A hora e a vez da agricultura brasileira
Historicamente, a agricultura brasileira vem sendo o centro das discussões em torno do crescimento econômico, fadada muitas vezes, a insignificância de um setor secundário em torno de economias industriais. Constantemente alvejada como grande causadora das disparidades sociais e das disputas em torno da propriedade rural é, na verdade, um dos pilares do desenvolvimento e do crescimento da economia brasileira.
A potencialidade da nossa agricultura rompe as fronteiras e atravessa oceanos, pois o Brasil é o único país do mundo que dispõem do fator de produção mais escasso, terra em abundância. E além de terra, biodiversidade e clima dignos de um país continente. Acredita-se ser essa a hora e a vez do setor agrícola. O momento de euforia, sugere a organização das cadeias produtivas e a busca da eficiência e competitividade no cenário internacional.
Os negócios gerados da agricultura ou agronegócios, como alguns preferem chamar, são fantásticos. Como afirmou o Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o agronegócio representou em 2002, 25% do Produto Interno Bruto, 37% dos empregos gerados e 41% das exportações. Em termos de área cultivável, o potencial do agronegócio impressiona. Segundo o IBGE, são mais de 210 milhões de hectares, destes, quase 90 milhões somente na região do cerrado, ainda inexplorados.
A mais recente estimativa oficial para a safra de grãos do ano agrícola 2002/2003, divulgada pela Conab no final do ano passado, 106 milhões de toneladas, é mais uma demonstração de força e notável transformação pela qual a agricultura brasileira vem passando. Se confirmadas as previsões anunciadas, representará um novo recorde histórico da agricultura, com crescimento de 9,7% sobre a safra passada.
Em todas as regiões produtoras, tradicionais ou nas novas fronteiras agrícolas que rompem esse país continente, embora ainda exista muito por se fazer, observa-se a modernização dos métodos de cultivos, o uso de sementes melhoradas, de fertilizantes, da presença de assistência especializada, da gestão das propriedades e do fortalecimento da mentalidade empresarial no meio rural. E, o resultado dessa mudança, tem sido um rápido crescimento na produtividade das principais culturas.
Nesse sentido, o plantio direto cujo pioneiro, Herbert A. Bartz que adotou a tecnologia em caráter experimental em 1972, na região de Rolândia-PR, completando 30 anos de sistema em 2002, destaque nesta edição, apresenta-se como um diferencial uma vez que assume importante papel e, que hoje ocupa uma área próxima a 20 milhões de hectares.
Dessa forma, a Revista Plantio Direto com o intuito de cumprir seu papel de difusora de tecnologias, a partir desta edição, conta com um Conselho Consultivo, formado por especialistas de diversas áreas da produção, tendo como objetivo principal, auxiliar cada vez mais na qualidade da linha editorial, dispondo a seus leitores os diferentes cenários, experiências e transformações decorrentes do processo evolutivo nas diversas regiões produtoras desse imenso país.
Leonardo Dian Borges