Bronzeamento Causado pelo Ozônio na Folha de Soja (Curiosidade)


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Publicado em: 01/04/2003

Bronzeamento causado pelo ozônio na folha de soja

As folhas de plantas apresentam vários sinais e sintomas que podem ser causados por deficiência de nutrientes, injúrias de patógenos e fatores abióticos externos.

Em soja o sintoma conhecido por ”golpe-de-sol” ocorre na face inferior da folha, apresentando nervuras de coloração negra alguns dias depois de chuvas com ventos fortes. Folhas isoladas nas plantas ou na lavoura permanecem com a face ventral exposta à radiação solar, resultando na coloração negra nas nervuras.

O sintoma não evolui para outras folhas e não afeta o rendimento de grãos. A coloração escura das nervuras poderia ser confundida com o dano de antracnose, causado pelo fungo Coletotrichum sp.

O ”estresse de ozônio” é causado por teores elevados de gás ozônio (O3), que é destacado entre os poluentes do ar, um dos mais importantes, que afetam as plantas nos Estados Unidos da América.

O ozônio é gerado da reação da luz solar com óxidos nitrosos e oxigênio, na presença de hidrocarbonetos. Em geral, se forma pela combinação de poluentes, elevada umidade do ar (névoa) e intensa radiação solar. Também se forma em períodos de chuvas com intensas trovoadas e raios.

Na bibliografia de universidades norte-americanas, são relatados casos freqüentes de estresse de ozônio em folhas de plantas cultivadas e de florestas.

A penetração do ozônio na planta ocorre pelos estômatos, no processo normal de troca de gases entre a planta e atmosfera. Dentro da planta se dissolve na água, reagindo com elementos químicos e causando distúrbios nas células. Fisiologistas de plantas sugerem que o ozônio causa vazamento em determinadas células, possivelmente pela interação com lipídeos e membranas. A planta reduz o número de flores, o enchimento de grãos e a eficiência de uso da água. Teores elevados de ozônio, resultam em menor metabolismo de dióxido de carbono e menor eficiência geral da planta.

O bronzeamento aparece apenas na face superior da folha de soja, na epiderme, enquanto a face inferior, apresenta características normais. Os sintomas aparecem em partes de lavouras e em determinadas cultivares, a partir de dois dias depois da exposição a teores elevados de ozônio.

As folhas são mais sensíveis no fim da fase do desenvolvimento vegetativo, de plantas bem nutridas e, que se desenvolveram sem estresse hídrico.

Plantas que sofreram com estiagens não apresentam sintomas de bronzeamento causado por ozônio.

Estudos realizados na Universidade de Maryland, EUA, relatam perdas de 10 % na produção de soja e 6 a 8 % na de trigo atribuídos ao ”estresse de ozônio”.

O bronzeamento de folhas de soja foi constatado em várias lavouras no sul do Brasil. Inicialmente as folhas foram examinadas em laboratórios de fitopatologia e foram feitas tentativas de relação com a toxicidade de produtos fitossanitários. A revisão de literatura e o contato com pesquisadores de universidades norte-americanas levou à indicação de que o bronzeamento da face superior de folhas de soja poderia estar relacionado com a exposição a teores elevados de ozônio.