Como e Onde Aplicar Inseticidas para Proteger contra Pragas (Dirceu Gassen)


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Publicado em: 01/10/2002

Como e onde aplicar inseticidas para proteger contra pragas

Na parte aérea das plantas

Os inseticidas aplicados na parte aérea, ou mesclados com herbicidas, causam a morte de insetos que se encontram acima da superfície do solo (lagartas, percevejos, besouros, moscas, pulgões, vespas etc.) com persistência inferior a uma semana. Não controlam pragas-de-solo e não substituem o tratamento de sementes.Deve-se evitar a aplicação de doses elevadas de produtos de amplo espectro de ação na parte aérea por causa da morte de inimigos naturais e, a reinfestação de pragas cujos adultos voam, deslocando-se por longas distâncias.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes protege contra pragas que atacam sementes (corós, cupins, larva-arame, larva-angorá etc.) até duas ou três semanas depois da semeadura. É difícil alcançar persistência maior do que três semanas. A combinação de fatores climáticos com a ocorrência de populações menores da praga resulta em períodos, aparentemente, maiores de persistência de inseticidas. Todas as formulações comerciais disponíveis no mercado, na dose adequada, protegem contra as pragas que atacam a semente.O tratamento de sementes contra pragas que atacam plântulas, na região do colo (Figura 1) como a lagarta-rosca (Agrotis sp.), as brocas do colo (Listronotus bonariensis, Elasmopalpus lignosellus), as cigarrinhas (Deois spp. e outras) e os percevejos (Dichelops spp.), apresenta resultados erráticos de controle.As pragas que se alimentam na extremidade distal das folhas (Figura 1) como a lagarta-da-aveia (Pseudaletia spp.), o grilo (Anurogryllus spp.), as vaquinhas (Diabrotica spp.) e o tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus), ou os homópteros que extraem maior volume de seiva como os pulgões e a mosca-branca (Bemisia spp.), podem ser controlados com inseticidas sistêmicos aplicados na semente. Na escolha do inseticida mais eficientes, é importante destacar a ação específica do inseticida e a dose letal para cada espécie de praga.Sob condições de chuvas regulares e umidade de solo adequada, a planta cresce melhor, o inseticida aplicado na semente é bem absorvido pelas raízes e, por causa da temperatura do solo mais baixa, a praga consome menos, resultando na proteção satisfatória de plântulas.Em períodos de seca, a absorção de inseticida é reduzida, a planta cresce menos e a temperatura do solo se eleva aumentando a capacidade de danos das pragas. Essa combinação de fatores resulta em menor eficácia de inseticidas aplicados na semente, para controle de pragas na plântula.

Aplicação no sulco de semeadura

O uso de inseticidas no sulco de semeadura (granulados ou líquidos) apresentam a vantagem de aplicar maior quantidade de ingrediente ativo e de período mais longo de persistência do que o alcançado com o tratamento de sementes.As culturas com baixa população de plantas, como o milho e o girassol, com apenas 5 sementes/m², necessitam de proteção na semente ou no sulco contra o dano de pragas.As formulações granuladas apresentam vantagens com a liberação lenta de ingrediente ativo e período de persistência (proteção) mais longo. O uso é limitado pelo preço relativamente elevado dessas formulações e, pela necessidade de adaptar uma terceira caixa na semeadora para distribuição do produto.Esse método, nas doses normais, é eficiente para o controle de pragas que atacam as sementes, as plântulas ou partes subterrâneas até cinco a sete semanas após a semeadura.A aplicação de líquidos no sulco de semeadura (Figura 2) apresenta a vantagem de formulações comerciais mais baratas, usadas para aplicação na parte aérea de plantas, e a experiência consagrada de agricultores na regulagem de vazão dos pulverizadores.É necessário adquirir ou adaptar equipamento nas semeadoras para direcionar o jato de inseticida para dentro do sulco de semeadura. É importante regular a vazão para volumes baixos (10 a 20 l/ha), optando por manômetro de baixa pressão, para permitir melhor regulagem, por bico cone de baixa vazão, sem difusor ou ainda, por bico leque com ângulo de abertura menor. Assim, dirigindo o jato na forma de esguicho, para dentro do sulco, sem molhar os discos da semeadora e o solo ou a palha exposta à radiação solar. Deve-se aplicar o inseticida dentro do sulco e cobrir com solo, usando a roda ou disco de fechamento (cobertura) da semeadura.A aplicação do produto no sulco de semeadura resulta em doses elevadas de inseticidas, justamente, na área onde se deseja proteger contra a praga. Com base no exemplo do milho, semeado com espaçamento de 80 cm entre fileiras, e a aplicação de inseticida em um faixa de 8 cm no sulco de semeadura, a concentração do produto é 10 vezes maior, se fosse aplicado em toda a superfície do solo (Figura 2).A aplicação de inseticidas líquidos no sulco, durante a semeadura, é viável e eficiente para as pragas que atacam as sementes e as pragas-de-solo (corós, larva-arame, larva-alfinete e as lagartas que se protegem no sulco) nas culturas com maior espaçamento entre fileiras, como milho, girassol e algodão.Essa forma de uso de inseticidas, substitui o tratamento de sementes, o uso de granulados e controla algumas pragas de plântulas na superfície do solo. Apresenta a vantagem de manter os inimigos naturais entre as fileiras de semeadura e fazer a proteção na área de germinação da semente e desenvolvimento inicial de plantas. Com a aplicação de inseticidas líquidos no sulco de semeadura, obteve-se a proteção de milho contra o dano de larva-alfinete até cinco semanas depois da semeadura.Nas culturas com espaçamento menor entre fileiras como o trigo, a cevada, a aveia e a canola, é inviável usar inseticida líquido dirigido no sulco de semeadura. Nesses casos, é mais prático, eficiente e econômico fazer a proteção contra pragas com inseticidas aplicados na semente.O equipamento de aplicação de inseticidas líquidos no sulco de semeadura, também é usado para a deposição de bactérias fixadoras de nitrogênio (Rhizobium) no ambiente onde se desenvolvem as raízes de soja e de feijão.

Aplicação via irrigaçãoA aplicação de inseticidas na água de irrigação, também denominada de quimigação, é adotada por alguns agricultores para o controle da lagarta-do-cartucho, entretanto, se considerar o elevado volume de água aplicado na irrigação (5 mm: 50.000 l/ha) e a baixa capacidade da planta reter água (600 a 800 l/ha na superfície da parte aérea e no milho até 2000 l/ha no cartucho) o índice de aproveitamento de inseticida é inferior a 4 %. Ou seja, 96 % do volume de inseticida aplicado cairá no solo com a água de irrigação.A quimigação é um método inadequado de aplicação de inseticida e deve ser evitado pelo efeito negativo na morte de inimigos naturais de pragas, na superfície do solo, e por favorecer a ressurgência das pragas cujos adultos são voadores, como as mariposas, os pulgões e os percevejos.

Comentário finalAntes de optar por métodos de aplicação ou pelo uso de inseticidas para pragas-de-solo, deve-se examinar a lavoura, amostrar a população das espécies dominantes, que podem atingir o nível de praga e, então, definir o melhor método de aplicação, o inseticida mais eficiente e a dose economicamente viável para a proteção das plantasDirceu Gassen é Gerente Técnico da Cooplantio(Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto)E-mail: dirceu@agri.com.br

Dados para referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição nº 71 - Setembro/Outubro de 2002, p 13 a 14. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.