Avaliação do Estado Nutricional de Plantas
Luiz Alberto Staut e Carlos Hissao Kurihara Embrapa Agropecuária Oeste
Embora se acredite que os agricultores adubam para maximizar seus lucros, e que técnicos recomendam adubações para produtividades máximas, pode-se observar que os agricultores muitas vezes não utilizam os adubos de forma mais adequada e, principalmente quando há limitação de capital, não empregam a combinação de nutrientes que lhes permitiria o máximo de retorno. Para que o agricultor faça uso racional de corretivos e fertilizantes existem duas fer-ramentas que podem auxiliá-lo, a análise de solo e a análise foliar. A análise de solo, isoladamente, é insuficiente para se fazer o acompanhamento adequado da fertilidade do solo. Mesmo que os nutrientes estejam presentes em quantidades consideradas adequadas, o solo pode não garantir o suprimento ideal das plantas, visto que vários fatores podem influir na absorção. A análise foliar permite complementar as informações fornecidas pela análise de solo e fornece dados sobre o estado nutricional da cultura, ou seja, permite verificar se o adubo aplicado supriu as necessidades da planta e se existe deficiência ou toxidez de algum nutriente. A partir da interpretação dos resultados da análise foliar, o agricultor pode verificar se o adubo aplicado permitiu suprir adequadamente os requerimentos nutricionais da cultura e, se for o caso, definir melhor o tipo de adubo que deve ser aplicado na próxima safra. A análise foliar pode ser utilizada também para: a) confirmação de sintomas visuais de carência ou excessos de nutrientes; b) identificação de ocorrência de interações entre os nutrientes (sinergismos ou antagonismos, situações em que um determinado nutriente no solo favorece ou dificulta a absorção de outro nutriente, respectivamente); e c) avaliação do equilíbrio nutricional da cultura. As concentrações de nutrientes são variáveis em diferentes partes da planta. Como a maioria dos processos fisiológicos concentram-se nas folhas, em geral são elas que são analisadas, utilizando seu conteúdo em nutrientes como base para avaliar o estado nutricional de plantas. O principio da análise foliar é a existência, dentro de certos limites, de relação significativa entre o suprimento de nutrientes, os teores destes nas folhas e a produtividade. Na prática, estas relações não são tão simples, pois os teores de nutrientes nas folhas também podem ser influenciados por outros fatores que afetam a absorção destes pela planta, tais como as características mineralógicas do solo, a má aeração e/ou compactação do solo, deficiência hídrica, sistema radicular das plantas, pragas e doenças. Um dos fatores de maior importância para a análise foliar é a idade fisiológica e a parte da planta a ser amostrada. Tecidos novos, em geral, apresentam concentrações elevadas de nutrientes, principalmente daqueles móveis na planta, como o nitrogênio, fósforo, potássio e magnésio. Para os outros elementos, que não são translocados para tecidos em crescimento, como o cálcio e boro, freqüentemente ocorre o inverso, isto é, a concentração aumenta com o envelhecimento do tecido vegetal. O procedimento para a amostragem de folhas é específico para cada cultura. Na soja, deve se coletar o terceiro trifólio, no estádio de floração plena. No milho, a folha a ser coletada é aquela localizada abaixo e oposta à primeira espiga, sem a nervura central, quando 50 a 75% das plantas apresentarem inflorescência feminina (”embonecamento”). No algodoeiro, a folha a ser coletada é a quinta a partir do ápice da haste principal, no estádio de floração. Para o arroz, deve-se coletar toda a parte aérea 30 dias após a germinação. Já no feijão coleta-se todas as folhas, no florescimento. Em quaisquer das culturas, deve-se amostrar cerca de 30 plantas por gleba. Para que o resultado da análise foliar seja representativo e reflita com confiabilidade o estado nutricional das plantas na lavoura, deve-se tomar cuidados básicos quando da coleta do material que será encaminhado ao laboratório de análise. Uma vez que se cometa erros na hora da coleta do material, não será dentro do laboratório que estes serão corrigidos; assim sendo, esses erros estarão presentes durante todo o processo. Costuma-se dizer que a análise não é melhor que a amostra, isto é, se o procedimento de amostragem (forma, época e quantidade) não for adequado, o resultado final não será representativo e dará origem a interpretações inadequadas, que por sua vez levarão o técnico a tomar procedimentos equivocados para resolver o problema nutricional que porventura esteja ocorrendo na lavoura. Para que a amostra seja representativa deve-se adotar os seguintes procedimentos no momento da coleta. Caminhar sobre a gleba em zigue-zague. Evitar plantas próximas das estradas ou carreadores; plantas com sinais de ataques de pragas ou doenças. As sub-amostras reunidas formarão a amostra composta e devem ter um número aproximadamente igual de folhas. De preferência, não coletar folhas de áreas que receberam pulverizações recentes (15 dias) com defensivos ou adubos foliares para evitar que os resultados sejam mascarados. As amostras devem ser encaminhadas ao laboratório no máximo em 24 horas após a amostragem. Não sendo possível este encaminhamento, lavar as folhas em água corrente, secar à sombra, em cima de um papel limpo e, após a secagem, mantê-las em saco de papel devidamente identificado (fazenda, talhão, cultura e data). As amostras podem ser encaminhadas ao laboratório de solos da Embrapa Agropecuária Oeste, pessoalmente ou pelo correio. Os resultados estarão disponíveis em no máximo dez dias úteis, podendo ser recebidos no próprio laboratório, por fax (67 425 0811) ou pela Internet (e-mail: sac@cpao.embrapa.br).