Dourados é Berço do Plantio Direto no Oeste Brasileiro


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Publicado em: 01/02/2003

Dourados é berço do plantio direto no oeste brasileiro

No dia 12 de dezembro de 2002, em comemoração aos 25 anos de implantação do Sistema Plantio Direto (SPD) em Mato Grosso do Sul, o Grupo Plantio na Palha (GPP), Embrapa Agropecuária Oeste, Universidade Federal de MS, Prefeitura Municipal e Sindicato Rural de Dourados, inauguraram o marco do pioneirismo de adoção do SPD no Estado e em todo o Oeste do Brasil, na fazenda Aquarius, de propriedade de Thomas Jeriel Owens, arrendada pelo produtor Lúcio Damalia, localizada no distrito de Panambi, município de Dourados.

Segundo Lúcio Damalia, em 1977, a fazenda tinha um sério problema de erosão que nem mesmo os terraços estavam conseguindo resolver, até que surgiu a opção do Plantio Direto, naquela época uma novidade no país. A iniciativa partiu de orientação de técnicos da multinacional Zeneca, até então denominada ICI. ”Fomos nos adequando às novas tecnologias, mas conseguimos controlar a erosão de imediato. Hoje, temos um controle de praticamente 100%, comemora Damalia. O produtor era funcionário da fazenda quando deu início, junto com Thomas, à implantação do Plantio Direto, que começou em apenas 10 ha da propriedade de 465 ha. Em 2000, já arrendatário das terras, Damalia contava com 100% da área de plantio adepta ao sistema. Dentre as principais culturas da propriedade estão a soja, o milho, o girassol, o trigo, a aveia e o feijão.

Damalia destacou a dificuldade que enfrentou nos primeiros anos, quando estava se adaptando ao novo método, mas a todo o momento enfatizou a necessidade de toda a população participar da construção de um sistema produtivo onde possam ser conservados o solo, a água e o ar. ”Isso é possível com o Plantio Direto, que, acima de tudo, melhora o potencial produtivo do solo, pois ele passa a acumular mais matéria orgânica, mais água e mais nutrientes do que no modelo convencional”. O produtor ainda forneceu a produtividade em sua fazenda, em sacas por hectare: 58 de soja, 44 de trigo, 110 de milho e 80 de milho safrinha. Thomas também desenvolve o Sistema Plantio Direto na propriedade onde reside atualmente, na cidade de Nova Esperança, no Paraguai. E ainda comemora: ”O município já conta com praticamente 100% de sua área cultivada no sistema”.

Luís Carlos Hernani, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste na área de Manejo e Conservação do Solo, tem acompanhado a experiência de Damalia desde 1987 e mostra que a produtividade da fazenda Aquarius tem aumentado continuamente entre 1981 e 2002: a soja passou de 2.800 para 3.600 kg/ha e o trigo de 1.800 para 2.600 kg/ha. Já o milho safrinha, que produzia 3500 kg/ha há 20 anos, alcançou 5.700 kg/ha em 2002, índice significativamente superior à média da região, na mesma época, de acordo com o pesquisador.

Hernani ainda acrescenta que o custo de produção é bem menor se comparado com o convencional, e ainda traz benefícios para o meio ambiente, como o acúmulo de matéria orgânica no solo, que aumenta retenção de água, nutrientes e o seqüestro de carbono atmosférico no solo e melhora qualidade do ar. ”Sem contar que reduz assoreamentos, enchentes e poluição de represas e rios, o que resulta em menores custos sociais”, afirma o pesquisador. Na sua avaliação, os resultados alcançados por Lúcio Damalia foram os melhores possíveis, pois o produtor é uma pessoa interessada em absorver e implantar as novas tecnologias, a exemplo dos adequados sistemas de rotação de cultura que implantou em sua fazenda. ”Uma característica do Sistema Plantio Direto é fazer com que o agricultor esteja sempre em busca de novas informações, seja no Grupo Plantio na Palha, que é formado por produtores, ou nas instituições de pesquisa e extensão, como a Universidade e a Embrapa, salienta Hernani. Segundo ele, Mato Grosso do Sul conta com cerca de 70% de sua área de soja cultivada em Plantio Direto (de 800 a 900 mil ha), mas somente 12% adota o Sistema com um todo, ou seja, com rotação de culturas como a integração lavoura-pastagem.