O Risco da Dispersão do Nematóide de Cisto da Soja Junto a Sementes de Pastagens (Doenças)


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Publicado em: 01/12/2002

O risco da dispersão do nematóide de cisto da soja junto a sementes de pastagens

Guilherme Lafourcade AsmusPesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste O Nematóide de Cisto da Soja (NCS), Heterodera glycines, é considerado um dos principais problemas fitossanitários da cultura. Decorridos apenas 10 anos de sua primeira detecção em território nacional, a área infestada evoluiu de 10.000 ha para cerca de 3 milhões de hectares, situados em 7 Estados e 84 municípios brasileiros. Esse grande aumento de áreas infestadas pelo NCS decorre, principalmente, de sua extraordinária capacidade de disseminação. Os cistos do NCS – corpo de fêmeas adultas mortas que encerram dentro de si apreciável quantidade de ovos viáveis – são muito leves e podem ser dispersos por qualquer agente que carregue partículas de solo. Assim, veículos e implementos agrícolas, ventos, erosão laminar, pássaros e outros animais, e mesmo pessoas que circulem em áreas contaminadas, podem tornar-se agentes de disseminação. Ou seja, qualquer partícula de solo de áreas infestadas pelo NCS pode conter cistos do nematóide e ser, potencialmente, capaz de infestar glebas, lavouras vizinhas ou mesmo outras regiões ainda indenes (sem a ocorrência do nematóide). Em Mato Grosso do Sul, logo após a detecção do NCS no município de Chapadão do Sul, várias medidas foram tomadas – algumas de caráter emergencial – a fim de evitar que o nematóide se disseminasse para outras regiões produtoras do Estado. Além disso, a reação da pesquisa e do setor produtivo foi extremamente rápida. A rotação de culturas com espécies não hospedeiras, por exemplo, foi rapidamente incorporada como prática de manejo das áreas infestadas e, por conseqüência, a cultura da soja manteve e, em alguns casos, até aumentou a produtividade nessas áreas. Várias são as espécies utilizadas para a rotação com a soja em áreas infestadas pelo NCS, das quais o milho e o algodão têm sido as mais freqüentes. Alguns produtores optaram, no entanto, por produzir sementes de pastagens nas áreas infestadas. Essa opção traz uma série de benefícios, entre eles o fato de que a adubação residual da soja, especialmente no que diz respeito aos maiores teores de nitrogênio, permite a produção de sementes de pastagens em quantidade e qualidade superiores. Em muitas propriedades a colheita de sementes de pastagens – especialmente de espécies de Panicum e de Brachiaria - é ainda realizada pelo método de varrição. Quando a colheita não é realizada dessa forma, não é difícil encontrar produtores que espalham as sementes sobre o solo para que ocorra a secagem das mesmas. A terra que acompanha as sementes produzidas nessas condições pode ser um eficiente agente de dispersão de cistos do NCS.Considerando que a ocorrência do NCS encontra-se limitada à região Centro-Norte do Estado, uma grande atenção deve ser dedicada ao trânsito de sementes de gramíneas forrageiras produzidas em áreas infestadas pelo nematóide. O ideal é que essas sementes sejam colhidas e beneficiadas de forma adequada, de maneira a não conter torrões ou terra. Na impossibilidade disso, que não sejam comercializadas para áreas sem o nematóide. Cabe ressaltar que, devido ao grande volume de sementes que constitui um lote (até 3.000 e 5.000 kg para Brachiaria e Panicum, respectivamente) e à conseqüente dificuldade de detecção do NCS em amostras, a simples análise pode não ser suficiente para atestar a isenção do nematóide no lote. Necessário faz-se que todos os envolvidos na cadeia de produção de sementes de pastagens, incluídos produtores, comerciantes, órgãos normativos (CESM) e de fiscalização (DFA), pesquisa e assistência técnica tenham ciência, de forma clara, sobre as implicações da introdução do nematóide de cisto da soja na Região Centro-Sul do Estado e do risco que há no trânsito de sementes de pastagens infestadas com o NCS. Não diferente de outras várias situações, vale a máxima de que: “é melhor prevenir do que remediar!”