Custeio da Safra de Trigo em Debate (Eventos)


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Publicado em: 01/04/2003

Custeio da safra de trigo em debate

Os representantes da cadeia produtiva do trigo, sugeriram ao Ministério da Agricultura, um aumento de 30% nos limites do custeio da safra, que começa a ser plantada no Centro-Oeste. O atual limite de custeio para lavouras de sequeiro poderia passar de R$ 150 mil para R$ 200 mil por produtor. No caso da cultura irrigada, o limite poderia ser aumentado de R$ 200 mil para R$ 400 mil. ”Isso seria fundamental para compensar o aumento nos custos de produção e incentivar o plantio”, diz Getúlio Pernambuco, chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A proposta será analisada pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, que deve apresentar uma proposta final ao setor.

Em reunião no ministério, o segmento solicitou a fixação do preço mínimo do trigo com base no preço CIF (com impostos incluídos) de importação da Argentina para a região Sudeste, no valor de US$ 170 por tonelada. ”Isso resultaria em um preço de R$ 600”, afirma Pernambuco.

Os representantes da cadeia produtiva pediram ainda o financiamento de R$ 700 por hectare de trigo e, a liberação de R$ 900 milhões para o custeio de cerca de 1,3 milhão de hectares nesta safra. O total exigido para custear toda a safra seria de R$ 1,61 bilhão. Como cresceram os desembolsos nos últimos anos, os R$ 900 milhões ficariam bem próximos à média de 55% de financiamento efetivo da área plantada. Na safra 2001/2002, foram plantados 2 milhões de hectares. Nesta safra, o objetivo é aumentar a área em 300 mil hectares (15% a mais).

Para comercialização da safra, o segmento pediu ao governo a manutenção do sistema de crédito e custeio alongado, com pagamento das dívidas em cinco parcelas a partir de janeiro do ano seguinte à contratação. A cadeia produtiva advogou ainda pela inclusão da seca como evento climático com cobertura plena pelo seguro agrícola oficial, o Proagro.

Os produtores sugeriram também o lançamento de contratos de opção equivalentes a um terço da safra, que corresponde a 1,5 milhão de toneladas, até o final de fevereiro. ”O ideal seria lançar a partir de dezembro, com vencimentos entre agosto e novembro”, diz Pernambuco.