5
45
Max
Top Seed 2405 CRM
”multissemeadora”
5
45
Max
Top Seed 2405 CRM
”multissemeadora”
12
17
Kulzer
KK 7/4
”plantadeira”
7
44
Planti Center
PC 7/4 New Line
”plantadeira”
7
45
Morgenstern
PHM
”plantadeira”
7
44
Morgenstern
MPH
”multissemeadora”
14
16,5
Sfil
PSM 8000 Hy Tech
”plantadeira”
7
45
Sfil
PSMT 7417 A
”multissemeadora”
17
Vende Tudo
SM 7040
”plantadeira”
7
45
Imasa
Plantum
”plantadeira”
7
45
Imasa
MPS 1600
”multissemeadora”
7
40
Imasa
MPS 1600
”multissemeadora”
16
ATB Baldan
SDY3000 Protótipo
”semeadeira”
16
19
Gihal
GA 2700 P
”plantadeira”
7
45
Jumil
JM 5016 PG
”multissemeadora”
7
45
Jumil
JM 5016 PG
”multissemeadora”
14
19
2. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto aos fatores que afetam a emergência das plantas
Serão apresentados separadamente a análise do desempenho das semeadoras-adubadoras em precisão e das em fluxo contínuo, para melhor clareza das discussões. As multissemeadoras também serão analisadas separadamente nas versões de precisão e fluxo contínuo.
2.1. Semeadoras-adubadoras de precisão Profundidade do sulco
As semeadoras 4016 da Fankhauser, PC 7/4 New Line da Planti Center, PSM 8000 Hy Tech da Sfil/Stara e a Plantum da Imasa trabalharam dentro do limite solicitado aos fabricantes, ou seja, entre 9 e 11 cm de profundidade (Figura 1). As semeadoras Top Seed 2405 da Max, PHM da Morgenstern e MPS 1600 da Imasa, por sua vez, tiveram profundidades um pouco acima do solicitado, enquanto que a MPS 1600 da Imasa foi a que trabalhou com sulcos menos profundos (8,5 cm), em função de serem os sulcadores de adubo do tipo disco duplo.
As semeadoras SM 7040 da Vence Tudo, KK 7/4 da Külzer & Kliemann, JM 5016 PG da Jumil e GA 2700 P da Gihal tiveram, em ordem crescente, maiores profundidades de trabalho provavelmente devido a problemas de regulagem ou opção do fabricante, já que algumas delas possuíam, inclusive, mecanismo de controle da profundidade, como é o caso da KK 7/4 e JM 5016.
Quanto a variação da profundidade do sulco entre as linhas, a Figura 1 mostra que o melhor desempenho foi da KK 7/4, com 7,4% de variação em relação a sua média, possivelmente por possuir ao lado da haste sulcadora uma roda de controle de profundidade e um sistema de cabo de aço nas linhas que visa manter a pressão uniforme sobre as mesmas (Figura 7). As demais semeadoras não possuíam esse dispositivo. A 2405 CRM também apresentou um bom resultado, sendo que a maior variação da profundidade foi da SM 7040, provavelmente pelo fato de utilizar o sistema pula pedra, que é bastante sensível as variações de resistência do terreno.
Profundidade de semeadura
A profundidade de semeadura do feijão esteve nos valores solicitados (4 a 5 cm) para as semeadoras da 4016, Top Seed 2405 CRM, KK 7/4, PC 7/4 New Line, PSM 8000 Hy Tech e MPS 1600. As semeadoras PHM , SM 7040 e PLATUM tiveram comportamentos regulares enquanto que as semeadoras da GA 2700 P e JM 5016 PG estiveram muito distantes dos valores solicitados, apresentando profundidades médias de 6,3 e 2,8 cm, respectivamente, possivelmente por problemas de regulagem das máquinas.
As semeadoras PC 7/4 New Line e MPS 1600 tiveram comportamento regular quanto a variação da profundidade de semeadura entre as linhas da máquina e as demais ruim. Este problema tem sido encontrado em todas as avaliações do IAPAR, sendo recomendável um melhor estudo dos fabricantes, pois as máquinas que possuíam mecanismos especializados para controle da profundidade de sementes não foram eficientes.
Ocorrência de embuchamento
As semeadoras 4016, KK 7/4, PC 7/4 New Line, PHM, PSM 8000, SM 7040, MPS 1600 e JM 5016 PG não apresentaram embuchamento. Já nas semeadoras Top Seed 2405 CRM, PLANTUM e GA 2700 P, ocorreram embuchamentos, com necessidade de parada da máquina para limpeza.
Destaca-se que a área possuía uma grande quantidade de cobertura vegetal, com 8300 kg/ha de aveia preta, ervilha forrageira e nabo pivotante. O nabo é quem foi o principal responsável pelos embuchamentos das três máquinas, principalmente quando as mesmas estavam cruzando em diagonal um terraço de base larga. Observa-se que o comprimento da parcela foi de 120 metros e todas as máquinas cruzaram terraços.
Notou-se é que as equipes que regularam suas semeadoras aprofundando mais os discos de corte, embuchavam ao cruzar os terraços de base larga. Houve uma reclamação dos fabricantes quanto ao método, pois os mesmos regulavam com um trator e depois a semeadora era acoplada em outro trator instrumentado com aparelhos para os testes. De qualquer forma, observa-se que as ”plantadeiras” evoluíram muito quanto a redução de embuchamento, mas precisam evoluir mais, principalmente se os produtores adotarem o plantio direto com rotação de culturas utilizando adubação verde.
Sugere-se que os componentes de ataque ao solo estejam em zig zag, que não haja pontos onde a palha possa se enganchar, assim como, o solo argiloso e úmido não deva se aderir com facilidade, que a estrutura seja relativamente alta e possuir dispositivos desembuchadores, como é o caso de uma roda lateral à haste sulcadora na semeadora KK 7/4 (Figura 7). Destaca-se também que espaçamento entre linhas inferior a 45 cm aumenta muito o risco de embuchamento.
Aterramento do sulco
Apenas as semeadoras PLANTUM (Figura 6), MPS 1600 e JM 5016 PG não possuíam sistema específico de aterramento pelos critérios do Iapar. Na semeadora Top Seed 2405 CRM, apesar da sua existência, o sistema não funcionou adequadamente. Esta semeadora, juntamente com a JM 5016 PG, foram as que apresentaram o pior aterramento do sulco (Figura 3). O sistema com discos aterradores da SM 7040 (Figura 5) foi o único que obteve mais de 90% dos sulcos bem aterrados (Figura 3), as demais semeadoras tiveram comportamento regular. Este fato pode prejudicar a implantação das culturas, deixando parte dos sulcos abertos ou até sementes expostas.
Cobertura do sulco com palha
A JM 5016 PG foi a que apresentou a maior redução na percentagem de palha sobre o sulco (42%), pois trabalhou a uma velocidade de 9,3 km/h e não possuía sistema especializado para o retorno da palha sobre o sulco de semeadura (Figura 3). Justifica-se que o modelo ainda era um protótipo, e que o fabricante na Dinâmica já trouxe a semeadora com discos aterradores. Apesar de que os componentes que ela possui, são os usados na maioria das máquinas vendidas no país. Com rodas controladoras de profundidade de sementes, discos duplos desencontrados e rodas compactadoras em ”V”. A Figura 6 apresenta uma semeadora com esses componentes.
Destaca-se que este foi um fator que não era atendido pela maioria dos fabricantes até o ano passado. Na dinâmica de Entre Rios do Oeste, de onze ”plantadeiras” somente três não possuíam componente de aterramento e ainda uma delas já incorporou este em seu produto. Entende-se que isso se caracteriza como uma tendência e que os produtores devem insistir na incorporação desses componentes ao adquirir uma semeadora, sem os quais é difícil conseguir o plantio direto ”invisível” e muito menos o de ”qualidade”.
Três semeadoras obtiveram baixa redução da cobertura vegetal após a semeadura. A 4016 com 12,5% de redução, a MPS 1600 que não usou hastes e sim discos duplos, e a SM 7040 com discos aterradores (Figura 5) obteve 14,5% (Figura 3). Com desempenho considerado regular foram em ordem crescente a Top Seed 2405 CRM com 16%, a PSM 8000 Hy Tech com 17%, a KK 7/4 com 18,5%, a GA 2700 P com 19%, a PHM com 19,5%, todas essas com aterradores. A PLANTUM com 24%, sem aterrador (Figura 7), a PC 7/4 New Line com 25% com aterrador mas com diâmetro pequeno segundo critério do IAPAR.
Tabela 2. Marca, modelo, número de linhas, espaçamento entre linhas e velocidade de trabalho das semeadoras-adubadoras na versão em fluxo contínuo.
Marca
Modelo
Nº de linhas
Espaç. (cm)
VelocidadeTrabalho (km/h)
Fankhauser
2015
15
17
7,1
Max
Top Seed 2405CRM
12
17
6,9
Morgenstern
MPH inverno
14
16,5
5,0
Stara/Sfil
PSMT 7417A
17
7,5
Imasa
MPS 1600
16
7,5
ATB Baldan
SDY 3000 prot.
16
19
8,1
Jumil
JM 5016 PG
14
19
7,6
Emergência das plantas
Não foram observados problemas com a emergência das plantas em todas as semeadoras. Considera-se que a área teve que ser irrigada após a semeadura, pelo fato do teor de água não estar adequada, principalmente nas semeaduras realizadas nos últimos dias. Desta forma, não foi possível identificar causas da emergência das plantas de feijão no estudo em Entre Rios do Oeste, como foi em Marechal Cândido Rondon (Revista Plantio Direto n. 63).
Dos resultados obtidos, as semeadoras Top Seed 2405 CRM, KK 7/4, PC 7/4 New Line, PHM, PLANTUM, MPS 1600, GA 2700 P e JM 5016 PG tiveram porcentagem de emergência de plantas superior a 90%. Já as semeadoras 4016, PSM 8000 Hy Tech e SM 7040, apesar de terem emergência de plantas considerada regular, tiveram percentagens superiores a 85%, valores bem próximos ao considerado adequado (Figura 4).
No entanto, é conhecido que para a adequada emergência, são necessários um conjunto de fatores, sendo muitos dos quais, da responsabilidade da qualidade de semeadura efetuada pela máquina.
Durante a semeadura, a máquina trabalhando em plantio direto, deve efetuar inicialmente o corte da vegetação, abrir um sulco com profundidade suficiente para a deposição do fertilizante abaixo das sementes e promover um volume de solo mobilizado para permitir o início do estabelecimento das plantas. Em seguida as sementes devem ser depositadas a profundidade adequada, serem recobertas com solo e palha recebendo uma compactação lateral, para que possam absorver água pelo contato íntimo com as partículas do solo. Não devem permitir que formem bolsões de ar e selamento superficial.
O solo, com adequada cobertura com palha, mantém a umidade e a temperatura em condições mais apropriadas para a germinação das sementes. Portanto, recomenda-se que sejam utilizados componentes de chegamento de solo e palha sobre o sulco de semeadura. Esses componentes são importantes, também, para evitar que os sulcos permaneçam abertos.
São os componentes compactadores que evitam que haja ocorrência de bolsões de ar. No entanto, em alguns projetos ou situações de campo podem promover selamento superficial.
Foi determinado o ganho de peso das sementes de feijão 24 horas após a semeadura e observou-se (Figura 4) que todas as semeadoras proporcionaram uma boa qualidade de semeadura avaliadas pelo intumescimento das sementes.
Não foi observado selamento superficial no sulco de semeadura, apesar de haver semeadoras com rodas compactadoras largas que pressionam o solo sobre as sementes como é o caso da KK 7/4 (Figura 7), PHM (Figura 5), SM 7040 (Figura 5) e GA 2700 P. Este componente deve ser usado com restrições, pois se houver pouca palha e o solo estiver úmido o selamento ocorrerá com muita facilidade, apesar das rodas serem revestidas com borracha flexível e ser possível regular a pressão sobre as mesmas. O que se propõe é a existência de um sulco no meio da roda, para que não haja pressão diretamente do solo sobre as sementes, e também que o pneumático tenha pequenas garras, para que quebre a estrutura da crosta superficial do terreno.
2.2. Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo
Velocidade de trabalho
A semeadoras e as multissemeadoras na versão em fluxo contínuo também trabalharam sobre resteva de aveia preta, nabo pivotante e ervilhaca comum, em um percurso de 120 m cruzando terraços de base larga.
Todas as máquinas trabalharam dentro da recomendação mínima de 4,5 km/h. Grupos de velocidade, no entanto, puderam ser formados. O primeiro composto pela MPH (5,0 km/h), o segundo pela 2015 e Top Seed 2405 CRM (7,1 e 6,9 km/h), o terceiro pela PSMT 7417 A, MPS 1600 e JM 5016 PG (7,5; 7,7 e 7,6 km/h) e o quarto grupo pela SDY 3000 Protótipo, que trabalhou na velocidade de 8,1 km/h.
Ocorrência de embuchamento
Nenhuma semeadora apresentou embuchamento durante a avaliação, tendo todas atingido o conceito bom. Nenhuma delas também apresentou problemas de selamento superficial no sulco de semeadura.
Profundidade de semeadura
As semeadoras de fluxo contínuo posicionaram as sementes à profundidade solicitada de 2 a 3 cm. No entanto, quanto à variação de profundidade entre as linhas, apenas a semeadora da JM 5016 PG teve um bom desempenho, com somente 8,5% de variação (Figura 8). As demais tiveram comportamento regular, ou seja entre 10 a 20% de variação. Este parâmetro é também muito importante para as ”semeadeiras”, pois a semeadura é rasa, pelo fato das sementes serem geralmente pequenas, e pela dificuldade de aprofundamento dos discos no solo. Como os discos duplos são em grande número, a pressão sobre os mesmos é pequena. Desta forma, o componente que regula a profundidade das sementes deve ser bem projetado e regulado.
Cobertura do sulco com palha
A figura 9 mostra que somente a MPH, que utilizou correntes com argolas para o aterramento das sementes reduziu mais de 10% da palha original existente sobre o solo. As demais tiveram um conceito considerado bom pelos critérios do Iapar.
Emergência das plantas
Em função de problemas de dormência secundária das sementes de aveia preta e nabo pivotante, será considerada apenas a ervilha forrageira para fins de discussão dos resultados de emergência de plantas de cobertura (Figura 10).
A PSMT 7417A foi a única semeadora que apresentou um bom desempenho quanto a emergência de ervilha forrageira. Acredita-se que o fato pode ser explicado pelas rodas compactadoras possuírem um sulco no meio (Figura 13), não pressionando diretamente sobre as sementes. Deve-se considerar que a de ervilha é uma dicotiledônea, com embrião exposto e fácil de ser danificado.
A MPH teve somente 14,5% de emergência, possivelmente por não possuir compactadores, com somente correntes e argolas aterradoras (Figura 14). Este fato mostra que a opção de muitos produtores de semear a lanço e gradear posteriormente, corre um risco maior das sementes não germinarem.
A SDY 3000 protótipo não apresentou boa emergência da ervilha, possivelmente por utilizar uma roda compactadora apropriada para gramíneas como a aveia, a qual pressiona diretamente sobre as sementes (Figura 14), prejudicando a germinação da ervilha.
As demais não apresentaram desempenho também satisfatório, por ser inferior a 70%. Destaca-se que todas utilizavam rodas compactadoras, cujo modelo é intermediário na indicação para gramíneas e leguminosas.
O estande inicial de ervilha forrageira variou entre 0,7 e 4,7 plantas por metro. Observou-se que todas as semeadoras apresentaram alta variabilidade entre as linhas de semeadura, tendo todas o conceito ruim.
3. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto a exigência de força de tração e potência
3.1 Semeadoras-adubadoras de precisão
Força de tração
Analisando-se a força de tração específica, torna-se possível efetuar a comparação entre as semeadoras. Os valores de força específica devem ser multiplicados pelo número de linhas da semeadora e a profundidade de trabalho para se obter a força total de tração.
Os menores valores de força média específica foram obtidos na semeadora 4016 com 14,7 kgf/linha.cm (Figura 11), provavelmente em função de ser uma máquina mais leve e seu melhor projeto de haste, que resulta em menor esforço de tração, concordando assim com os resultados anteriores obtidos pelo IAPAR. A seguir, as que apresentaram bom desempenho foram a JM 5016 PG (15,1 kgf/linha.cm), a PLANTUM (15,2 kgf/linha.cm) e a SM 7040 (16,7 kgf/linha.cm).
Diferente do obtido em Marechal Cândido Rondon (Revista Plantio Direto n. 63), a força máxima de tração variou de 10% a 39%. Considera-se que em Entre Rios do Oeste, as semeadoras atravessaram terraços de base larga e três delas embucharam.
São com os parâmetros de força máxima que sedetermina a potência necessária do motor do trator para tracionar a semeadora. Para efeito comparativo, os valores foram corrigidos à profundidade constante de 10 cm (Figura 11).
A KK 7/4 foi a que apresentou maior exigência, com 1869 kgf a 10 cm de profundidade, seguida da PLANTUM, a qual foi prejudicada com a ocorrência de embuchamento ao atravessar um terraço, atingindo neste ponto 1735 kgf, ou seja 39% a mais do que seu esforço médio. Destaca-se que as semeadoras possuíam entre 5 a 9 linhas, portanto, neste caso não é possível comparar as máquinas diretamente.
Potência exigida
Considerando-se o mesmo número de linhas, velocidade e profundidade de trabalho, ocorreu um aumento de 26,8% na potência das semeadoras que apresentaram da menor para a maior exigência. Essa afirmação é comprovada analisando-se os valores de potência média específica da Figura 12.
Atribuí-se o aumento de exigência de força e potência ao projeto das hastes sulcadoras, ao peso da semeadora e ao número e área de contato dos componentes de ataque ao solo. Desta forma sugere-se aos fabricantes reverem seus projetos para reduzir essa demanda.
Foi determinada a potência máxima do motor do trator em função da força máxima de tração exigida pelas semeadoras, considerando-se uma velocidade constante de 6 km/h para todas, profundidade de 10 cm das hastes sulcadoras e 8 cm no caso dos discos duplos utilizados pela MPS 1600. Lembra-se que o número de linhas das semeadoras variou de 5 a 7 linhas.
A semeadora KK 7/4 foi a que exigiu a maior potência máxima, considerando-se uma profundidade do sulco de 10 cm. Mesmo assim, um trator com 75,6 cv de potência no motor seria suficiente para traciona-la (Figura 12). Mas, se a profundidade aumentasse de 10 para 15 cm a potência exigida seria de 113,4 cv.
3.2 Semeadoras adubadoras de fluxo contínuo
Força de tração
A 2015 da Fankhauser exigiu 42.1 kgf por linha da máquina de força média, apresentando o melhor desempenho que as demais. Isto foi devido a sua simplicidade, ou seja, não é pesada, possuí discos duplos abridores de sulcos e rodas compactadoras. As demais exigiram 43,8 kgf/linha (2405 CRM); 47,9 kgf/linha (MPH e JM 5016); 49,1 kgf/linha (PSMT7417); 55,9 kgf/linha (MPS1600) e 99,4 kgf/linha a SDY 3000.A força máxima foi 13% a 15% superior a média.
Potência exigida
A potência máxima por linha e a potência máxima no motor do trator para tracionar as semeadoras estão apresentadas na Figura 15.
Padronizou-se a velocidade de 8 km/h para o cálculo da potência máxima por linha das semeadoras. Como era de se esperar, obteve-se o mesmo comportamento da força média e máxima específica, onde a 2015 exigiu praticamente a metade da potência por linha, quando comparada a semeadora SDY 3000.
Para que se possa selecionar o trator pela exigência de potência, a Figura 15 mostra que a SDY 3000, com 16 linhas necessitou de 99,5 cv; a MPS 1600 com 16 linhas 57,0 cv; MPH com 14 linhas 42,8 cv; a JM 5016 com 14 linhas 41,5 cv, a 2015 com 15 linhas 39,7 cv e a Top Seed 2405 CRM com 12 linhas 33,1 cv.
4. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto a uniformidade de distribuição de sementes e fertilizante
4.1 Semeadoras-adubadoras de precisão
Dosagem de fertilizante
A semeadora SM 7040 apresentou problemas, em função de erro de regulagem e falta de fertilizante no depósito, pois a mesma foi avaliada no início da noite. Foi pontuada com conceito ruim, tanto para a dosagem quanto para a variação de dosagem entre as linhas, apesar de ter sido identificado o problema.
Já a semeadora 4016 apresentou comportamento regular quanto à dosagem de fertilizante, problema que pode ser eliminado com a correta regulagem, tendo, no entanto, bom comportamento quanto à variação da dosagem de fertilizante entre as linhas.
As demais semeadoras tiveram bom comportamento, tanto para a dosagem quanto para a variação de fertilizante entre as linhas, indicando um adequado sistema de regulagem e conformidade de fabricação do sistema distribuidor de fertilizante.
Dosagem de sementes
As semeadoras Top Seed 2405 CRM, KK 7/4 e MPS 1600, tiveram desempenho regular na dosagem de sementes (Figura 17), problema que pode ser resolvido de forma simples pela correta regulagem da semeadora. As demais semeadoras tiveram dosagem de sementes conforme solicitado, ou seja, 18 sementes de feijão por metro.
Somente as semeadoras KK 7/4 e MPS 1600 tiveram variação considerada regular de dosagem entre as linhas. As demais tiveram variação entre as linhas considerada boa. Esse fato vem se repetindo nas semeadoras nacionais de precisão, o que é um bom sinal, devendo-se analisar com cuidado a necessidade de se utilizar um sistema mais preciso, principalmente se for aumentar o preço da máquina.
Como não foi avaliado a distribuição longitudinal de sementes na linha, pois o apropriado seria realizar este estudo com a cultura de milho, não se sabe se pode haver falhas ou sementes próximas entre si durante a semeadura. Caso ocorra, este pode ser um fator que justifique o uso de um sistema de distribuição pneumático, por exemplo.
4.2 Semeadoras adubadoras de fluxo contínuo
Dosagem de sementes
A recomendação de dosagem para as três espécies foi obtida apenas com a semeadora SDY 3000 protótipo (Figura 18), a única que possuía mecanismos distribuidores independentes para cada espécie semeada, ou seja, dois depósitos para distribuição de sementes e um para sementes miúdas. Esta semeadora foi também a única que apresentou, para as três espécies semeadas, uma variação de dosagem entre as linhas considerada boa (Figura 19). Na semeadora MPS 1600 a variação de dosagem foi boa para a ervilha e aveia.
Com exceção da semeadora MPS 1600 que misturou as sementes de aveia preta e nabo forrageiro no mesmo depósito, e da SDY 3000 protótipo que possuía depósitos de sementes para os três tipos de plantas de cobertura, as demais máquinas utilizaram a estratégia de colocar a ervilha forrageira no depósito de fertilizante, a aveia no depósito de distribuição de sementes e o nabo no de sementes miúdas.
A dosagem de sementes de ervilha forrageira efetuada no depósito de fertilizante, como alternativa foi razoável na 2405 CRM (Figura 18), mas nas demais ”semeadeiras”a dosagem foi superior a 20% da dosagem recomendada. Observa-se que se houvesse engrenagens apropriadas para maior redução no sistema de transmissão da máquina a distribuição poderia ser melhorada.
A MPH, por ser uma máquina reformada, necessita melhorar os componentes de dosagem de sementes, sugerindo-se ao fabricante a procura de melhores fornecedores.
Com exceção da SDY 3000, todas as outras máquinas necessitam identificar as causas das variações do dosador de sementes miúdas, que foram superiores a 10%.
5. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto aos parâmetros morfológicos
5.1. Semeadoras adubadoras de precisão
Componentes de ataque ao solo
As semeadoras foram avaliadas quanto as opções e facilidade de regulagem de seus componentes. No caso dos componentes de ataque ao solo, observa-se que sete das onze máquinas testadas não apresentavam um sistema próprio de aterramento e cobertura do sulco com palha (Tabela 3).
Nove semeadoras possuíam discos de corte com regulagem de pressão sobre os mesmos (Tabela 3), sendo considerado fácil sua regulagem (Tabela 4). A MPS 1600 utilizou discos duplos desencontrados para o corte da palha.
Somente a JM 5016 PG possuía um sistema completo de regulagem dos sulcadores de fertilizante (Tabela 3), podendo deslocá-lo verticalmente, pressioná-lo sobre o terreno, controlar a profundidade e manter o ângulo de ataque da haste pela existência de um mecanismo pantográfico. As demais máquinas não possuíam um desses componentes, sendo consideradas incompletas pela avaliação do IAPAR.
O sulcador de sementes somente foi considerado completo na 4016, as demais não possuíam principalmente o sistema pantográfico, que permite a manutenção do ângulo de convergência dos discos duplos no solo.
Sete máquinas não possuíam um sistema completo de controle de profundidade, com rodas próximas ao eixo dos sulcadores de sementes e com balancins, para passar sobre obstáculos do terreno (Tabela 3).
A PHM, PSM 8000, SM 7040 e a GA 2700 P não possuíam compactadores com opções de regulagens de inclinação das rodas, sendo que as demais sim (Tabela 3).
Pelos critérios do IAPAR, observa-se que a facilidade de regulagem dos componentes de ataque ao solo é boa, como é mostrado na Tabela 4, sendo que todas foram pontuadas como fácil, com exceção das que não possuíam alguns componentes.
Regulagem de sementes e fertilizante
Todas as semeadoras possuem os dispositivos para realizar as regulagens de sementes e fertilizante. Quanto a facilidade de regulagem, a Top Seed 2405 CRM foi considerada difícil e quatro máquinas consideradas com dificuldade regular. As demais possuem sistema de regulagem rápida (Tabela 5). Para a regulagem de sementes cinco máquinas possuíam sistema de seleção rápida de engrenagens.
Regulagem de outros sistemas
Todas as semeadoras de precisão permitem o acoplamento e a regulagem de espaçamentos. Quanto a facilidade de regulagem, somente a PLANTUM apresentou regular dificuldade de seu acoplamento na barra de tração do trator.
No caso da regulagem do espaçamento entre linhas, ainda a equipe do Iapar está somente considerando a troca de espaçamentos múltiplos. Mesmo assim, oito semeadoras apresentam certa dificuldade de passar do espaçamento de 45 cm para o de 90 cm e três apresentam grande dificuldade. É um dos fatores que as indústrias devem investir para facilitar a vida do agricultor.
Duas máquinas são altas (mais do que 1,8 m) para realizar o abastecimento de fertilizante, sete de altura média e duas consideradas baixas.
Quatro semeadoras apresentaram dificuldade de limpeza do depósito de fertilizante, duas com sistema de drenagem com mediana dificuldade e cinco máquinas com fácil drenagem ou com possibilidade de bascular o depósito (Tabela 7).
Todas as semeadoras foram consideradas de regular dificuldade para se realizar a lubrificação. Considerando-se que esta é uma operação diária, face a sua importância, a equipe do Iapar passará a contar, nas próximas avaliações, o número de graxeiras. Quatro semeadoras possuem estribo à frente da máquina, expondo o operador da máquina a risco fatal. Três apresentam risco regular e quatro com estribo atrás, não apresentam risco (Tabela 7).
Quatro semeadoras não possuem dispositivos de segurança para os componentes da semeadora, como pinos de cisalhamento ou limitadores de torque, duas possuem pelo menos os pinos nas hastes sulcadoras e as demais possuem além dos pinos nas hastes, proteção no sistema de transmissão (Tabela 7).
A autonomia de fertilizante de quatro semeadoras é considerada regular, sugerindo-se aumentar um pouco o tamanho do depósito. Destaca-se que para as pequenas e médias propriedades do Paraná, não se recomenda depósitos muito grandes, pois o peso adicional da máquina aumenta a exigência de tração e trás outros inconvenientes operacionais e de projeto.
5.2. Semeadoras adubadoras de fluxo contínuo
Componentes de ataque ao solo
A SDY 3000 protótipo apresentou todas as opções de componentes de ataque ao solo (Tabela 8). A MPS não possuía componentes para aterramento e compactação e a MPH não tinha componentes para compactação.
As rodas compactadoras da PSMT 7417A não funcionam com controladoras de profundidade dos discos duplos. A maioria das regulagens dos componentes de ataque ao solo foi considerado fácil (Tabela 9), com exceção da regulagem da pressão das molas nos sulcadores da MPS 1600, considerado regular e a regulagem da profundidade de semeadura na 2015 e MPS 1600, consideradas difíceis.
Regulagem de sementes e fertilizantes
Todas as semeadoras em teste possuíam alternativas para a regulagem de sementes e fertilizante. Duas semeadoras possuem regular dificuldade na regulagem de sementes e três na de fertilizante, pela necessidade de troca manual de engrenagens.
Regulagem de outros sistemas
Todas as semeadoras de fluxo contínuo possuiam opções de regulagem de acoplamento e troca de espaçamento, com exceção da MPH, que trabalha com espaçamento fixo.
Todas são fáceis de serem acopladas na barra de tração do trator.
Quatro semeadoras são difíceis de se regular o espaçamento entre linhas, uma regular e outra fácil.
Quanto a altura do depósito de fertilizante, somente a JM 5016 PG é considerada baixa (menos que 160 cm) as demais possuem altura regular para serem abastecidas.
Três semeadoras de fluxo contínuo são difíceis de se efetuar a limpeza do depósito de fertilizante e quatro foram consideradas fáceis.A 2015 e a PSMT foram consideradas fáceis de se lubrificar e as demais de regular dificuldade.Somente a MPH oferece risco fatal ao operador da semeadora. Três máquinas não possuem dispositivos de segurança para seus componentes. As demais possuem e são fáceis de serem trocadas.
A 2015 e a JM 5016 PG possuem autonomia média de fertilizantes e quatro semeadoras possuem autonomia média de sementes (Tabela 12).
6. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto ao rendimento operacional e custo da operação
6.1. Semeadoras-adubadoras de precisão
Rendimento operacional
O rendimento operacional teórico foi determinado considerando-se velocidade constante de 6 km/h das semeadoras de precisão. O resultado apresentado na Figura 20 mostra que este variou em função do número de linhas e espaçamento da máquina, em um intervalo de 1,35 a 1,89 ha/h. Observa-se a as semeadoras trabalharam com velocidade média de 5 km/h com exceção da JM 5016 PG que optou trabalhar a 9,3 km/h. Nesta velocidade, seu rendimento foi de 2,93 ha/h.
Custo operacional
A Figura 21 mostra a variação dos preços das semeadoras durante os testes. Considera-se que as máquinas múltiplas estão com seu valor completo. A Top Seed 2405 CRM, a MPS 1600 e a JM 5016 PG são multissemeadoras. Nos próximos estudos serão separados os valores das versões em precisão e fluxo contínuo.
Deve-se também considerar, que na tomada de decisão, o produtor leva em conta fatores não apresentados neste estudo, como a qualidade de fabricação, vida útil da máquina e assistência técnica pós venda.
A PHM e a 4016 são as que apresentaram os menores preços.
Quanto ao custo operacional, a JM 5016 PG, principalmente por trabalhar a velocidade de 9,3 km/h, apresentou o menor valor, seguido pela PHM, em função de seu baixo preço. A maioria das máquinas apresentaram custo operacional de 20 a 30 R$/ha (Figura 21) sendo que a Top Seed 2405 CRM apresentou o maior custo, por possuir 5 linha, portanto baixo rendimento operacional e preço considerável, por ser múltipla.
6.2. Semeadoras-adubadoras de fluxo contínuo
Rendimento operacional
A velocidade de trabalho também é apresentada na Figura 22, observando-s que todas trabalharam a velocidade superior a 7 km/h com exceção da MPH co 5 km/h.
O rendimento operacional teórico das semeadoras de fluxo contínuo é apresentado na Figura 22. Foi determinado com uma velocidade de 8 km/h, sendo função do número de linhas e espaçamento entre elas.
Custo operacional
A semeadora de menor valor foi a MPH (R$ 14.000,00) em agosto de 2001. Trata-se de uma máquina reformada, que pode ser útil para muitos produtores com baixa capacidade de pagamento. A mais onerosa foi a SDY 3000 protótipo custando R$ 35.000,00. Mas, apesar de seu preço não apresentou o maior custo operacional. A própria MPH, por trabalhar a velocidade inferior as demais apresentou o maior custo operacional com valor de R$ 31,43 / hectare (Figura 23).
EQUIPE TÉCNICA
Ruy Casão Junior1; Rubens Siqueira1; Augusto Guilherme de Araújo1; Rodolfo Guimarães Monice Filho1; Alexandre Leôncio da Silva1; Audilei de Souza Ladeira1; José Carlos da Silva1; Pedro Machado1; Ronaldo Rossetto1; Milton Pereira da Silva1; João Carlos Zehnpfennig2; Newton Luiz Kaminski2; Adair Antônio Berté2; Elstor Weiss2; Milton Dutra Campos2; Marcos A. Baumgartner2; Sérgio L. Scherer2; Martin Herpich3; Alabani Pacheco Júnior3; Erivelton Iurkiv3; Arnelio Roque Andele3
1Instituto Agronômico do Paraná, 2Itaipu Binacional, 3Prefeitura Municipal de Entre Rios do oeste
Dados para referências bibliográficas: Revista Plantio Direto, nº 77, setembro/outubro de 2003.