Nonô Pereira Homenageado nos 25 Anos de Plantio Direto dos Campos Gerais


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Publicado em: 01/12/2001

Nonô Pereira homenageado nos 25 anos de Plantio Direto dos Campos Gerais

O dia 22 de novembro de 2001 foi um dos mais marcantes na história de Manoel Henrique Pereira - Nonô, produtor rural de Ponta Grossa/PR, um dos nomes mais conhecidos e respeitados no meio agrícola brasileiro e de diversos outros países, por causa da sua atuação em prol do desenvolvimento do sistema plantio direto na palha, uma verdadeira e silenciosa revolução que mudou a face da agricultura brasileira, sul americana e de outros países, no final do século 20. Numa promoção da Monsanto, com apoio da Semeato e da John Deere, Nonô Pereira e sua família estenderam um tapete de palha para 250 convidados nacionais e estrangeiros que estiveram na Fazenda Agripastos, em Palmeira/PR, naquele irrepreensível dia de primavera, para comemorar os 25 anos de Plantio Direto na Palha nos Campos Gerais do Paraná. A região, historicamente, foi o principal pólo de criação e difusão da tecnologia que, em um quarto de século, ajudou a mudar a matriz produtiva da agricultura nacional, com reflexos altamente positivos na melhoria da produtividade, na preservação ambiental e na viabilização econômica das propriedades agrícolas brasileiras.A partir de outubro de 1976, quando, juntamente com o colega Franke Dijkstra, passou a utilizar e a difundir o uso da palha como elemento fundamental do sistema plantio direto, Nonô Pereira, nas diversas instâncias em que atuou, principalmente à frente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, sempre foi o mais ardoroso defensor do papel da cobertura do solo, que funciona como proteção e alimento do substrato que nos dá alimentos e vida.”Plantar na palha não é mais uma aventura. É ser coerente e estar consciente”, afirmou ele, no dia 22 de novembro, na solenidade da Agripastos, que contou com um grupo de amigos, assistentes técnicos, pesquisadores, representantes de empresas, autoridades e produtores que conviveram desde os primeiros e áridos tempos, em que a tecnologia mais adequada ao sistema precisava ser garimpada, principalmente junto com os operadores da fazenda, a quem Nonô sempre reverencia.A questão da consciência também foi lembrada, na ocasião, por Péricles Holleben de Mello, prefeito de Ponta Grossa, a cidade pólo dos Campos Gerais, que lembrou o filósofo francês Jean Paul Sartre, ao fazer sua saudação a Nonô Pereira. ”Cultura é a consciência em evolução permanente que o homem tem de si mesmo, do seu trabalho e da sociedade em que vive”, disse Péricles, afirmando que a frase de Sartre lembra a trajetória de Nonô Pereira e sua luta pelo desenvolvimento do plantio direto na palha, um sistema baseado em tecnologias que beneficiam a preservação do solo e do ambiente em geral e que, por isso, interessa a sociedade como um todo.

VantagensComo parte da programação do evento, os convidados foram recebidos no Museu do Plantio Direto, uma construção em que Nonô guarda a semeadora Rotacaster, com a qual ele fez os primeiros 20 ha sem lavrar, na primavera de 1976. No Museu também estão tratores e outras relíquias que fazem parte desse histórico de 25 anos de plantio sobre a palha. No campo, em um cenáriode festa, montado sobre a palha que refletia o sol brando daquele dia, uma bela demonstração de colheita e plantio simultâneos foi apresentado aos convidados, muito deles de órgãos de divulgação, como forma de mostrar uma das vantagens básicas do sistema. ”O aumento da produtividade e a redução dos custos são outras vantagens fundamentais do plantio direto”, disse o engenheiro agrônomo André Franco, líder de Plantio Direto da Monsanto no Brasil que, juntamente com Marli Ricetti, do Departamento de Marketing da Empresa, coordenaram a exitosa promoção. Segundo André Franco, ”O Sistema é sempre muito eficiente, mas suas melhores respostas acontecem nos períodos de chuvas intensas ou de veranicos, contribuindo para a redução da erosão do solo e o bom desenvolvimento da cultura.”A Monsanto está junto com os produtores brasileiros de plantio direto desde 1977/78, quando introduziu o herbicida sistêmico Roundup que, nas próprias palavras de Nonô Pereira, foi um elemento importante para que o sistema pudesse superar as dificuldades iniciais que enfrentava para controlar as plantas daninhas e se estabelecer definitivamente.Solenidades

O descerramento de uma placa comemorativa aos 25 anos de Plantio Direto e a entrega de troféus a pessoas, empresas e instituições, que se destacaram e tiveram participação nesse período, foi o ponto alto das cerimônias. A placa está fixada numa pedra que bem caracteriza a região, de solos rasos e afloramentos areníticos, sobre os quais Nonô Pereira e outros produtores desenvolveram uma agricultura sustentável e econômica, cuja fama percorre o mundo, nos dias atuais. Para ajuda-lo no descerramento da placa, Nonô Pereira convidou o colega Franke Dijkstra, os engenheiros agrônomos Nadir Razini, Américo Meinicke e Hans Peeten, que foram companheiros na aventura inicial, o presidente do IAPAR Florindo Dalbelo e Herbert Bartz, presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e pioneiro do sistema no Brasil e na América Latina.Depois, sob uma tenda especialmente montada, os convidados ouviram Nonô Pereira agradecer emocionado a presença de todos. Ele sintetizou a abordagem sobre o histórico, mostrando a área de soja sobre palha, plantada ao alcance da vista, quehavia sofrido uma chuva de 80 mm após a sua implantação e se encontrava em perfeito estado, uma lavoura com acentuada pendente, algo similar ao que acontecera com os primeiros 20 ha de soja, plantados há 25 anos atrás. Nonô, juntamente com toda sua família, estava feliz porque os amigos vieram de perto e de longe, alguns do exterior, para essa confraternização especial. O engenheiro agrônomo Hans Peeten veio da Europa, Carlito Loss viajou da Bolívia e o pesquisador Noel Gallaher, que foi palestrante do I Encontro Nacional de Plantio Direto, em 1981, em Ponta Grossa, veio dos Estados Unidos, entre outros. Diversos oradores, como Florindo Dalbelo, presidente do IAPAR, Herbert Bartz, presidente da Federação Brasileira, Péricles de Holleben Mello, prefeito de Ponta Grossa, Leandro do Prado Wildner, da Epagri e Benamí Bacaltchuck, chefe da Embrapa Trigo, entre outros, ressaltaram a importância do anfitrião e o seu papel na história de 25 anos do Plantio Direto nos Campos Gerais do Paraná. Finalmente, foram entregues 30 troféus a pessoas e instituições que se destacaram nesse período, num cerimonial comandado por Everton Oliveira Correia, da Semeato, empresa que também tem sua marca ligada com a evolução do plantio direto nos Campos Gerais e nas demais regiões agrícolas do país.

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