Agricultores familiares aderem ao plantio direto nas lavouras de tomate
Agricultores familiares de Caçador – SC, cerca de 420 km de Florianópolis e, demais municípios vizinhos, estão aderindo à técnica do plantio direto nas lavouras de tomate. No município de Caçador, existem aproximadamente 1.800 famílias estabelecidas na atividade rural, sendo que destas, cerca de 60% tem sua renda baseada na produção de hortaliças e, pertencem ao segmento da agricultura familiar.
A região é a maior produtora de tomate do Estado e, figura entre as principais do gênero em todo o Brasil. Pensando em construir um sistema de produção adequado a realidade da agricultura familiar da região, a partir das discussões sobre o modelo de agricultura praticado pelos agricultores em 1999, promovido pelo STR, sentiu-se a necessidade de se colocar em prática as alternativas que a pesquisa vinha propondo.
Em 1997, alguns pesquisadores da Epagri iniciaram um projeto de pesquisa na área de tomate em plantio direto, motivados, pelo Sindicato Rural, que se mostrava preocupado com os altos custos de produção da agricultura familiar na região, bem como, do sistema de produção empregado. No mesmo ano o STR realizou uma série de discussões nas comunidades, apresentando os resultados de pesquisa obtidos pela Epagri, com isso, buscava-se construir uma nova forma de produção de tomates, com a participação efetiva do produtor.
A prática do plantio direto nas lavouras de tomate (Figura 1), em Caçador, começa pela análise do solo para definir o tipo de cobertura adequada. No caso, das 20 lavouras acompanhadas pelo Sindicato, está sendo adotada uma cobertura formada de aveia, ervilhaca (também chamada na região de avica) e nabo forrageiro. Em meados de setembro, é feita a rolagem, com rolo-faca, resultando em um ”tapete de cinco a sete centímetros de palha”. Com a ajuda de máquina de tração animal ou mecanizada, é feita uma pequena abertura na palha, suficiente para jogar o adubo orgânico (cama de aviário).
Bernardete Masquio, presidente do STR de Caçador, enfatiza a necessidade do planejamento e da organização da produção, com vistas a diminuir os custos com a cultura. Enquanto na agricultura convencional, para cada mil pés de tomate, despeja-se de seis a nove sacos de adubo químico, que custam em torno de R$ 45,00 cada, o projeto envolvendo as pequenas propriedades, está tratando a lavoura com 800g de esterco e apenas 60g de supertriplo por metro linear (cerca de 70% a menos nos custos desta fase de produção).
Quando comparados os custos de produção entre os sistemas, no método tradicional, gira em torno de R$ 6,00 a R$ 7,00 por caixa de 23 kg do produto, enquanto que no SPDH, os agricultores não gastam mais do que R$ 2,00 para produzir a mesma quantidade.
Outro fator relevante na técnica empregada, é que diferentemente do sistema convencional, no SPDH não se utiliza irrigação por sulco, que comprovadamente favorece a erosão, mas, sim, o sistema de gotejamento (ferti-irrigação), Figura 2. ”Oferecemos à planta somente o que ela necessita”, declara Rosalino Camuzzato, Diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caçador. Sobre as plantas, os agricultores familiares que participam do projeto, administram caldas especiais, como a calda bordalesa (sulfato de cobre e cal), em aplicações com intervalos de sete a dez dias. Esta é outra grande diferença com relação aos sistemas convencionais, que aplicam agroquímicos de duas a três vezes por semana na lavoura.
Na região, já existem propriedades que estenderam o plantio direto para culturas como a uva, o pêssego e o pimentão. Dentre os benefícios que o plantio direto vem trazendo a região, pode-se destacar: menores custos de produção, preservação do solo, ausência de erosão, diminuição do impacto ambiental da atividade e, a expectativa de melhor qualidade de vida para quem planta e consome esses alimentos.
Os produtores que aderiram ao projeto, já discutem a necessidade de organizar a comercialização da produção em plantio direto da agricultura familiar e de valorizar esses produtos, além de estender a assistência técnica dessas 20 lavouras, para os demais agricultores familiares interessados em aderir ao sistema.
Dados para Referências Bibliográficas:Revista PLantio Direto, Ano XII, Edição 74, Março/Abril de 2003. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.