Plantio direto - adubação na superfície ou incorporada?
Amoacy Carvalho FabrícioPesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste
As plantas utilizam a maior parte dos insumos vitais e necessários ao seu desenvolvimento através da solução do solo, que é também o seu principal fornecedor. No caso da região sob cerrado, os solos são originalmente pobres em nutrientes e muito ácidos, necessitando de calagem e adubação de correção, principalmente para aumentar os seus teores de fósforo e potássio.
Dúvidas têm surgido quanto ao modo de efetuar as correções e adubações; se antes de iniciar ou durante a manutenção do plantio direto. Partindo-se de um solo ”virgem”, a melhor maneira de realizar a calagem e a correção é incorporar o calcário ao solo antes do início das chuvas, aplicando-se posteriormente o fósforo e o potássio. Áreas mecanizadas há vários anos podem necessitar de nova aplicação de calcário. Se a dose for menor ou igual a 2 t/ha e o solo apresentar boas condições de infiltração a aplicação de calcário pode ser feita a lanço e sem incorporação. Caso contrário (>2 t/ha), recomenda-se parcelar a aplicação em duas vezes ou mais conforme a quantidade de calcário.
O fósforo, quando o teor no solo for baixo faz-se a correção de duas maneiras: 1) antes do início do SPD, utilizando-se a dose total e incorporando-a ao solo na profundidade de 15 a 20 cm; 2) correção gradativa, que consiste na adubação de manutenção com doses mais elevadas do nutriente. No entanto, existem diversos resultados de pesquisa que indicam a viabilidade do uso da adubação fosfatada em superfície, desde que os teores desse elemento no solo estejam em níveis altos, que não haja impedimento à infiltração e que a distribuição das chuvas esteja normal.
O potássio também pode ser aplicado em superfície. Quando aplicado na linha de semeadura e a dose for superior a 60 kg de K2O/ha esse fertilizante pode causar algum dano, principalmente em sementes de leguminosas, devido ao seu efeito salino. Quando a necessidade de aplicação for alta, em solos com baixa capacidade de troca de cátions e em áreas sujeitas a precipitações pluviais intensas, como na região dos Cerrados, o potássio deve ser aplicado a lanço, em doses que permitam a manutenção dos níveis adequados no solo e que reponham as quantidades exportadas pelas culturas.
O enxofre, componente de alguns adubos, principalmente os que contêm fósforo e/ou nitrogênio. Presente no gesso agrícola, quando houver interesse em introduzir enxofre no sistema, ou o cálcio em profundidade em solos mais argilosos. Em solos de textura arenosa ou média, no SPD, o próprio calcário pode enriquecer as camadas mais profundas com cálcio.
Para suprir as necessidades de nitrogênio em gramíneas, como milho, sorgo e outras, uma terça parte da dose deve ser aplicada na semeadura e a dose restante em cobertura, preferencialmente antes de uma chuva. Quando incorporado sua eficiência é melhor, principalmente se a fonte for a uréia. Na cultura da soja não há necessidade de aplicar nitrogênio via adubação química, porque por simbiose as bactérias encarregam-se de fixar o nitrogênio existente no ar e torná-lo disponível para as plantas. Deve-se, no entanto, tratar as sementes com inoculantes específicos e com os micronutrientes cobalto e molibdênio, fundamentais para o processo da fixação simbiótica.