Plantio Direto Perde Grant Thomaz (1932-2001) — 9º Congresso AAPRESID Mar del Plata


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Publicado em: 01/10/2001

Plantio direto perde Grant Thomaz

Durante a realização do 9º Congreso de Siembra Directa, da AAPRESID, em Mar del Plata, na Argentina, de 13 a 15 de agosto, foi divulgada a notícia do falecimento do pesquisador Grant Thomaz, da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, fato acontecido na semana anterior. Grant Thomaz foi um dos pioneiros na pesquisa do sistema, na Universidade do Estado de Kentucky e em diversos programas na América Latina. Os primeiros trabalhos conduzidos por Shirley Philips, naquela instituição de pesquisa, remontam ao ano de 1968, e Grant Thomaz fazia parte da equipe que efetivou esses experimentos nas duas estações experimentais da Universidade e também a nível de fazendas. Em 1970, foram instaladas parcelas de pesquisa de longo prazo em plantio direto, que ainda estão estabelecidas e fornecem informações permanentes sobre o sistema. A morte de Grant Thomaz foi sentida pela direção e associados da AAPRESID porque ele trabalhou também na Argentina e participou em congressos da entidade, sempre com destaque e eficiência técnica, e por todo o mundo científico e produtivo ligado ao plantio direto. Na verdade, ele era respeitado nos Estados Unidos e em vários outros países, inclusive no Brasil, onde realizou visitas e conferências. Com domínio perfeito do espanhol, por ter trabalhado também na América Central, Grant Thomaz era uma pessoa animada e transmitia sua alegria aos demais, inclusive através do canto, arte na qual possuía qualidades respeitáveis.Anfitrião

”Para mim sempre é um prazer receber visitantes da América do Sul. De minha parte, fico entendendo muitas coisas e, creio que, com esse intercâmbio entre os países, poderemos avançar no sistema plantio direto.” A recepção que Grant Thomaz nos proporcionou na cidade de Lexington, a capital do Kentucky, em agosto de 1993, foi um dos pontos altos na nossa visita aos Estados Unidos. Éramos dez técnicos e produtores brasileiros, principalmente gaúchos, numa breve excursão organizada pelo então Jornal do Plantio Direto, com a coordenação do pesquisador Rainoldo Kochhann, da Embrapa Trigo. Em Lexington, a capital do Estado do Kentucky, além de um programa excelente, com seminário e visita às parcelas com diversos experimentos importantes de plantio direto, entre as quais aquelas iniciadas há 23 anos, Grant Thomaz nos recebeu em sua propriedade, distante da cidade, para um churrasco que nos ajudou a matar a saudade de casa.Opiniões sobre plantio direto

Na edição número 18 do Jornal do Plantio Direto (Novembro/Dezembro de 1993), publicamos uma entrevista com Grant Thomaz, na qual ele manifestou algumas opiniões sobre plantio direto, com as quais registramos nossa homenagem à sua memória.

”Muitos produtores ainda não aderiram ao sistema porque os requisitos para o plantio direto são mais exigentes do que os do preparo convencional. É necessário saber manejar ervas invasoras, máquinas e implementos, água, dinheiro e tempo, numa maneira diferenciada em relação ao velho sistema.””Depois de muitos anos de agricultura, a erosão acabou com o solo. Foi impossível manter uma agricultura sustentável, durante anos, com pendentes acentuadas, grandes tormentas no verão e, principalmente, sem cobertura do solo.””Os agricultores estão sendo obrigados, pelo governo americano, a fazer planos de conservação do solo e, uma das formas de atender a essa exigência, é utilizando o plantio direto. Além disso, atualmente, existe uma série de fatores que favorecem o sistema: o movimento pela conservação do ambiente, em geral; o suporte de pesquisa das universidades; os novos herbicidas, fundamentais para a evolução do sistema; e a nova série de máquinas e implementos que, no momento, é mais do que adequada, ao contrário do começo, quando não tínhamos essas opções.” ” Quando começamos a produzir milho sem lavrar, no início da década de 60, isto constituiu-se no primeiro grande êxito do plantio direto, pois proporcionou a possibilidade de fazer três culturas em dois anos, o que não era possível antes, já que não havia tempo para preparar o solo depois da colheita. Essa foi uma invenção dos produtores e não da pesquisa. Ficou claro, então, que o produtor não precisava perder dinheiro para conservar o solo, e isso foi um ponto chave.”