Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi - Doenças)


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Publicado em: 01/02/2003

Ferrugem Asiática

Cláudia Vieira Godoy e José Tadashi YorinoriPesquisadores da Área de Fitopatologia - Embrapa Soja – Caixa Postal 231 – 86001-970 – Londrina-PR – Fone: (43) 33716258 - E-mail: godoy@cnpso.embrapa.br - tadashi@cnpso.embrapa.br

O surgimento de uma nova doença, conhecida como ferrugem asiática, tem causado grande preocupação entre os produtores e pesquisadores da soja no Brasil. A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é originaria do continente Asiático e foi constatada pela primeira vez no Continente Americano, em março de 2001, no Paraguai (W.M. Paiva). Na safra 2001/02 foi identificada nas regiões Sul (RS e PR), Sudeste (SP) e Central (GO, MS, MT) do Brasil. Os danos observados foram bastante severos e nas situações mais críticas foram constatadas reduções de até 70% na produtividade

Os sintomas iniciais da doença são pequenas pontuações escuras nas folhas, e com o passar do tempo, as folhas amarelecem e caem prematuramente, reduzindo o ciclo da cultura e impedindo o completo enchimento das vagens. As lesões são mais facilmente observadas nas folhas mais baixas das plantas. Os sintomas da ferrugem podem facilmente ser confundidos com lesões iniciais de mancha parda sendo importante o papel da assistência técnica para uma correta identificação da doença. Para se ter certeza da presença da ferrugem deve-se observar a face inferior das folhas suspeitas com o auxílio de uma lupa podendo ser observadas saliências castanho clara, que se constituem em estruturas de frutificação do fungo (urédias) no interior da qual são produzidos milhares de uredósporos (estruturas de reprodução do fungo) (Figura 1a e b).

Os uredósporos são estruturas muito leves, sendo facilmente transportados pelo vento, por isso é importante que os agricultores fiquem atentos para ocorrência da ferrugem em lavouras vizinhas. As condições que favorecem seu desenvolvimento são temperaturas noturnas amenas e água livre na superfície das folhas, tanto na forma de orvalho como precipitações bem distribuídas ao longo da safra. As regiões mais altas normalmente são mais favoráveis a ocorrência da doença devido a um maior número de horas de orvalho. A umidade é essencial para que o fungo inicie o processo de infecção, sendo necessário um mínimo de 6 horas de molhamento foliar.

O fungo causador da ferrugem é considerado um patógeno biotrófico, ou seja, só sobrevive e se multiplica em hospedeiro vivo. A entre safra serve para diminuir a quantidade de uredospóros presente no ambiente e desta forma os primeiros plantios estão sujeitos a um menor inóculo inicial. Por essa razão, os plantios realizados mais cedo estarão sujeitos a uma menor pressão do patógeno e servirão para multiplicar o fungo para os plantios tardios. Na safra 2001/02, os ataques foram mais severos principalmente nos plantios mais tardios.

Na safra 2002/2003 a doença foi observada inicialmente no Paraguai a partir de dezembro. No Brasil, a doença foi observada recentemente por pesquisadores da EMBRAPA em Itapeva, na região Sul de São Paulo. Os sintomas da doença foram identificados em uma área onde foram plantadas diversas cultivares de soja, no mês de setembro, para teste de germinação antes de se iniciar o plantio comercial. A observação dos focos iniciais indica que há a presença do fungo nas lavouras mas a agressividade da doença vai depender de fatores como condições ambientais favoráveis e nível de resistência das cultivares. O simples fato do fungo estar presente na lavoura não indica que possam ocorrer epidemias. Os pesquisadores recomendam que os agricultores estejam alertas para evitar perdas de produtividade.

Testes em campo e casa-de-vegetação mostraram que os fungicidas do grupo dos triazóis e das estrobilurinas, registrados para o controle de oídio e de outras doenças que aparecem no final de ciclo da cultura são eficientes no controle da ferrugem (Tabela 01) sendo sua inclusão no registro obtida em novembro de 2002. A utilização de fungicidas pode se vista como uma medida de controle para minimizar os danos a curto prazo. A longo prazo, o desenvolvimento de variedades resistentes/tolerantes poderá minimizar as perdas sem aumentar o custo de produção. Fontes de resistência já foram identificadas e estão sendo incorporadas no desenvolvimento de novas cultivares. Em teste realizado com 452 cultivares pela Embrapa Soja, as que se mostraram resistentes foram: BRS 134 (PR), BRSMS Bacuri (MS), Campos Gerais (PR), CS 201 (MG), IAC PL-1 (SP), K-S 601 (PR), OCEPAR 7 – Brilhante (PR), FT-2, FT-3, FT-17 e FT-2001 (PR).

Tabela 1. Fungicidas registrados para o controle de ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) na cultura da soja.

Nome Comum

Nome Comercial

Dose/ha

g de i.a.1

p.c.2

Fluquinconazole 3

Polisade

62,5

0,25 kg

Epoxiconazole + Pyraclostrobin

Opera

25 + 66,5

0,50 l

Difenoconazole

Score 250 CE

50

0,20 l

Azoxystrobin 4

Priori

50

0,20 l

Tebuconazole

Folicur 200 CE

100

0,50 l

1i.a. = ingrediente ativo2p.c.= produto comercial 3adicionar 250 mL/ha de óleo mineral ou vegetal4incluir Nimbus 0,5% v./v. aplicação via pulverizador tratorizado ou 0,5 L/ha via aérea.

A época recomendada para aplicação de fungicidas é a mesma para controle de doença de final de ciclo para plantios realizados mais cedo, até final de outubro (início de granação - R5.1 à meia granação R5.3/R5.4). Para plantios mais tardios, após início de novembro, pode ser necessário uma antecipação na aplicação dos fungicidas para os estádios de ”canivetinho” (R3) e início de formação de grãos (R5.1), devido a possibilidade do fungo estar se multiplicando nos plantios mais cedo.

Para definir a real necessidade do controle por meio de aplicação de fungicidas é necessário fazer um monitoramento da lavoura, observando se há ocorrência da doença nas folhas mais velhas e verificando o histórico de ocorrências nas regiões próximas. Condições de seca e altas temperatura desfavorecem o desenvolvimento da doença.

Como os resultados de pesquisa disponíveis nas condições de Brasil são escassos em virtude da recente introdução da doença, as recomendações de controle adotada pela Embrapa Soja para essa safra, estão baseadas no aspecto de segurança. Para as próximas safras espera-se ter mais conhecimento sobre o desenvolvimento e agressividade da doença e métodos de controle. É importante salientar que a ocorrência da ferrugem pode variar de um ano para outro, dependendo das condições climáticas da safra.

Dados para referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, Ano XII, edição 73, Janeiro/Fevereiro de 2003, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.