O papel da pesquisa no desenvolvimento global do Brasil
Erivelton Scherer RomanPesquisador da Embrapa Trigo e Membro do Conselho Consultivo da Revista Plantio Direto
A capacidade de gerar superávits comerciais pelos países de economia aberta, no transcorrer deste século, vem dependendo cada vez mais, da capacidade destes, em progredir no conhecimento e no desenvolvimento de tecnologias além de executar adequadas políticas econômicas e comerciais.
Dessa forma, o desenvolvimento de novas tecnologias é fator fundamental, uma vez, que muito do conhecimento gerado não é desenvolvido adequadamente para chegar ao setor produtivo, como tecnologia disponível e, livre do pagamento de royalties a países estrangeiros. O desenvolvimento sustentado requer o estabelecimento de uma política de pesquisas que englobe a geração de conhecimento básico e, que este seja desenvolvido, transformando-se em tecnologia a ser utilizada pelo setor primário.
Países emergentes, como o Brasil, tem tido dificuldades em encontrar um caminho para o desenvolvimento, tendo por momentos investido pesadamente em ciência e tecnologia e noutros, voltado-se à busca de tecnologia puramente importada.
É sabido que o desenvolvimento tecnológico constitui-se em vantagem competitiva no comércio internacional e, satisfaz as exigências cada vez maiores em produtos sofisticados. Indica também, que não há mais lugar para a sustentação de equilíbrios comerciais por meio da exportação de matérias primas básicas e produtos primários de pouco valor agregado.
O estabelecimento de prioridades de pesquisas que guardem relação com as demandas de mercado e da sociedade é um conceito importante, que em última análise, permite a transformação de idéias em novos produtos e serviços. Para isso, os projetos de pesquisa são figuras programáticas e o meio para atingir tais objetivos e metas.
A sociedade requer mais do que simplesmente altos rendimentos e produtividades. O processo de desenvolvimento não pode prescindir da responsabilidade social na geração de empregos, oportunidades e maior qualidade de vida. E esta é a resposta que o complexo agroindustrial está dando a sociedade brasileira.
O agronegócio não trata apenas de buscar a produção de ”commodities” agrícolas ou produtos e matérias primas básicas, mas sim, conhecimento, tecnologias e serviços interligados com aptidões naturais para o desenvolvimento do setor.
Como exemplo, considerando os impactos que a globalização tem exercido sobre o agronegócio brasileiro, em especial ao trigo, verificamos que este setor tem sido celebrizado como heróico à medida que, enfrentando toda a competição desleal ao longo desta data, caracterizada pela falta de preços, comercialização e os subsídios internacionais, tem sobrevivido e se apresentado como a principal alternativa para a produção durante o período de inverno na Região Sul do Brasil, fruto de intensos anos de pesquisa.
A privatização total da pesquisa e do desenvolvimento de tecnologias não é o melhor caminho para o desenvolvimento. A pesquisa oficial deve ser mantida e ampliada, oferecendo capacidade competitiva com o setor privado, em todos os segmentos e áreas que a compõem. A Biotecnologia vislumbra um potencial altamente promissor à medida que se constituí em importante ferramenta para a pesquisa, possibilitando incrementos na produtividade, redução de custos e preservação do meio ambiente.
O Brasil deve estar atento, acompanhando, prospectando genes e desenvolvendo tecnologias. Essa é uma das áreas estratégicas para o agronegócio brasileiro, mas deve ter também a contribuição da pesquisa oficial.