25 anos que transformaram a tecnologia agrícola no Brasil
Árdua é a tarefa de falar da história, porque a simples narativa pode significar uma tomada de posição. O relato dos 25 Anos de Plantio Direto nos Campos Gerais do Paraná é muito amplo e a síntese que apresentamos não significa um tratado final, com o rigor de nomes e fatos que a ciência exige. Nossa proposta é apenas uma palavra de amizade num momento em que se comemora um quarto de século da introdução de nova tecnologia agrícola em uma região de solos frágeis e de rara beleza, o que significou a manutenção da sua matriz produtiva de grãos, carnes e leite. Este fato acabaria por tornar a região o principal pólo de geração tecnológica do novo sistema, com repercussão positiva em todo o país e no exterior.Segundo um pensamento medular de Goethe, ”A necessidade e o acaso movem o mundo”. Quando falamos no histórico do plantio direto nos Campos Gerais do Paraná, essa afirmação inquestionável está presente em todos os seus aspectos de caráter macro ou nos detalhes específicos. Sem a utilização do plantio direto, que era uma questão de sobrevivência, como ficou marcado na afirmação categórica de Franke Dijkstra, a história da agricultura e das próprias comunidades da região não teriam tido o mesmo desempenho que a colocam atualmente como uma das mais desenvolvidas em todo o país.Procuramos fazer uma resenha, com alguns aspectos principais e nomes, de produtores, técnicos e instituições que, nos primeiros tempos, formaram o tronco básico de sua história. Trata-se de uma pequena homenagem a um grupo de pessoas e a uma região que, mesmo após 25 anos gerando tecnologia baseada na utilização da palha, e o desenvolvimento de diversos outros pontos importantes no mapa brasileiro e latinoamericano do plantio direto, continua sendo o referencial desse sistema, que será a base da produção mundial de alimentos no próximo milênio.
Gilberto BorgesEditor Revista Plantio Direto
Plantio Direto e a ”Revolução Azul”
O Sistema Plantio Direto avança, em termos de área e desenvolvimento tecnológico, em várias partes do mundo, por trata-se de uma necessidade vital que os agricultores tem em reverter o processo de degradação do solo, da água e do meio ambiente como um todo. Além disso, trata-se de uma exigência da sociedade atual, que não aceita mais uma produção de alimentos a qualquer preço, principalmente com custos que impliquem em prejuízos para o ambiente.A Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha participou do Congresso Internacional de Agricultura Conservacionista, em Madri, na Espanha, no começo de outubro, e todos esses aspectos ficaram claros para agricultores e técnicos de vários países do mundo que lá compareceram. A presença da delegação brasileira, composta de representantes de várias instituições, foi muito importante, com destaque para a apre-sentação do pioneiro Manoel Henrique Pereira, de Ponta Grossa, que foi muito aplaudido. Nós defendemos a história do plantio direto brasileiro, considerado um modelo de desenvolvimento, e questionamos a questão dos subsídios que irrigam a agricultura da Europa e América do Norte. Se nós tivéssemos subsídios como os colegas produtores do Hemisfério Norte recebem, possivelmente a história do plantio direto entre nós tivesse sido diferente. A adoção do plantio direto no Brasil foi uma questão de sobrevivência, como bem ressaltou o pioneiro Franke Dijkstra.Ao citar o nome de Franke e Nonô, ressalto o papel fundamental desempenhado por todos os produtores e técnicos dos Campos Gerais do Paraná que, nestes 25 anos de desenvolvimento do plantio direto, foram o principal pólo de criação e expansão dessa tecnologia, que mudou a face da agricultura brasileira e sul americana.No Congresso de Madri, ficou clara a posição de instituições internacionais, como o Banco Mundial e a FAO, que estão assumindo a tecnologia do plantio direto como bandeira fundamental da agricultura do III milênio, elevando o Sistema à categoria de uma verdadeira ”Revolução Azul”, por causa de suas amplas e favoráveis implicâncias ambientais, produzindo alimentos para a humanidade e preservando os recursos naturais para as futuras gerações.Para nós, que sempre lutamos com todas as dificuldades técnicas, econômicas e políticas inerentes ao momento histórico que vivemos em nosso país, fica a certeza de que o resultado do nosso trabalho, a evolução e o estabelecimento do plantio direto em tais níveis de aceitação, além do crescimento ético e moral que ajudamos a proporcio-nar, entre todos aqueles que participam dessa comunidade agrícola e produtora de alimentos, é o melhor prêmio que podemos almejar.
Herbert BartzPresidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha
Breve história do plantio direto nos Campos Gerais do Paraná
A pré-história
Até os últimos anos da década de 1950, os Campos Gerais do Paraná eram utilizados, na sua grande maioria, como pastagens. As matas sofriam o avanço da presença dos imigrantes europeus, principalmente dos portugueses, que povoaram a região, a partir do século 18. A queima dos campos, visando a renovação das pastagens, após as geadas no inverno, foi a primeira grande intervenção antrópica na região,com reflexos na evolução da flora e da fauna que a caracterizavam. Os Campos Gerais, uma estreita faixa de terra, localizada sobre o Segundo Planalto do Paraná,notabilizou-se historicamente por ser a passagem natural das tropas de gado que trilharam o Sul do Brasil, principalmente no século 19, em direção à Feira de Sorocaba, que abastecia os mercados de carne e animais para tração nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, durante o ciclo do ouro e da cana-de-açúcar. As principais cidades dessa região estão localizadas na ”Rota das Tropas”, que se cristalizou ao longo do tempo, tendo sido originadas de povoações desenvolvidas no período em que o comércio de animais, trazidos do Rio Grande do Sul e de países do Rio da Prata, floresceu e utilizou esse espaço como passagem obrigatória. Ponta Grossa e Castro, que foi a primeira pousada dos tropeiros, à beira do Rio Iapó, são dois exemplos característicos de cidades que se originaram nesse contexto histórico e geográfico.
Agricultura
A cultura do arroz, que iniciou o ciclo de exploração de plantações anuais na região, no final da década de 1950, teve duração efêmera, porque os métodos culturais sofriam com a rápida predominância de plantas daninhas, para as quais não havia controle químico, na época. No início, muitos produtores tiveram lucros significativos e montaram estruturas fortes com o cultivo do cereal mas, além das plantas daninhas, a bruzone, que era tida como uma injúria causada pelo vento do mar, acabou por restringir as perspectivas do arroz, como cultura rentável.No entanto, apesar da falta de continuidade no cultivo desse cereal, no decorrer da década de 1960, as lavouras mecanizadas, com as culturas de trigo, milho e pastagens, foram se desenvolvendo e abrindo caminho para a soja, cujo ciclo, que dura até hoje, significaria, provavelmente, a grande mudança na estrutura da paisagem dos Campos Gerais, uma das formações mais antigas do Brasil, remanescente da última glaciação, ocorrida no período pleistoceno.
O ciclo da soja e a erosão
Em 1966, 10 anos antes de fazer suas primeiras áreas experimentais com plantio direto, o jovem produtor Franke Dijkstra, de Carambeí, havia deixado de plantar e estava se dedicando à pecuária leiteira. O seu amigo e igualmente jovem produtor Manoel Henrique Pereira, que plantava nas terras arenosas de Palmeira, também parou com a lavoura, entre 1968 e 1970, em função das dificuldades técnicas que enfrentava, agravadas por frustrações de safras, em decorrência de geadas e chuvas de granizo, ocorridas sistematicamente, no período de 1963 a 1966. O início da década de 70 trouxe a explosão do ciclo da soja no Sul do Brasil e, assim como inúmeros outros produtores estabelecidos na região, Franke Dijkstra e Nonô Pereira estavam plantando novamente. Ponta Grossa possuía uma localização estratégica, em relação às áreas produtoras e o porto de Paranaguá. Um Plano de Desenvolvimento Industrial, apresentado na primeira Exposição-Feira do Município, em 1969, abria espaço e incentivos para empresas do ramo de esmagamento de soja e, em menos de cinco anos, com a construção de fábricas da Sanbra, Cargill, Anderson & Clayton e de outras empresas, a cidade tornou-se o maior centro de processamento da oleaginosa em toda a América do Sul.O incentivo natural à cultura da soja trouxe trágicas conseqüências para os solos rasos, arenosos, com declividade acentuada e altamente suscetíveis à erosão dos Campos Gerais. Durante todo o decorrer dos anos setenta, produtores e técnicos lutaram contra o câncer da erosão, que consumia o substrato agrícola pobre da região. ”Foram tempos duros. As dificuldades estavam longe de ser superadas, uma vez que a sucessão trigo-soja, que passei a praticar, em caráter exclusivo, fez com que se agravasse o problema da erosão e aparecesse o mal-do-pé do trigo (justamente por falta de rotação de culturas). Notava que a produtividade caía, mesmo com a maior utilização de adubos, tornando a atividade cada vez menos viável.” As afirmações são de Franke Dijkstra, no livro ”Porque Utilizo o Plantio Direto”, publicado em meados da década de 80. Ele abandonara a pecuária de leite em 1972, permanecendo apenas com lavoura. A cultura da grade e do arado, basicamente herdada do conhecimento e da genética dos antepassados europeus, que os agricultores brasileiros estavam utilizando em larga escala, na embriaguez inicial do ciclo da soja, encontrou, nos Campos Gerais do Paraná, o terreno mais suscetível à degradação de, praticamente, todas as regiões agrícolas por onde a nova cultura avançava. ”Existem solos, em diversas das nossas latitudes tropicais, que nunca deveriam ter levado um golpe de qualquer tipo de ferro”, comentaria Nonô Pereira, anos mais tarde, referindo-se também aos solos desérticos da região de Alegrete, no Rio Grande do Sul.
Associação Conservacionista
O quadro degenerativo dos solos provocou algumas reações importantes das cooperativas, entidades representativas de produtores e técnicos, da Acarpa (Emater), e de outros setores, inclusive dos próprios bancos, que financiavam as lavouras. Em 1973, foi criada a Associação Conservacionista de Ponta Grossa, baseada num modelo então existente na cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul. A ACPG era composta de um corpo técnico que orientava os agricultores sobre como conservar o solo, através da locação de terraços e de outras técnicas, elaborando para cada produtor um laudo preliminar, medida válida para que os bancos liberassem os financiamentos. Os bancos assumiram a questão de forma conjunta, com destaque para o papel desempenhado por Cícero Ferreira, gerente da agência do Banco do Brasil de Ponta Grossa, que tinha uma consciência da importância da conservação do solo para o futuro da agricultura regional. Por alguns anos, esse mecanismo ajudou a diminuir os efeitos da erosão nos Campos Gerais. Porém, em alguns casos extremos de solos rasos, arenosos e com declividade acentuada, como os da Fazenda Agripastos, de Nonô Pereira, nem a locação de terraços de base larga resolveu o problema. Nos trechos de lavoura mais inclinados, os terraços quase se tocavam, diminuía a área utilizável e superpunha a passagem de grades e outros implementos. ”Era onde a água turbilhonava de vez e levava o solo embora”, lembra Nonô.Na Fazenda de Franke Dijkstra, em Carambeí, foi montado um sistema de canos subterrâneos, que coletava toda a água excedente dos terraços, na tentativa de mini-mizar os efeitos da erosão. Em 1975, ele introduziu o cultivo em faixas, que ajudou a resolver o problema e constituiu o ponto de partida para a introdução do plantio direto, em 1976.
1976, o ano da virada
Desde 1971, havia uma agitação inicial em torno de plantio direto no Paraná, graças aos trabalhos de Rolf Derpsch e outros pesquisadores, no Ipeame, em Londrina, e de Milton Ramos, que estabeleceu os primeiros ensaios na Estação Experimental da instituição, em Ponta Grossa, na safra de verão de 1971/72. A ICI fazia um trabalho de fomento importante nesses primeiros e áridos tempos. Em 1972, Herbert Bartz, produtor de Rolândia, no norte do Estado, voltando de sua histórica viagem à Europa e Estados Unidos, fez a primeira lavoura extensiva do país, com a semeadora que havia comprado da Massey Harris, graças à apresentação do pesquisador Shirley Philips, da Universidade de Kentucky. A erosão, que levara Bartz ao desespero e a uma busca de solução no exterior, manifestava-se mais dramática nos Campos Gerais, onde, nos primeiros cinco anos da década de 70, a lavoura de soja avançava, na contra-mão da degradação de seus solos frágeis. Em 1976, a ICI, principalmente através do trabalho do engenheiro agrônomo Rubens Bemerguí, intensificou a campanha que propunha campos experimentais com semeadura direta aos produtores da região. As pesquisas conduzidas por Milton Ramos, no futuro IAPAR, haviam cessado, apesar dos bons resultados obtidos, em função do afastamento do pesquisador. Novos trabalhos seriam iniciados naquele mesmo ano, por Osmar Muzilli, do IAPAR de Londrina, em convênio com o DAT-CCLPL, em Carambeí, mas a situação do campo tinha componentes de desespero e precisava de soluções imediatasFranke e Nonô
Alguns produtores, como Wibe de Jagger, Roberto Buhrer, Pedro Görte e Lúcio Miranda, fazem parte do grupo que realizou seus primeiros testes com plantio direto naquela época. Mas, pelo papel que desempenhariam na evolução do sistema, na região, no Brasil e também no exterior, o histórico dos produtores Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira-Nonô acabou se confundindo com a própria história do plantio direto nos Campos Gerais.Aconteceu assim: Visitas haviam sido realizadas à Fazenda Renânia, de Herbert Bartz, em Rolândia, onde ele fazia plantio direto desde 1972. Franke Dijkstra, que já contava com a assistência técnica de Hans Peeten, recém chegado da Holanda e, incentivado pela ICI, que trouxe uma semeadora Rotacaster, acabou fazendo duas áreas pilotos na cultura da soja, de cinco e seis ha respectivamente, utilizando também uma PS-6, da Semeato, cujo resultado, em termos de emergência, foi melhor. A avaliação dos experimentos foram positivos, de tal forma que, no ano seguinte, 50% de suas lavouras já estavam com plantio direto. Em 1978, com apenas duas safras, o sistema já era utilizado em quase toda a área, permanecendo apenas uma pequena parcela com preparo convencional para testes comparativos.
”Por que você não faz plantio direto?”
No caso de Nonô Pereira, com uma estrutura de solo mais delicada, a situação chegara a um ponto sem saída, porque a Associação Conservacionista, da qual fora um dos fundadores, através do seu departamento técnico, sugeriu que ele voltasse à pecu-ária, porque o sistema de terraceamento já não resolvia mais a questão dramática da erosão. ”Fiquei sem saber o que fazer”, relata Nonô, que tinha uma porção de investi-mentos em máquinas e implementos que ainda precisavam ser pagos e, sem o laudo da ACPG, o Banco não financiaria o custeio da nova safra. Quando relatou o caso para o engenheiro agrônomo Américo Meinicke, colega de Rotary, recebeu uma pergunta objetiva: ”Por que você não faz plantio direto?” No dia seguinte, Meinicke apresentou-lhe a tradução de um artigo da Revista Newsweek, dos Estados Unidos, que abordava uma novidade crescente entre os produtores americanos, o plantio direto e cultivo mínimo, que ajudava no controle da erosão e mantinha a produtividade. Nonô Pereira já ouvira palestras sobre o assunto em Londrina, já visitara Herbert Bartz e agora, com as informações do amigo e colega, a tempestade estava se formando na sua cabeça. O golpe final veio com uma palestra que o engenheiro Rubens Bemerguí, da ICI fez em Ponta Grossa, no início do segundo semestre de 1976, na qual convenceu Nonô a comprar uma semeadora Rotacaster para iniciar o plantio direto. Os técnicos da Coopagrícola, da qual era associado e um dos dirigentes, acharam que essa aventura, comprando um implemento que não sabia como funcionava exatamente, era uma loucura que poderia levá-lo a falência definitiva. Porém, ele firmou a idéia e foi adiante com o projeto. No mês de outubro de 1976, Nonô Pereira semeou os primeiros 20 ha de soja sobre palha de trigo, que foi anteriormente picada, porque a semeadora não tinha um bom desempenho no corte da resteva e embuchava com facilidade.”Como teste para saber se o sistema funcionava contra a erosão, não podia ter sido melhor”, relata Nonô Pereira. Uma chuva forte causou sérios estragos numa área próxima, separada apenas por uma estrada, dos 20 ha com semeadura direta, que não teve nenhum risco de erosão. Depois, a lavoura foi castigada com uma chuva de pedra e, em conseqüência, ocorreu uma emergência considerável de plantas daninhas, por causa da maior luminosidade. O enfrentamento com as ervas seria uma constante ao longo do tempo, no plantio direto. No ano seguinte, ele plantou 200 ha de soja sobre a palha de cevada e, apesar de todas as dificuldades iniciais com máquinas, com a semeadura, com o controle de plantas daninhas e outros problemas novos que se apresentavam, a produtividade foi boa. O programa estava estabelecido e seguiria num desenvolvimento permanente até a virada do milênio, como um símbolo da vitória do conhecimento humano, na busca de uma harmonia com as forças da natureza.
Viagem aos Estados Unidos
O entusiasmo com o novo sistema de plantio era notável entre os produtores que iniciaram o processo na região, no final da década de 70. De outro lado, além de serem olhados com desconfiança pela maioria dos colegas que continuavam a utilizar o preparo convencional, os pioneiros enfrentavam uma natural falta de informações técnicas e equipamentos adequados ao desenvolvimento do sistema. Desde 1978, a Semeato enviara kits de discos de corte da palha para adaptação nas semeadoras e o lançamento do herbicida sistêmico Roundup, da Monsanto, haviam dado um novo fôlego ao programa. Porém, o desconhecimento de uma série de itens, para os quais a inicialmente distante pesquisa e assistência técnica ainda não tinham respostas efetivas, levaram Nonô Pereira e Franke Dijkstra aos Estados Unidos, na busca de informações que lá já estavam sendo utilizadas, refazendo o roteiro que o pioneiro Herbert Bartz fizera quatro anos antes.Os dois produtores paranaenses, que levaram ”cinqüenta” perguntas e algumas fotos, para dar uma idéia de como estava o estágio do programa, estiveram em diversos locais importantes e, no aspecto mais marcante da viagem, foram recebidos pelo pesquisador Shirley Philips, na Universidade de Kentucky. Eles visitaram lavouras, áreas experimentais e voltaram extremamente entusiasmados, principalmente com as respostas que ouviram do atencioso pesquisador americano. Ele disse, entre tantos outros itens, que a correção e a fertilização do solo poderiam ser feitas na superfície, a partir de um determinado tempo com plantio direto e que, com o clima e a quantidade de chuvas aqui existentes, a natureza se encarregaria de fazer o resto. Sobre a degradação dos herbicidas, cuja utilização era questionada por muitos, sob a alegação de que os pioneiros do plantio direto estariam contribuindo para o envenenamento do solo, Shirley Philips tranqüilizouos, afirmando que os microorganismos do solo, favorecidos pela abundante quantidade de palha, degradavam as moléculas dos produtos químicos, numa velocidade bem maior e mais adequada do que no preparo convencional. Nonô Pereira relata, em suas memórias, que tinha uma grande curiosidade a res-peito de quando o plantio direto proporcionaria a presença de minhocas, que eram um símbolo da fertilidade da lavoura. ”Com seis safras sob plantio direto, você já deve ter minhoca na sua lavoura, só que não procurou direito”, respondeu o pesquisador americano, demonstrando conhecimento e confiança. De fato, a primeira coisa que Nonô fez quando voltou dos Estados Unidos foi ir a lavoura com uma pá, não precisando procurar muito para encontrar um primeiro exemplar de minhoca, que ele registrou em fotografia. Mr. Shirley Philips, tal como fizera anos antes com Herbert Bartz, demonstrou toda sua gentileza e seu entusiasmo pelo programa dos produtores brasileiros, abrindo o conhecimento que ele e a Universidade possuíam sobre o assunto. Além disso, ele abriu a possibilidade de vir ao Brasil, para conhecer o projeto e a região dos Campos Gerais, o que acabou acontecendo praticamente, de forma imediata, no ano seguinte. Além da visita de 1980, ele retornaria mais duas vezes aos Campos Gerais do Paraná, quando visitou lavouras e palestrou em eventos importantes, que impulsionaram a história do plantio direto.
Clube da Minhoca
O Clube da Minhoca foi uma organização informal, que nunca teve sede física, estatuto registrado ou qualquer tipo de organização fiscal ou registro contábil, mas que foi de uma importância histórica fundamental na evolução do plantio direto na região dos Campos Gerais do Paraná e, por extensão, no Brasil e em outros países da América do Sul. A idéia que gerou a sua existência efetiva nasceu entre as tantas outras que fervilhavam na cabeça de Franke Dijkstra e Nonô Pereira, na viagem de retorno ao Brasil, em julho de 1979. Eles captaram tantas informações durante o período em que passaram nos Estados Unidos, principalmente com Mr. Shirley Philips, que ficaram imaginando uma fórmula para repassar os conhecimentos aos demais produtores e técnicos da região, interessados no assunto. Imaginada uma instituição que trabalhasse pela difusão da nova tecnologia, diante da interrogação de como poderia ser chamada uma entidade com esse objetivo, ainda com a mente impressionada pela resposta que obtivera sobre a presença de minhocas na sua lavoura, Nonô Pereira sugeriu: ”Que tal Clube da Minhoca?”A proposta foi aceita na hora por todos os presentes, que eram Franke e o próprio Nonô, dois produtores paranaenses que foram ao exterior buscar alimentação para um processo de tecnologia agrícola do qual, apesar do entusiasmo, não tinham uma noção exata de onde iria acabar.A primeira reunião do Clube da Minhoca aconteceu numa churrascaria, em Ponta Grossa, em outubro de 1979, três meses após a viagem aos Estados Unidos, com a presença de Franke Dijkstra e Nonô Pereira, além dos engenheiros agrônomos Nadir Razini, Hans Peeten, Demóstenes Duzzi, Milton Moreira, Harry Van Der Fleet, Américo Meinicke, Mauri Sade, Fernando Almeida e Osmar Muzilli, do IAPAR, e Terry Willes, da ICI. Na ocasião, ficou definido que a denominação simbólica de ”Clube da Minhoca” seria firmada em função da presença desses organismos nas lavouras de plantio direto, como símbolo da fertilidade, e que a Entidade seria aberta à participação de todos os agricultores e técnicos que se interessassem pelo programa e buscassem soluções mais inteligentes para a agricultura.”Ninguém mais do que o agricultor sabe que, além da terra e do clima, ele só tem os seus amigos para superar os obstáculos da difícil arte de produzir alimentos fartos e baratos. Quando essa união entre os produtores rurais é muito grande, até a terra e o clima podem ser fatores que vêm somar. Isto é o ”Clube da Minhoca”. Ele soma o que nós temos de melhor”, afirmou Nonô Pereira, em apêndice do livro ”Porque utilizo o plantio direto”, publicado por Franke Dijkstra.Naquele mesmo ano, reuniões informais foram acontecendo, principalmente a campo, com demonstrações práticas e debates entre os produtores e técnicos. A primei-ra demonstração de semeadoras adaptadas aconteceu naquele ano, antes da safra de verão, na Fazenda Piedade, de Nonô Pereira, sob a coordenação do engenheiro agrônomo Nadir Razini, que fora contratado pela Coopagrícola para trabalhar exclusivamente com plantio direto. Foi surpreendente o número de semeadoras trazidas por produtores da região. Pela primeira vez, foi demonstrada um protótipo com discos duplos desencontrados, apresentado pelo pesquisador José Portella, da Embrapa de Passo Fundo. Era uma semeadora da Lavrale, de Caxias do Sul, que ainda estava em fase experimental. Pela primeira vez também, com a presença do jornalista Renato Moreira, da Rede Globo, as notícias sobre o plantio direto e as ações práticas do ”Clube da Minhoca” ganhavam repercussão nacional. Nos anos seguintes, isso seria uma constante, com o crescimento do plantio direto na região dos Campos Gerais, a realização dos Encontros Nacionais de Plantio Direto e a requisição para palestras e encontros dos produtores e técnicos que participavam do Clube, inclusive tomando parte na formação de outras entidades similares, em todo o país e no exterior.
Tecnologias & Filosofias
Plantio direto: questão de sobrevivência
Franke DijkstraPresidente da Cooperativa Batavo, em 1985, na abertura do III Encontro Nacional de Plantio Direto
”O plantio direto não é apenas uma técnica diferente. É uma questão de sobrevivência. Ele vem em defesa do bem comum. Sabemos que, em muitas regiões do mundo, os desertos se expandem a cada dia e isto se deve ao maior desgaste da terra, usada de forma primitiva. O homem, sem tecnologia, sem formação e sem recursos apropriados, esgotou esses solos, buscando sua subsistência.No plantio direto, o homem não precisa tentar ser mais forte do que a terra. Ele deve observá-la, entendê-la e tratá-la como ela quer ser tratada. Esta técnica está hoje consolidada, não requer subsídios com juros preferenciais. Não foi o trabalho de uma só pessoa, mas de um grupo, que possibilitou alcançarmos o ponto onde estamos hoje. Foi a soma dos esforços de agricultores, extensionistas e pesquisadores, aliados à empresas nacionais e estrangeiras, que permitiu atingirmos este marco de desenvolvimento. Através do plantio direto na palha conseguimos reduzir o uso de herbicidas, de fertilizantes, de combustíveis, de maquinário. Além disso, conseguimos anular a erosão e ainda aumentar a disponibilidade de água, ampliar a área agricultável e a produção, gerando maior quantidade de alimentos e,conseqüentemente, maior oferta de empregos. Estamos propondo aos dirigentes da Nação o instrumento mais barato e eficiente para o aumento da produtividade. Mais importante do que isto, estamos propondo a tecnologia que não compromete a integridade do solo, integridade esta da qual dependem as futuras gerações.”
Conservação de solos com criatividade
Maury SadeEngenheiro Agrônomo, Secretário Executivo da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha
”Quando falamos em adoção do Sistema de Plantio Direto, referimonos a esta prática dentro de um contexto geral de conservação de solos. No seu planejamento, são envolvidos uma série de atividades agrícolas importantes, com o objetivo de obter resultados de manutenção e adequação das potencialidades produtivas dos solos que, necessariamente, exigem uma assistência técnica eficiente, moderna e permanente. Além disso, o espírito conservacionista e a criatividade do produtor, aliado ao apoio técnico (pesquisa + extensão), são fatores preponderantes para o desenvolvimento e sucesso da utilização do Sistema de Plantio Direto.As recomendações técnicas não podem e não devem ser feitas em cima de mesas de escritório, mas sim no campo, de acordo com cada caso e incentivando a criatividade do produtor.”
Plantio direto: efeitos em cadeia de forma interativa
João Carlos de Moraes SáProfessor da Universidade Estadual de Ponta Grossa
”O plantio direto é definido como um sistema porque suas reações ocorrem em cadeia e os efeitos são interativos. Se você quer manter o sistema, tem que entendê-lo e levar em consideração que as propriedades do solo não se manifestam de forma isolada. O não revolvimento do solo e a deposição de resíduos culturais alteram a dinâmica de uma série de propriedades químicas do solo. Neste caso, é preciso ter a mente aberta para outros métodos, mesmo que sejam difíceis de conduzir, na prática. Franke Dijkstra e Nonô Pereira voltaram dos Estados Unidos, em 1979, com a informação de que o calcário poderia ser aplicado na superfície. Eles introduziram o método em suas lavouras e tiveram sucesso. Apesar disso, o assunto só foi debatido amplamente, mais tarde. A pergunta era: em áreas com longo tempo sob plantio direto é necessário ou não a incorporação do calcário para corrigi-la?Os resultados de pesquisas em diversas situações, na região de atuação da Fundação ABC, mostraram que não é necessário revolver o solo para incorporar o calcário e reduzir o efeito da acidez. A aplicação em superfície trouxe resultados satisfatórios sob os aspectos técnico e econômico. É preciso não exagerar nas quantidades aplicadas e na freqüência, para evitar problemas com a disponibilidade de alguns nutrientes.Em relação ao uso do nitrogênio, constatamos que a preocupação não deveria ser somente em relação à cultura antecessora, mas sim com a rotação como um todo e com o tempo de adoção do plantio direto. Por exemplo, o efeito da aveia, que antecede o milho, proporciona uma produtividade inferior, relativamente a uma leguminosa. Porém, quando manejamos o nitrogênio, aumentando a dose na semeadura, obtemos resultados tão bons quanto com leguminosas, principalmente quando se computa o tempo de plantio direto na lavoura.Em relação ao fósforo, conseguimos grandes avanços, não somente na redução da quantidade utilizada, mas também no conhecimento de sua dinâmica em solos sob plantio direto. As respostas obtidas, principalmente nas culturas de milho, soja e feijão, mostraram que é possível fazer uma economia de 60% na utilização da adubação fosfatada. Hoje, temos um avanço significativo no conhecimento sobre a dinâmica do elemento fósforo no sistema. Podemos afirmar que, mesmo em culturas exigentes, a economia é real. Isso é importante considerar também porque, segundo as indústrias produtoras de fertilizantes, as reservas mundiais de fósforo não duram mais do que 50 anos.”
A importância da assistência técnica no sucesso do plantio direto
Manoel Henrique PereiraPresidente da CAAPAS (Confederação das Associações Americanas Para uma Agropecuária Sustentável)
”O que nós estamos fazendo com o plantio direto nada mais é do que repetir aquilo que a natureza vem fazendo ao longo do tempo: colocar a semente sobre folhas mortas, para dali surgir uma nova planta. Nós fazemos a mesma coisa. Colhemos e, plantamos em cima da palha que resta, não movimentamos nada o solo, a não ser a pequena fenda onde é colocada a semente.Ainda tenho mentalizado o mapa do plantio direto no Brasil, onde o sistema foi proposto e avançou. E sempre foi sintomático que, nesses lugares, houve a liderança de um engenheiro agrônomo ou de um técnico, assumindo a coordenação de dias de campo, de reuniões técnicas e de caravanas que viajavam para visitar propriedades ou eventos, na busca de informações sobre o sistema. Recebí muitas excursões, ônibus lotados de produtores, mas, normalmente, sob a coordenação de alguém da assistência técnica. O esteio da evolução do plantio direto nos Campos Gerais do Paraná foi a assis-tência de um corpo técnico valorizado e criativo, que sempre soube buscar respostas para os entraves que o programa enfrentou, desde o início. Claro que, assim como em outros países e em outras histórias semelhantes, o produtor foi a locomotiva do processo mas, sabidamente, sem o apoio técnico, numa interface direta, o plantio direto não teria andado nos termos que hoje estão registrados.A pesquisa também foi importante, embora trabalhe dentro de suas características investigativas, que pressupõe um tempo maior e um raciocínio mais estável, em função da sua própria formação. Mas hoje, ao completar-se um quarto de século em que o plantio direto começou sua carreira importante nos Campos Gerais do Paraná, é possível desenhar o tripé sobre o qual se assentou esse histórico de sucesso, que acabou gerando uma tecnologia agrícola, branda na sua essência, que revolucionaria silenciosamente a forma de fazer agricultura no Brasil, na América Latina e em outros países do mundo.Hoje, esse tripé está consolidado. Sabemos que a memória genética da grade e do arado ainda perdura no íntimo de todos os segmentos envolvidos e que somente o tempo resolverá essas eventuais recaídas. Mas, nesse momento de reflexão, é importante considerar essa base evolutiva, que levou praticamente um quarto de século para ser equacionada. Lembrando as dificuldades iniciais, sabemos do valor que os pioneiros do plantio direto tiveram, enfrentando a contrariedade do saber estabelecido e a falta de informações, além do próprio desdém daqueles que relutaram a vida inteira para enxergar e assumir o óbvio. Hoje, com o trabalho firme da pesquisa e da assistência téc-nica, o terceiro elo da cadeia, o produtor realiza um esforço mais equilibrado para estabelecer um sistema de exploração agrícola sustentável, uma tecnologia disponível para grandes e pequenos, graças a todos aqueles que deram a sua cota de sacrifício, nesse caminho de lutas. Hoje também, mais que nunca, os pequenos proprietários usufruem desse potencial produtivo, proporcionado pelas instituições de pesquisa e extensão rural, tornando a vida mais plausível dentro da propriedade familiar.”
Plantio direto revitalizou agricultura sub-tropical
Hans PeetenEngenheiro Agrônomo Fundação ABC (1976-1990)
O Sistema Plantio Direto na Palha levou 15 anos para atingir um milhão de hectares, um fato interessante, se compararmos ao crescimento rápido de adoção desta tecnologia nos últimos dez anos, impulsionado em grande parte pela maior transparência das vantagens econômicas e a redução do risco de produção comparado ao preparo convencional. Em 2001, 14 milhões de hectares conservados significam uma considerável redução na perda anual de água, comparável ao volume do lago de Itaipú. É interessante lembrar que são necessárias cerca de 1000 toneladas de água de irrigação para produzir uma tonelada de grãos e esse volume de água seria suficiente para produzir 26 milhões de toneladas, quase 30% da produção anual de grãos do Brasil.Quando celebramos 25 anos de progresso na conservação de solo e água nos Campos Gerais do Paraná, vale reforçar o extraordinário significado deste modelo, como um exemplo brasileiro de agricultura sustentável, válido para grandes e pequenas propriedades, alcançando uma enorme importância agrícola a nível mundial.O grande interesse atual pelo plantio direto na palha entre produtores, engenheiros agrônomos, cooperativas, universidades e agroindústrias faz desta comemoração um momento memorável na história do Paraná e do Brasil, como um testemunho perante as futuras gerações da preocupação da sociedade atual com a sustentabilidade agrícola e a conservação do solo e da água, em termos específicos.As comemoração dos 25 anos de Plantio Direto na Palha nos Campos Gerais realiza-se numa peculiar década de liberalização do comércio mundial, acompanhado de uma crescente competitividade internacional, afetando tanto o produtor como os fornecedores de insumos, a agroindústria e a sociedade como um todo.Igualmente, o consumidor atual, com um rápido desenvolvimento nos meios de comunicação, exige que a produção de alimentos de qualidade seja complementada com um manejo responsável do nosso ambiente e uma utilização mais eficiente dos recursos naturais.Para garantir uma produção agrícola competitiva no futuro, o sistema agrícola deverá ser constantemente ajustado ao mercado, numa mescla balanceada de objetivos, focalizados num lucro aceitável para o produtor bem como em aspectos de preservação ambiental. Isto demanda uma contínua simbiose sincronizada na melhoria do conhecimento, das práticas aplicadas no campo e seu intercâmbio com a sociedade.No entanto, é importante lembrar que comprar conhecimento é difícil, uma vez que isso deve ser conquistado através da experiência. Vale ressaltar que o progresso na conservação do solo e da água e o Plantio Direto na Palha, em termos gerais, de-penderá da nossa capacidade, inclusive dos dirigentes políticos, em garantir a transferência dos nossos conhecimentos às próximas gerações, para que tenhamos futuros produtores capazes de suprirnos com alimentos de qualidade, já que, sem alimentos, não sobreviveremos.É uma grande honra poder participar nas comemorações dos 25 anos de Plantio Direto na Palha dos Campos Gerais. Estou convencido que ele será mais uma contribu-ição ao progresso futuro da agricultura brasileira, conservando as belezas naturais deste país.
IAPAR e a pequena propriedade
Maria de Fátima RibeiroPesquisador do Iapar - Ponta Grossa - PR
Os primeiros trabalhos de adaptação dessa tecnologia junto aos agricultores foram realizados pela equipe do IAPAR/Programa Sistemas de Produção na Comunidade do Cerro da Ponte Alta, município de Irati, Paraná, em colaboração com os agricultores Félix Krupek, Vitor Baranhuk e Frederico Princival. Durante o período de 1989 a 1993, foram feitas adaptações do protótipo de semeadora Gralha Azul/IAPARlançada em 1985, visando reduzir o seu peso e tamanho, além da introdução de um disco duplo de diâmetro defasado para abertura do sulco de semeadura. Por meio de Unidades de Teste/Validação, nesse período, avaliou-se a eficiência técnica e econômica do sistema de plantio direto a tração animal bem como os principais entraves para a sua adoção. A partir de 1993, esse trabalho foi ampliado para 30 propriedades, por meio de Unidades de Teste/Validação que eram conduzidas pelos agricultores, com acompanhamento de técnicos da extensão oficial (EMATER/PR) e coordenado pelo IAPAR. Como nessa época não havia nenhuma semeadora sendo produzida em escala comercial, foi repassado o projeto da semeadora Gralha Azul/IAPAR para a indústria MH equipamentos , que produziu 30 modelos para serem utilizados nas Unidades de Teste/Validação.A cada ano, os resultados eram avaliados em conjunto entre pesquisa, extensão e agricultores, através de reuniões nas quais levantava-se os principais problemas observados, as suas causas e soluções. Além de instrumento para adaptação tecnológica, essas unidades serviram para capacitar os extensionistas e difundir o sistema nas comunidades. Observou-se que para cada Unidade de Teste/Validação implantada, houve uma adoção média de 10 agricultores vizinhos (Darolt & Ribeiro, 1996).