Manejo de Fungos de Solo na Cultura do Feijão Irrigado no Cerrado


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Publicado em: 01/06/2003

Manejo de fungos de solo na cultura do feijão irrigado

Wagner NunesEng.-agr., consultor na área de sistemas agrícolas irrigados - Agro-Sistemas - E-mail:agro-sistemas@uol.com.brIntrodução

Os fungos de solo são um dos mais fortes elementos de queda da produtividade das lavouras de feijão irrigado, sobretudo nas regiões com mais de 600 metros de altitude. Alguns agricultores chegam a mudar o pivô central de lugar porque não tem conseguindo uma produtividade satisfatória. A própria cultura do milho que na maioria dos casos entra em sucessão ao feijão, em muitos pivôs centrais, também tem apresentado problemas de manejo com alguns desses fungos e, já se ouve de alguns produtores que, nos pivôs é mais difícil colher milho do que no sequeiro.

Por isso, a compreensão e correção das ”causas” e não apenas o combate aos ”efeitos” torna-se fundamental na estratégia de manejo e convivência com os fungos de solo.

No presente trabalho apresentaremos algumas estratégias que temos adotado nas áreas que assessoramos na região do entorno de Brasília, com ênfase em três aspectos:

A) O manejo dos fungos de solo e não a sua caracterização biológica.

B) O enfoque será principalmente no manejo dos Fungos Fusarium solani e Rhizoctonia solani

C) A manutenção ao máximo do sistema plantio direto como fator de estabilidade agrícola.

Temos consciência da complexidade do processo e, jamais a pretensão de considerar que nessa abordagem conseguiremos apresentar todos os seus elementos e muito menos que as ferramentas de manejo que apresentaremos representem as únicas possíveis. Nossa intenção, é apresentar o que temos feito à discussão e desde já estaremos abertos às sugestões e a toda e qualquer contribuição que se possa dar.

2. Princípios de manejo

Embora não abordaremos aqui toda a caracterização biológica, é de fundamental importância a compreensão de alguns aspectos dos fungos de solo, pois eles nos indicarão as possíveis causas da manifestação da doença e quais as ferramentas que serão possíveis utilizar no manejo. São eles:

2.1 Quanto à doença

2.1.1 É causada por fungos naturais do solo

Na Tabela 1, são apresentados dados de um cerrado nativo que mostra a presença de Fusarium solani e Rhizoctonia solani no solo.

Tabela 1. Número de propágulos em Cerrado nativo

Fungos

Nº de propágulos/g solo

Fusarium solani

135

Rhizoctonia solani

38

Fonte: Agro-Sistemas - Análise CNPAF

Essas populações são dinâmicas e, variam em quantidade nos diversos habitats porém, guardam uma característica básica: estão em equilíbrio biológico na natureza. Portanto, são os sistemas e práticas agrícolas que promovem o aumento de suas populações e por conseqüência sua maior ou menor manifestação.

O fato de estarem presentes naturalmente no solo já determina um princípio de manejo, o da convivência pois é extremamente difícil erradicá-los.

2.1.2. Fungos com alta habilidade de competição saprofítica e estrategistas (R)

Conforme Reis et al. (2002) os fungos infectantes de raiz podem ser classificados em dois grupos:

- Sem habilidade de competição saprofítica: aqueles que infectam o hospedeiro vivo mas que perdem sua habilidade ao esgotar suas reservas. Ex. Mal-do-pé do trigo. Para esse grupo de fungos basta uma simples rotação com hospedeiros não suscetíveis (Reis 1991), por exemplo, espécies de folha larga, para que sua população fique em níveis toleráveis.

- Com habilidade de competição saprofítica (HCS): nesse grupo estão os gêneros Fusarium, Macrophomina, Rhizoctonia, Phytium etc. Sua característica principal é a adaptabilidade à vida saprofítica no solo, trocando de substrato ou desenvolvendo estruturas de dormência, que lhes permitam sobreviver no solo por períodos indeterminados de tempo.

Para esse grupo de fungos a simples rotação de culturas não será suficiente com espécies não hospedeiras (Erlei 2002 citando Slipton, et al, 1981).

Outro aspecto importante é que estes fungos são classificados como estrategistas R ou seja, sobrevivem em ambientes com pouca diversidade biológica e degradadas.

Em algumas espécies florais onde se faz expurgo com brometo de metila, um dos primeiros grupos de fungos a reaparecer no solo são do gênero Fusarium sp.

2.1.3. São fungos transmitidos pelas sementes

Dado suas características biológicas esses fungos de solo não são tolerados na semente pois, são altamente transmissíveis por ela e, o nível de tolerância em sementes de feijão é zero, conforme a Tabela 2 proposta por Fancelli e Neto (1998).

Tabela 2. Níveis de tolerância de fitopatógenos em sementes

Classes de sementes (%)

Patógenos (amostras de 1 kg)

Básica

Certificada

Fiscalizada

Fusarium oxysporum f.sp. phaseoli

Zero

Fusarium solani f. sp. Phaseoli

Zero

Xanthomonas campestris f. sp. Phaseoli

Zero

Sclerotinia sclerotiorum

Zero

Colletotricum lindemuthianum

Zero

1

1,5

Rhizoctonia solani

2

3

5

Fusarium spp.

5

10

20

Alternaria spp.

3

5

10

Phaeoisariopsis griseola

2

3

5

Macrophomina phaseolina

5

7

10

Penicillium spp.

40

50

60

Aspergillus spp.

40

50

60

Fonte: Fancelli e Neto (1998)

2.1.4. A doença é espoliativa após o V3

Embora os fungos de solo possam causar a morte de plântulas durante o processo germinativo, sua maior manifestação é provocando queda na produtividade. Por isso, quanto mais eficiente for o manejo menor será o dano, mesmo com a presença dos patógenos.

O fungo Fusarium solani é extremamente agressivo porém, ele não consegue infectar o feijoeiro comum sem que ocorra um ferimento. Após o V4 essa infecção é insignificante pois a planta adquire resistência mecânica à penetração. Muitas vezes, a infecção permite o desenvolvimento normal da cultura sem o aparecimento de sistemas na parte aérea, até a época de R7/R8, quando a translocação de fotoassimilados para as vagens enfraquece as hastes e folhas, aparecendo reboleiras amareladas que amadurecem mais cedo. Alguns produtores pensam que é um ataque tardio do fungo e o chamam de fusarium de final de ciclo. Vale a ressalva que o Fusarium oxisporum comporta-se exatamente assim porém, seu controle é na resistência genética o que não acontece com Fusarium solani.

2.1.5 Não existe uma população de fungos a partir da qual se possa afirmar cientificamente que haverá a manifestação da doença e em que grau de severidade

Cada sistema agrícola (solo, clima e cultura) tem sua própria dinâmica e equilíbrio que é extremamente afetado por fatores do meio como a temperatura, ação humana, manejo e tipo de solo, fertilidade, química, biologia, etc.

Esta é a razão pela qual, a medição pura e simples da quantidade de fungos não se constitui num indicativo seguro para se avaliar a real probabilidade do aparecimento da doença e da severidade que venha a ocorrer.

Também é por esta razão, que as mesmas práticas de manejo nem sempre apresentam o mesmo grau de eficiência seja no tempo (época do ano) ou no espaço (pivô para pivô, fazenda para fazenda, região para região).

2.2. Quanto ao manejo

2.2.1. Semeadura

No momento da semeadura praticamente todo o processo de manejo está sendo decidido, como veremos adiante e, pouca coisa poderá ser feita para corrigir as falhas desta operação.

2.2.2. Soluções sistêmicas

Focar só no controle da população de fungos por exemplo, ou seja, soluções pontuais dificilmente serão eficientes e duradouras. Várias são as causas que podem provocar a doença. A identificação de todas estas causas e seu grau de importância são decisivas para o bom manejo.

2.2.3. Outros aspectos importantes

- Com o manejo adequado, pode-se obter produtividades satisfatórias, mesmo com alta população fúngica;

- Práticas que promovem o enraizamento e aceleram o ”arranque” da cultura, diminuem o efeito da doença;

- Temperaturas mínimas abaixo de 14ºC da semeadura até o estádio R6, dificultam o sucesso da cultura pois, o desenvolvimento das plantas fica mais lento e a reação ao ataque de fungos de solo fica prejudicada.

3. Fatores que intensificam

o problema

Em nossa experiência de trabalho nós relacionamos alguns dos principais fatores que podem contribuir decisivamente para a manifestação da doença e/ou intensificar a sua severidade na cultura, conforme descrito abaixo:

3.1. Temperatura baixa

O feijoeiro é extremamente afetado pela temperatura em todo o seu ciclo e nos estádios iniciais esse fator é ainda mais decisivo. O período de germinação do feijoeiro pode levar de 5-7 dias até 13-15 dias em função da temperatura e profundidade de semeadura. A germinação acima de 08 dias com certeza se dará com gastos metabólicos excessivos e, exporá a plântula ao ataque de fungos de solo. Mesmo depois de germinado, quando a temperatura mínima for maior que 14º C e a máxima maior que 25° C, o tempo gasto para atingir o estádio V4 pode chegar a 22 dias, expondo demais a lavoura a esse grupo de fitopatógenos.

3.2. Profundidade de semeadura

Esse fator também é decisivo, pois aumenta o tempo necessário para germinação e, aumenta o tamanho do hipocótilo expondo uma área maior para o ataque dos fungos sobretudo, Rhizoctonia solani. Além disso, esgota as reservas cotiledonares no processo germinativo e diminui a capacidade de resistência a estresses, retardando o desenvolvimento da cultura. Na semeadura do feijoeiro deve-se fazer todos os esforços para que ela não ultrapasse 2-3 cm de profundidade.

3.3. Sementes contaminadas

Embora sejam habitantes naturais do solo, pode-se aumentar em muito a população desses fungos ao se usar sementes contaminadas, proporcionando rapidez na ocorrência e na severidade da doença. A Tabela 3, mostra claramente que a utilização de sementes infectadas bem como, a falta de tratamento de sementes, aumentaram sensivelmente a incidência de Fusarium solani.

Tabela 3. Severidade de Podridões Radiculares em semente de feijão cv. Pérola

”Classe de sementes”

Severidade (%)

Sementes básicas tratadas

5

Sementes básicas não tratadas

20

Sementes certificadas tratadas

5

Sementes certificadas não tratadas

20

Sementes do produtor tratadas

25

Sementes do produtor não tratadas

60

Fonte: CNPAF – Júnior (2003) – Dados não publicados. OBS: Tratamento de sementes = Maxim + Spectro + Cruiser (200 ml + 33,4 ml + 150g / 100 kg de sementes)

3.4. Solos compactados

Preparo de solo com a formação pé-de-grade no sistema convencional. Ou manejo inadequado nas áreas de plantio direto, como por exemplo, trânsito de caminhões dentro do pivô na colheita de milho ou, colheitadeiras não dupladas (em condições adversas), podem causar a compactação do solo que se constituí num dos mais importantes fatores de manifestação e severidade do ataque de fungos de solo. Além disso:

- A área de solo explorável fica reduzida, dificultando o crescimento e desenvolvimento radicular;

- Reduz o número de macroporos do solo, aumentando a possibilidade de encharcamento;

- Diminui a oxigenação no solo afetando o processo de nutrição e crescimento vegetal.

3.5. Sucessão inadequada

Em áreas irrigadas é mais técnico falar-se em sucessão de culturas do que em rotação pois, não há variabilidade espacial e pouca variação no tempo (época de semeaduras repetidas) fazendo com que via de regra, venha-se a plantar o feijoeiro antes que o resto cultural da última lavoura de feijão esteja totalmente decomposto. Aliado a isso, a característica fisiológica desses fungos saprofitas, tornam o sistema de rotação e/ou sucessão ineficazes e, às vezes multiplicadores de fungos de solo pois, sempre haverá oferta de restos culturais. Somente com a introdução de cultura supressora que vamos discutir adiante, que isso pode ser revertido.

3.6. Topografia e textura

irregular

Muitos pivôs são instalados em áreas com irregularidades topográficas (bacias, panelas) e/ou desuniformidade de textura (solo argiloso e cascalho no mesmo pivô) o que provocam imensos problemas na semeadura (mesmo com plantadeiras pantográficas) além da dificuldade de manejo adequado da irrigação com formação de áreas encharcadas.

3.7. Posicionamento do adubo

O posicionamento do fertilizante quando colocado mais que 3-5 cm da semente pode potencializar a severidade do ataque de fungos de solo, sobretudo nas épocas mais frias (com temperaturas mínimas menores do que 14º C até V4) o que retardará o arranque das plantas, tornando-as mais suscetíveis aos patógenos de solo.

3.8. Manejo inadequado da irrigação

Esse é um fator muito importante. Pivôs com lâminas irregulares e/ou irrigações sucessivas até a fase de V4 provocam muita turgidez do hipocótilo tornando-o muito sensível ao ataque de fungos, além de, diminuir a oxigenação do solo limitando o crescimento radicular. Lâminas leves e constantes após a germinação até o estádio V4 têm que ser evitadas.

3.9. Ataque da larva alfinete

A larva de diabrótica pode-se constituir em problema, quando não se utilizar inseticidas que controlem o inseto na semeadura pois, elas têm a capacidade de perfurar o tecido da planta e causar ferimentos que possibilitam a penetração dos patógenos.

3.10. Queima de raízes por K+

Já são clássicos os trabalhos que evidenciam o efeito salino de K+ provocando queima de raízes, abrindo ”portas” para a penetração dos fungos, atrasando o desenvolvimento das plantas que serão obrigadas a gastar mais energia para fabricar novas raízes.

3.11. Uso de fonte de nitrogênio amoniacal na semeadura

A fonte do N utilizado na semeadura pode ser um fator determinante no aumento da severidade do ataque de fungos de solo. Fertilizantes amoniacais, promovem a redução do pH da rizosfera, favorecendo os fungos do gênero Fusarium e Rhyzoctonia (Zambolim, 1996) e por isso, devem ser evitadas em áreas que apresentam problemas de fungos de solo. Na Tabela 4, pode-se observar o comparativo entre fontes de N e incidência de podridões radiculares.

Tabela 4. Influência da Fonte de N nas podridões de Fusarium spp

Tratamento

% plantas atacadas

Sem N

8

Uréia

10

Sulfato de amônio

57

Fonte: AGRO-SISTEMAS - Quantidade N = 20 kg/ha

3.12. Semeadura com disco duplo em áreas de plantio direto

Principalmente em solos com > 50% argila a semeadura do feijão deve ser sempre com botinha ou precedido de uma subsolagem. Ao efetuar a semeadura com disco duplo, ocorrerá o espelhamento nas laterais do sulco de semeadura. Em conseqüência disso, o sistema radicular será superficial e tenderá ao enovelamento. Tal fato acarretará menor exploração do solo, exigindo lâminas mais leves e constantes, fazendo com que aumente a suscetibilidade ao ataque dos fungos de solo.

4. Estratégias de manejo

No manejo de fungos de solo em áreas de pivô central definimos dois tipos de estratégias:

4.1. Estratégias que visam diminuir a população de fungos

4.1.1. Semente sadia

Sendo fungos infectantes de sementes é fundamental que estas encontrem-se isentas de patógenos, para evitar a contaminação de áreas e/ou o seu aumento de população. Por serem fungos infectantes o tratamento de sementes é ineficaz para eliminá-los totalmente.

4.1.2. Tratamento de semente

É uma prática muito importante para se conseguir a germinação das plântulas livres da doença porém, ineficaz para garantir sanidade até o V4. Na Tabela 3, mostrada anteriormente, o tratamento de semente foi eficaz na diminuição da incidência da doença. Na definição dos fungicidas para o tratamento entre outros fatores deve-se sempre levar em conta:

- A combinação dos princípios ativos de grupos diferentes bem como a combinação entre fungicidas protetores e sistêmicos e,

- Ter sempre um bom fungicida para Rhizoctonia solani, pois este fungo além dos danos diretos ”abre a porta” para a infecção de Fusarium solani.

4.1.3. Uso de fungicida localizado

É uma prática que vem sendo adotada com sucesso pois, além de se proteger, a semente passa a tratar uma faixa de solo onde se dará a germinação e o desenvolvimento inicial das plântulas.

Com isso, pode-se retardar o ataque dos fungos diminuindo a severidade da doença. Essa aplicação é feita através de injetores de defensivos adaptados a plantadeira e, direcionados para pulverizar o fungicida atrás do disco da semente.

Na Figura 1, observa-se o resultado de uma aplicação localiza, realizada em uma área extremamente infectada por fungos de solo.

Na execução dessa prática três cuidados devem ser observados:

a) Utilizar fungicidas líquidos, preferencialmente, para ter maior facilidade de aplicação;

b) Utilizar fungicidas cujo princípio ativo não seja o mesmo dos fungicidas usados no tratamento de semente;

c) Utilizar fungicidas que tenham ação comprovada principalmente para Fusarium solani e Rhizoctonia solani.

4.1.4. Inimigos naturais

Dentre os inimigos naturais do fungo Fusarium solani o fungo Thichoderma tem se destacado por sua ação. É um fungo natural do solo, de ação parasitária em populações de vários fungos fitopatogênicos como Fusarium solani e Sclerotinia sclerotiorum. Seu mecanismo de ação no controle do fungo Fusarium solani é através da colonização do substrato, impedindo ou inibindo o desenvolvimento da doença na planta. Embora já venha sendo utilizado por muitos agricultores ainda existem muitas questões que não foram resolvidas pela pesquisa para melhorar sua eficiência. Dentre as quais citamos:

a) Desenvolvimento de cepas de Trichoderma de origem de solos de cerrado mais adaptadas à vida biótica local e, mais eficientes no controle dos fungos de solo;

b) Estudo de dose e forma de aplicação;

c) Necessidade de reaplicação;

Em um trabalho realizado na região, tivemos um excelente resultado, diminuindo a população de Fusarium solani conforme nos mostra a Figura 2.

4.1.5. Culturas supressoras

Conforme Reis (2000) Citando Mengies (1959), Cook e Baker (1983) caracteriza solo como supressivo aquele que apresenta inospitalidade a alguns fitopatógenos devido ao:

- Patógeno que não se estabelece ou não persiste por muito tempo no solo;

- Patógeno que se estabelece mas não causa dano;

- Patógeno que se estabelece, causa dano mas depois sua população declina.

Segundo esses autores alguns princípios da atividade supressora devem ser levados em conta:

a) A atividade microbiana de alguns solos pode prevenir o estabelecimento de fitopatógenos ou inibir suas atividades patogênicas;

b) Quando os antagonistas desejáveis estão presentes no solo, mas com nível de controle não satisfatório, é desejável intensificar suas atividades pelo manejo da qualidade, da quantidade e da freqüência de fornecimento do substrato;

c) Quanto maior ou mais responsiva for a biomassa microbiana a qualquer nova fonte de nutrientes, mais intensa será a competição enfrentada pelos fungos infectantes de raízes;

d) Quanto maior for a atividade microbiana, mais difícil será para qualquer indivíduo obter nitrogênio, carbono e energia necessários para o seu crescimento.

Portanto, o manejo da fonte nutricional ou do substrato, como por exemplo à qualidade do substrato, tem potencial para solucionar um grupo específico de microrganismos habitantes do solo e, a resposta à qualidade deve-se aos requerimentos nutricionais, diferenciado dos indivíduos que compõem a microflora normal dos solos.

Por outro lado, a quantidade do fornecimento da nova fonte nutricional (kg de matéria seca/ha) determina o aumento populacional dos microrganismos desejáveis ou antagonistas e, finalmente, a freqüência do seu fornecimento (anual ou bianual) determina a estabilidade do efeito supressor no solo.

Esses princípios podem ser explorados pela rotação de culturas planejada e executada com esse fim. O princípio, é converter substratos em propágulos do grupo de indivíduos desejados de antagonistas, resultando um aumento da competição microbiana no solo de modo a reduzir a população do patógeno alvo a uma densidade de inoculo que não cause danos à cultura.

O conceito de aproveitamento da supressividade natural do solo do desenvolvimento de certas doenças é recente, (Costa 2001, citando Schneider, 1982) os mecanismos da supressividade são, geralmente atribuídos ao antagonismo microbiano, ou seja: antibiose, competição, predação e parasitismo (Costa 2001 citando Dornsy 1983).

A densidade mínima de inoculo necessária para causar fusariose, foi testada em 02 solos: um com características supressoras, outro conducivo. Os resultados estão resumidos na Tabela 5.

Tabela 5. Comparativo entre solo supressivos x solo conducivo

Solo supressivo

Solo conducivo

Item

Propágulos/g de solo

Densidade de propágulos de Fusarium solani

5.127

3.001

%

Redução de porte da parte aérea

40

52

Redução do tamanho do sistema radicular

56

65

Perda de estande

5

25

Fonte: Costa 2001

Esses dados são importantes em vários aspectos:

1) Solo com supressividade suporta maior população de fungos de solo;

2) A supressividade diminuiu as perdas de estande, tamanho do sistema radicular e porte da parte aérea. Salientamos que, encontramos áreas com problemas de fungos de solo em densidades bem menores e, que a quantidade de propágulos só poderia ser um indicador do potencial da doença se tivermos um ”referencial de equilíbrio agronômico” ou seja, um dado de densidade de determinada área, submetida ao mesmo manejo e, que não apresentasse problemas de fungos de solo, o que na prática torna-se difícil.

Um outro fator muito importante para utilizar a cultura supresssora é a habilidade que os fungos Fusarium e Rhizoctonia solani têm de competição saprofítica, dificultando muito a eficiência da rotação de cultivar, sem cultura supressora para diminuir o problema.

Assim, em 1997 um estudo conduzido sob condições controladas, revelou a possibilidade de introdução da braquiária no sistema de cultivo do feijoeiro. Este estudo foi realizado utilizando Brachiaria plantaginea e Fusarium solani f.sp. phaseoli, que foi escolhido como patógeno teste. Em apenas uma safra, a braquiária demonstrou sua capacidade de reduzir o inoculo de Fusarium solani f.sp. phaseoli no solo, pois esta promoveu uma redução de 60% na incidência da doença, conforme se observa na Tabela 6.

Tabela 6. Influência da palhada sobre a severidade de podridões radiculares e população de Fusarium solani f.sp. phaseoli

Tratamento

Índice de doença

População Fusarium (PPG)

Arroz

0,68 b*

1834 b

Milho

0,77a

2835a

Milheto

0,50 c

1325 c

Braquiária

0,32 d

432d

Controle

0,54 c

1024cd

Valores seguidos pela mesma letra não se diferenciam estatisticamente pelo teste de Tukey à 5% de probabilidade.Fonte: Jefferson Luis da Silva Costa – Embrapa

Posteriormente, experimentos de campo foram realizados em áreas de produtores, confirmando a supressividade a Fusarium solani e, os resultados ainda indicaram que esta braquiária poderia induzir supressividade também a Rhizoctonia solani (Tabela 7).

Tabela 7. Efeito de Brachiária plantaginea na população de fungos do solo patógenos do feijoeiro (Silvânia-GO, 1998).

Tratamentos

Atividade biológica no solo

População Fusarium solani f.so.phaseoli

% orgânica colonizada com Rhizoctonia solani

Controle 1

0,35

20.000

16

Braquiária plantaginea 2

0,50

6.000

4

¹ Controle: plantio de feijão sobre feijão.² Brachiaria plantagínea: Plantio de Capim marmelada logo após a colheita do feijão.Fonte: Jefferson Luis da Silva Costa – Embrapa

No que concerne ao sistema Santa Fé, o uso de Braquiária em consórcio com o milho a ser utilizado posteriormente como palhada, pode portanto, através dos anos, ou com o seu uso contínuo induzir a supressividade geral a Rhizoctonia solani e Fusarium solani f.sp.phaseoli ou, servir como barreira física à disseminação do Mofo Branco (Tabela 8) quando esta doença for proveniente de ascósporos originado do inoculo no solo.

Tabela 8. Influência da palhada de Brachiaria brizantha no controle do mofo branco do feijoeiro (Brasília-DF, 1999)

Tratamentos

Severidade da doença

Brachiaria brizantha + Fungicida (1 aplicação)

2,0 b*

Brachiaria brizantha

1,8 b

Fungicida (2 aplicações)

3,2 b

Controle

7,0 a

Fonte: Jefferson Luis da Silva Costa – Embrapa* Valores seguidos pela mesma letra não se diferenciam estaticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Os resultados obtidos até o presente sugerem que no sucesso do plantio direto, as escolhas das culturas para rotação tornam-se fundamentais na importância do manejo de doenças causadas por fungos de solo.

Em trabalho realizado numa área sob pivô central com vários problemas de fungos de solo conseguimos reduzir a população do inoculo a níveis similares à área de sequeiro ao lado do pivô conforme indica a Tabela 9.

Tabela 9. Efeito da palhada de brachiaria sobre a população de fusarium solani

Com brachiaria

2820

Sem brachiaria

5840

propágulos/grama

Sequeiro

3300

Fonte: Agro-Sistemas (2001)

Da mesma forma, no manejo do mofo branco, foi possível diminuir sensivelmente o uso de fungicidas, quando utilizamos o sistema de cultura supressora (SISTEMA SANTA FÉ) que nos ofereceu o efeito de barreira física pela palhada da braquiaria conforme a Tabela 10.

Tabela 10. Efeito da palhada sobre a incidência de mofo branco

Palhada

Controle

Produtor

Pivô

Tipo

Cobert.

Preventivo

Curativo

Custo R$/ha

Néri Colpo

1

Milho + Brach.

Adequada

2 x 0,6

--------

42,00

Darci Gatto

1

Queimado

-----------

1 x 0,7

2 x 0,8

174,00

Néri Colpo

3

Milho + Brach

Adequada

1 x 0,6

-------

12,00

Darci Gatto

sede

Milho

Média

1 x 0,6

2 x 0,8

174,00

Marcelo Bonato

3

Milho

Média

1 x 0,6 2 x 0,8

2 x 0,6

174,00

Silvio Ribas

1

Milho

Média

1 x 0,6

2 x 0,8

172,00

Fonte: Agro-Sistemas - Preços base 30/04/2001

Pelos dados apresentados e por todos os aspectos envolvidos na questão, o uso de cultura supressora (Sistema Santa fé) é possivelmente a mais poderosa ferramenta na busca de uma agricultura sustentável em condições de irrigação por pivô central.

4.1.6 Preparo do solo

O preparo do solo pode ser um fator de diminuição momentânea da população de fungos de solo, desde que:

1) Não provoque pé-de-grade.

2) Promova a inversão da leiva trazendo camadas de solo com menor população de fungo para a superfície do solo.

Trabalho feito no CNPAF mostram a resposta direta na população de R

Rhizoctonia solani em função do tipo de preparo do solo, conforme se observa na Tabela 11.

Tabela 11. Efeito do preparo de solo na incidência de Rhizoctonia solani

Tipo de preparo

% Plantas doentes

Grade

42,52

Arado + grade

33,21

Arado

21,23

Fonte: adaptado de Rios et al. Obs.:¹ levantamentos efetuados logo após colheita do feijão de inverno.² Soma das populações totais de fungos, bactérias e actinomicetos.

Ocorre uma melhoria momentânea, em torno de 2-3 anos as condições poderão voltar a ser as mesmas caso não se observe todos os princípios de manejo e, não adiantará movimentar o solo novamente, pois todo o seu perfil já conteria uma população suficiente de fungos de solo para causar danos. Outro aspecto importante, é que ao se movimentar o solo haverá queima da matéria orgânica, do índice de atividade microbiológica, causando desequilíbrio e, conseqüentemente, favorecendo a recolonização de fungos do gênero Fusarium e Rhizoctonia pois estes, se adaptam melhor em ambiente degradados.

4.2. Estratégias que visam maior enraizamento

Nesse ponto agora o foco não será a população microbiana, mas sim, o desenvolvimento da planta, pois como já citamos anteriormente, quanto mais eficientes formos em promover o crescimento radicular, menor será o dano causado pelas podridões radiculares, independente da população fúngica. Entre as várias técnicas ou práticas citamos:

4.2.1. Época de semeadura

É a mais poderosa ferramenta de trabalho. Na região do entorno de Brasília é normal acontecer entre meados de maio a julho temperaturas mínimas menores do que 14º C. A temperatura baixa provoca desaceleração do crescimento, acúmulo de matéria seca, diminuição da atividade metabólica. Além disso, como até o estádio V4 cerca de 70% dos fotoassimilados vão para a formação de raízes estas terão um crescimento lento e pequeno o que favorece a severidade do ataque de fungos de solo, além de, inibir a resposta da planta a técnicas que visem o seu desenvolvimento.

Não se está querendo dizer que não se deva semear nessa época, apenas, que ao fazê-lo as atenções com relação a fungos de solo têm que ser redobradas.

4.2.2. Profundidade de semeadura

Ao lado da época de semeadura é o segundo fator mais decisivo. A profundidade de 2-3 cm (no máximo) de semeadura permite uma rápida emergência, evita gastos metabólicos desnecessários, diminui o tamanho de hipocótilo, diminuindo a possibilidade do ataque dos fungos. Antes da semeadura do feijoeiro deve-se fazer o necessário para se ter um leito de semeadura mais homogêneo possível, para facilitar o trabalho das semeadoras ou plantadeiras pantográficas.

4.2.3. Manejo da adubação

Na adubação de semeadura, podemos adotar algumas práticas para se estimular o desenvolvimento do feijoeiro, tais como:

a) Eliminação do uso de K+ no sulco de plantio

Com isso evita-se qualquer possibilidade de queima de raízes por K+, conforme se observa na Tabela 12. As recomendações de adubação potássica do feijoeiro da Agro-Sistemas são baseadas mais na necessidade do sistema do que da cultura. Quando for necessário adubar com K+, fazê-lo a lanço.

Tabela 12. Efeito salino de fertilizantes

K2O

P2O5

População final

0

182,2

30

60

162,4

45

23

145,0

Fonte: Adaptado de Kluthcouski et al. (2003) - dados não publicados

b) Manejo da adubação fosfatada

O fósforo tem importância vital na formação e arquitetura de raízes (Fancelli 2000). Mesmo com baixa exigência ele é extremamente limitante para o feijoeiro. Quando se tem problemas de fungos de solo, pode-se colocar adubo na semeadura próximo da semente (1-2 cm) desde que:

- Não se use K+ no sulco de plantio;

- Se maneje a irrigação de tal forma que não cause queima de plântulas

Embora no aspecto nutricional e de manejo da fertilidade não seja adequado tal prática, pois é necessário se pensar em correção nutricional do perfil do solo e evitar concentração de fertilidade química na superfície, ao se trazer o fertilizante mais próximo da semente (Figura 3), garante-se o seu arranque mais rápido minimizando os danos do ataque de fungos de solo. Em situações com alta população de fungos de solo e semeadura em época que favoreça o ataque, temos dividido a adubação fosfatada em 50% a lanço e 50% no sulco conforme Tabela 13.

Tabela 13. Efeito do parcelamento do fósforo em feijão irrigado

Tratamento

Forma

Produtividade sc/ha

1 - 100 kg/ha P2O5

100% a lanço

46,3

2 - 100 kg/ha P2O5

50% a lanço - 50% no sulco

64,5

3 - 100 kg/ha P2O5

100% no sulco

61,72

4 - 150 kg/ha P2O5

1/3 a lanço - 2/3 no sulco

75,0

Fonte: Agro-Sistemas

c) Antecipação da adubação de cobertura

Quando detectado o ataque de fungos de solo é importante aumentar o parcelamento da adubação de cobertura nitrogenada e, colocar 20-30% do N projetado para a fase de V3, acelerando o desenvolvimento vegetativo.

4.2.4. Plantio direto

Estima-se que na região do entormo de Brasília haja cerca de 100.000 ha de pivô central (dados da Valley). Desses, todos os anos, 60 a 70% são cultivados com feijão pelo menos uma vez/ano e, após o feijão, milho em mais de 90% dos casos. Esse quadro possui alguns problemas que tem levado os produtores e até técnicos a condenar indevidamente o sistema de plantio direto. São eles:

a) Feijão/milho não é rotação e sim, sucessão cultural pois cada cultura é cultivada no mesmo local (pivôs) e na mesma época do ano;

b) Ambos são hospedeiros para os fungos Fusarium e Rhizoctonia e não apresentam características de supressão;

c) Sempre se estará plantando uma cultura ainda com restos culturais da mesma lavoura do ano anterior. Isso evidentemente aumenta violentamente a fonte de inoculo primário seja de fungos de solo ou doenças foliares.

Os fatores acima citados, trazem como conseqüência o aumento da população de fitopatógenos e, a partir do 3º ano, geralmente, começam a surgir os problemas.

Algumas vezes, se ouve de técnicos ou produtores que é importante subsolar ou mexer na terra de vez em quando, que o plantio direto aumenta as doenças de solo e, alguns chegam até a queimar os restos culturais.

O plantio direto tem em seu sustentáculo a rotação de culturas (e não sucessão) com formação de palhadas sem a qual não há sustentabilidade. Mas para que o sistema funcione, é preciso utilizar culturas supressivas, cicladoras de nutrientes, de sistema radicular e, descompactadoras do solo, ou seja, rotacionar. Quem não observar estes requisitos, com certeza enfrentará problemas e, em algum momento terá que revolver o solo.

Temos preconizado a necessidade de se adicionar cerca de 20 a 25 t/ha de palhada a cada 02 anos (Figura 4).

No Sistema 2, temos uma lavoura a menos, porém a formação de palhada é muito maior e o sistema é muito mais estável. Como a braquiária é supressiva para fungos de solo, os problemas são bem menores.

Quando se entra no SPD tem que se ter consciência que haverá um aumento da população microbiana, de maneira mais rápida que os estrategistas R num primeiro momento. Com o aumento da atividade biológica do solo, os antagonistas entram em ação e reduzem sistematicamente as populações de Fusarium, Rhizoctonia, etc. Em ensaio realizado pela Embrapa, em um período de 5 anos (Tabela 14) só a partir do 3º ano é que se observou essa queda.

Tabela 14. Alterações microbiológicas no solo sob plantio direto¹

Pré-plantio

Anos

Parâmetros

1994

1995

1996

1997

1998

Pop.Microbiana Total¹ (ppg)

9x1013

2x1013

1x1016

1x1018

1x1022

Ativ.Microbiana (m fda/min/gr)

0,55

0,48

0,92

1,09

1,52

Fusarium spp.(ppg) Rhizoc.Solani

3125

3995

4913

2715

1024

(% de matéria orgânica coloniz.) Rhizoctonia solani

45

53

63

25

11

1 Levantamentos efetuados após colheita do feijão de inverno.² Soma das populações totais de fungos, bactérias e actinomicetos.*Fonte: Costa (2001) - CNPAF

Em um pivô central no município de Buritis-MG, com 10 anos de plantio direto e 02 anos no sistema Santa Fé, foi possível colher na safra de 2002, 3.200 Kg/ha sem uma única aplicação contra Sclerotínia sclerotiorum e com população fúngica nos níveis abaixo relacionados.

Por razões não só de ordem fitopatológicas mas de sustentabilidade agrícola, é que temos a convicção que se é possível, conviver satisfatoriamente com fungos de solo no sistema de plantio direto. Uma das ações básicas na nossa linha de conduta é sempre plantar com sulcador. Plantio de feijão com disco duplo, vai trazer os mesmos problemas que um PC com pé-de-grade.

Tabela 15. Efeito do uso do Trichoderma na cultura do feijoeiro

Fusarium sp.

Rhizoctonia

Amostras

Propágulos/g de solo PPGcolonizados (%ROC)

% de resíduos orgânicos

Testemunha

660

44

Thichoderme

430

66

Obs.: Análise de Fusarium no meio seletivo com PCNB, Rhizoctonia no meio Agar e Thichoderme no meio Rosa de Bengala.* Fonte: Agro-Sistemas - Análise CNPAF

4.2.5 Plantio com sulcador e arranjo espacial

Nas áreas sob PD é fundamental o plantio com sulcador. O sistema radicular do feijoeiro é tenro e pouco agressivo, sendo fundamental que o plantio seja feito num leito de semeadura onde o solo esteja o mais solto possível. Por isso, preconizamos o uso no sulcador em profundidade de 18-20 cm. Ressalva-se que o fertilizante deve ser ajustado para não ficar a essa profundidade e sim, próximo à semente. Com isso se conseguirá um bom enraizamento com boa colonização e exploração do solo fundamental para um bom arranque da cultura.

Outro aspecto que consideramos primordial, é a população e o arranjo espacial das plantas. Trabalhamos com populações entre 160 a 180.000 plantas/ha. Quando a área está bastante infestada com fungos de solo, adotamos o espaçamento de 40 cm entre linhas. Esse arranjo (160-180 mil pl/ha e espaçamento de 40 cm) possibilita a construção de plantas vigorosas, de caule mias espesso e com bom desenvolvimento inicial.

Esse tipo de planta quando atacada por Fusarium solani sempre terá maior capacidade de reação e, conseqüentemente o dano será menor. Ressalva-se que as máquinas atuais não oferecem a possibilidade de se trabalhar com espaçamentos menores que 45 cm.

4.2.6. Manejo da irrigação

A irrigação é um fator de fundamental importância no manejo de fungos de solo, atuando tanto na população microbiana como na cultura. No manejo das podridões radiculares após a germinação da cultura, deve-se irrigar somente à noite e, com termo de rega suficiente para que a umidade fique o mais tempo possível, ao nível das raízes e não na superfície do solo. Ao se irrigar a noite, tem-se maior eficiência de irrigação, evitando os problemas com vento e, não se está ”resfriando” o solo durante o dia impedindo ou diminuindo o efeito dos fungicidas.

Em média, com sistema plantio direto, conseguimos ficar até 06 a 08 dias sem irrigar, quando o solo é de textura argilosa. Cumpre-se salientar que não se trata aqui de estesse hídrico, que é nocivo ao desenvolvimento radicular e sim, um monitoramento do perfil da umidade do solo, mantendo-a ao nível do sistema radicular. Ao se fazer isso até a fase V4 (no mínimo) se promoverá um rápido enrijecimento dos tecidos do córtex das plantas, a altura do colo e hipocótilo e, conseqüentemente menor será a capacidade dos fungos de solo (com exceção da Macrophomina) de colonizarem as plantas e causarem danos.

4.2.7. Adubação foliar

Uma vez plantado a cultura e, se tivermos problemas com (Fusarium e Rhizoctonia) uma das poucas ferramentas disponíveis é a adubação foliar. Embora, os resultados sejam variáveis, temos seguido alguns princípios nesse caminho:

a) Como as podridões radiculares atuam no acúmulo da MS, procuramos fazer nutrição foliar utilizando N,P,S e Mo. O molibdênio, apenas para participar da síntese do N;

b) Procura-se parcelar ao máximo essas adubações (cada 05 dias);

c) É importante também o Mn devido aos problemas de deficiência nos cerrados.

4.2.8. Uso de bioestimulantes

Nos últimos anos têm-se apregoado o uso de bioestimulantes hormonais no auxílio do manejo das podridrões radiculares. Tem-se utilizado esta ferramenta sempre que:

a) Algum fator abiótico possa trazer problemas de crescimento radicular. Ex. plantio com baixa temperaturas.

b) Quando se planta feijão sobre feijão.

c) Quando comprovadamente há problemas de fungos de solo e grande probalidade de estes interferirem negativamente na produção

Trabalhos realizados na ESALQ (Figura 5), mostraram efeito positivo do uso do bioestimulante no crescimento das raízes do feijoeiro.

Conclusão

Nesse trabalho, nossa intenção foi mostrar nossa visão do problema das prodridões radiculares em feijoeiro e as metodologias de trabalho que temos aplicado a 07 anos em mais de 6.000 ha irrigados. Vale dizer que, nem sempre conseguimos resultados satisfatórios o que nos desafia ainda mais a continuar na busca dessa chamada sustentabilidade agrícola. Com certeza absoluta, muito ainda há por se fazer e, estaremos abertos e agradecidos a qualquer contribuição nesse sentido.

Bibliografias consultadas

COSTA, J.L.S. Controle de podridões radiculares na cultura do feijoeiro. EMBRAPA 2001FANCELLI, A.L; Neto, D,D. Tecnologia da produção de feijão. Cap.3 pág.16, 1998.FANCELLI, A.L; Nutrição e Adubação – Palestra.REIS, E.M et al. Manejo de podridões radiculares da soja. In: II Encontro Brasileiro sobre doenças da cultura da soja. pág 27, 2002.REIS, E.M. Solos supressivos e seu aproveitamento no controle de plantas. IN: Controle biológico de doenças de plantas. EMBRAPA/CNPDA, Jaguariúna-SP, Cap.11 pág.181 – 193- 1991.RIOS, G.P. et. al. Influência do preparo do solo e da rotação de cultura na incidência de podridões radiculares no feijoeiro. In: V Reunião Nacional de Pesquisa de Feijão. pág.218.STONE, L.F.; RIOS G.P.; SILVEIRA, P.M. Irrigação e as doenças do Feijoeiro. In: Sementes de Feijão Produção e Tecnologia. Cap. 5 EMBRAPA 2000.ZAMBOLIM, L; VENTURA, J.A. Resistência a doenças Induzidas pela Nutrição mineral das plantas. 1996.

Dados para referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição 75, maio/junho de 2003. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo - RS.