Agricultura Conservacionista — O Desafio da Sustentabilidade (Opinião)


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Publicado em: 01/08/2003

Agricultura conservacionista: o desafio da sustentabilidade

Ivo MelloEngenheiro Agrônomo, Produtor em Alegrete/RS,Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palhae da Fundação Marona

A continuidade da espécie humana com seus atuais padrões de consumo como habitante hegemônico de nosso planeta, está intimamente dependente de uma negociação que proporcione o alardeado ”Desenvolvimento Sustentável”. Nas palavras da Engenheira Agrônoma Sabrina Klein consultora de meio ambiente para o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA, Desenvolvimento Sustentável, ”nada mais é que um relacionamento decente e respeitoso entre mulheres, homens e meio ambiente”. Neste sentido, uma série de desafios deverão ser equacionados e devidamente enfrentados pela humanidade como condição de sobrevivência. Uma boa parte destes, está relacionado à capacidade de suporte dos recursos naturais.

Várias correntes de pensamento estão propondo estratégias de crescimento e desenvolvimento sustentável, que em geral estão fundamentadas no tripé destas condições: ser economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta, baseada em conhecimento holístico e que respeite a cultura local.

Com este objetivo a produção de alimentos em quantidade e qualidade suficientes para atender as demandas sociais, é um fator chave a ser considerado em qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável. A agricultura é provavelmente o setor da economia que mais demanda recursos naturais e com certeza a maior usuária do recurso hídrico do planeta.

Como tal, nossa responsabilidade como produtores é muito grande, independente das legislações mais atuais que exigem dos usuários e da sociedade como um todo, a utilização ética dos recursos naturais e principalmente hídricos. Por exemplo, a Constituição brasileira de 1988 instituiu a água como um recurso público e finito e, regulamentações legais posteriores a nível estadual e federal, complementam o arcabouço legal que norteia esta utilização responsável da água como insumo de processos econômicos.

O desenvolvimento desta consciência está em marcha, e a participação das representações de produtores nas instâncias de discussão e negociação dos sistemas estaduais e nacional de proteção ao meio ambiente, a cada dia que passa torna-se mais decisiva na continuidade dos processos de produção ambientalmente correta de commodities agropecuários.

O Sistema Plantio Direto brasileiro com uma experiência acumulada ao longo dos últimos trinta anos, é com certeza uma das principais ferramentas para enfrentar de forma proativa estes desafios. O aumento da produtividade e da capacidade produtiva dos solos com diminuição de custos e gastos com combustíveis fósseis, o menor avanço das novas fronteiras agrícolas economizando ecossistemas e biodiversidade e a conservação do recurso hídrico fundamental para a vida do planeta, são por si só fatores que nos colocam em posição privilegiada quando o assunto é meio ambiente relacionado com produção agropecuária.

Por estes motivos a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha está encarregada de organizar o II Congresso Mundial de Agricultura Conservacionista, e com este objetivo estamos catalizando energias de todos os recantos de nosso planeta, para que nesta oportunidade as experiências de todos os interessados no assunto, possam estar disponíveis a fim de contribuir na elaboração de estratégias de desenvolvimento sustentável, que contemplem os anseios da comunidade mundial.

Esperamos você em Foz do Iguaçu de 11 a 15 de agosto de 2003 para que com estas trocas de experiências possamos construir em conjunto novas estratégias de desenvolvimento sustentável do agronegócio mundial.