Marketing Rural (Notícia)


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Publicado em: 01/02/2002

Marketing Rural: Brasil precisa melhorar auto-estima

A baixa auto-estima dos brasileiros, notadamente do agribusiness, retarda a construção de marcas fortes nacionais e, conseqüentemente, inibe a potencialidade dos negócios tanto no mercado interno como externo.Essa foi uma das primeiras conclusões da abertura do VII Congresso Brasileiro de Marketing Rural, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMR), que acontece em São Paulo hoje (segunda-feira, 11/03) e amanhã (terça-feira, 12/03) e que entre seus objetivos está, justamente, o de criar mais business no agribusiness.Para o presidente da ABMR, Nivaldo Carlucci, o problema começa na visão inadequada dos produtores que encaram o marketing como despesa e não como investimento, exatamente no momento em que o mercado exige maior diferenciação. ”Somos os maiores produtores de café, açúcar, frutas e sucos e exportamos um terço de nossa produção, nem por isso somos reconhecidos no exterior porque não temos marcas fortes”, exemplificou.O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), Roberto Rodrigues, concorda com Carlucci e acrescenta que o Brasil é País agrícola que interessa tanto à ALCA quanto à União Européia pelo seu potencial mercado consumidor. E recomendou cautela nas negociações porque ele está convicto que em dois a três anos haverá uma maior abertura aos mercados agrícolas para possibilitar uma redução do gap social. Rodrigues, entretanto, lembrou que tanto o governo, de um lado, mantém políticas públicas inadequadas para um avanço maior (citou impostos e a logística), como a própria iniciativa privada está desarticulada. ”O amanhecer está chegando e o Brasil terá lugar especial”, insistiu.Representando o secretário da Agricultura de São Paulo, João Carlos Meirelles, o secretário geral José Sidnei Gonçalves, falou que o agronegócio já é estaque na estratégia das economias continentais até porque representam 40% do PIB na cadeia produtiva que envolve os processos da fazenda à mesa. A seu ver, o agronegócio brasileiro venceu a primeira fase da competitividade e agora enfrenta o desafio da qualidade superior, onde o marketing é o instrumento moderno da guerra comercial. ”Só assim o Brasil vai conquistar o espaço que merece no cenário internacional”, concluiu.O deputado federal, Francisco Graziano, da bancada ruralista criticou a miopia de algumas lideranças rurais que além de esperarem por atitudes governamentais, transmitem mensagens negativas sobre o Brasil e o setor, em nada contribuindo para o desenvolvimento. Também apontou como danoso o tratamento histórico e preconceituoso dispensado à agricultura brasileira que, apesar dos avanços tecnológicos e de gestão, ainda é vista como ”caipira”. Mas admite que ainda é incipiente o uso do marketing como aliado na promoção dos produtos e serviços.Já o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e Abastecimento, Pedro de Camargo Neto, representando o ministro Pratini de Moraes, finalizou a abertura oficial do evento dizendo que o setor vive hoje o desafio do marketing porque o consumidor evoluiu e está disposto a pagar pela qualidade certificada que começa na fazenda, passa pela gôndola e chega ao prato, cabendo aos profissionais do marketing transmitirem o conceito da qualidade pela sua origem. A seu ver, o desafio é fazer brotar da terra marcas fortes.A mesma tese foi defendida no primeiro painel do dia ”A Nova Era do Marketing”, pelos publicitários Alex Periscinoto e Luiz Sales. Periscinoto entende que o brasileiro carece de auto-estima, o que inibe os negócios, e que apenas espera pelas ações do governo. Luiz Sales disse que é preciso pensar o agribusiness cada vez de maneira mais abrangente porque a agricultura e a pecuária trazem a maior riqueza hoje direcionada aos novos centros urbanos formados a partir do campo.