Aveia, um Sustentáculo do Sistema de Semeadura Direta


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Publicado em: 01/12/2002

Aveia, um sustentáculo do Sistema de Semeadura Direta

Elmar Luiz FlossEngenheiro agrônomo e licenciado em Ciências, doutor em Agronomia, professor titular da Universidade de Passo Fundo; pesquisador do CNPQ, coordenador do Programa de Pesquisa de Aveia;CP: 271; CEP:99070-970; fone:(54) 316 8167; E.mail: floss@upf.tche.br Introdução

A adoção crescente do sistema de semeadura direta (SSD) pelos produtores da região Centro-sul do Brasil é a principal e mais positiva mudança no perfil das propriedades agrícolas observado nos últimos anos. Região em que grandes quantidades de solo fértil eram perdidas anualmente devido a erosão, como conseqüência da intensa mobilização destes solos para implantação das culturas de inverno e verão e a falta de cobertura morta no solo.O manejo adequado dos solos agrícolas se traduz pela manutenção e a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas dos mesmos, visando a maximização da produtividade das culturas econômicas, de forma permanente. A manutenção de restos culturais na superfície do solo, num adequado sistema de rotação de culturas, é um importante fator condicionador do solo, refletindo de maneira eficaz no incremento da infiltração da água, redução da temperatura superficial do solo, aumento da estabilidade de agregados e da disponibilidade de nutrientes e água, e, estímulo às atividades microbiológicas. Consequentemente, ocorre uma redução das perdas por erosão do solo e água, um aumento gradativo da produtividade das culturas e a redução dos custos produção. Portanto, a cobertura do solo com material orgânico é essencial para o sucesso da semeadura direta, tornando-se preocupação prioritária dos agricultores pretendentes a implantação deste sistema. Depois da fracassada implantação do SSD no início dos anos 70 devido, principalmente, a falta de palha na superfície dos solos (“cultivo de soja sobre resteva de soja”), o sucesso veio com a semeadura das culturas, especialmente de verão (soja e milho), sobre a palha das culturas de inverno, como o trigo. Com a redução paulatina da área cultivada com trigo, a partir de 1977, a aveia passou a ser a cultura de inverno/primavera mais importante como produtora de palha no inverno em toda a região Sul do Brasil, ocupando parte da grande área de solos agrícolas que ficam em pousio nesta época do ano.A principal espécie cultivada como cobertura verde/morta é a aveia preta (Avena strigosa Schreb). Apesar dos enormes benefícios desta prática, a necessidade de aumento da renda nas propriedades, seja pelo aumento dos rendimentos dos cultivos ou pela redução de custos de produção, fez com que os produtores aumentassem, ultimamente, o aproveitamento desta biomassa na produção animal através da integração lavoura-pecuária. Outra alternativa econômica para agregação de renda na propriedade é o incremento crescente da área cultivada com aveia branca (Avena sativa L.) visando a produção de grãos, destinados a alimentação humana ou animal. Esta prática mantém uma boa produção de palha e de forma suplementar a produção de grãos de alto valor nutritivo, tendo como principal destino a substituição do milho no arraçoamento animal na própria propriedade ou na região, especialmente nos meses de outubro a fevereiro. Estes grãos de aveia contribuiriam para reduzir o déficit crescente de grãos de milho observado no RS, principalmente na suplementação da alimentação da vacas leiteiras, equinos e ovinos, e parcialmente na alimentação de suínos e frangos.

Fatores essenciais para a sustentabilidade do SSD

O SSD caracteriza-se como um processo conservacionista do solo, traduzido pelo controle da erosão, redução da amplitude de variação da temperatura na superfície, aumento da infiltração de água (redução da densidade do solo/aumento da porosidade), redução de plantas daninhas anuais por supressão, reciclagem de nutrientes e complexação do alumínio (redução da necessidade de calcário).Entretanto, estas vantagens do SSD somente ocorrem quando houver palhada na superfície do solo. Nas condições climáticas que normalmente ocorrem na maioria das regiões do Sul do Brasil (altas temperaturas e precipitação), esta palhada somente é obtida pela resteva de gramíneas, como o milho no verão e o cultivo de aveia branca, cevada, centeio, trigo ou triticale no período de inverno.Estima-se uma necessidade de 9 a 12 t ha-1 de palha seca por ano para que as vantagens do SSD sejam obtidos.

A aveia como cobertura verde/morta do solo

Considerando as condições climáticas que ocorrem na região, a principal função das plantas de cobertura verde/morta do solo é a manutenção ou melhoria da estrutura física do solo e a estabilidade de agregados, proteção do solo contra a erosão e inclusive, a descompactação de camadas compactadas sub-superficialmente. Em todo Sul do Brasil, a principal cultura de lavoura é a soja que produz, anualmente, enormes quantidades de palhas, acrescentando ao solo mais de 100 kg ha-1 de ni-trogênio, fixado simbióticamente. Como a decomposição da palha de soja é rápida, devido às condições climáticas que ocorrem e a baixa relação C/N, não há aumento do teor de matéria orgânica no solo. Grande parte deste nitrogênio é perdido por desnitrificação, lixiviação e volatilização, antes da implantação das culturasde inverno. Desta forma, para viabilizar o SSD, há necessidade de acrescentar ao solo materiais de relação C/N mais larga, como a palha de cereais e o cultivo de leguminosas como adubos verdes quando o sistema estiver estabilizado. O cultivo de nabo forrageiro é importante alternativa como cultura intercalar, entre a colheita das culturas de verão (fevereiro/março) até a implantação das culturas de inverno (junho/julho).Devido a problemas sanitários e limitações de mercado, os solos do Sul do país não são ocupados integralmente no inverno com cultivo de cereais produtores de grãos, enquanto no verão, os solos são totalmente cultivados com milho, feijão, sorgo, e, principalmente, a soja.Na busca de soluções para a deficiência de palha para garantir o sucesso do SSD muitos produtores rurais do Paraná, e posteriormente, em várias regiões do Rio Grande do Sul e outros Estados, iniciaram em meados da década de setenta, experiências com o cultivo de gramíneas como aveia, centeio e azevém, para utilização como coberturas verdes de inverno. Atualmente, áreas expressivas de solos na região Sul do Brasil são cultivadas com aveia preta, visando a implantação, em sucessão, de soja e outras culturas de verão, especialmente através da semeadura direta. A preferência pela aveia preta para esta finalidade deve-se: (a) a facilidade de obtenção de sementes; (b) ao menor custo de implantação em relação a outros adubos verdes; (c) a maior capacidade de formação de cobertura morta devido à larga relação C/N; (d) a rusticidade quanto a exigência de pH e disponibilidade de nutrientes no solo e condições climáticas; e) adaptação às diferentes regiões brasileiras; (f) ao alto potencial de rendimento de matéria verde e seca; (g) apresentar um sistema radicular agressivo e melhorador das propriedades físicas do solo; (h) ao controle alelopático sobre várias plantas daninhas, através de exsudações radiculares de escopoletina; e, (i) a melhoria da sanidade do solo, diminuindo a população de patógenos causadores do mal-do-pé (Gauenmanomyces graminis tritici) e podridões radiculares do trigo (Bipolaris sorokiniana e Helmintosporium sativum) e esclerócios (Sclerotinia sclerotiorum), rizoctoniose (Rhizoctonia solani) e nematóides (Meloidogyne incognita) da cultura da soja.O potencial de rendimento de fitomassa da aveia, rendimento de matéria verde e seca, foi avaliado em experimentos conduzidos pela Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo no período de 1992 a 1996 (Floss, 1993; Floss & Ceccon, 1994; Floss & Ceccon, 1996; Floss & Ceccon, 1997; Floss & Grapiglia, 1995 (Tabela 1)). Foram avaliados todos os genótipos disponíveis de aveia preta e os experimentos foram conduzidos sem adubação, implantados através de semeadura direta e o corte foi realizado na floração plena. Apesar da variabilidade observada na comparação entre anos, obteve-se um rendimento médio de 26 t ha-1 de matéria verde e 6,6 t ha-1 de matéria seca. A amplitude de variação entre anos foi de 20 t ha-1 de matéria verde em 1994 e 1995 para 36 t ha-1 em 1992, enquanto a variação da matéria seca foi de 5,2 t ha-1 em 1993 para 9,3 t ha-1 em 1992. Na comparação da produtividade dos genótipos avaliados verifica-se uma amplitude de variação de 3,8 (1993) a 11,2 t ha-1 (1992) de matéria seca.

Tabela 1. Rendimento de biomassa verde (RMV) e seca (RMS) de genótipos de aveia preta, no estádio de floração, em Passo Fundo, 1992/1996

Anos

Nº de genótipos avaliados

RMV

Variação

RMS

Variação

(kg ha-1)

1992

17

29565

(20931-36167)**

6822

(5073-6220)

9

36067

(21447-40533)*

9343

(5627-11236)

1993

22

22409

(17625-28677)

5214

(3858-6328)

1994

23

20182

(14380-24698)

5500

(4067-6727)

1995

22

20064

(14133-26596)

5385

(3773-6782)

1996

15

28293

(20530-34420)

7509

(5949-9693)

Médias

26097

6629

*Ensaio regional; **ensaio preliminar

Considerando a necessidade do aumento da rentabilidade da propriedade, uma das estratégias mais eficientes é a redução dos custos de produção. Como o sucesso do sistema de semeadura direta depende da produção de palhas, surge o desafio da obtenção deste objetivo aliado ao aumento da renda com a utilização da aveia como forrageira ou na produção de grãos.

Integração lavoura-pecuária em sistemas de semeadura direta

Mediante um manejo adequado, do pastejo e do solo, é perfeitamente possível a integração lavoura-pecuária em sistemas de semeadura direta. Na formação de pastagens de inverno, cultivada de forma isolada ou consorciada com outras forrageiras de clima temperado, a aveia é a principal forrageira utilizada devido a alta produção de matéria seca e qualidade nutritiva da forragem, resistência ao pisoteio e o baixo custo de produção, possibilitando, ainda, a elaboração de feno e silagem durante o inverno. Este procedimento significa a garantia de alimentação dos rebanhos no período em que as geadas crestam completamente as pastagens nativas (hábito estival de crescimento), possibilitando a produção de carne na entressafra e a estabilização da produção leiteira a custos significativamente inferiores em relação à utilização de concentrados ou silagem de milho. Representa um aumento significativo da oferta de forragem na propriedade para alimentação dos animais no verão/outono quando os solos estão ocupados com as culturas de verão, como soja e milho, e o conseqüente aumento da produção de leite e carne na propriedade.Para evitar a compactação do solo e a perda muito elevada de forragem através do pisoteio é recomendado o pastejo rotacionado através da divisão da área em piquetes mediante o uso da cerca elétrica. Os animais somente devem entrar na pastagem quando houver uma disponibilidade de aproximadamente 1500 kg ha-1 de matéria seca (MS) ou seja aproximadamente 900 g de forragem verde por metro quadrado, deixando uma resteva de 7cm acima do solo. É fundamental que os animais sejam retirados da lavoura com uma antecedência mínima de 21 dias antes da dessecação para que haja um rebrote das plantas e a produção de biomassa para não prejudicar a semeadura direta da soja em sucessão. Com este rebrote, além da formação de palha na superfície, o crescimento radicular reduz a compactação superficial do solo.Em sistemas de semeadura direta já consolidados é possível a elaboração de feno (floração) e silagem, na forma pré-secada ou diretamente no estádio de floração plena da aveia. Na produção de feno ou silagem pré-secada, recomenda-se que o corte seja realizado na fase de elongação ao emborrachamento para permitir o rebrote das plantas e a produção de biomassa. Para evitar prejuízos ao SSD, recomenda-se ainda que a retirada de forragem na forma de feno ou silagem seja realizada, somente em 20% da área, repetindo-se a retirada da biomassa de 5 em 5 anos. Para a ensilagem recomenda-se o cultivo preferencialmente de cultivares de aveia branca com alta estatura de plantas e alto potencial de rendimento de forragem, como os cultivares UPF 18 e UFRGS 16, devido ao maior potencial de rendimento e melhor qualidade nutritiva da forragem

Rendimento de grãos e palha pela aveia branca

Na substituição do cultivo de aveia preta por aveia branca objetivando a produção de grãos, obtém-se os mesmos benefícios quanto a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, acrescida pelo produção de grãos de alto valor nutritivo, a baixos custos. Graças aos programas de melhoramento genético de aveia existentes no sul do Brasil, há disponibilidade de cultivares com altos potenciais de rendimento e melhor adaptação às diferentes condições edafo-climáticas quando comparado com alguns anos atrás. Através da Figura 1 é apresentado o rendimento médio de grãos dos cultivares recomendados de aveia branca obtidos no Sul do Brasil, no período 1999/2001. Na média dos três anos o melhor rendimento foi obtido com os cultivares UPFA 22 -Temprana (3583kg ha-1), URS 21 (3449kg ha-1) e CFT 2 (3411 kg ha-1), enquanto os cultivares UFRGS 18, UFRGS 15 e UPF 17, apresentaram um rendimento inferior.Analisando 13 cultivares de aveia durante 4 anos em Passo Fundo, verificou-se uma produção, na colheita, de 3928 kg ha-1 de matéria seca de palha (Floss, 2000). Os cultivares UPF 15 (4894kg ha-1) e UPF 17 (4761kg ha-1) apresentaram um rendimento de palha superior aos demais, enquanto os cultivares UFRGS 7 (2960 kg ha-1), UFRGS 10 (3229 kg ha-1) e UFRGS 14 (3275 kg ha-1) apresentaram um rendimento de MS de palha inferior. Portanto, o agricultor tem a possibilidade de escolher cultivares de aveia branca que além do alto potencial de rendimento de grãos também apresentem altos rendimentos de palha na resteva, mantendo a cobertura do solo e o sucesso do SSD. Quando comparado o rendimento médio de resteva de palha da aveia branca (3928 kg ha-1) com o rendimento total de biomassa de aveia preta na floração (6629 kg ha-1), verifica-se que ela representa 59%. Apesar da quantidade da palha de aveia branca ser significativamente inferior, a relação C/N desta palha é superior a 90, o que significa uma menor velocidade de decomposição pelos microrganismos e a manutenção da palha na superfície do solo por maior período de tempo. Apesar da menor quantidade de palha colhida, quando a cultura da aveia é conduzida com uma densidade adequada de plantas (300-350/m2) e um desenvolvimento normal das plantas, pode não ser necessária a utilização de herbicidas dessecantes antecedendo a semeadura da soja, o que representa uma redução de custos de produção desta leguminosa.A pesquisa de aveia na Universidade de Passo Fundo, 1977/2002

Em 1977, a Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo, iniciou um programa de melhoramento genético e experimentação de aveia, em cooperação com as Universidades de Wisconsin, Texas A & M, Minesotta e Florida (EUA). Ao longo dos anos, novas áreas de pesquisa foram sendo paulatinamente implementadas, bem como de novos professores/pesquisadores, como a biotecnologia, entomologia, fitopatologia, controle de plantas daninhas, nutrição animal, nutrição humana, nutrição/adubação, tecnologia de grãos e seleção de plantas tolerantes a estresses ambientais.A principal linha de pesquisa é o Melhoramento Genético de Aveia, objetivando o desenvolvimento de novos cultivares com alto potencial de rendimento, adaptados às diferentes regiões, boa qualidade industrial e nutritiva de grãos e resistência/tolerância às principais moléstias, pragas e estresses ambientais. Além da introdução anual de germoplasma das universidades americanas, são recombinados caracteres de interesse agronômico através de hibridações utilizando como genótipos parentais aqueles adaptados as condições edafo-climáticas da região. Também são realizadas pesquisas na área de biotecnologia com o objetivo de induzir mutações genéticas (variação somaclonal) e de acelerar o processo de melhoramento (obtenção de haplóides). Busca-se a multiplicação das sementes dos novos cultivares e o fornecimento aos produtores em menor período de tempo possível, além do desenvolvimento de tecnologias mais adequadas de manejo da cultura, objetivando o aumento do rendimento e a melhoria da qualidade industrial dos grãos colhidos. Durante estes 25 anos de atividades (1977/2002), obteve-se, como principal resultado, o desenvolvimento de 21 novos cultivares de aveia branca (UPF 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, UPFA 20-Teixeirinha e UPFA 22 - Temprana) e um cultivar de aveia preta (UPFA 21 – Moreninha), que representam um significativo avanço no desenvolvimento da cultura de aveia no Brasil. A identificação, genealogia, ano de recomendação e aptidão estão apresentadas no Quadro 1. Para o Sul do Brasil, 7 cultivares de aveia branca desenvolvidos pela UPF são atualmente recomendados pela Comissão Brasileira de Pesquisa de Aveia: UPF 15, UPF 16 – Jubileu, UPF 17, UPF 18, UPF 19, UPFA 20 Teixeirinha e UPFA 22 - Temprana, além de um cultivar de aveia preta (UPFA 21 – Moreninha).

Quadro 1. Identificação, genealogia, ano de recomendação e aptidão das cultivares de aveia desenvolvidas pela Universidade de Passo Fundo no período de 1977 / 2002

Cultivares

Identificaçãoda linhagem

Genealogia

Ano recomend.

Aptidão

UPF 1

UPF 77S509

FLA X6346(AB113)

1981

granífera

UPF 2

UPF 77S039

X2505-4

1982

duplo propósito

UPF 3

UPF 77256-5

Coronado/X1779-2

1984

duplo propósito

UPF 4

UPF 77S030

X 2055-1

1984

granífera

UPF 5

UPF 77291

X2185-A/ILL1514

1985

granífera

UPF 6

UPF 79B369-4

Coker 1214/Lang

1986

granífera

UPF 7

UPF 7229

TCPF/X2503-1

1986

granífera

UPF 8

UPF 78B369-2

X2505-4/Otee

1986

granífera

UPF 9

UPF 80S084

79BVL3109 Texas

1987

granífera

UPF 10

UPF 77833-1

1040 GH Double/Short

1987

duplo propósito

UPF 11

UPF 81S200

1563 CR cpx/SR cpx

1987

granífera

UPF 12

UPF 81363

IN73-109/OC25

1988

duplo propósito

UPF 13

UPF 80136

Quadcross 1 PC 25

1989

granífera

UPF 14

UPF 78237-1B

X1205/X2286-2

1991

duplo propósito

UPF 15

UPF 86170

QR306=Coker82-33//IL3776/OA338

1992

duplo propósito

UPF 16

UPF 85380

Coronado/X1799-2/Sel 11-Passo Fundo/X 3530-40

1993

granífera

UPF 17

UPF 85380-A

Coronado/X1799-2/Sel.11-Passo Fundo//X 3530-40

1994

granífera

UPF 18

UPF 90H400

UPF85S0238(Ijui F9-1982F7,UPF 791743) X UPF 12

1999

duplo propósito

UPF 19

UPF 92129-2

90SAT-30(UPF 16)/90AS-28 Coronado2/Cortez3/Pendek/ME1563)

2000

granífera

UPFA 20-Teixeirinha

UPF 92AL3000

QR981=UPF80197(X2082-21/CI8428/Steele)

2001

granífera

UPFA 21-Moreninha

Argentina VL5-Vacaria

Desconhecido

2001

forrageira

UPFA 22-Temprana

UPF 92137

90SAT-37(UFRGS 10)/90SAT-28(Coronado2/Cortez3 / Pendek/ME1563)

2002

graníferas

Além dos altos potenciais de rendimento e outras características agronômicas os cultivares desenvolvidos pela UPF apresentaram maior produção de sementes fiscalizadas de aveia no Estado do Rio Grande do Sul, nas safras de 1988 a 2001, cuja participação varia de 60 (2001) a 89% (1995) do total de sementes produzidas, conforme dados do Ministério da Agricultura e Abastecimento/Delegacia Federal da Agricultura no RS/Serviço de Produção Vegetal – SPV, expressos na Figura 2.Considerações finaisO cultivo de aveia como cultura de cobertura verde do solo no período inverno/primavera visando a produção de cobertura morta tem uma importância fundamental na manutenção do sistema de semeadura direta na região Sul do Brasil. No entanto na busca de aumento da renda da propriedade agrícola há necessidade de utilizar econômicamente esta gramínea, sem prejudicar a manutenção de palha na superfície e a obtenção dos benefícios de melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo . Dentre as alternativas de utilização da aveia é a utilização em pastejo rotacionado, evitando a compactação do solo através de pastejos temporários durante o dia e a retirada dos animais com uma antecedência mínima de 21 dias antes da dessecação para o cultivo de soja em sucessão.Outra alternativa é a substituição do cultivo de aveia preta por cultivares de aveia branca com altos potenciais de rendimento. Estes cultivares desempenham a mesma função de cobertura verde e a melhoria das propriedades do solo. Usando a tecnologia disponível é possível a obtenção de rendimentos médios superiores a 2400 kg/ha e a produção de uma resteva média superior a 3900 kg/ha. Apesar da menor quantidade de palha produzida quando comparado com o rendimento de biomassa seca da aveia preta manejada no estádio de floração plena tem a mesma importância para o sistema de semeadura direta, pois apresenta maior relação C/N.Os grãos de aveia produzidos na propriedade utilizando os solos no inverno podem substituir integralmente o milho na alimentação de vacas leiteiras, ovinos e equinos e parcialmente na alimentação de suínos e aves a custos menores do que os grãos de milho, pois a colheita da aveia ocorre na entressafra daquele cereal.Referências bibliográficas

FLOSS, E. L. Ensaio regional de aveias pretas visando a cobertura verde do solo em Passo Fundo, 1992. In: Reunião da Comissão Sulbrasileira de Pesquisa de Aveia -13. Resultados Experimentais. Ijuí: Cotrijuí, 1993. p 323-333.FLOSS, E. L. Aveia e semeadura direta: cobertura e renda. Revista Plantio Direto, Passo Fundo, n. 56, março/abril, 2000. p.21-8.FLOSS, E.L.; GRAPIGLIA, R. Rendimento de biomassa e outras características de aveias pretas, em Passo Fundo, 1994. In: REUNIÃO DA COMISSÃO SULBRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA - 15, 5-7 de abril de 1995. Resultados experimentais, Entre Rios/Guarapuava: FAPA/Cooperativa Agrária Mista Entre Rios Ltda, 1995. p.252-236.FLOSS,E.L.; CECCON,G. Avaliação do rendimento de biomassa e outras características agronômicas de aveias pretas, 1993. In: : REUNIÃO DA COMISSÃO SULBRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA - 14, 6-8 de abril de 1994. Resultados experimentais. Porto Alegre, UFRGS, 1994. p. 205-9.FLOSS,E.L.; CECCON,G. Rendimento de biomassa e de outras características de aveias pretas, em Passo Fundo, 1995. In: REUNIÃO DA COMISSÃO SULBRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA - 16, 27-28 de março de 1996. Resultados experimentais. Londrina: IAPAR, 1996. p. 12530.FLOSS, E.LO. ; CECCON, G. Ensaio regional de aveia preta, Passo Fundo, 1996. In: REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA - 17, 9-11 de abril de 1997. Resultados experimentais. Passo Fundo: FAMV/UPF, 1997. p. 313-15.FLOSS, E.L.; VIEIRA, M.; RIGO,S. Rendimento e características agronômicas de cultivares antigas e modernas de aveia. In: : REUNIÃO DA COMISSÃO SULBRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, 6-8 de abril de 1994. Resultados experimentais. Porto Alegre, UFRGS, 1994. p. 122-9.

Dados para referências bibliográficas: Revista Plantio Direto, edição nº 72, novembro/dezembro de 2002. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS